quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

uma bússola

para Esther Zemborain de Torres




Todas as coisas são palavras da
língua em que Alguém ou Algo, noite e dia,
escreve essa infinita algaravia
que é a história do mundo. Na toada

passam Cartago e Roma, eu, tu, ele,
minha vida que não capto, a agonia
de ser enigma, azar, criptografia
e todo o desacordo de Babel.

Por trás do nome está o que não tem nome;
hoje senti gravitar a tua sombra
naquela agulha azul, lúcida e leve,

que até o confim de um mar se estende o empenho,
com algo de relógio visto em sonho
e algo de ave dormindo que estremece.


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Jorge Luis Borges/o outro, o mesmo.

3 comentários:

Scylla Lage Neto disse...

Lindo, lindo!!
Deu vontade de ler Neruda.
Ou Florbela Espanca.
Ou T. S. Eliot.
Ou ...
Abs.

Marise Rocha Morbach disse...

Dá vontade de procurar o mundo mundo afora, ou...
Abs Scylla.

Homem do Norte disse...

Belo, belo, belo.
Borges é, para mim, a maior injustiça latina ao Prêmio Nobel de Literatura.