terça-feira, 20 de novembro de 2012

Um dia pela equidade!

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Hoje é o Dia Nacional da Consciência Negra. Um dia importante;  um dia duro; um dia para refletir sobre o preconceito, a intolerância e a desigualdade. Sou branca; e não posso afirmar que tenho condições de entender, na sua plenitude, o que é ser discriminado por ser negro. Mas enfrento a discriminação por ser mulher, e por almejar a liberdade e a equidade. No Brasil,  os negros enfrentaram 300 anos de escravidão; e ainda enfrentam os problemas da desigualdade de renda, de escolaridade e de acesso ao mercado de trabalho. Em um país em que o racismo é mascarado em  mil e uma facetas, sou favorável a coerção sobre os intolerantes e preconceituosos. Como também sou favorável as políticas de inclusão; não vejo como esperar o tempo passar em busca de conscientização e ampliação de oportunidades. Somos iguais, diz a Constituição Brasileira! Somos desiguais: dizem os fatos.
No Dia da Consciência Negra, saúdo os cidadãos brasileiros da cor negra, e desejo que eles ampliem o escopo da contestação, e que não se curvem diante das injustiças.

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BARATA PEGA NA CHINELA E MATA!

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Vão assistir ao espetáculo Barata pega na chinela e mata, no Teatro Cuíra (esquina da Riachuelo com 1° de Março), em Belém, de 22 a 25 deste mês (quinta a sábado às 21 horas e no domingo às 20 horas). 
Dramaturgia e músicas de Edyr Augusto Proença e direção de Edyr Augusto Proença e Leonel Ferreira. 
Ingressos: 
R$20 inteira e R$10 meia (na bilheteria do teatro).

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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Barbeiro-Cirurgião (microconto)


Tinha malabarismo com as mãos para deixar os cavanhaques da aristocracia francesa bem apurado. Ambrósio aprendeu o ofício com o pai, por isso não era um reles barbeiro - todos sabiam. Quando foi convocado para guerra apresentou-se armado de navalha, óleo fervente, gema de ovo e terebentina. Não apareceu cavanhaque. Danou-se a ser cirurgião.

Janelas, adoráveis!

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domingo, 18 de novembro de 2012

Ensaio sobre a cegueira?

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Apu Gomes/Folhapress
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Massoud Hossaini/Agência France-Presse
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Suhaib Salene.16 nov.2012/Reuters
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Há 1.248 domingos...



...o mundo inteiro ouvia Sunday Morning, da banda inglesa The Bolshoi.
Uma pitada de melancolia matinal, no melhor dia da semana.

sábado, 17 de novembro de 2012

Mensalão; em discussão: A pena!

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André Singer

Rever a pena


A rigor, seria preciso aguardar o fim da ação penal 470 para iniciar a análise de conjunto que o assunto requer. Se às autoridades cabe acatar os vereditos do STF, que para tanto é soberano, à opinião pública --ou o que dela resta em tempos de acelerada massificação-- cumpre discutir com autonomia e desassombro as conclusões proferidas pelo tribunal.
No entanto, em face da inopinada inversão de pauta operada pelo relator, que resultou em sentença de alto impacto político na segunda-feira passada, impõe-se avaliar de imediato a pena de dez anos e dez meses aplicada a José Dirceu. Sobretudo pela desproporção deste ficar recluso pelo menos um ano e nove meses em penitenciária de segurança máxima.
O respeito ao Estado de direito garantiu ampla liberdade e independência ao procurador e aos juízes --assim como aos advogados de defesa, diga-se-- no decurso dos trabalhos. Tal apego às regras, e também ao contraditório no andamento dos debates televisionados, conferiu legitimidade às decisões da corte. A dosimetria aplicada ao ex-chefe da Casa Civil, contudo, modificou a imagem projetada pelo Supremo.
Tendo inegável papel na história do PT, a prisão do ex-presidente da sigla atingirá o partido, ocasionando imagem forte para a posteridade. A suspeita que paira é se o exagero punitivo não mirou tal alvo, distorcendo, assim, a finalidade do processo. Isto é, se, no caso, os preceitos de equilíbrio e razoabilidade foram deixados de lado com o fito de ferir um símbolo partidário.
Note-se que a reclusão de Dirceu em regime fechado deriva da soma de duas acusações, a decorrente de corrupção ativa e a concernente à polêmica tese de formação de quadrilha. Caso tivesse sido condenado apenas pela primeira --ela própria objeto de disputa sobre a ausência de provas--, o líder petista teria direito à modalidade semiaberta.
Acresce que o debate sobre o segundo tema dividiu a corte. Não somente Lewandowski e Toffoli absolveram Dirceu, como também o fizeram, nesse tópico, Rosa Weber e Cármen Lúcia. Esta última, que havia realizado o ataque mais duro à argumentação do caixa dois quinze dias antes, lembrou que quadrilheiros típicos eram Lampião e seu grupo, não os envolvidos na AP 470.
O confronto de 22 de outubro no plenário do STF mostrou o quanto, nas circunstâncias, há de duvidoso no suposto crime de formação de quadrilha, o qual, todavia, gerou uma pena (no item) quase máxima para o acusado. Como o princípio do "in dubio pro reo" é fundamental no espírito da Justiça, que não é o de retaliar, mas o de garantir o acatamento da lei, faz-se necessário rever a punição imposta a José Dirceu.
ANDRÉ SINGER
avsinger@usp.br


