sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Mascarada



Quando eu tinha pouco menos de dez anos, meu pai colecionava uma série da editora Abril, cujo nome não lembro, que trazia em uma capa branca uma pequena foto do sambista homenageado. Cada número era dedicado a um compositor e continha um vinil com grandes sucessos e um farto encarte.

Por meio destes discos, fui apresentado a Paulinho da Viola, Nelson Cavaquinho, Cartola, Candeia e outros mestres. Passei a vincular, num cenário único, sábados de manhã, o batuque em 33 rotações e o cheiro de pirarucu frito, que minha mãe fazia sempre que nos mandavam por encomenda – nesta época morávamos fora de Belém. Sob este ar familiar e desde então, apaixonei-me pelo samba de modo irremediável.

Havia uma canção em especial que eu pedia muito ao meu pai para escutar. Falava da paixão carnavalesca do compositor por uma mascarada.

Passei anos sem ouvir este samba, até que um dia, por obra e graça do grande Zé Renato, ex-Boca Livre, redescobri-o em um CD chamado “Natural do Rio de Janeiro”. Lá estava Mascarada, de José Flores de Jesus, imortalizado sob o apelido de Zé Kéti, em parceria com Élton Medeiros.

Finíssima estampa, este samba. Finíssima figura, o Zé Kéti.

Bom final de semana a todos os que nos honram com sua leitura e comentários.

4 comentários:

Juvencio de Arruda disse...

Lembro da série, da música e do mestre Zé Keti. Saudades deses tempos.
O pirarucú a gente come até hoje...eheh.
Abs, nobre.

Flanar disse...

A coleção chamava-se "História da MPB" e eu também a fiz. E muito devo a ela, em minha boa educação musical.
Excelente lembrança, FRJ.

Francisco Rocha Junior disse...

Pois é, Juca; graças a Deus, o pirarucu ainda existe...
Abraços, caro.

Francisco Rocha Junior disse...

É isso, mesmo, Barretto: "História da MPB". Bem lembrado.
Temos muito do que nos orgulharmos, na nossa MPB.
Abs.