sexta-feira, 24 de maio de 2013

Concordo !!!

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Fábio Fonseca de Castro

A publicidade governamental do Governo Jatene, a Griffo, o jornalismo paraense...
Há alguns dias a jornalista Ana Célia Pinheiro, do blog A Perereca da Vizinha anunciava que começaria uma guerra contra a comunicação do Governo JateneVamos agora jogar num rítmo novo, com algumas “surpresinhas” – ou vocês não gostam de surpresinhas, “coleguinhas”?“Coleguinhas” é um coloquialismo usado pelos jornalistas de Belém para se referirem, com cinismo, ao cinismo de seus colegas, dos quais não se costuma esperar senão o fogo amigo.Os posts começaram, em seguida, construindo um perfil de Orly Bezerra, proprietário da Griffo, a agência de publicidade responsável pelo marketing do PSDB no Pará.
Hoje, Ana Célia Pinheiro publicou um post com o levantamento dos repasses de dinheiro público do Governo Jatene para a Griffo: R$ 70 milhões - e penduricalhos, como empregos a parentes. O post também questiona a idoneidade do processo licitatório que levou a Griffo a mais uma situação de dominação das contas da comunicação governamental, no Pará.Ainda que tenha faltado dizer que a maior parte desse dinheiro serve para alimentar os veículos de comunicação dominantes do estado, Ana Célia está certíssima na sua leitura desse processo. A simbiose contemporânea entre política e comunicação acaba produzindo situações complexas de poder, com essa. Situações anti-democráticas e de corrupção que tornam a política refém de processos de comunicação que não obedecem ao interesse público, mas sim, exclusivamente, ao interesse privado.Ana Célia estabelece uma diferença fundamental, que deveria ser compreendida pela sociedade civil e, sobretudo, pelos alunos de comunicação, futuros atores desse cenário:E é preciso fazer esta diferença: jornalista é aquele que quer a informação para repassá-la ao distinto público. Lobista da comunicação é aquele que quer a informação apenas para negociá-la em troca de dinheiro, cargos, ou sabe-se lá o quê.E sua conclusão, que todos conhecemos muito bem, é evidente:E, infelizmente, neste governo do chefe de quadrilha que é Simão Jatene, os lobistas dão as cartas no jornalismo do Pará.É evidente que o mal não é exclusivo do Governo Jatene. Sejamos honestos: essa simbiose está presente na base do sistema político contemporâneo. Independentemente do lugar no espectro político, que os governos ocupem, é a política que é vulnerável. Alguns países encontram meios para regulamentar e para acompanhar a comunicação governamental e pública. Não é o caso do Brasil.Província dominada por interesses privados, colônia eterna, o Pará é apenas um caso dramático. Os sintomas são uma comunicação que obedece a influxos de intriga, compadrio, calúnia, medo, rancor... A tarefa de informar cede espaço aEspecialistas em retorcer informações, (que) bisbilhotavam até as cuecas das lideranças oposicionistas, para transformar qualquer coisa em escândalo. E quando nada encontravam, simplesmente, inventavam. Bastava um copo de uísque em um bar para que o sujeito virasse um “alcoólatra”; um comentário incisivo, para que virasse um “desequilibrado cheio de ódio”.É todo um modus operandi. A ação orquestrada do boato sobre a extinção do Bolsa Família vem, muito, muito provavelmente, das hostes tucanas. O PSDB é o partido que, no Brasil, faz com profissionalismo esse tipo de comunicação. E como sempre, no Pará, excessos.
Aconselho a leitura. E aguardemos os próximos posts, porque eles começam a pautar o jogo eleitoral de 2014.

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6 comentários:

Marise Rocha Morbach disse...

Valeu Fábio, discussão ao pé da letra. O fato PSDB é importantíssimo. A presença da Agência Griffo, não menos. Penso que você disse tudo: "Sejamos honestos: essa simbiose está presente na base do sistema político contemporâneo. Independentemente do lugar no espectro político, que os governos ocupem, é a política que é vulnerável." E é mesmo; e é isso aí!Boa!

Fabio Fonseca de Castro disse...

Legal Marise,

Seria uma utopia querer desvincular a política da mídia, posto que a comunicação se torna, a cada dia, um fator simbiótico em todas as práticas sociais do mundo contemporâneo. Porém, é preciso estabelecer limites e estabelecer vigilâncias. O PSDB governa para a mídia e pela mídia, e não para a sociedade. Isso é fato. O boato sobre a extinção do Bolsa família, a estratégia eleitoral de José Serra em 2010 e o recente programa político que levaram ao ar, pautando Aécio Neves como uma figura DE CIMA, o comprovam. O PT também está vulnerável a essa dinâmica, é claro. Pior: o PT não tem consciência disso. As cabeças do partido ainda aspiram a uma comunicação convencional, baseada na sedução. Falta debate, falta estratégia de longo prazo. E, sobretudo, falta coragem para enfrentar os grandes desafios, como a construção de marcos regulatórios que ajudem a sociedade a se defender desses excessos.

Marise Rocha Morbach disse...

Fábio, acordando muito cedo neste sábado, depois de dormir mais cedo ainda - noite úmida de Belém-, dou uma olhada na Imprensa: nada. É isso: falta debate, falta estratégia, falta o sentido do interesse público. Mas, meu querido, do que mais sinto falta é de espírito cívico e de sentido crítico. Grande abraço em vocês.

Erika Morhy disse...

Fico até "vexada" de comentar... de entrar no papo lindão de dois intelectuais que tanto admiro. Bem, de todo modo, vou me "enxerir". Outro dia li texto de Pedro Pomar fazendo uma crítica à nova proposta de diretrizes curriculares para a graduação em jornalismo. Criticou, no meu entender, justo por isso, por não permitir que os distintos alunos tivessem formação política, reflexão crítica. Sim, estou totalmente de acordo com vocês, Fábio e Marise, nossa esturtura está "minada", belicosa e perigosamente minada. E acredito que a formação poderia ser fazer parte importante para virar este jogo. Grande abraço pra vocês.

Marise Rocha Morbach disse...

Outro para você Erika. Estamos perigosamente minados, mesmo. Não peça licença para nada, primeiro porque você é da casa. No mais,é preciso dizer que é o interesse público. Que são elites formadas nos governos, e de suas relações, e que se transformam em feudos, e que depois já são as donas do patrimônio do Estado.Não dá para ficar calado.

Pedro do Fusca disse...

Não sei se o que esta Senhora escreve tem credibilidade, ela muda de posição conforme o patrão. É só verificar de quando ela foi redatora do Blog do Vic até estes dias!