quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Aqui não existe natal



A ausência de um movimento punk brasileiro autêntico talvez tenha deixado lacunas e sequelas nos jovens brasileiros das décadas 1970/1980 (nós!).
As primeiras bandas, como Restos de Nada, AI-5, Detrito Federal, Cólera e Aborto Elétrico, por exemplo, além de não almejarem o sucesso obtido nos EUA e na Europa por bandas precursoras (Ramones, Sex Pistols, The Clash, Television), acabaram sufocadas, inicialmente pela censura da ditadura militar, e posteriormente pelo próprio punk de boutique da MTV (Supla & Cia).
Talvez por ter sido ligeiramente influenciado pelo punk paulista dos anos 80, todo período natalino cresce um meme em minha mente: a música Papai Noel Velho Batuta (título fake, apenas para efeitos de censura), da banda Ratos de Porão.
Curiosamente, a letra pasteurizada pela censura foi a usada pela banda Garotos Podres, numa improvável aparição no Programa do Jô (?!), reproduzida acima.
Desculpem os palavrões e o mau jeito, mas neste país, como diz a letra "original" exposta abaixo, não existe mesmo natal!


Papai Noel Velho Batuta (Ratos de Porão)

Papai Noel filho da puta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo!
Aquele porco capitalista

Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres

Papai Noel filho da puta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo!
Aquele porco capitalista

Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres

Pobres, pobres...
Mas nos vamos seqüestrá-lo
E vamos matá-lo!

Por que?

Aqui não existe natal!
Aqui não existe natal!
Aqui não existe natal!
Aqui não existe natal!

Por que?

Papai noel filho da puta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo!
Aquele porco capitalista

Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Presenteia os ricos
E cospe nos pobres

8 comentários:

Alan Souza disse...

O Papai Noel é mais uma dessas figuras importadas que o nosso povo e a nossa cultura admitem sem muito filtro.

Pior é que o nosso nem é o original europeu. É o Papai Noel dos USA, das campanhas publicitárias da Coca-Cola.

É a mesma coisa daquela porcaria do Halloween, uma droga que absolutamente não faz e nunca fez parte da nossa cultura, importada pelas escolas de inglês e que agora se espalhou feito praga, até academia de ginástica faz festa de Halloween. Me recuso a participar de qualquer festa dessas, assim como jamais alimentei nos meus filhos a fantasia do Papai Noel.

Erika Morhy disse...

Tunel do tempo! Lembrei do meu irmão e dos meninos da vila onde morávamos. Todos batendo cabeça.

Scylla Lage Neto disse...

É, Alan, o verdadeiro espírito do natal está no shopping center...

Scylla Lage Neto disse...

Érika, eu não sabia do seu passado de "headbanger"!
Rssss.

Erika Morhy disse...

hehehe Scylla, na verdade sou uma parte estranha nesta parte do meu passado. Eu não gostava muito daquela imagem. Me assustava. Aquelas capas de disco então... tipo "cabeça dinossauro", eram um terror! [rs] Parece que assustavam a mim e às demais meninas. Era coisa de menino. Olhavamos, apenas. Entravamos na dança nas outras "baladas". O lance legal da vila é que tinha um certo fluxo de entra e sai de gente a cada dois anos, quando muitos pais, militares, precisavam mudar de cidade. Então rolava "circulação" de discos também. Boas memórias. Feliz Natal!

Scylla Lage Neto disse...

É verdade, Erika.
Os filhos de militares trouxeram muitos discos de bandas novas para Belém.
Por coincidência, o movimento punk chegou ao Brasil através de discos trazidos por filhos de diplomatas e de políticos - alguns dos quais eram coniventes com a censura.
Engraçado, né?!
Feliz Natal!

Erika Morhy disse...

A parte boa que lhes coube neste latifúndio, será?

Scylla Lage Neto disse...

Pode ser...