terça-feira, 3 de abril de 2012

Portenhos em fotolegenda experimental


Em cada quarteirão de Buenos Aires, um sem-número de manifestações populares. Aqui, o povo se manifesta pública e enfaticamente. Não engole o choro, não. Ontem foi feriado na terra dos hermanos, em memória aos caídos na guerra das Malvinas. Quem chegou primeiro nas ilhas, se ingleses, se argentinos, creio que não importa mais. Tem vida pensante por lá, que deve decidir por si. De todo modo, trago imagem de alguns dos cartazes que foram afixados em boa parte da cidade, exigindo a posse das ilhas. Vejam também que os cartazes já estão colados por cima de outros, do centro Rosa Luxemburgo, que mencionei no outro post.


São mais que disseminadas as expresões contra o prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri. Nem sempre são assim, bem pintadinhas em muros de organizações sociais. A grafitagem corre solta por aqui, muitas vezes agredindo prédios e monumentos públicos e ou privados. Feio? Pode ser. Afronta direito alheio? Também. Mas o fato é que raramente se vê um "rabisco" que não tenha uma indignação política expressa diretamente. Não justifica, mas é um indicador de que a população, além de ciente das violações a que sofre, se organiza e exige. Não se conforma. E isso é fundamental para as conquistas sociais.

Lá fundo, no prédio ao lado do turístico e fálico Obelisco, há grafitada a imagem do mito Evita Perón. Me encanta sobremaneira a força da memória dos portenhos. Conhecem quem fez parte de sua história e fazem menção a essas pessoas constantemente, de diversas maneiras. Lindo! Espero que o trabalho de recuperação do acervo iconográfico da SDDH e da trajetória de resistência nos Pará contibua para que nós também avancemos ao encontro desta virtude. Ah, esse tapume feio aí é pra demarcar a avenida 9 de Julio, onde havia uma corrida de carros (e não de bici, como na Belgica...).

Saludos desde Argentina!

6 comentários:

Admin disse...

qué bien está esto!

Marise Rocha Morbach disse...

Cada vez me encanto mais com Buenos Aires. Muito dignificante essa cidade. Não tem um amigo que tenha morado aí que não goste. E com as suas postagens serei flechada definitivamente pelo cupido Buenos Aires. Beijos querida.

Edvan Feitosa Coutinho disse...

É verdade, Buenos Aires é uma das mais belas e interessantes cidades do mundo. O astral dos nosso hermanos é sempre alto, o nível de serviços é europeu e nunca senti na pela nenhuma rivalidade com relação a nós, brasileiros em 3 ou quatro vezes que estive viajando pela Argentina. Eu também concordo com Erika, eles não sofrem calados. Lembro que, há 6 anos, de vez em quando havia manifestantes com bumbos na porta da casa dos ex-torturadores.

Marise Rocha Morbach disse...

Edvan, também me senti acolhida em Buenos Aires. Me diziam que os portenhos eram grosseiros com os brasileiros: não senti nada disso; gostei muito da cidade e das pessoas de lá.

Erika Morhy disse...

Claro que há do que se reclamar de Buenos AIres também, mas sempre bom apoveitarmos a travessia de fronteiras para aprendermos algo das experiências vizinhas também. As buzinas aqui soam como as Belém, por exemplo. Uma loucura. Há um bocado de lixo nas vias, e coco de cachorro também (não vi ninguém com saquinhos pra juntar os "presentes" de seus mascotes). Mas essa pujança dos portenhos é apaixonante. E, sim, as reações intempestivas que presenciei em nada me pareceram ter relação com a tão propalada rivalidade com brasileiros. De onde tiraram isso, já? Beijo a todos.

Erika Morhy disse...

Outro dia vi presenciei um entrevero entre uma mulher que queria ir ao banheiro de um restaurante chinês e a atendente da recepção. A mulher não era cliente e o restaurante portava uma placa informando que esta era a condição para usá-lo. Bateram boca no salão. A mulher entrou. A atendente foi até o banheiro. E se escutava os gritos do salão. Uau! Noutra ocasião, em uma das livrarias Ateneu, duas colegas de trabalho discutiam no balcão de atendimento. Um cliente preferiu trocar de fila, quando foi chamado por uma das moças para chegar-se seu ao caixa. Ele perguntou se ela podia então atendê-lo. De cara amarrada, ela justificou que tratava com a colega e ele disse que não tinha nada a ver com isso. Uau 2! Dia intenso.