A origem do Amor


Esta semana revimos Shortbus (2006), o terceiro filme do diretor texano John Cameron Mitchell. E assim, lembramos do segundo filme dele, Hedwig and the Angry Inch (2001), em que Mitchell mesmo atua como protagonista. Segundo a revista Rolling Stone, ele reinventou o filme musical, contando a história da cantora alemã-oriental de punk-rock, a transexual Hedwig, numa insólita turnê
pelos Estados Unidos.
Num determinado momento, Hedwig-Mitchell canta esta The Origin of Love. A canção, composta por Stephen Traks,  mistura a teoria de Platão sobre o amor, com deuses gregos, egipcios e hindus. No filme mesmo, a canção é ilustrada num desenho animado no mesmo estilo desta versão que achei no Youtube, legendada em português.

Gracias...

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Comentando em uma manhã de sábado, de novembro, aquilo que eu  já deveria ter comentado antes; bem antes! Lúcio Flávio Pinto tem feito uma coisa absolutamente sacadora e cidadã. Tem editado dossiês, e colocado nas bancas por preço ótimo - prá dizer o mínimo. Dois estão na minha bibliografia de professora. Mas eu quero comentar o que ele levou às bancas em outubro, antes das eleições municipais. Um primor; simplesmente: A Belém que eu quero (qual é a sua para este 2012 do voto?). Com este título ele abriu uma excelente reflexão sobre Belém. Lúcido, corajoso: Lúcio fez por nós, eleitores, o que nenhum  candidato fez. Nos deu uma aula de virtudes cívicas: como morador; e como amante de Belém.  A bússola das virtudes cívicas de Lúcio Flávio Pinto já entrou na minha Sala de Aula; de onde não sairá! Gracias Lúcio!

Nas bancas!

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"Precisamos lutar pelo futuro", diz o poeta da contracultura Lawrence Ferlinghetti


Lawrence Ferlinghetti está ao telefone em sua casa, em San Francisco (EUA), e não quer falar do passado. "Precisamos lutar pelo futuro. Ou respiramos e agimos agora ou acabaremos com tudo."
Aos 93 anos, o poeta norte-americano acaba de publicar um volume de poesia com este mote, o livro "Time of Useful Consciousness" (New Directions), lançado há 20 dias nos Estados Unidos.


