sábado, 25 de setembro de 2010

Apontamentos sobre Belém

Estou batendo em retirada em direção à Marabá -- minha terra natal. É a reta final da campanha.

Em três meses em Belém, descontando alguns dias em Brasília, Salinas e Mosqueiro, já estou com saudades da terra onde cresci e fiz muitos dos meus melhores amigos.

Saudade mesmo será das noites de sexta-feira na Taberna São Jorge e dos finais de tarde de alguns poucos sábados passados ao lado do mestre André Costa Nunes em seu maravilhoso Terra do Meio.

Belém pareceu-me muito maltratada sob o ponto de vista governamental.

Algumas de suas principais vias de entrada e saída da cidade, transformam-se num verdadeiro caos ao longo do dia.

É muito carro para pouco fluxo de um trânsito completamente caótico.

Neguinho buzina como se estivesse num clímax sexual de adoração aos seios de uma mulher. É impressionante! Busina-se para tudo. A vontade que dá é de mandar prender os sujeitos (as), ou receitar doses pra cavalo de calmantes.

-- Definitivamente, não dá para conviver civilizadamente com gente que se comporta desta maneira.

Os motoristas de coletivos e táxis beiram o comportamento de meliantes.

Avançam sinais de trânsito em pleno meio dia. Saem a toda hora das faixas (3 e 4 ) a eles reservadas. Cortam os carros particulares e buzinam, buzinam e buzinam sem parar.

As ruas são a ante sala do inferno.

Bueiros com tampas de concreto foram colocadas de qualquer maneira no meio das vias.

Na Conselheiro Furtado e na Mundurucus, 9 de Janeiro e todas as adjacências -- áreas nobres da cidade -- os tais monstrengos é a cara de quem governa o Município.

A dantes Cidade das Mangueiras, transmutou-se para a Cidade da Fila Dupla em qualquer lugar, a qualquer hora, sem que ninguém faça nada para coibir tamanho absurdo.

Os carros dos débeis mentais circulam com o volume a maior altura, tocando músicas para embalar trilhas de filme de terror. É um horror diário.

A cidade é imunda. O esgoto a céu aberto em quase toda a cidade. A cidade fede.

Os guardas de trânsito enscondem-se atrás de postes nas esquinas para multar, multar e multar.

Afora o lixo em que transformaram a Praça da República e a Batista Campos, outrora, orgulho de todos os belemenses.

A feira na Praça da República é algo além de qualquer imaginação para o pior e mais avacalhado que se pode ter num centro que se diz "Portal da Amazônia".

Se for assim, qualquer turista nem se atreve a ir em frente, exceto os que procuram encrenca, prejuízos ou, quem sabe, turismo de aventura mezo cosmopolitana; mezo selvagem.

O que salva Belém?

1. A comida nos bons restaurantes hoje instalados na cidade, apesar do atendimento de 5.a categoria, inclusive nos mais caros e badalados.

2. As pessoas. É a gente mais bonita e agradável que conheço em qualquer lugar do mundo onde já pisei meus pés.

3. O que ainda resta de seu patrimônio arquitetônico e cultural. Ainda.

E só.

Espero que em 3 de outubro próximo, a população da cidade seja abençoada pelos ares sagrados de Nossa Senhora de Nazaré e crave nas urnas um recado inesquecível aos responsáveis por essa falta de respeito aos cidadãos e à mais bela -- ainda -- cidade do lado de baixo do Equador.

P.S.: Daqui a pouco. Um bye, bye Belém musical.

13 comentários:

Lafayette disse...

Assino em tudo o que o amigo falou!
Pena que nos encontramos pouco nesta estadia sua por Belém. Você com seu afazeres, eu com os meus. É a vida.
Muito boa sorte com seu cliente. Sucesso na eleição.

telmachristiane disse...

Não te esquece de vir visitar a gente hein? Beijo!

André Costa Nunes disse...

Caríssimo Val,

Devias passar mais tempo em Belém e vir mais vezes ao nosso Terra do Meio, mas como sei que és um batalhador inveterado pelo que e por quem crês tens mais é que ir à luta. O Uriboca pode esperar com o indefectível licor de jamburana (lombra).

Eu, por mim, torço pelo teu sucesso e vou ficando por aqui, como, no dizer espanholado do velho gaúcho da fronteira, “peleando barbaridade, com espadim mui curto, pero de frente para o inimigo”.

Quanto às tuas pertinentes observações sobre nossa querida Belém, uma historinha, recentemente, me foi contada por um amigo que mora em uma cidade, não sei qual, de Santa Catarina, onde, meses atrás, houvera uma greve de lixeiros.

O tal amigo, aliás, o advogado Alberto Moraes, trouxe a filha de sete anos para conhecer Belém e, naturalmente, os avós.

Uma semana depois, já no caminho do aeroporto, a criança, com a simplicidade inerente à toda criança, apenas comentou:

- Pai, tua cidade é linda, mas quando vai acabar a greve dos lixeiros?

Yúdice Andrade disse...

Saudade de tuas postagens, Val. Mas compreendo que uma campanha eleitoral é coisa que prende, à exaustão. Eu nem sabia que estavas aqui em Belém por tanto tempo e, quando soube, já te foste. Lamento.
Quanto ao teor da postagem, é o que vemos todos. Ainda restam alguns anos para sairmos do imobilismo absoluto e termos uma chance de tentar recomeçar do zero.
Abraços.

Val-André Mutran  disse...

