quarta-feira, 19 de março de 2008

Tentando montar a lista

O Tribunal de Justiça do Estado decidiu escolher os nomes para compor a lista tríplice em votação secreta. Nenhuma surpresa nisso.
A sessão, iniciada quase às dez da manhã, não acabou até agora, face à impossibilidade de se obter maioria absoluta para a escolha do terceiro nome da lista.
A sessão ficou tumultuada, horas atrás, pela evidente confusão dos magistrados, que não sabiam se a lista devia ser formada por maioria simples ou maioria absoluta - dúvida que deveria ter sido dirimida antes da sessão, não na frente das câmeras. Além do mais, a corte já fez eleições semelhantes outras vezes. Que se tenha manifestado, apenas o desembargador Milton Nobre se lembrou dos procedimentos adotados anteriormente. Por fim, prevaleceu o entendimento - correto, diga-se de passagem - de que o quórum deveria ser maioria absoluta do Tribunal Pleno.
Até o momento, já foram realizados nove escrutínios (e não escrotinhos, meus caros). No primeiro, apenas Haroldo Guilherme Pinheiro da Silva atingiu o número necessários de votos (mínimo de 16, obteve 19 votos). Foi para casa almoçar tranqüilo e satisfeito, com certeza. Também almoçou com a família Edilson Baptista de Oliveira Dantas, que no terceiro escrutínio obteve os 16 votos. Já o último nome virou uma batalha, sem previsão de término. Leonam Gondim da Cruz Júnior, que teve 12 votos na primeira votação, despencou mas, depois, passou a disputar uma luta acirrada com Ana Maria Barata.
O mais curioso é que, a cada escrutínio, a votação dos candidatos variava absurdamente. Leonam Cruz, por exemplo, começou com 12 votos, na terceira votação teve apenas 4 e, na quarta, subiu para 10. Ana Maria Barata, que começou com parca aceitação, lá pela sétima votação já estava polarizando com Leonam, com 10 votos. Paulo Klautau, que foi o terceiro mais votado no primeiro escrutínio, foi minguando até acabar com um só voto.
Mesmo com a sessão pendente após dez votações, já se pode afirmar que a lista tríplice será concluída com Leonam ou Ana Maria. Por conseguinte, tem alguém que não vai gostar do resultado. Alguém que espera com uma caneta na mão.
Às 13h59, desisto de dar a notícia.


PS - O advogado civilista e professor Haroldo Guilherme Pinheiro da Silva foi o mais votado pelo Conselho da OAB, que selecionou os onze candidatos à votação direta pela classe. Foi o mais votado entre os advogados e o mais votado entre os desembargadores, único a obter o quantitativo necessário de votos em primeiro escrutínio.

PS2 - O advogado Edilson Dantas é amigo íntimo de Jader Barbalho, advogado das empresas de comunicação do homem e procurador chefe do Municípo de Ananindeua, cujo prefeito é Helder Barbalho. Que tal?

2 comentários:

Juvencio de Arruda disse...

Grandes possibilidades, professor.

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PS+ Lembrei de vc na aula de hoje do mestrado. Discutimos o "De Cive", de Hobbes. Uma colega sua e nossa companheira de classe, muito distinta e inteligente, contou-nos que o inglês contra reformista é o pai do positivismo no Direito.
Particularmente, "vejo" todos os dias o estado de natureza hobbesiano.

Abs

Yúdice Andrade disse...

Eu também vejo, Juvêncio. Afinal de contas, em minhas duas atividades profissionais lido com Direito Penal. E o que vejo, freqüentemente, é hobbesiano no sentido puro da palavra. Abraços.