sábado, 10 de janeiro de 2026

La spedizione italo-amazzonica

Vengo da un paese che si chiama Pará
che ha nei Caraibi il suo porto sul mare
Paulo André e Ruy Barata, nella canzone:
 Porto Caribe

    Sulla soglia della piccola locanda, in un rituale di commiato, Marcello cammina a capo chino, respirando un’aria stanca e con gli occhi colmi di tristezza: è ora di partire. È il ritorno.

    È stato un viaggio breve con la famiglia italo-brasiliana, ma intenso — nonostante il ginocchio consumato, che ha insistito nel ricordare un passato maledetto dal calcio e da lunghi interventi chirurgici.

    Il momento culminante del viaggio è arrivato quando siamo giunti a Jamaraquá, area della Foresta Nazionale del Tapajós, nel comune di Belterra (Pará), dopo due ore di navigazione in motoscafo da Alter-do-Chão. All’arrivo, tambaqui e pirarucu ci hanno condotto a una completa pienezza prandiale. Da lì abbiamo tratto l’energia necessaria per affrontare i cinque chilometri di salita, fino a raggiungere la cima.

    Con un bastone preso in prestito dal Mosè biblico, ci siamo aperti il cammino fino a un ruscello dalle acque limpide. Ci siamo immersi per sentire il freddo della foresta ai piedi — un bagno per evocare gli spiriti della selva e versare il calore dell’anima. Dopo aver riempito le borracce con l’acqua della sorgente, abbiamo affrontato l’ultimo tratto della salita, ripido e impegnativo — il ginocchio già brontolava.

    La foresta custodisce in ognuno di noi un po’ di Curupira, Matinta-Perera e Boitatá, figure protettrici di quel santuario, parte dell’immaginario nativo. La sensazione era quella di trovarsi in un punto sacro del pianeta, sotto la loro protezione — purché non offendessimo l’impero di Jurupari.

    


Giunti al punto più alto, abbiamo deposto i bagagli e ci siamo preparati a visitare la madre di tutti gli alberi: la samaúma alta sessanta metri, a soli cento metri dal punto di appoggio. L’incontro è stato estatico. Una lezione di piccolezza. Abbiamo calcolato quante persone, mano nella mano, sarebbero servite per circondarla: diciotto. Secondo la guida, ha appena raggiunto la maggiore età — cinquecento anni.

    Tornati al campo, mentre la notte calava, ci siamo spinti fino al belvedere per contemplare l’incontro tra il fiume e la foresta. Un’immensità capace di colmare il vuoto della nostra ignoranza. In lontananza si scorgevano carichi di cereali diretti verso l’Atlantico attraverso le ampie vene del Tapajós, pronti a conquistare il mondo.

   Mentre ammiravamo l’orizzonte, le nostre guide preparavano la piracaia (dal tupi pira, pesce; caia, arrostire), con tambaqui e mapará dai sapori intensi.

    Alla fine, le amache hanno cullato la notte di tutti noi dopo i racconti inquietanti della foresta e dei suoi incantamenti, narrati da una delle guide. Spruzzi di pioggia, il canto profondo delle scimmie urlatrici e il gracidio delle rane hanno accompagnato il nostro riposo fino a tarda notte. Nel buio assoluto, l’unica luce naturale era quella delle lucciole.

    Mi sono svegliato con gli occhi aperti, in attesa dei sussurri di qualche pajé. Non sono arrivati. Abbiamo allora salutato l’ora del caffè — semplice, come tutto lì, ma sufficiente per prepararci ai cinque chilometri di discesa ripida, capaci di annientare definitivamente qualsiasi ginocchio scricchiolante.

    Durante il ritorno ci siamo imbattuti in una piacevole sorpresa: una riserva archeologica. Frammenti di ceramica dei nostri antenati. In quei luoghi vissero i Munduruku. Si suppone che ogni pezzo abbia circa cinquecento anni, sepolto dalle intemperie della foresta primaria. Chi tenta di portarne via uno come ricordo, se lo vede riprendere dal Mapinguari.

    Giunti a valle, abbiamo concluso la spedizione attraversando igapó che ospitano caimani e aquile arpie, tra la foresta e il fiume immenso. Un viaggio nel silenzio degli dèi.

    Poi siamo rientrati alla nostra base, ad Alter-do-Chão. È rimasta alle spalle un’altra tra le tante esperienze vissute in armonia con questo humus vitale.