Caro Lafayette. A Terra do Meio "bombou" hoje. Almocei por lá as delícias da boa culinária paraense e, de quebra, aquele papo com mestre André.
Uma pena você não ter ido.
Estaremos em Brasília atentos para devolvermos a gentileza dos amigos.
Até lá.
Enquanto isso, temos que nos indignar com tamanha desídia dos políticos para com a nossa ainda bela cidade.

Val-André Mutran  disse...

De preferência na praia do Tucunaré Thelma. Te ligo quando chegar.
Um abraço para você e para o Jorge.

Val-André Mutran  disse...

Mestre André.
Até as crianças sabem distinguir o abandono desta em relação aquela.
Que isso não fique assim.
Cabe um campanha contra este descaso em que a cidade é tratada em seu todo.
Um prefeito (a) e um governador (a) tem a obrigação de se manifestar sobre quais as providências serão tomadas para a solução desses problemas.
Levam o eleitor na lábia.
Não tem coragem de enfrentar os problemas estruturais que a anos acumulam-se gerando outros problemas, de modo a tornar o dia-a-dia de Belém, quase um martírio para quem precisa se deslocar de um lugar a outro na cidade.
Cabe a nós uma permanente vigília. Em alguns casos, acionar judicialmente o poder público, exigindo, através de ações públicas, contra maus gestores.
Muito obrigado pelo apoio e vamos em frente.

Val-André Mutran  disse...

Prezado professor Yúdice. Hoje estive no Terra do Meio. Desloco-me para Marabá na quarta-feira.
Alguns compromissos ainda exigem minha presença por aqui.
Creio que minha missão foi cumprida. Pelo menos no âmbito da campanha para proporcionais. Limpa, com apresentação de propostas concretas, exceto alguns candidatos que confundem o papel do legislador com o do executivo. Claro que isso é percebido pelo eleitor. Afinal, num país onde a possibilidade concreta de se eleger, no maior colégio eleitoral (São Paulo), um palhaço profissional como puxador de votos para figuras como Waldemar Costa Neto, tudo pode acontecer, não é mesmo?
Lamento essa pré-disposição do eleitorado paulista.
Mas, grande parte desta distorção de valores de algo tão sério e impactante na vidas das pessoas, só posso atribuir aos próprios políticos, salvo algumas exceções.
Quanto a sua afirmação positivista de que "ainda restam alguns anos para sairmos do imobilismo absoluto e termos uma chance de tentar recomeçar do zero". Concordo plenamente e devemos fazê-lo já.
Veja. Quando nos recusamos a participar ativamente do processo de escolha dos candidatos. Do processo de convencimento de votarmos nos melhores. Separando um pouco de nosso atribulado tempo para conversarmos com, veja só, nossa própria família. Conversarmos abertamente sobre a proposta desse ou daquele candidato. Estamos abrindo mão da possibilidade de transformação a partir do que nos é mais caro: a família.
Quem não consegue mudar a opinião de uma família que se predispõem a votar num Tiririca, algo muito errado está acontecendo, e isso não tem nada a haver com democracia e sim com escolhas que irão refletir por anos na vida da comunidade.
No entanto, sou otimista como você.
Um grande abraço amigo.

. disse...

Assino embaixo de QUASE tudo que disseste.

Não concordo que aqui tenha a gente mais maravilhosa do Brasil. Se tivesse, não faria dessa cidade uma balburdia, com suas filas duplas, cruzamentos fechados, barulho e desrespeito mútuo frequente.

Os administradores saem da socidade. Não vêm de Marte. E toda essa suposta gente maravilhosa teve a chance de trocar de prefeito em 2008. Optou por permanecer. Será que gostam desse estilo de vida avacalhado que se tem por aqui?

Amo minha terra e sempre será assim. Mas não nego que cada dia com os olhos menos brilhantes.

Prof. Alan disse...

Val-André, assino embaixo de tudo que escrevestes.

E ainda aproveito pra arrematar: estive recentemente em Manaus, Rio Branco e Macapá. As três estão muito mais à frente de Belém.

Rio Branco está toda asfaltada, arrumada (inclusive nos bairros de periferia), limpa e organizada, parece uma casinha de boneca de tão bonitinha que está.

Manaus livrou-se de boa parte dos congestionamentos, você tropeça em viadutos e outras soluções para o trânsito por lá. E ainda fez da Ponta Negra uma orla de dar inveja a qualquer cidade litorânea.

Macapá está organizada, limpa e asfaltada. Segura e tranquila. Andei por lá à pé, de noite, no centro e na periferia, e nem sequer fui importunado.

As duas perguntas que não querem calar: por que só Belém ficou pra trás? Por que a gente é assim?

Val-André Mutran  disse...

Nobre professor Alan.
Certamente porque temos alguns representantes advindos do pior que existe quando se trata de fazer política e servir à comunidade.
Gente que tem profundo desprezo pela cidade, mas, diz que a ama...coisa e tal.
Na outra ponta temos cidadãos que não sabem ou não querem cobrar dessa corja, providências.
Sabe a história do casal acomodado? É exatamente isso o que acomete esse descalabro em que a cidade está renegada.

Val-André Mutran  disse...

Ai vamos de encontro com outra questão, cara amiga.
Falta educação de qualidade para que o próprio cidadão fique indignado com esse estado de coisas.
Já vistes os índices deploráveis da Educação no Pará?
Digo porque acredito que não cidadania sem que a pessoa tenha uma noção básica de seus direitos, e isso só se adquire com educação formal e de qualidade.

. disse...

Não, Val-André. Não culpemos só a educação escolar.
Todo mundo sabe que furar o semáforo é errado. Mas em Belém, todo mundo faz!
E por aí vai.
A lista é grande.
Esse povo daqui me irrita cada dia mais.