quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Circuito Mineiro - Tiradentes


Tiradentes - Fachada da Pousada Mãe D'Água.

Naquela região montanhosa, de altitudes em torno de 1100 metros, normalmente as noites são frias o ano inteiro. Mas no inverno, são mais.
Pela manhã, ao nascer do sol, a temperatura vai subindo rapidamente até agradáveis 22 graus. Mas à sombra e dentro de edificações, o frio fica sempre retido.
À noite a coisa se complica, chegando nesta época do ano a 13 graus. Mas pode chegar a menos. Bem menos.
Há que se estar sempre preparado para quedas repentinas.
Mas o uso de boas jaquetas associado a uma camiseta básica como segunda pele costuma ser suficiente. De manhã, o calor acaba permitindo o uso de roupas quase normais.
Importante detalhe é que o ar além de frio é seco. Os lábios tem uma tendência enorme a rachar e abrir feridinhas desagradáveis. Necessário levar um protetor labial que deve andar no bolso.
As pousadas normalmente oferecem conforto com quartos equipados para as baixas temperaturas, chuveiros elétricos para o banho até piscinas aquecidas. Mas é indispensável levar suas roupas de frio.

Após apreciar o espetáculo dos maquinistas da Maria Fumaça que nos trouxe de São João Del Rei, retomamos nosso veículo e entramos na pequena e linda cidade de Tiradentes.
Optamos por uma pousada de boa localização, preços razoáveis e bem aparelhada. É o caso da Pousada Mãe D'Água, situada em plena praça central da cidade (local de alta concentração de turistas), também chamado de centro histórico e conhecido como Largo das Forras (segundo o
sítio Portal Ouro Preto, o Largo tem este nome pois muitas escravas alforriadas (chamadas de forras) tinham pequenas vendas por lá).
De fachada colonial, em total harmonia com o centro histórico, a pousada é uma falsa casa antiga. Por dentro, o hóspede se surpreende com suas instalações bem equipadas com 2 piscinas (uma aquecida e coberta), sala de jogos, internet, e um excelente café-da-manhã. As reservas antecipadas para a temporada de inverno são indispensáveis.
Mas existem muitas outras para todos os gostos e bicos. A pequena cidade vive do turismo.


Tiradentes - Largo das Forras e as charretes.

O Largo das Forras é mesmo onde todos se concentram para fazer os principais passeios pela cidade. E é também onde se localizam os principais e mais interessantes restaurantes de comida mineira, bares e lojas de artesanato.
Lá mesmo, pode-se alugar charretes e fazer o passeio pelos principais pontos turísticos da região, sendo que o guia autorizado pode ser o próprio condutor da charrete.


Tiradentes - Típico casario colonial da cidade.

As ruas de Tiradentes são todas em pedras grosseiramente ajustadas ao solo, bastante desalinhadas, de tal forma que o sacolejo nos carros, bicicletas e mesmo charretes é bem desconfortável. O calçamento é conhecido como capistrana. O melhor é deixar o carro no estacionamento e alugar a charrete. Ou então, encarar o passeio a pé enfrentando as íngremes ladeiras. Aí, depende da saúde e disposição de cada um.


Tiradentes - Igreja Matriz de Santo Antonio

A Matriz de Santo Antonio é a principal e mais importante igreja de Tiradentes. Concluída em 1752, teve o frontispício desenhado pelo Aleijadinho e tem um altar com a segunda maior quantidade em ouro. Situada em terreno alto, pode ser vista de quase todos os lugares da cidade.
Seu piso é de madeira e serviu de cemitério para nobres e até escravos da época.


Tiradentes - Altar mor da Matriz de Santo Antonio.

Aqui, inadvertidamente cometi uma incorreção da qual me penitencio de público: fotografei o altar-mor folheado a ouro.
Depois fui avisado mas já havia cometido o erro. Me desculpei pelo ímpeto e guardei a câmera.
Mas aí está o registro do maravilhoso altar. Entusiasmava-me precocemente pela beleza da obra. Não imaginava as maravilhas que ainda veria no decorrer da viagem. Principalmente em Ouro Preto.


Tiradentes - Chafariz de São José.

O Chafariz de São José é uma fonte pública de água potável de belo projeto. Datado de 1749, do chafariz três bicas em bronze jorram água para deleite dos visitantes. Segundo informam os guias locais, cada uma das bicas tem um significado de bom algúrio para quem delas sorver a água: riqueza, amor e saúde.


Tiradentes - Matriz de Santo Antonio vista do chafariz.

Do chafariz, aplicando-se um zoom na câmera pode-se tirar uma boa fotografia da principal igreja de Tiradentes. A Igreja Matriz de Santo Antonio.


Tiradentes - Igreja de N. Sra. do Rosário dos Homens Pretos.

