domingo, 17 de setembro de 2006

Auto do Círo: por que foi cancelado?

Sou um admirador e participante ativo de todas as comemorações da quadra nazarena. Vou a todos os eventos, encontro a galera que não via há anos e apoio as manifestações culturais que acontecem na época. E foi mesmo com muita tristeza que fiquei sabendo que o Auto do Círio, uma de suas manifestações culturais mais concorridas, este ano não vai acontecer.
Yúdice Randol, professor de Direito Penal da UFPa também concorda e em seu blog Arbítrio do Yúdice aponta no post A verdade sobre o fim d'O Auto do Círio as reais razões para, na sua opinião, vivenciarmos hoje esta péssima notícia.

Apesar de tombado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO como patrimônio imaterial da humanidade desde 2004, pela segunda vez desde o seu surgimento, em 1991, não será apresentado. Motivo real: há dois anos, a realizadora, Universidade Federal do Pará, através da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa - FADESP, vinha recebendo patrocínio da Vale do Rio Doce - aquela mesma que jura fazer muito pelo Pará. Não houve, porém, a devida prestação de contas. Acionada judicialmente, a UFPA/FADESP apresentou contas irregulares e o resultado, óbvio e em cima da hora: patrocínio cancelado.

Mais adiante, também afirma:

PS - Saiba também que a Prefeitura de Belém e a Secretaria de Estado de Cultura nem sequer receberam os promotores do auto. Se o espetáculo fosse sair, os artistas sequer poderiam ensaiar na Aldeia Cabana, porque não foram autorizados. Prova-se assim, indiscutivelmente, o que todos sempre soubemos: o governo estadual e seu apêndice (a atual administração municipal) jamais tiveram qualquer política cultural séria.

Leia mais aqui.

5 comentários:

citadinokane disse...

Barretto,
É lamentável e quero somar a minha voz junto a de muitos outros que estão decepcionados com os rumos da cultura em nosso Estado.
Longe de me colocar contra os Festivais de música erudita, ópera, dança e o escambau que recebem o patrocínio do Governo do Estado do Pará...
Seria tão bom que o secretário Paulo Chaves, que outrora foi carnavalesco do "Quem São Eles", desse uma pequena atenção para a chamada cultura popular...
Com relação à prestação de contas, caro Barretto é só derrota... Não se leva a sério nada, e aí perdemos todos nós que amamos essa terrinha linda, formosa, mas bastante desprezada pelas autoridades. Chega.
Desculpe-me pelo desabafo.
Abraços,
Pedro

Flanar disse...

Pois é, Pedro. Nada contra a ópera e todo resto. Só não dá pra deixar de investir na cultura popular que é acessível a todos. Os que são contra ou mesmo a favor deste governo.
Abs

Anônimo disse...

Certamente o prefeito receberia os promotores se estes viesse bem encaminhados por alguns pastores evangélicos, ou se o auto fosse um ato de louvor "ecumênico".

Yúdice Randol disse...

Caro Barretto, ainda não havia agradecido pela postagem da nota. As pessoas têm lido e isso certamente será útil para uma melhor formação de opinião sobre este nosso mundinho. Obrigado.
PS - Sou professor do CESUPA.

Flanar disse...

Caro Yúdice.
Vc definitivamente não tem que agradecer nada. Para mim foi mesmo um prazer publicar esta sua manifestação. Eu é que devo me desculpar por ter trocado seu emprego. :-)
Abs