Folha - O seu livro "Amor nos Tempos de Fúria" é dedicado a Fernando Pessoa. Você o fez para homenagear sua mãe, que era de origem portuguesa?
Lawrence Ferlinghetti - A família de minha mãe era mesmo portuguesa, eram sefarditas de uma cidade chamada Monsanto, em Portugal. Mas não cheguei a ter contato com este passado. O livro não homenageia a minha mãe, mas sim a Pessoa. Eu me inspirei no texto dele "O Banqueiro Anarquista". Peguei deste texto toda a ideia central para meu livro.......
O sr. se identifica com as ideias do "banqueiro", que tem o sobrenome Mendes, assim como sua família?
É curioso, mas o termo anarquismo é usado hoje na imprensa americana como sinônimo de terrorismo. É uma completa ignorância à respeito da tradição anarquista.
Nos anos 50 todos éramos anarquistas. Mas nos anos 50 a população mundial era a metade da atual. Quando havia menos gente era possível ser um deles. Mas quando a população dobra algum nível de planificação da economia mundial se faz necessário.
Hoje eu me descreveria como socialista humanitário.
O sr. já disse que normalmente as pessoas costumam ficar mais conservadoras quando envelhecem e que com o sr. foi o oposto. Por que o sr. acredita que esteja ficando cada vez mais radical?
A pressão do tempo é que dita isso. Tempos radicais pedem respostas radicais. O mundo está num péssimo estado. Lembro que tive uma conversa com Günther Grass em 1975. Ele disse que acreditava que, no final do século 21, as nações tal como as conhecemos não existiriam mais e o mundo estaria coberto de hordas étnicas lutando por comida e abrigo. É uma visão terrível do futuro, mas não é impossível diante do que vivemos. Precisamos lutar.



Mais aqui!

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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Sobre política norte-americana

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A fé no progresso


Assisti a "Lincoln", o novo filme de Spielberg, no dia da estreia, na sexta-feira passada, numa lotadíssima sessão da tarde, em Manhattan. No Brasil, "Lincoln" chegará só no fim de janeiro.
O filme, que é uma obra-prima imperdível, se concentra sobre o esforço político de Lincoln para que a Câmara dos Representantes ratificasse, em 1865, a 13ª emenda da constituição dos EUA -a que aboliu a escravatura no país.
A escravatura era a aposta central da guerra, que durava havia quatro anos, entre o Norte e o Sul escravocrata. Mas, mesmo no Norte, nem todos eram abolicionistas, e muitos temiam que os negros liberados se tornassem um dia cidadãos e, pasme, pudessem votar.
Ninguém, naquela sala de cinema, na sexta passada, podia evitar de pensar que, três dias antes, o país reelegera seu primeiro presidente negro. Em menos de 150 anos, foi um progresso e tanto.
Falo de progresso só porque essa mudança promove valores nos quais aposto: quando eles avançam, acho que a gente progride. Não acredito na ideia de uma evolução "natural" da civilização (nota para os amigos filósofos: concordo com Voltaire, não com Condorcet, ainda menos com Saint-Simon).
Lembro-me de discussões intermináveis, no fim dos anos 1960, com Nicola, um jovem salernitano que fazia uma pós-graduação em geologia do petróleo em Genebra e que era decididamente anticomunista. A cada almoço, eu e meu amigo Enzo tentávamos convencer Nicola de que o futuro do socialismo seria radioso. Não funcionava.
Um dia, achei um escrito (filosoficamente duvidoso, mas de uma procedência que pareceu confiável a Nicola) segundo o qual, radioso o não, o futuro socialista era inelutável, previsto pelo marxismo "científico". Nicola acreditava na ciência, era ingênuo, e o texto o abalou. Não sei se ele se converteu, mas sumiu do restaurante universitário durante um tempo, e a gente se perdeu de vista.
Bom, Nicola, é um pouco tarde, mas talvez você esteja trabalhando numa plataforma do pré-sal e leia este jornal (o mundo é pequeno, mesmo). Nesse caso, aceite minhas desculpas: o marxismo "científico" é uma ideia calhorda, e o comunismo nunca foi inelutável. Já naquela época, aliás, eu sabia que nada acontece na história sem o engajamento subjetivo dos atores (por isso preferia, por exemplo, Henri Lefebvre a Louis Althusser -e por isso continuo gostando de Alain Badiou, porque ele nunca deixou de pensar que, sem engajamento dos sujeitos, não acontece nada, não há progresso algum).
Tudo isso parece óbvio? Vamos devagar: o sonho comunista pode estar morto, mas nossa (cômoda) crença num progresso "natural" e garantido continua bem viva.
Por exemplo, na semana passada, na eleição americana, junto com a vitória de Obama, aconteceu a derrota de dois candidatos a senador cuja oposição à legalização do aborto (mesmo em caso de estupro) era de um machismo e de uma estupidez ultrajantes. Na mesma eleição, houve também Estados que aprovaram o casamento de pessoas do mesmo sexo.
Nasci e cresci numa Itália em que a desigualdade de fato e de direito era sinistra, e o amparo era pouco. Nesse mundo, as mulheres estavam longe de ter direitos comparáveis aos dos homens, não existia divórcio, qualquer aborto era criminoso, o consumidor de droga era igualado ao traficante, e a homossexualidade era uma vergonha que era melhor esconder.
Para que essas realidades mudassem, lutei -ou seja, junto com muitos outros, votei, escrevi, desfilei, militei. Mesmo assim, tenho a estranha impressão de que fomos carregados por uma espécie de movimento "natural", ao qual era possível resistir, mas que sempre ganharia no fim -um progresso na direção do grande ideal cristão: a maior liberdade possível dos indivíduos sem renunciar à solidariedade.
Essa impressão de progresso "natural" é falsa e perigosa. Na história, nada é garantido: tudo é, sempre, conquistado.
O que nos separa de outros mundos possíveis (e horríveis) não é a inelutabilidade do progresso, mas a obstinação de pequenos grandes gestos. Entre nós e as trevas, há o corpo ferido de Malala Yousafzai, 14, baleada na cabeça pelo Talibã paquistanês porque promovia o "secularismo' (ou seja, queria ir para a escola e pensar com a sua cabeça).
Ou, a coragem da catarinense Isadora Faber, 13, que continua seu "Diário de Classe" on-line, embora hostilizada por professores, por administradores e talvez por um pintor negligente (Folha, 11 de novembro).


