terça-feira, 30 de outubro de 2012

Os esquemas de sempre

A esta hora, já devem ter concluído a varrição do salão onde comemoraram o resultado das eleições do último domingo, por isso é hora de pensar em alguma coisa que tenha cara de trabalho. Se bem que trabalho de político é montar esquemas de governo (entenda esquemas como quiser), ainda mais considerando que o jabuti eleito não é lá muito familiarizado com esse negócio de expediente.
A pergunta que se impõe é: Zenaldo Coutinho fará um bom governo à frente da prefeitura? Respondo: sim, fará. Mesmo que não faça.
Explico: Almir Gabriel fez um bom governo em seus 8 anos à frente do governo do Estado? Jatene fez um bom governo nos 4 anos subsequentes? Está fazendo um bom governo agora? Tanto faz. Não importa. Simplesmente não importa. Seus incontáveis aliados sempre proclamam aos quatro ventos que tudo que é feito pelo PSDB é simplesmente irretocável; os outros, quaisquer outros, é que fazem tudo errado.
Parafraseando o arquiteto e blogueiro Flávio Nassar, enquanto em vários Estados do país a espécie Tuccanus biccus longus está quase extinta, aqui no Pará ela cresce e se multiplica. Com certeza não é por amor à natureza, mas por uma extraordinária cobertura. Não me refiro à cobertura vegetal, mas a uma impressionante união entre governo do Estado (e agora seu almoxarifado, na capital) e todos os setores do poder público (inclusive aqueles que deveriam ser isentos ou fiscalizadores), a iniciativa privada e metade da imprensa local (que são duas grandes empresas de comunicação).
Com a patota toda falando a mesma língua, como alguém pode errar? Por aqui, o esquema de legitimação do tucanato é aquele magistralmente definido pelo ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, Rubens Ricúpero: "Eu não tenho escrúpulos: o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde."
Foi assim durante 12 anos e, passado um breve interregno — sempre disse que o meu maior rancor contra o desastroso governo Ana Júlia foi pavimentar o caminho para o retorno da tucanalha , está sendo novamente.
Então chegou a vez de Zenaldo governar do jeito que todo tucano governa: com apoio de todos os lados e, particularmente, maioria folgada na Câmara dos Vereadores, não por acaso cognominada Casa de Noca pelo nosso saudoso e sempre lembrado (inclusive por isto) Juvêncio de Arruda. Naquele honorável sodalício, ela aprovará o que bem entender. Por conseguinte, não existe a menor possibilidade de fazer um governo ruim. Por mais que faça um catastrófico.
Veja-se que até Duciomar Costa brilhou como um sol no legislativo mirim (nomenclatura empregada de propósito). Só não conseguiu enganar quanto ao horror que representava. Mas mesmo assim se re-elegeu.
Mantenho, entretanto, minhas réstia de esperança. A partir de janeiro, havemos de ficar melhor do que estamos agora. Deus ajude.

9 comentários:

Prof. Alan disse...

Yúdice, tenho 16 anos de serviço público federal, 6 dos quais sob a gestão do PSDB. E uma coisa que aprendi em relação a Tucanos, quando se trata de gestão administrativa, é que nunca se está tão ruim que não possa piorar.

Exemplifico: no auge dos escândalos da SUDAM, com a autarquia na mira de toda a imprensa brasileira, começou a circular uma conversa estranha por lá. Falava-se insistentemente na agência de fomento ao desenvolvimento do Chile, que era um modelo de atuação em desenvolvimento regional e supostamente era privada. É isso mesmo que você pensouy: queriam empurrar essa ideia para depois privatizar a SUDAM.

Nada de espantar, eis que alegar a ineficiência do serviço público como razão-mor das privatizações era o cerne do discurso tucano, pisado e na privatização das teles e das concessionárias de energia elétrica. E nada era mais ineficiente do que a SUDAM daquela época (2001/2002), pintada na mídia como um antro de corrupção, do que estranhamente FHC não tinha a menor culpa - pelo menos para a mídia...

Então, meu amigo virtual, admiro sua esperança em dias melhores para a nossa terra natal. Mas infelizmente não consigo compartilhar dela.

Adelina Braglia disse...

Caro Yudice,

eu compartilho da sua esperança. Por razões simples. Simplícissas até.

Zenaldo Coutinho não é e nunca se propôs a ser um revolucionário.
Edmilson pousa como tal e caminha cada vez mais tão à esquerda que tromba com a direita.

Depois de 8 anos de Duciomar, Belém precisa de cuidados básicos e afagos, como se fora um doente saindo de uma longa internação na UTI.

Com serenidade e poucas - mas fundamentais - prioridades Belém vai se recuperar.

A cantilena da Edmilson sobre a Educação,especialmente para que isso alavancasse sua condição deProfessor - fora das salas de aula há pelo menos 12 anos, a não como aluno do tão decantado doutorado - foi típica da sua ansiedade pelo poder municipal, sem levar minimamente a sério o que acontece hoje em Belém.

A educação em Belém não é um primor, mas está longe ser caótica - e isso não se deve a Duciomar, é óbvio, mas ao trabalho sério de Terezinha Gueiros - como a saúde e o saneamento básico.

Assim ao destacar outros serviços públicos esenciais na campanha, Zenaldo Coutinho estava correto.