Dedicada a a Irmandade dos Homens Pretos, louva São Benedito e foi construída em 1727.

De volta ao Largo das Forras para o almoço, escolhemos o Célio's, onde experimentamos o leitão, tutu à mineira, torresmo, couve, tudo isso por preço justo e excelente paladar.
Ninguém sobreviveu. Corremos à pousada do outro lado da praça, a princípio com a intenção de dormir um pouco. Mas o sono pesado nos desativou por cerca de 2 horas.
Em outras palavras, coma tudinho mas prepare-se para dormir logo em seguida.
É simplesmente inevitável.


Tiradentes - Vista do alto da colina ao entardecer.

Terminado o curto descanso, dedicamos o final da tarde para subir a colina da Capela de São Francisco de Paula, de onde assistimos o mais belo entardecer de Tiradentes, com o sol desaparecendo atrás das montanhas e trazendo o frio de volta.

Após a catarse provocada pelo entardecer, voltamos então ao Largo das Forras, em tempo de assistir a vitória do Brasil sobre a Argentina na Copa América, em um bar inteiramente lotado por turistas.
A missão Tiradentes, estava então cumprida com fecho de ouro.

Para mais informações sobre a cidade, uma boa sugestão é o sítio da Prefeitura de Tiradentes.

10 comentários:

citadinokane disse...

Barretto,
Eita trem bão, hein?
Ô Minas Gerais...
Abraços companheiro,
Pedro

Flanar disse...

Sim, Nelito.
Ê Minas, Ê Minas...
Abs pra vc também.

Yúdice Andrade disse...

Não esconderei que estou roído de inveja dessas tuas férias, amigo. Afinal, faz tempo que sonho em fazer esse circuito mineiro. Agora, com as tuas informações, a vontade aumenta.
No mais, só faltou o doutor prescrever qual protetor labial deve ser usado. Abraços e aproveite tudo com a família.

Anônimo disse...

Para a dormidinha, após os comes e bebes mineiros, conhecí restaurantes por lá com redes ao lado das mesas! Êta trem bom!

Flanar disse...

Não se roa, Yúdice.
Vá agora mesmo. É um passeio acessível a nós, ditos "profissionais liberais". Embora não mais liberais há muito tempo.
Basta que vc pesquise preços de pousadas pela internet ponto-a-ponto.
O impacto maior podem ser as passagens aéreas e o aluguel do veículo.
No meu caso, me hospedei no RJ na casa de parentes o que deixou ainda mais barato o passeio.
Em baixa temporada, os aluguéis de veículos ficam mais acessíveis e com o frio, vc pode escolher um modelo sem ar condicionado.
Enfim, jeitinho lá, jeitinho ali, é um projeto acessível.
Fico devendo o protetor labial. O que uso, comprei em uma viagem ao exterior e é tipo um baton incolor que vc aplica com uma certa frequencia. Não sei realmente qual o equivalente aqui no Brasil. Mas vou pesquisar e completar a informação.
Abs

Flanar disse...

hehehe, anônimo das 12:38.
Os mineiros sabem muito bem das propriedades de sua culinária.

Anônimo disse...

è manteiga de cacau.

Anônimo disse...

Manteiga de cacau é também um bom protetor labial. Existem contudo, outros produtos com nomes comerciais diferentes, etc.

Ali Ckel disse...

Olá, cheguei neste blog pesquisando sobre as cidades históricas de Minas Gerais. Li teus artigos e são muito interessantes.

Sou graduanda em geografia e estive em Minas Gerais estudando a formação urbana dessas cidades, que são realmente lindas.

Você diz neste artigo que na Igreja Matriz de Santo Antônio eram enterrados homens brancos e escravos. Mas creio que apenas homens brancos eram alí sepultados.
A sociedade do ouro era ainda bastante estamental, ainda que houvesse mobilidade, os brancos não compartilhavam ambientes sociais com os negros, principalmente, a igreja.
Por outro lado, interessava-lhes que os escravos frequentassem a religião católica. Para tanto, havia a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, esta sim dedicada aos escravos e negros da antiga Vila de São José, atual Tiradentes.

Parabéns pelos artigos!
Um abraço!

Flanar disse...

Oi querida.
Agradeço imensamente sua correção e principalmente sua visita a este despretensioso blog.
Vc deve ter toda a razão sim. Quando escrevi o texto, tomei por base um texto disponível na web em
http://www.tiradentes.mg.gov.br/visitar/matrizantonio.html
Ele inclusive está linkado no texto original do post.
Mas analisando suas ponderações, elas com toda certeza fazem sentido, salvo tenha havido algum caso pontual, ao estilo dos romances tórridos (sem nenhum demérito) como Marília de Dirceu, que possam se configurar como exceção à regra.
Agradeço portanto a gentil retificação e colaboração que aceito e agradeço.
Muito me honra contar com sua ajuda.

Abs