quinta-feira, 14 de maio de 2009

Caetano em polêmica com Fidel


Caetano Veloso, além de um sítio oficial excepcionalmente bem feito, tem um blog que se chama Obra em Progresso. Polêmico no DNA, Caetano não poderia deixar passar em branco a questão da ilha de Cuba, polêmica por excelência e motivo de discussões apaixonadas, que frequentemente descambam para a pancadaria após alguns momentos de tentativas de suposto exercício lógico, por parte dos contendores.
Mas o genial músico, apimentou, meio que sem querer o velho debate, ao lançar seu último CD de nome estranho: zii e zie. Nele, plantada em meio a outras músicas que ainda estou por ouvir e, calmamente, pensar, está o cerne de uma polêmica requentada. A música A Base de Guantánamo, que você pode ouvir no vídeo acima.

Com a sempre inestimável ajuda do letras.mus.br hospedado no portal Terra, transcrevemos as letras originais da música.

A Base de Guantánamo

Composição: Caetano Veloso

O fato dos americanos
Desrespeitarem
Os direitos humanos
Em solo cubano
É por demais forte
Simbolicamente
Para eu não me abalar

A base de Guantánamo
A base
Da baía de Guantánamo
A base de Guantánamo
Guantánamo

Já a polêmica, rola aqui e continua aqui e aqui.
Simplesmente leia.

3 comentários:

Yúdice Andrade disse...

Criticam Fernando Henrique Cardoso, com justa razão, por não saber ser ex-presidente e opinar todo santo dia sobre como Lula deve governar o país. Um chato de galocha, sem dúvida, arrogante e atormentado com a popularidade do presidente semialfabetizado.
Mas o que dizer de Caetano Veloso? Inegavelmente um dos melhores e mais importantes nomes de nossa MPB, acreditou quando algum infeliz inventou que os artistas brasileiros são intelectuais e devem ser consultados sobre os assuntos mais relevantes da nação. E agora, pelo visto, da política internacional também. Opinando sobre tudo, ciente de que tudo que fala ganha enorme repercussão, acabou se tornando um chato de galocha. Ou não.
A coisa mais certa do que ele disse foi, em sua tréplica, "sou um artista". É isso mesmo. Ele é um artista, não um cientista político. Pode ser culto e estudado, mas ainda assim não tem nenhuma autoridade para falar sobre Cuba ou os Estados Unidos. É apenas um palpiteiro, como nós mesmos, blogueiros. Irrita é ele ser tratado como uma voz autorizada. Aí gastamos o nosso tempo debatendo sobre as ideias de Caetano Veloso, quando deveríamos estar apenas curtindo suas canções. E as antigas.

Itajaí de Albuquerque disse...

Paulo Francis, com aquela língua pecadora e original, disse certa vez que Caetano filosofava ao modo de um tuxaua.
A verdade mesmo é que Caetano sempre foi de querer organizar o movimento, orientar o Carnaval, mas quando fala de política fica naquela confusão de prosódias, numa profusão de paródias, que ficam bem mesmo só em música.
Mais ou menos como o genial Gláuber Rocha, também baiano, que sabia fazer política no cinema, mas não resistiu elogiar como "gênio da raça" o general Geisel, ícone máximo do regime militar que tanto o cineasta combatia como militante e exilado político.
Quanto a letra achei-a poeticamente fraquinha, mas quem sabe cantada funcione.

Carlos Barretto disse...

Em minha opinião, musicalmente, funciona sim.
E bem.