terça-feira, 22 de março de 2011

As aventuras de Edu e Dorinha – parte 2: a carona

Toda sexta à noite, Edu, o nosso herói (?!) da primeira parte de suas próprias aventuras, tinha o hábito e a obrigação de ir dormir na casa de seu pai, portador da terrível doença de Alzheimer. Ele aproveitava então para barbeá-lo, passear de carro com ele e assistir DVD’s dos velhos tempos, tipo Oscarito e Grande Otelo.

Dorinha, sua fiel esposa, que a princípio fora contra essas saídas, acabou por concordar, desde que Edu aceitasse que ela saísse com a inseparável amiga Helga para “tomar uma caipiroska, dançar um pouco e dar uma espiada na balada”. E fez questão de frisar que o dia que o sogro morresse ela continuaria saindo com a sua melhor amiga. “Algo assim como direito adquirido”, ela disse.

Meses e meses então se passaram, sem mais atritos ou desconfianças.

Mas, numa chuvosa sexta-feira à tarde, tudo se complicou numa improvável reviravolta.

Edu já aprontava a sua mochila quando Dorinha lhe fez o pedido fatal: “amor, você pode levar a Helga pra casa dela? É bem no caminho da casa do seu pai”.

Meio a contragosto, mas com um enorme sorriso estampado, Edu embarcou no seu Kadett cinza, com a Helga e sua minúscula saia bem à vontade no banco do passageiro.

Como o trânsito estava muito ruim, houve tempo para conversas triviais sobre coisa nenhuma, até que de repente a quarentona Helga partiu para um surpreendente ataque: “Edu, tu me achas bonita? Me fala a verdade”.

De fato quase não houve tempo para a resposta, pois a mão esquerda dela começou a trabalhar rápido em todo e qualquer zíper que pudesse ser aberto.

Helguita, isso não vai dar certo”, ainda tentou argumentar Edu, mas ela replicou de forma irrefutável: “cala a boca e pega a Conselheiro”.

Quando Helga praticamente obrigou Edu a entrar na garagem do prédio em que ela morava no apartamento 901 com a mãe e o filho, ele gelou, pensando no escândalo que seria.

Ao entrar no elevador, Edu congelou de vez no instante em que ela apertou o botão do nono andar e não parou de beijá-lo e de apalpá-lo até que a porta se abrisse no destino.

Rápida como uma serpente, Helga passou a mão no chaveiro e abriu a porta do apartamento 902, empurrando um atônito Edu para dentro.

Peraí, peraí, Helga, tu não moras no 901? Eu estive lá várias vezes, inclusive um dia desses, no teu aniversário. E o que significa este apartamento todo vermelho? E estes quadros indecentes?”, sussurou um já semi-desnudo e quase totalmente dominado Edu.

Eduzinho, bem que a Dora me diz que tu és meio bobinho! Este é o ninho de amor que eu e a ..., minha amiga ..., nós alugamos só pra..., bem, tu sabes...

Neste momento Helga calou a sua boca enchendo-a com partes do corpo de um Edu gemente, com a roupa rasgada, e jogado no chão.

Nosso herói fez então um derradeiro e gigantesco esforço físico, levantou-se, subiu a calça, e fugiu bravamente escada abaixo.

Edu só parou para pensar já no portão da casa do seu pai, ao parar, esbaforido.

Antes de entrar, murmurou para si mesmo: “ah, se a Dorinha não fosse uma esposa tão dedicada...

8 comentários:

Silvina disse...

Hey hey hey , o Edu é REI!

Scylla Lage Neto disse...

Edu é o cara, Silvina!

Yúdice Andrade disse...

Scylla, acho muito bacana quando o blogueiro compartilha conosco sua ficção, num blog que não foi criado para esse fim específico. Já publiquei dois continhos meus, no "Arbítrio", logo no começo. Penso em escrever alguma outra coisa, qualquer dia desses.
Vou acompanhar a trama de Edu e Dorinha, que já vi serem bem sapecas, como diria minha Júlia! Abraço.

Scylla Lage Neto disse...

Yúdice, Edu e Dorinha são pura diversão, sem quaisquer pretensões literárias.
Dois amigos me ligaram, um ontem e o outro na semana passada só para perguntar se o Edu era real ou ficcional.
Ambos tinham um suspeito (na verdade duas pessoas conhecidas nossas), mas, após boas risadas, deixei-os sem resposta.
E por favor publique uma ficção sua aqui no Flanar.
Um abraço.

Edyr Augusto Proença disse...

Adorei, Scylla. Um primor de ironia.
Abs
Edyr

Scylla Lage Neto disse...

Obrigado, Edyr.
Tenho me divertido tanto com o Edu e a Dorinha nas últimas 2 semanas que eles já são quase reais para mim.
Um abraço.

Homem do Norte disse...

Scylla, acho que existe literariedade nesse conto. Bem arquitetado. Acho que a Dorinha é a Geny do Século XXI, só faltam as pedras.

Scylla Lage Neto disse...

Roger, acho que a Dorinha é a TecnoGeny...
Abs.