domingo, 10 de junho de 2007

Microsoft X Google nos tribunais


Thomas Barnett (Foto: NYT)

Este alto funcionário do Departamento de Justiça americano, estaria beneficiando a Microsoft em ação judicial movida pelo Google contra a Microsoft, baseada na Lei Anti-truste.
É o que publica o The New York Times em um importante artigo dominical de sua edição online.
A questão envolve um novo recurso de busca e indexação de arquivos em computadores pessoais, inaugurado há algum tempo pelo Google com sua ferramenta Google Desktop.
Este software, trabalha em segundo plano em seu PC, catalogando seus arquivos, de tal forma que, encontrar aquela imagem, aquele texto que você escreveu no ano passado, pode ser feito num piscar de olhos. Basta digitar alguma palavra-chave na área de busca que a ferramenta vai buscar em e-mails, mensagens instantâneas, arquivos, qualquer coisa relacionada a palavra chave digitada.
Particularmente, experimentei a ferramenta no ano passado e acho que deixou meu PC sensivelmente mais lento. Acabei por retirá-la definitivamente.
Mas pode ser uma ferramenta útil para usuários que costumam guardar uma enorme quantidade de arquivos dentro de seu HD. Como tenho uma política de becape bem implementada, seja utilizando um HD extra conectado a uma porta USB 2.0, seja gravando rotineiramente CDs, não costumo guardar nada no HD que não seja para uso imediato.
Acontece que a Microsoft quando lançou o Windows Vista, adicionou sua própria ferramenta de busca de arquivos, que inclusive, não pode ser desativada.
O Google então se queixa, que a livre escolha do usuário pela sua ferramenta de busca no desktop preferida, fica comprometida pois, se o Google Desktop rodar em paralelo com a Windows Desktop Search, certamente um grande potencial de processamento de sua CPU ficará dedicado a indexação de arquivos, executada em segundo plano por 2 softwares concorrentes.
Faz ou não faz sentido?
Acontece que Thomas Barnett defendeu a Microsoft em vários outros processos anti-truste desde 2004.
A Lei Anti-truste nasceu desde 1998, na esteira de ações judiciais da antiga Netscape (fabricante do então navegador líder de mercado) contra a Microsoft e seu Internet Explorer.
Levando em conta que a Microsoft investiu de 2000 a 2006 cerca de 55 milhões de dólares em lobbystas, há que se botar as barbas de molho.

Um comentário:

ASF disse...

Botar as barbas de molho!?

Puxa vida a Microsoft sempre assumiu uma postura monopolista e de competidora desleal. Escorraçou do mercado toda e qualquer empresa que um dia ameaçou seu monopólio, há documentos comprovando que ela exerce todo tipo de influência e pressão sobre empresas e pessoas, inclusive sobre parlamentares e gestores públicos norte-americanos. No Brasil, não faz muito tempo, a farra com as vendas de milhares de licenças de software Microsoft corria solta pelo governo. Eram milhões e milhões de dólares evadidos anualmente das divisas do país.

A Microsoft utiliza práticas anti-competitivas, subverte os padrões da indústria para para criar incompatibilidades artificiais e privilegiar seus produtos em detrimento da concorrência. Existem exemplos disso temos as pencas. A Microsoft foi condenanda no processo anti-truste movido por 50 estados norte-americanos, foi condenanda pela Comunidade Européia. Por lá, no velho continente, a Microsoft já foi obrigada a mudar a configuração de alguns de seus produtos por causa dessa condenação.

A Microsoft já foi proibida judicialmente de fornecer sua máquina virtual Java (um padrão da indústria) justamente pelo motivo exposto e isso já faz um certo tempo. Ela sabotou o Dr-DOS (sistema operacional concorrente do DOS), sabotou todas as suítes de escritório concorrentes do MS Office, acabou com a Netscape (navegador e empresa), trapaceou a IBM (no desenvolvimento do OS/2), a Apple (com a interface gráfica), hoje só não conseguiu ainda retirar de circulação o software livre (Linux, Apache, OpenOffice.org, etc, etc), seu maior e mais perigoso concorrente, porque trata-se de uma solução tecnicamente superior e que não é propriedade exclusiva de uma única empresa.

Mas a mais nova tática para combatê-lo é o "dividir para conquistar" (http://antoniofonseca.wordpress.com/2007/06/09/dividir-para-conquistar/).

Portanto, será que há indícios consistentes de que podem não ser verdadeiras as suspeitas levantadas pelo NYT?

Bem, quem sabe nesse caso específico a Microsoft realmente seja inocente. Quem sabe!? :-)

Abraço,

ASF
http://antoniofonseca.wordpress.com