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Contardo Calligaris/Folhaonline

Mais grave?

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Enquanto adormeço posso,  de alguma forma, escapar dos recentes ataques das quadrilhas contra a  corporação militar  PM  em São Paulo. A escala aumenta;  e se expande para os estados do Sul. Será que darão as mãos ao Paraguaí; e teremos mais uma aliança com o Paraguaí?!? Será que terminará em duelos? Espero que não! É bastante atordoante pensar que é o crime organizado em franco combate com o Estado e suas elites. Diria mais: é estarrecedor! Continuo desconcertada diante de quase tudo. Até pensei que eu já poderia estar entrando na onda de um pós-existencialismo. Rsrsrsrsrs. Mas, e se for? Não será nada mais grave diante do duelo aberto entre a força militar do estado, e a força militar da criminalidade. Não é nada mais grave do que isto!!

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Tyger, tygre!

THE TYGER (William Blake)

Tyger! Tyger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand, dare seize the fire?

And what shoulder & what art,
Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand & what dread feet?

What the hammer? what the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? what the grasp
Dare its deadly terrors clasp? 

When the stars threw down their spears, 
And water'd heaven with their tears,
Did he smile his work to see?
Did he who made the Lamb make thee?

Tyger! Tyger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?


Ilustração : William Blake


O TYGRE (tradução de Augusto de Campos)

Tygre! Tygre! Brilho, brasa
que a furna noturna abrasa,
que olho ou mão armaria
tua feroz symmetrya? 

Em que céu se foi forjar
o fogo do teu olhar?
Em que asas veio a chamma?
Que mão colheu esta flamma?

Que força fez retorcer
em nervos todo o teu ser?
E o som do teu coração
de aço, que cor, que ação?

Teu cérebro, quem o malha?
Que martelo? Que fornalha
o moldou? Que mão, que garra
seu terror mortal amarra?

Quando as lanças das estrelas
cortaram os céus, ao vê-las,
quem as fez sorriu talvez?
Quem fez a ovelha te fez?

Tygre! Tygre! Brilho, brasa
que a furna noturna abrasa,
que olho ou mão armaria
tua feroz symmetrya?


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Ao Dragão......................................

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Os chamados do tigre




Os chamados do tigre me atravessam. Ardem
e medram em sangue sob escombros, plasmam
a carne do meu fruto  flamejando-o

Quem defende o meu corpo deste incêndio
desta palavra corpo se afogando?
E quem sou eu para guardar um nome de sua noite? Quem
das grades dessa noite, a pele majestosa, tenso
vibra seus punhos contra a neve?

                                                                     Tu
que não me dizes nem me sabes, tu
que do topo dos topos da metáfora me alivias
                                                                                 vê:

Do fundo dos meus olhos cego-deslumbrados
obscuros laivos de ternura me procuram

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MAX MARTINS/CAMINHO DE MARAHU

O brado retumbante!

