quinta-feira, 23 de junho de 2011

"Let's Do It" - Façamos (Vamos Amar)

Originalmente composta por nada menos que Cole Porter em 1928, o clássico "Let's Do It (Let's Fall in Love)", - abaixo interpretado por Ella Fitzgerald no "Cole Porter Songbook" (1956),  - em minha opinião foi o ponto alto da trilha sonora do ótimo "Meia noite em Paris", de Woody Allen.


Ainda em cartaz, o filme simplesmente não pode deixar de ser visto pelos leitores. Além de locações lindíssimas na sempre fabulosa cidade-luz, conta também com uma participação especialíssima da lindíssima primeira dama da frança, Carla Bruni.

Mas o objetivo do post, não é focar o mais novo sucesso de Woody Allen. O real objetivo é compartilhar com os leitores a delícia deste clássico do jazz. Vejam abaixo a letra original composta por Porter.



And that's why birds do it, bees do it
Even educated fleas do it
Let's do it, let's fall in love 

In Spain, the best upper sets do it
Lithuanians and Letts do it
Let's do it, let's fall in love

The Dutch in old Amsterdam do it
Not to mention the Fins
Folks in Siam do it -  think of Siamese twins

Some Argentines, without means, do it
People say in Boston even beans do it
Let's do it, let's fall in love

Romantic sponges, they say, do it
Oysters down in Oyster Bay do it
Let's do it, let's fall in love

Cold Cape Cod clams, 'gainst their wish, do it
Even lazy jellyfish, do it
Let's do it, let's fall in love

Electric eels I might add do it
Though it shocks 'em I know
Why ask if shad do it - Waiter bring me shad roe

In shallow shores English soles do it
Goldfish in the privacy of bowls do it
Let's do it, let's fall in love

The draggonflies in the reeds do it
Sentimental centipedes do it
let's do it it, let's fall in love

mos-qui-to's heaven forbids, do it
soon as every katydid do it
let's do it, lets' fall in love

The most refined lady bu-u-ugs do it
When a gentleman calls
Moths in your rugs do it
What's the use of moth balls 

locusts in trees do it
bees do it
even over-educated fleas do it
let's do it, let's fall in love!

let's do it le-e-et's fall in love
let's do it, let's fall in love!

Mas os brasileiros (ao menos os de melhor idade) não devem considerar esta música uma novidade. Em 2002, no disco Duetos, Chico Buarque e Elza Soares fizeram uma ótima interpretação de uma adaptação para o português feita por Carlos Rennó.



Agora vejam a letra em português.


Os cidadãos no Japão fazem
Lá na China um bilhão fazem
Façamos, vamos amar
Os espanhóis, os lapões fazem
Lituanos e letões fazem
Façamos, vamos amar
Os alemães em Berlim fazem
E também lá em Bonn
Em Bombaim fazem
Os hindus acham bom
Nisseis, níqueis e sansseis fazem
Lá em São Francisco muitos gays fazem
Façamos, vamos amar
Os rouxinóis nos saraus fazem
Picantes pica-paus fazem
Façamos, vamos amar
Uirapurus no Pará fazem
Tico-ticos no fubá fazem
Façamos, vamos amar
Chinfrins, galinhas afim fazem
E jamais dizem não
Corujas sim fazem, sábias como elas são
Muitos perus todos nus fazem
Gaviões, pavões e urubus fazem
Façamos, vamos amar
Dourados no Solimões fazem
Camarões em Camarões fazem
Façamos, vamos amar
Piranhas só por fazer fazem
Namorados por prazer fazem
Façamos, vamos amar
Peixes elétricos bem fazem
Entre beijos e choques
Cações também fazem
Sem falar nos hadoques
Salmões no sal, em geral, fazem
Bacalhaus no mar em
Portugal fazem
Façamos, vamos amar
Libélulas em bambus fazem
Centopéias sem tabus fazem
Façamos, vamos amar
Os louva-deuses com fé fazem
Dizem que bichos de pé fazem
Façamos, vamos amar
As taturanas também fazem
com um ardor incomum
Grilos meu bem fazem
E sem grilo nenhum
Com seus ferrões os zangões fazem
Pulgas em calcinhas e calções fazem
Façamos, vamos amar
Tamanduás e tatus fazem
Corajosos cangurus fazem
Façamos, vamos amar
(Vem com a mãe)
Coelhos só e tão só fazem
Macaquinhos no cipó fazem
Façamos, vamos amar
Gatinhas com seus gatões fazem
Tantos gritos de ais
Os garanhões fazem
Esses fazem demais
Leões ao léu, sob o céu, fazem
Ursos lambuzando-se no mel fazem
Façamos, vamos amar
Façamos, vamos amar


Não é uma beleza?