Penso ainda que teremos benfícios também no transito e no transporte público. Afinal, é impossível falar em trafego e tranporte que não seja planejado na integralidade da área metropolitana. Você imagina Edmilson e sua baixíssima generosidade política - perto do zero - conversando com Manoel Pioneiro e com o Governador? Eu não.

Minhas esperanças são na medida da recuperação pós UTI. Mas existem.

Abração.

Yúdice Andrade disse...

Caro professor, suas palavras me assustam, porque as tomo como altamente plausíveis. Lamento profundamente que a realidade seja essa.
Não posso pedir-lhe esperança, até porque eu mesmo sou meio difícil com isso. Mas aguardemos. É o que nos resta.

Querida Adelina (a nossa eterna Bia), sua alegoria de Belém na UTI é precisa. Qualquer prefeito em meio a esta devastação teria mesmo um grande desafio pela frente.
Quanto a Zenaldo, não tenho uma opinião específica, porque seus muitos anos de mandato parlamentar federal não o tornaram um político conhecido por quaisquer feitos que lhe possam ser atribuídos como méritos. Essa crítica faço a ele: alguém com tanto tempo na Câmara Federal já deveria ter aparecido.
Até para se eleger prefeito, ele se elegeu por ser o candidato do PSDB. Pessoalmente, ele não conseguiria muito - daí o "jabuti". E, com todo respeito a você, particularmente, tenho aversão demais ao PSDB para considerá-lo uma boa opção.
Fiz muitas críticas ao Edmilson. A começar por me incomodar a ideia de um terceiro mandato, mas tenho também minhas ressalvas pessoais. Só não desistiria de uma candidatura à esquerda, ainda mais diante das opções. O discurso de campanha dele era mesmo chatíssimo, repetitivo. O papo de "eu estudei" era pedante e inócuo. Sem falar naquele tom messiânico, que me aborrece.
Quanto a Zenaldo, não atribuo a ele nenhum dos méritos que você aponta. O mérito, provavelmente, é do marqueteiro. As propostas devem ser ótimas, mas são isso mesmo: propostas. O problema raramente é o programa de governo, mas o que acontece após a eleição.
Finalmente, será mesmo que Edmilson não dialogaria com o governador (que eu já disse: como governador, é um ótimo cantor e como cantor, um ótimo pescador - aliás, o que foi mesmo que Jatene fez nesses dois anos?) e com Pioneiro (aff...) por falta de generosidade? Será esse mesmo o ponto? Recordemos o que o governo tucano fez com Belém durante os 8 anos do Edmilson e teremos que ponderar quem realmente faltou com a generosidade. Foi criminoso, minha querida. E se somarmos os 8 anos seguintes, com a herança que eles nos empurraram e agora não tem a hombridade de admitir, a coisa piora.
Querida, gosto imensamente de você e a respeito, inclusive por saber que exerce função no governo. Por i sso faço questão de esclarecer quais são as minhas prevenções. E deixo claro, também, o que tenho repetido há muito tempo: precisamos de duas coisas para salvar este país. Uma são novos líderes políticos. Outra é o fim da polarização PT-PSDB. Juntos ou separados, esses dois ainda vão enterrar este país.
Grande abraço.

Marise Rocha Morbach disse...

Yúdice, sempre achei que se é prá bater: bate no figado! Você foi no ponto!

Pedro do Fusca disse...

Vamos ver se depois que o nosso "oftalmologista" Duciomar entregar o osso se vai se livrar facilmente da justiça como ocorre agora. Mesmo ele fazendo estas romanices e barbalhices que todos temos conhecimento nestes oito anos de Prefeitura a justiça não conseguiu alcança-lo graças ao aparelhamento que fez com seus defensores. O Zenaldo não pode fazer um governo pior que o do Duciomar pois isto não existe e nos não merecemos. É muita praga se isto acontecer!

Prof. Alan disse...

Yúdice, só pra esclarecer: a agência de desenvolvimento do Chile não é privada, e nunca foi. É vinculada ao Ministério do Interior daquele país, e coordena uma ampla rede de agências de desenvolvimento municipais e regionais.

Ou seja, queriam nos engrupir com uma mentira, pra vender o produto "privatização da SUDAM"...

Raimundo Costa disse...

Quando você tem uma ideia preconcebida e um pensamento parcial, inclusive contra tucanos, beltranos ou cicranos, é muito fácil elogiar os que você tem certeza absoluta, contra tudo e todos, que é o melhor. Partidarismos à parte, é muito triste ver, aqui, pessoas que se dizem cultas, falar abobrinhas e desejar o mal, só porque não quer ver o bem triunfar. Tenho orgulho de ser paraense, mas medo de pessoas como o prof. Alan e Marise.
Que Deus ilumine e os perdoe.
Inclusive, o pobre jabuti que se utilizou indevidaemnte.
Abs e saúde a todos e que o respeito pelos outros seja uma tônica em nossas vidas.

Raimundo Costa

Marise Rocha Morbach disse...

Yúdice, "fará mesmo que não faça" foi simplesmente ótimo!Rsrsrsrsrs

Yúdice Andrade disse...

Marise, adorei essa. Vou fazer uma nota mental dessa frase. Quanto ao que escrevi, não foi sempre verdade no tucanato?

Oremos, Pedro!

Grato pelo adendo, Prof. Alan. É importante deixar as coisas bem claras.

Raimundo, a Regina Duarte também tem pavor de nós!!! :)