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Véspera de um feriado que comemora a Proclamação da República: Da morte de Tancredo Neves à posse de Dilma Rosseff , - passamos pelo impeachment de Collor, pelo assassinato de PC Farias; e pela condenação de José Dirceu. Quantos ícones temos para refletir sobre a Nova República? Quantos fatos  marcantes, dramáticos e desencorajadores marcaram a jovem Nova República? Jovem: é fato! Mas ainda com muitos setores controlados pelas velhas oligarquias brasileiras. Elas estão de volta na Bahia; e nunca saíram do Maranhão. Dilma Rousseff experimentou os horrores da tortura; e hoje ocupa o posto de mandatária do Executivo da Federação. Quem diria? Ninguém! Ninguém que experimentou os anos de chumbo na pele e nos nervos! Que bens públicos foram constituidos ao longo desta jovem Nova República?  Voltando à literatura - e ao o que os escritores nos legaram em memória e exercício da crítica -,  temos O Triste fim de Policarpo Quaresma  - do genial Lima Barreto - descrevendo o que havia de bufo, de fanfarrão, de melancólico, e de violento; naqueles que proclamaram a República Brasileira, em 15 de novembro de 1889. A triste e equivocada figura de Floriano Peixoto. O nacionalismo atávico e equivocado de Policarpo Quaresma; e que, sem dúvida, era um personagem repleto das melhores intenções: Estas que ainda enchem os infernos.......Mas, e enfim, o que produzimos como bens públicos, na Nova República? Diria sem pestanejar: liberdade política; mesmo que sobre o controle dos oligarcas. Reforçamos os nossos ideais de igualdade. E temos lutado no from da equidade. Estamos longe de sermos perdedores apáticos e sem voz; e ainda estamos procurando por saídas para a pobreza, a ignorância e a injustiça. Penso que estamos melhor agora. Prefiro o agora: mesmo que não possa me alegrar com os fatos; e que ainda não escute o brado retumbante.

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Já aderi!

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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Tenho dito!

´Bora ver se agora vai: escrevi e reescrevi, um sem número de vezes, um comentário sobre este vídeo. Ora me sentia tomada pelo pudor e com a necessidade de arrancar desde esta mirada. Depois mandava tudo p´ros  ares e começava de um ponto mais erótico, claro, justo o que mais nos toca, ou que tocou a mim, pelo menos. O certo é que precisava falar sobre este vídeo, doa a quem doer. Sim, o texto me pareceu “puxado”.

O vídeo é mega clean e super classe média. Mas é nojento, inflado de ódio, quando penso no círculo vicioso da cultura a que nos dispomos a alimentar, mesmo nos insultando, humilhando-nos. Os que se dispuserem a ver, talvez percebam que o casal jovem, pura e simplesmente, reproduz um modelo de relação que já não se pode mais aturar. Um modelo "velho", que repudiamos, racionalmente, mas que nos regozija. Ninguém é pior ou melhor. Mesmo que eu tenda, a princípio, em concordar e defender Odete. Ah! Pera um pouco! Ela poderia ter ido em busca do porteiro ou da equipe de futebol da Nigéria faz tempo, antes do seu maridinho ficar careca. Por que temos, nós mulheres, que reproduzir justamente um modelo de relação (ou casamento) que já não nos serve mais? Que não nos faz feliz? Não, Odete não é incrível por ter a coragem de falar para o “pulha” do seu marido tudo o que lhe apertava os peitinhos. Odete é uma frouxa, que manteve uma relação farsante, sabe-se lá por quanto tempo. Como é difícil suportar e sustentar a cultura judaico-cristã, não? Pra mim... é. É doloroso e pesado suportá-la. Óbvio que não vou comentar o papelão do senhor seu marido, porque sairiam palavras pouco pudicas. Tenho dito.

Ícaro



Estes tempos ando sonhando alto. Nada mal para um moleque de passado descalço nascido nas ribeiras do Acre. No cume destes sonhos, voando acima dos pássaros, eu me sentia o verdadeiro filho de Dédalo, neto de Zeus. Até que certo dia um desses Urubus que rondam o Ver-o-Peso pousou na minha janela, pôs-se esquivado e disse:- sonhe mais baixo, você está atrapalhando nosso voo.

Que bom!