9 comentários:

Edyr Augusto Proença disse...

E Naomi, Barreto, Naomi Watts, bela, belíssima, deslumbrante. Cada gesto, cada palavra, cada momento colabora para o show de Allen em Paris. Uma beleza!
Abs

Carlos Barretto  disse...

Edyr,querido.

Bom te rever por aqui.
Vou te confessar. Sou péssimo para gravar nomes e fisionomias de atrizes. Especialmente se são loiras. Que elas me perdoem, não me joguem pedras e nem subtraiam meu lugar nos céus. De fato, ainda não tenho explicação para só ter facilidade de gravar nomes e fisionomias das morenas.
Sendo assim, se você me falasse de Sandra Bullock, Penélope Cruz, Julia Roberts entre outras tantas, eu não teria problemas.
Sendo assim, mesmo pesquisando no Google Images, não consegui me lembrar qual foi o papel que Naomi fez no Paris Midnight. Espero que vc me ajude e me tire dessa enrascada.

Ô vergonha!

Homem do Norte disse...

Carlinho, uma explosão de poesia do pronunciamento do verbo amar, "ao léu, ao céu". Você virou um homem-bomba da poesia a distribuir estilhaços de acordes, letras e rimas no espaço cibernético. Bom gosto. Genial. Estou indo correndo para assistir à película.

Francisco Rocha Junior disse...

Edyr, caríssimo,

Na verdade, a loura deslumbrante é a Rachel McAdams. Linda, lindíssima, sexy e belíssima. Tanto quanto a Naomi.
Abs.

Edyr Augusto Proença disse...

Obrigado pela correção, amigo!

Lafayette Nunes disse...

Por sinal, vocês perceberam a semelhança da Rachel McAdams com a Paola Oliveira? Eu e a Aluísia ficamos com tal impressão.

Adorei o filme. Gosto muito quando cinema, livro etc., nos leva a encontros fantásticos, coloca o personagem em situações que nós, meros seres reais, adoraríamos estar.

Dá para destacar vários e vários e vários momentos assim no filme.

Destaco:
a)Diálogo surreal com os três (ou melhor, quatro, já que Owen "Gil Pendler" Wilson, é o próprio Woody, e Woody é além do real, é surreal), Salvador Dali, Luis Buñuel e Man Ray. A resposta "Acho normal", ou algo assim, e as caras dos 3 concordando, e, ainda, o "rinoceronte" arrematando, já é, pra mim, daquelas cenas marcantes da Grande Arte.

b) "Gertrude Stein" (Kathy Bates), e a sutileza da sua condição homossexual, passado de forma tranquila pela direção do mestre (ps: com um Picasso, quase infantil se "aconselhando" com ela, JUSTAMENTE, sobre outra mulher ...só Woody consegue captar e colocar num filme).

c) A redução woodyaliana quando Gil tenta dar exemplo de afinidade com a noiva: Adoramos comida indiana, aí, ele para, procura algo na memória, não encontra nada no quesito "comida indiana", pois não era verdadeira a frase, e, encerra: "Mas, gostamos de pão sírio" ...diálogo/monólogo que só sai da cabeça do Woody. rsrsrs (*ou, outra: "Mas ainda não há antibióticos, vacinas...", pra justificar não ficar ali, com Lautrec, Gauguin. Perfeito!).

d) Barreto, concordo contigo. Ah, já viram isto? http://www.youtube.com/watch?v=ElPKuJGWjjQ

e) Paris. ;-)

Carlos Barretto  disse...

Que versão interessantíssima, Lafa!

André Batista disse...

Vi o filme e curti muito. Impressionante como o protagonista era o Woody Allen com todas as neuroses e falas. E a carla Bruni no museu Rhodin? Sem comentários . Um dos melhores filmes que vi atualmente.

Carlos Barretto  disse...

Pois é.
Um ator, personificando o Woody Allen. Não é uma beleza? E a Carla Bruni? Aaaaahhhh!
Também achei uma pérola de 2011 até o momento.