sexta-feira, 11 de março de 2016

Geração Smartphone II – a infomaré

                                                                                                                                                        Eu quero entrar na rede 
                                                                                                                                                                pra contactar 
                                                                                                                                                    os lares do Nepal, 
                                                                                                                                                       os bares do Gabão... 
Gilberto Gil, em: Pela internet

Semana passada Amaury Dantas escreveu, ambientado no metro quadrado de um elevador, a relação entre os Smartphones e essa geração de adolescentes. Dois cirurgiões experientes, Hamilton Petry (PUC-RS) e Rami-Porta (Universidade de Barcelona) e a jornalista Erika Morhy (Buenos Aires-ARG) atinaram para o tema, n´outro lado da linha.
E o que esta contra-geração poderia esperar desses dispositivos? Gilberto Gil se oporia a Bob Dylan e diria que a resposta não vem soprando no vento, mas nos gigabytes que compõe as velas da jangada que veleja nessa infomaré.
Foi na vazante da maré, às margens plácidas da baia do Guajará, em momento de visitação e laser nos pontos turísticos de Belém que, em 2014, durante um congresso de cirurgia dentro do magno congresso médico-amazônico, que fundamos, no WhatsApp, a rede social CONNECT (Sigla do Centro-Oeste, Norte e Nordeste de Cirurgia Torácica). Conclamamos todos que tivessem Smarts a compartilhar esse novo mundo virtual para ampliar abraços. Começamos discutindo temas gerais a casos clínicos mais simples.
Salvo engano foi de Natal-RN que se postou o primeiro caso complexo, sobre cirurgia de costelas, empregando a técnica do simpático Jean-Marie Wihlm, francês que vez por outra está entre nós. A interatividade da discussão, com participação dos diversos cirurgiões espalhados pela floresta, sertão e cerrado ficou interessante e ganhou amplitude clínica. Mais casos vieram e acabamos descobrindo uma fonte farta de aprendizado e, acima de tudo, de convivência saudável.  Só não ficou mais atraente porque sempre aparecia uma latinha de cerveja no meio da discussão quando a sexta-feira vergava à frente.
 Reciclamos a latinha. Criamos um segundo grupo, o CLINICAL CONNECT, com os mesmo atores, porém com enredo fechado para discussão clínica - para não se perder o foco na medicina. Elias Amorim, do Maranhão, abriu a sessão. Aproveitou e pediu a inclusão da poesia sutil. Sem perder fôlego, o grupo seguiu a plenos pulmões. Hoje vários casos são discutidos semanalmente e a discussão pega vento ao baixar vídeos, fotos, radiografias e artigos científicos.
O baluarte do grupo é Manoel Ximenes, de Brasília, 81 anos e dono de uma ativa participação, dando oportunidade ímpar de abençoar a todos com sua experiência. Mas a candura da rede é embalada por Paula Ugalde, baiana de coração-pulmão, mas que hoje é professora e cirurgiã da Universidade de Laval (Quebec-Canadá). Ela sempre está enviando casos instigantes com decisões mirabolantes e uma disposição inebriante, já que é uma das expertises mundiais na área da tecnologia e avanços em cirurgia.
Assim vamos injetando ares em nossos Smartphones, sem dispensar sequer o sagrado domingo, as horas de descanso ou mesmo o metro quadrado do elevador.
O fato é que desde a revolução industrial, a odisséia da tecnologia muda como o ritmo do mar, que agora veleja nesta vastidão das redes sociais a bordo de um Smartphone, sem exigir senha e senilidade. Fatal, mesmo, é olhar a biruta e saber rumo do vento, para que se possa ajustar as velas e seguir viagem. O resto é sombra criptografada do passado.

2 comentários:

Raimundo Rocha neto disse...

Roger, essa sacada de discussão de casos estranhos, incomuns, raros....num grupo de WhatsApp é sensacional! Imagino, como os nossos grandes e saudosos, Professor Jesse Teixeira e "Jessinho", se encaixariam nessas discussões! Legal seria, se outras especialidades, navegassem nessas ondas Hoje, apesar de traços poéticos, na sua escrita, pude ver ondas jornalísticas no texto! Parabéns..........

Geraldo Roger Normando Jr disse...

Obrigado, Rocha Neto. Trafegue sempre por essas ondas. Acho que a maior contribuição de todos esses amantes da boa discussão é aproximar mais esses grandes cérebros de toda a ninhada que vive distante dele. Temos grandes cérebros, hoje, que não gostam disso; que acham que isso é balela. Paciência! Temos mais é que respeitar.