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A justiça bloqueou os bens de alguns dos envolvidos nas falcatruas da Alepa: Que bom! Entre eles está o senador Mário Couto. Fico realmente feliz com esta notícia que retirei do Blog A Perereca da Vizinha. Temos que recuperar o patrimônio, e os recursos públicos, que as quadrilhas estão "construindo"  para financiar  suas vidas mansas; além das redes de corrupção e clientelismo.

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O álcool e a criatividade

Modest Mussorgsky

A genialidade e o consumo exagerado de bebidas alcóolicas frequentemente se encontram em algum ponto da vida de artistas, pensadores, cientistas e mesmo de profissionais como médicos, advogados, empresários, engenheiros e professores.
O álcool, se ingerido em pequenas doses, aproxima as pessoas e as desinibe e talvez por isso tenha sido tradicionalmente um companheiro do homem em sua trajetória social desde tempos remotos. Quando utilizado como um hábito, no entanto, pode levar o usuário à obrigação de consumi-lo com frequência crescente, trazendo à tona seu enorme poder destruidor, inclusive através da devastação da capacidade criativa. Como então definir o ponto exato do início de sua nocividade e como rotular o usuário?
Em termos etimológicos, alcóolatra seria a pessoa que adora a bebida, e não necessariamente um viciado, um doente. Encaixa-se aqui a figura do colecionador de bebidas, por exemplo. Alcoolista seria aquele que nutre simpatia pelo álcool, o dito “bebedor social”, e alcoólico seria o verbete mais adequado para caracterizar o doente por abuso desta substância, aquele que é realmente dependente do álcool, ou seja, a pessoa que perdeu a capacidade de se abster do uso da bebida.
O primeiro nome que me vem à cabeça quando penso em um artista influenciado e/ou destruído pelo álcool é o do compositor russo Modest Mussorgsky, autor da famosa (e belíssima) ópera Boris Godunov (1870).
Aos 35 anos, Mussorgsky já assumia ser um bebedor inveterado, e era comumente encontrado caído pelas ruas de Moscou, como um mendigo. As suas composições passaram a ficar em grande parte incompletas, graças à interrupção do processo criativo pela intoxicação alcoólica.
Até os retratos do músico não escondem os sinais do vício, revelando um fácies típico dos alcoólicos, edemaciado e com o nariz avermelhado.
Além de Boris Godunov, sua música Noite no Monte Calvo ficou muito conhecida através do desenho Fantasia, de Walt Disney, assim como a releitura de Quadros de uma Exposição, feita nos anos 1970 pelo grupo inglês de rock progressivo, Emerson, Lake & Palmer.
Mas como impedir a transformação de um alcoolista em um alcoólico, evitando assim a destruição social e profissional de uma pessoa?
Parece não haver uma só resposta, pois a complexidade do tema envolve fatores genéticos, ambientais e psicológicos.
Nós, humanos, temos prazer em beber e tal pode ser cultuado sem culpa, desde que os nossos cérebros saibam nos fazer parar alguns passos antes da intoxicação.
Saúde!

Ótima notícia!

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O escritor paraense  Edyr Augusto Proença  poderá ter dois de seus livros publicados, na França, pela Editora Boitempo: Os Éguas e Moscow. Parabéns; fiquei felicíssima com a novidade; e espero que a negociação se concretize.

domingo, 11 de novembro de 2012

Alana e Osíris

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Relações entre mulheres e gatos são clássicas, na literatura. As relações entre escritores e gatos, também. Centenas de artigos exploraram - à exaustão - as relações dos escritores com felinos: Drummond, Hemingway, Borges, Capote, Sartre, Bukowski, Huxley......a lista  é grande. Mas em um deles encontro a mais refinada e erótica  relação entre mulheres e felinos: Julio Cortázar. "Quando Alana e Osíris me olham não posso queixar-me da menor dissimulação, da menor duplicidade.Olham-me de frente".  No conto  "Orientação dos gatos",  o trajeto é sinuoso e sedutor. Como  bom observador das mulheres,  e amante dos gatos, Cortázar nos leva, com delicadeza, a um universo erótico e perturbador, em que a  mulher é  transmutada em gatos. Literatura instigante; e que diz muito sobre nós: Mulheres. Tenho apreciado as similitudes descritas por Cortázar. Mas, confesso, são  nas dissonâncias que o escritor sabe nos revelar: como poucos!



