domingo, 31 de dezembro de 2006

Feliz 2007

Infelizmente, não estarei exatamente comemorando a passagem de ano hoje, como a imensa maioria das pessoas. Eu e mais uma grande equipe entre médicos, enfermeiras, técnicos de enfermagem, profissionais de serviços gerais, estaremos de plantão em uma UTI, à espera dos desatinos destas comemorações. Neste momento, recolhido no retiro de minha casa, concentrado para o inferno, despeço-me tristemente de minha pequena família, que vai para o Mosqueiro, aproveitar os últimos minutos de 2006, que não deixa saudades por um variado leque de motivos.
Nestas horas solitárias, o que poderia querer que não acontecesse?
Simples. Espero não encontrar nenhum amigo ou familiar para receber os meus serviços profissionais. Nada pode ser mais dramático e aterrorizante na vida de um médico.
Melhor seria, que ninguém precisasse vir a hospitais em épocas comemorativas. Mas eles sempre vêm. Todos literalmente põem o pé na jaca.
Torço como ninguém para que todos brinquem a passagem de ano de maneira civilizada e responsável.
Mas ao menos vocês, meus amigos, familiares, por favor. Cuidem-se pelo amor de Deus, e pensem muito antes de fazer qualquer desatino hoje. Não aumentem minha tristeza nem ampliem meus desafios cotidianos.
Eles por si só, já são suficientemente desgastantes.
Feliz 2007! Na paz!

8 comentários:

Yúdice Randol disse...

Não sei qual dos médicos postou este comentário, mas vale para todos. Já raiou o dia e sei que, de todo modo, a comemoração já passou, se é que houve. Mas espero que o plantão tenha sido dentro das expectativas de tranqüilidade manifestadas.
Realmente, não consigo entender como alguém pode se divertir se prejudicando, mas quem pode entender os seres humanos? Eu já desisti.
Bom final de plantão, descanso subseqüente e comemorações atrasadas, porém sempre válidas, com a família.

Flanar disse...

Dos 3 médicos que assinam este blog, o único que ainda vive de plantões por força da especialidade escolhida sou eu, Yúdice. O Barretto.
Aliás, acordei agora após um plantão surpreendentemente tranquilo, sem novas admissões na unidade. Mas um dos pacientes que lá já estava, deu muito trabalho e só pude descansar por volta das 3 hs da madrugada.
Agora sim. Com a consciência tranquila do serviço bem feito e a missão cumprida, vou poder abraçar meus 3 amores e curti-los com mais um ano que passa. Dos inúmeros que ainda verei passar, se Deus me permitir. Junto com eles, minha força, minha vida, minha razão de viver, minha felicidade.
Abs e obrigado pela solidariedade.

Ari disse...

Flanar,
teu comentário pré-plantão é a prova de que o médico tem que ter sensibilidade; não pode ser o "técnico em médicina" que eu sempre criticarei. Principalmente para quem trabalha em situações limite, como as vividas nas Unidades de Tratamento Intensivo. Quem dera que pelo menos 1/10 dos demais profissionais pudesse ler e meditar sobre o assunto. Além disso, tua declaração de amor aos teus é também evidencia de que todos precisamos de um suporte "civil" para aguentar a barra. Um carinhoso abraço de Ano Novo.

Ari disse...

Flanar,
teu comentário pré-plantão é a prova de que o médico tem que ter sensibilidade; não pode ser o "técnico em médicina" que eu sempre criticarei. Principalmente para quem trabalha em situações limite, como as vividas nas Unidades de Tratamento Intensivo. Quem dera que pelo menos 1/10 dos demais profissionais pudesse ler e meditar sobre o assunto. Além disso, tua declaração de amor aos teus é também evidencia de que todos precisamos de um suporte "civil" para aguentar a barra. Um carinhoso abraço de Ano Novo.

Flanar disse...

É Ari. Esta história do suporte do "suporte civil" é muito interessante mesmo. Haja suporte para nos aguentar não é verdade?
Um carinhoso abraço para vc também.
Feliz 2007!

Yúdice Randol disse...

Uma amiga minha, que se tornou dermatologista para não ter urgências e emergências, diria que esse negócio de não fazer plantão (que ela ainda faz, no hospital em que trabalha em São Luís) é coisa de médico rico. Será?
Fico feliz que o plantão tenha sido quase tranqüilo e que agora estejas nos braços de teus amores.
PS - Qual é a tua especialidade?

Flanar disse...

Sou intensivista com título de especialista e tudo, Yúdice. Minha especialidade é dar plantões até o fim da vida em UTIs. Mas a sua amiga tem razão. Poucos como eu, fazem a opção por esta especialidade e a razão é esta mesmo. Viver em plantões. Não sou exatamente um médico rico. Aliás, diga a sua amiga que pouquíssimos no país o são. Mas não trabalho em plantões por necessidade. Trabalho em UTI por puro gosto uma vez que odeio a vida em consultórios, naquela prática modorrenta com ritmo lento. Graças a Deus, há gosto para tudo e disso se beneficiam os pacientes. Que podem ter o médico certo para a hora certa. Assim ao menos deveria ser. Contudo, muitos que hoje estão de plantão, não planejam fazê-lo para o resto da vida. E mesmo em UTI existem aqueles que trabalham em UTI e não tiram plantão. São os chamados diaristas que visitam os pacientes todos os dias sob a ótica do intensivista. E há uma carreira nesta especialidade. Começa-se como plantonista e com o tempo, por mérito e às vezes por antiguidade e notório saber, alcançam o status de diaristas.
E dar plantão em dias ruins é algo que pode acontecer com todos os intensivistas a pelo menos cada 10 anos uma vez que cada membro da equipe, sem distinção, terá que fazê-lo seguindo um rodízio. Estava eu em meu ano sabático, por assim dizer.
Abs

Flanar disse...

Aliás, Yúdice.
Avise sua amiga que se o objetivo for ser rico, a cada dia que passa, melhor não escolher a medicina com este propósito. Existem outras profissões mais promissoras neste particular.
Se o objetivo é ser rico, há que se aliar muitas outras características, não exatamente virtuosas além da desejável competência profissional.
Nada contra ser rico. Ao contrário, dou preferência a receber o justo e merecido.
Se por consequência desta opção me vier a riqueza isenta e honesta, já será lucro.
Abs