terça-feira, 28 de julho de 2009

Propofol pode ter causado a morte de Michael Jackson

Desde o início, causou-me espanto a droga conhecida como propofol, estar relacionada como uma entre as inúmeras que Michael Jackson estaria utilizando. Simplesmente não concebia este fato. Pela singela razão de ser uma droga absolutamente restrita a uso hospitalar, em especial, ambientes de centro cirúrgico e UTIs. Motivo: é um potente anestésico. E como tal, produz parada respiratória, que é desejável nestes ambientes, seja pela ocorrência de um ato cirúrgico sob anestesia geral e ventilação artificial, seja pela necessidade de fornecer conforto a quem precisa estar conectado a um ventilador mecânico em uma UTI. Neste sentido, quando se decide pela sua utilização, há que se ter bem próximos e prontos para uso, recursos de ventilação artificial, que podem bem ser desde uma simples máscara conectada a uma bolsa de insuflação manual até tubos orotraqueais conectados a ventiladores artificiais. E também, saber manuseá-los. E isso, definitivamente, não é conhecimento para qualquer um. Há uma longa curva de aprendizado neste sentido.

Aos leigos, recomenda-se o conhecimento das técnicas de reanimação cárdiorrespiratória, que incluem ventilação boca-a-boca e massagem cardíaca externa, o máximo que um passante pode fazer por alguém em parada cárdiorrespiratória. E não é pouco!

Mas agora, parece que as coisas se complicam para o Dr. Conrad Murray, médico que segundo informam os noticiários internacionais, estava presente na casa de Michael no dia de sua morte. Agora, fontes informam que ele também lhe teria administrado o propofol em ambiente doméstico, obviamente inadequado e absolutamente inseguro para o uso deste fármaco.

Em se tratando de sedativos, há que se ter redobrado cuidado na sua prescrição, bem como aconselhamento adequado quanto as suas interações medicamentosas, vida média, antídotos e efeitos colaterais, alguns desejáveis e outros presumivelmente indesejáveis. Melhor mesmo, é não precisar deles. Mas há situações onde seu uso é plenamente indicado. E estas, só o seu médico de confiança pode apontar. Desde que, (ao que parece) ele não seja o Dr. Conrad Murray.

7 comentários:

Yúdice Andrade disse...

Certamente, o médico não ministraria propofol para qualquer paciente. Mas não estamos falando de um paciente qualquer, e sim de alguém cuja aura levaria um médico a se arriscar desse jeito, num país em que profissionais efetivamente perdem as suas licenças.
Murray deve estar em pânico hoje em dia. E perdendo pacientes.

Carlos Barretto disse...

É verdade, Yúdice. Mas leia a íntegra da notícia da CNN que vc vai ver que o Murray, possivelmente já estava enrolado há algum tempo. O que admite um outro surpreendente cenário.

Lafayette disse...

O Médico e o Monstro. Resta saber quem era quem ali.

Mas, não esqueçamos que o dr. Conrad Murray, praticamente, morava na casa do Michael.

Renato disse...

Muito interessante um comentário escutado na Record ontem, onde o presidente do CRM de São Paulo explicava que se fosse no Brasil o Estado é que teria que provar que o médico é culpado,porque aqui todos são inocentes até que se prove o contrário.
Lá o médico é que tem que provar ser inocente.

Carlos Barretto disse...

De fato, interessantíssimo, Renato.

Lafayette disse...

Bobagem do Presidente do CRM, aqui é igual a acolá, quanto ao ônus da prova (salvo alguns casos, como aqui também).

Itajaí de Albuquerque disse...

São fortes os indícios de uso desse medicamento extremamente perigoso, quando usado fora do ambiente cirúrgico e intensivo e por mãos inábeis.
Hoje no O Globo há uma entrevista com a nutricionista de MJ e ela testemunha que viu de manhã, e mais de uma vez, o médico descer com cilindros de oxigênio do quarto de MJ. Informa também que na ocasião da morte, por volta de 12 horas locais, os filhos do cantor estavam na casa e foi um corre-corre tremendo, com mais de uma ambulância chegando ao local.
Quanto ao comentário do presidente do CRM paulista eu não li, nem ouvi, mas concordo com Lafayette.