    Questa narrazione è un atto argomentativo inserito in un contesto culturale, attraversato dal momento in cui l’Amazzonia invoca la propria sopravvivenza. È alfabetizzazione intesa come pratica sociale di chi si riconosce nella pelle della foresta, dei fiumi e dei popoli. Nulla in questo insieme di parole è privo di carattere personale — talvolta mitologico — ma tutto è condivisibile con chi respira l’ossigeno che sgorga dalla hylea amazzonica.


Testo originale in portoghese tradotto da IA (ChatGPT)

Roger Normando, professore di chirurgia toracica presso l'Università Federale del Pará.



A tal expedição ítalo-amazônica

“Eu sou de um país que se chama Pará
Que tem no Caribe seu porto de mar”

Paulo André e Ruy Barata, em Porto Caribe

Na porta da pequena pousada, em ritual de despedida, Marcello caminha cabisbaixo, respirando o ar cansado e com os olhos tomados de tristeza: é hora de partir. É a volta.

Foi uma viagem curta com a famiglia ítalo-brasiliana, mas intensa — apesar do joelho corroído, que insistiu em reclamar de um passado amaldiçoado pelo futebol e por longas cirurgias.

O epítome da jornada se deu quando chegamos a Jamaraquá, área da Floresta Nacional do Tapajós, no município de Belterra (Pará), após duas horas de barco a motor desde Alter-do-Chão. Na chegada, tambaqui e pirarucu nos levaram à completa plenitude prandial. Dali extraímos a seiva necessária para enfrentar os cinco quilômetros de subida morro acima, até alcançar o cume.

Com um cajado emprestado de Moisés bíblico, abrimos caminho até um riacho de águas diáfanas. Mergulhamos para sentir o frio da floresta nos pés — um banho para invocar os espíritos da mata e verter o chamego da alma. Após encher as garrafas com água da fonte, encaramos o último trecho da subida, íngreme e exigente — o joelho já resmungava.

A floresta guarda em cada um de nós um pouco de Curupira, Matinta-Perera e Boitatá, figuras protetoras daquele santuário, parte do imaginário nativo. A sensação era de estar em um ponto sagrado do planeta, sob sua proteção — desde que não magoássemos o império de Jurupari.

No ponto mais alto, arriamos as trouxas e nos preparamos para visitar a mãe de todas as árvores: a samaumeira de 60 metros, a apenas cem metros do apoio. O encontro foi extasiante. Uma lição de pequenez. Calculamos quantas pessoas, de mãos dadas, seriam necessárias para circundá-la: dezoito. Segundo o guia, ela acaba de atingir a maioridade — 500 anos.

De volta ao acampamento, com a noite caindo, seguimos até o mirante para contemplar o encontro do rio com a floresta. Uma imensidão capaz de preencher o vazio da nossa ignorância. Ao longe, viam-se carregamentos de grãos rumando ao Atlântico pelas veias largas do Tapajós, para ganhar o mundo.

Enquanto apreciávamos o horizonte, nossos guias preparavam a piracaia (do tupi pira, peixe; caia, assar), com tambaqui e mapará de sabores marcantes.

Ao final, as redes embalaram a noite após relatos medonhos da floresta e de seus encantamentos, narrados por um dos guias. Borrifos de chuva, o tenor das guaribas e o coaxar dos sapos acompanharam nosso descanso madrugada adentro. No breu absoluto, a única luz natural era a dos vaga-lumes.

Amanheci desperto, à espera de cochichos de algum pajé. Não vieram. Saudamos, então, a hora do café — simples, como tudo ali, porém suficiente para nos preparar para os cinco quilômetros de descida íngreme, capazes de aniquilar de vez qualquer joelho crocante.

No retorno, fomos surpreendidos por uma reserva arqueológica: fragmentos de cerâmica de nossos antepassados. Ali viveram os Munduruku. Supõe-se que cada peça tenha cerca de quinhentos anos, soterrada pelas intempéries da floresta primária. Quem tentar levar uma lembrança, o Mapinguari toma de volta.

Já embaixo, completamos a expedição atravessando igapós que abrigam jacarés e gaviões-reais, entre a floresta e o rio imenso. Uma travessia pelo silêncio dos deuses.

Depois, retornamos à base em Alter-do-Chão. Ficaram para trás mais uma entre tantas vivências harmonizadas com esse húmus vital.

Esta narrativa é uma atitude argumentativa inserida em um contexto cultural, atravessada pelo momento em que a Amazônia clama por sobrevivência. Trata-se de letramento como prática social de alguém que se vê na epiderme da floresta, dos rios e dos povos. Nada neste amontoado de palavras deixa de ser particular — por vezes mitológico —, mas tudo é partilhável com quem respira o oxigênio que brota da hiléia amazônica.


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