segunda-feira, 28 de junho de 2010

Livro versus filme



Há cerca de 2 meses li o livro A Estrada, do americano Cormac McCarthy (vencedor do prêmio Pullitzer de 2006), na semana que antecedia a estréia do filme nele baseado.
A minha expectativa era enorme, conforme registrado aqui no Flanar na postagem O longo caminho.
Como o filme não chegou a estrear aqui em Belém (numa cortesia do monopólio Moviecom) fiquei a não-ver navios (ainda aguardo pelo lançamento do DVD).
Mas não desisti do projeto.
O binômio livro/filme sempre me fascinou e eu tinha a necessidade de ler um bom livro e ver um filme nele inspirado, logo na seqüência.
Comprei o livro No Country for Old Men (traduzido para o Brasil como Onde os velhos não têm vez), do mesmo autor e o DVD Onde os fracos não têm vez, filme dos irmãos Coen (vencedor de 4 prêmios Oscar em 2008, inclusive o de melhor filme).
Há uma semana iniciei a leitura do romance e fiquei perplexo e boquiaberto pela maestria da narrativa de McCarthy. Talvez A Estrada seja melhor, mas este livro certamente induziu muitos leitores a profundas reflexões sobre os laços que moldam o nosso destino e sobre a guerra que a sociedade trava contra ela mesma.
Hoje vi o filme meio que desconfiado, tipo assim: “o filme não pode ser melhor que o livro”.
Bem, é um superfilme, de narrativa mais econômica, conforme o esperado e que consegue se manter longe de clichês comuns no gênero suspense de ação. A atuação de Javier Bardem como o assassino psicopata Anton Chigurh é marcante e o saldo final francamente positivo.
Cada um dos 39 reais e 90 centavos pagos pelo livro (Livraria Cultura) e dos 12 reais e 99 centavos pagos pelo DVD (Lojas Americanas) foram bem utilizados.
Placar final: livro 10 X 9 filme.

6 comentários:

Itajaí de Albuquerque disse...

Não li o livro, mas vi o filme. Ando com ele, correndo atrás de dona Esther que recusa-se a assistí-lo por resistência às cenas de violência.

Scylla Lage Neto disse...

Itajaí, as cenas de violência não me pareceram exageradas e sim bem reais. E ela poderia fazer como a minha patroa e a molecada - olhos fechados na cena violenta e depois a clássica pergunta: acabou?
Abs.

POLAROADS disse...

Amigos, nem sou cinéfilo, apenas, como vocês, público simples. Primeiro vi o filme e adorei. Javier, realmente está bem. Quando fui ler o livro de McCarthy, fiquei decepcionado com os irmãos Cohen. Eles passaram para o ecran, simplesmente, tim tim por tim tim, aquilo que está no livro. Direto. Como escritor, vou ficar muito feliz se algum diretor famoso transformar livro meu em filme e, principalmente, se o roteiro copiar tudo do livro, como eu pensei. Sabe, são duas linguagens diferentes e é preciso respeitar isso. Achei que os Cohen foram pelo simples. Quer dizer, o livro é bom, o filme também, mas sei lá.

Scylla Lage Neto disse...

Polaroads, eu acho que um livro bom como No Country For Old Men dificilmente poderia ficar melhor do que ficou em filme.
Concordo que os diretores foram pelo "menos é melhor" mas conseguiram não estragar o livro.
E a propósito, ver o filme e ler o livro depois não me parece tão interessante quanto o oposto.
Um abraço.

Edyr Augusto disse...

Scylla, Polaroads sou eu, Edyr Augusto, por motivos que às vezes não entendo, misturando identidades no Gmail. E sim, ler o livro antes, claro. Mas é que desta vez, o filme me chegou antes às mãos. No resto, concordo.
Abs
Edyr

Scylla Lage Neto disse...

Puxa, Edyr, eu nem desconfiava que o Polaroads era você.
Um abraço.