domingo, 9 de outubro de 2011

Círio de Nazaré e a emoção de sempre

Imagem: Carlos Barretto. Todos os direitos reservados
Não sou uma pessoa religiosa. Meus pais bem que se esforçaram ao máximo. Fizeram de tudo. Batismo, aulas de catecismo, primeira comunhão, missas obrigatórias aos domingos, respeito aos "dias santos de guarda", jejum nas 3 "horas da agonia", etc. 
Tudo isso, eu cumpri desde a mais tenra idade. Mas em algum momento, nenhum destes rituais passou a fazer sentido em minha vida. Contudo, mesmo frequentando com indisfarçado tédio a rotina que eles tentaram me impor, algo sempre me impressionou em todas as épocas. Com certeza, é o caso do Círio de Nazaré.
E se no dia de hoje, ainda me emociono com a passagem da Virgem de Nazaré pelas ruas de Belém, é possível que eles tenham sido bem sucedidos no essencial destes momentos. A simplicidade do promesseiro, suas esperanças, suas angústias e sua gratidão, depositados num único e grandioso dia,  sempre me levaram ao máximo paroxismo emocional ao longo dos tempos. 
Jamais vi nada parecido em nenhum lugar do mundo, onde já tive o privilégio de estar. Jamais! 
E talvez por isso mesmo, toda vez que vejo aquela linda berlinda passar, com a singela imagem da Virgem de Nazaré em seu interior, simplesmente não consigo permanecer indiferente. 
Os braços levantados, as mãos estendidas em busca de benção e proteção. Qualquer anônimo que grite em bom som "Viva Nossa Senhora de Nazaré", logo é prontamente atendido com a resposta que todos já sabem dar aos milhares: "VIVAAA"! É de arrepiar. É de chorar copiosamente. É verdadeiramente indescritível.
Tem que ver, tem que estar, tem que viver.
Isso é o Círio de Nazaré. E hoje, eu fiz tudo isso. Gritei, estendi a mão, pedi bênçãos, fiz pedidos e chorei copiosamente.
Viva Nossa Senhora de Nazaré!

3 comentários:

Homem do Norte disse...

Eis-me aqui, Senhora, bubuiando
– igarité de anseios e pecados –nas águas deste rio de reza e riso
a correr para o mar do teu amor
Mas como ver-te santa na Berlinda
se vejo-te, senhora, naufragada entre rostos sofridos, pés descalços, mãos que sangram na corda, entre marias
envoltas em mortalhas carregando promessas e sofrências sob os véus...
...e eu aqui, Senhora, enclausurado em meu sudário feito de ilusões...Pequeno mururé vagando a esmo num rio secular de incenso e mirra.
ANTONIO JURACI SIQUEIRA, poeta paraense.

Francisco Rocha Junior disse...

VIVA!!

Maick William O. Costa disse...

Me vi agora em seu texto, amigo. Por mais que eu esteja um tanto quanto desconectado das tradições católicas (ex.: missa aos domingos), onde quer que eu esteja darei um jeito de presenciar, de corpo e alma, essa grande manifestação de fé que é o Círio de Nazaré. Estou em São Paulo há quase dois anos e nesses dois anos fiz de tudo para estar em Belém nessa época. É um período que eu não admito passar longe de Belém. E também estendi a mão, me arrepiei e chorei quando a imagem de Nossa Senhora de Nazaré passou por mim. VIVA!!!!