terça-feira, 19 de abril de 2011

As Vitrines




Chico Buarque
Eu te vejo sair por aí
Te avisei que a cidade era um vão
- Dá tua mão
- Olha pra mim
- Não faz assim
- Não vai lá não
Os letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão
Eu te vi suspirar de aflição
E sair da sessão, frouxa de rir
Já te vejo brincando, gostando de ser
Tua sombra a se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar
Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo um salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão

Um comentário:

Homem do Norte disse...

Bela lembrança, Carlos. Para mim é a mais bela poesia de Chico depois de "violeira". A minha impressão é que ele compôs na REDLIGHT DISTRICT, em Amsterdam.