segunda-feira, 28 de julho de 2008

Tristes férias

Todo ano, a mídia reverbera as estatísticas das Polícias Rodoviárias sobre acidentes e respectivas vítimas nas estradas. Ano após ano, leis são endurecidas e campanhas educacionais são veiculadas, para que os motoristas tenham cautela na direção, não bebam antes de se postar ao volante, obedeçam a sinalização, contenham seus ímpetos de poder à frente de uma máquina possante.

No entanto, todo ano são registradas centenas de mortes nas ruas. Em especial, jovens são ceifados no auge da vida, deixando para trás tristeza, sonhos não realizados e expectativas não concretizadas. Todos os anos, alguém é vitimado, por mais massivas que sejam as propagandas pregando a direção segura.

Este final de semana, infelizmente, não foi diferente. Como todas as férias - quando a saída para as estradas aumenta a probabilidade de acidentes - as estatísticas expõem dor. Os jornais de hoje noticiam que 10 pessoas morreram nas estradas. Em um dos acidentes, 5 jovens voltando de Salinas, no último fim de semana de suas férias, tiveram seus corpos carbonizados após batida frontal com outro carro, vindo no sentido oposto. No outro veículo, mais 3 jovens vítimas.

A nós, que ficamos, somente resta desejar paz de espírito às famílias enlutadas. Aliás, de luto ficamos todos nós, quando pessoas jovens morrem.

7 comentários:

Oliver disse...

E vamos lembrar por detrás da imprudência existe a participação de dois combustíveis maléficos: álcool e drogas.
Além de ações contínuas de educação no trânsito, há que endurecer e muito a legislação da área.
Mas, a tacanhez entre nós é imensa, gigantesca nas mãos de poderosos anões morais. Lembro que no governo Edmilson, quando Belém recebeu as chamadas araras, que fiscalizava eletronicamente os limites de velocidade nas ruas, os meios de comunicação de Belém moveram contra o prefeito poderosa campanha para enfraquecimento da iniciativa. De nada importou as reduções nas estatísticas de atropelamento e acidentes automobilísticos. Por essas e outras é necessário dar régua e compasso a imprensa PIG, no sentido inglês do termo. Porca, portanto.

Yúdice Andrade disse...

O componente mais importante, contudo, é mesmo a falta de juízo. Não quero criticar ninguém, mas é fato que os motoristas cometem todo tipo de loucura por achar que nunca lhes acontecerá nada.
Sejamos francos: alguém realmente precisa dirigir a 160 Km/h? E nas estradas paraenses? Mas se o cara tiver a oportunidade, ele o fará. E assim os cadáveres vão se amontoando, não servindo de impedimento para isso nem o exemplo de incontáveis famílias enlutadas anteriores.

Bia disse...

Caríssimos Francisco, Oliver e Yúdice:

rabalhando dados sobre violência urbana e checando os disponíveis sobre a nossa cidade, verifiquei que entre as causas de mortalidade dos jovens entre 20 e 29 anos, mais de 50% se deve às causas externas: homicídios, acidentes, suicídios.

Caramba! Que belo futuro estamos destinando aos nossos!

Abraços.

PS: Yúdice, saúde pro filhote. E que consigamos construir um país melhor para ele!

Oliver disse...

Você tem razão, Bia. Essas são as principais causas de mortalidade entre adultos jovens, que vivem no espaço urbano. E chamo-lhe a atenção para a última, o suicídio. Trata-se de uma causalidade nebulosa, mal estudada. Suspeita-se que tenha peso bem maior em grupos econômicos mais privilegiados.

Antonio Carlos Monteiro disse...

O que me comoveu asperamente, sobre a morte das meninas, no período áureo de suas vidas, foi o misto funesto de imprudência (alheia ou não) e desrespeito a memória das vítimas. De um lado, um indivíduo que, aparentemente, provocou a desgraça e após isso nada vez, a não ser continuar a concorrer com o perigo dirigindo incautamente. Do outro, um jornalismo cruel, baseado na veiculação sombria, que privilegia o horror, com atitudes despóticas frente a dignidade da sociedade e respeito as famílias vitimadas. Em suma, um desacato a vida.
A conclusão, por mais pessimista que pareca, deve ser reconhecida. Nosso País desaba junto com o respeito as leis, a moral e as boas condutas. E segue rumo ao nocivo Estado de polícia. Que o povo venera, em sua maioria.

Abs.

Francisco Rocha Junior disse...

Toninho, tens toda razão. Por acaso, acabei de postar a respeito da cobertura da imprensa (em especial do Amazônia) sobre o acidente.
Abs.

Yúdice Andrade disse...

Querida Bia, criar um filho tem algo em comum com a condução de automóveis: temos que dirigir por nós e pelos outros. Não adianta seguirmos todas as leis de trânsito, pois sempre haverá uma multidão as desrespeitando. Por isso, nosso trabalho é dobrado.
Do mesmo modo, temos um plano de criação de nossa Júlia. E um planejamento deve ser adaptado, ao longo de sua execução, para funcionar melhor. Esperamos acertar naquilo que nos compete e, em relação ao que não, contar com o juízo de nossa menina e com uma conjugação favorável de fatores. Nunca temos segurança, mas podemos ter esperança.
Grato pelo carinho.