Julio Cortázar e seu gato


Seca

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A seca do Nordeste é um flagelo retumbante. Quantas e quantos? Ela está em Vidas Secas de Graciliano Ramos; e em Os Sertões de Euclides da Cunha. Está nos rostos dos milhares de migrantes que atravessaram as fronteiras da Bahia, de Pernambuco, do Piauí e do Maranhão, sonhando com a água da Amazônia. A seca torna duros os semblantes e os homens. Tira-lhes a coragem; destrói as esperanças. Reduz os sonhos a tomar um banho. Quantas tristezas sinto diante das calamidades de um seca prolongada como a que acontece, hoje, no Nordeste. Quantas sonoridades me traz a palavra abundância? Quantos desejos me provoca a umidade? E Baleia, o cachorro de Graciliano Ramos? E o Antonio Conselheiro de Euclides da Cunha? Louco, beato; transtornado pela miséria e pela seca; arregimentando milhares pela dor e pela desesperança. A seca me comove; simplesmente.


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sábado, 10 de novembro de 2012

No céu de Violeta

Em março de 2006, fizemos uma viagem ao Chile. Entre os maiores acasos da minha de vida de viajante, chegamos a Santiago no dia da posse de Michelle Bachelet. Foi umas das mais emocionantes  festas cívicas que asssiti. Afinal, a posse de Bachelet foi um marco: era a primeira mulher presidente do Chile, ex-exilada, filha de um militar assassinado pelo regime de Pinochet, e ainda, a primeira presidente de esquerda, desde o fim da mais sanguinária  ditadura das Américas. Foram dois dias de celebração, ali, no mítico palácio de La Moneda, onde Salvador Allende se matou em meio ao bombardeio das tropas golpistas em setembro de 1973. Assistimos o discurso da nova presidente e  um mega-show com artistas de toda a América Latina (pelo Brasil,  Gilberto Gil, ainda ministro, cantou Soy Loco por ti, América).
Mas, passados alguns dias, tentei percorrer lugares marcantes da minha paixão pelo Chile. Um deles era a calle Carmen n° 340. Esse endereço abrigou La peña de los Parra,  no começo dos anos 60, e foi onde nasceu o movimento chamado La Nueva Canción,  tendo como figura da proa  Violeta Parra (1917-1967), compositora, cantora, pesquisadora, artista plástica, ceramista. Pois, o casarão ainda estava lá, com a indicação de ser a residência e consultório de um médico. Nenhuma referência à peña.
Um dia depois, fomos procurar a Fundación Violeta Parra, num prédio municipal. Depois de perguntar a várias pessoas, que nada sabiam,  chegamos a um funcionário que pôde nos informar: todo o acervo da fundação estava sob cuidados do Centro Cultural Palacio de La Moneda. "Eles devem fazer uma grande exposição sobre Violeta Parra, ano que vem, pelos 40 anos de morte da artista".
Mas esses dois contra-tempos não foram o que mais me frustou na minha tentativa de fazer um percurso artistico-sentimental por Santiago. O pior foi entrar numa loja de CDs e perguntar por discos de Violeta. A vendedora, de uns 30 e poucos anos, nos olhou e disse: "De quién? Violeta Parra? No conozco." Saí, com um nó na garganta e disse à minha mulher: Madame Bachelet tem ainda muita coisa para resolver, e uma delas é evitar que enterrem Violeta!!!
Bem, soube depois que, em 2007, o La Moneda fez mesmo a grande exposição sobre a artista. E agora, para minha alegria, chegou às telas da Europa Violeta se fue a los cielos, o novo filme de Andrés Wood (que fez o excelente Machuca, em 2004). O filme conta a história da mãe de todas as canções de protesto. E como diz um dos cartazes, muito antes de Bob Dylan e Joan Baez, Violeta foi a voz dos oprimidos.
Violeta se fue a los cielos, ganhou o prêmio do juri do Sundance Festival deste ano. É uma livre adaptação da biografia de Violeta escrita pelo filho dela,  Angél Parra. A crítica daqui se derrete para a atuação de Francisca Gavilán que é o rosto e a voz da cantora chilena.
Espero ver em breve e poder desfrutar do céu de Violeta.