domingo, 28 de setembro de 2008

Glamour ou a inconfessável vaidade de aparecer?

especial para o Flanar

Alguém me socorra! O Bolero por um acaso fechou? Caso a resposta seja negativa, é só os incomodados freqüentadores da noite paraense dirigirem-se ao Bolero é curtir uma noitada. Lá não terá, suponho, jovens de 18 anos a incomodá-los nas boates da moda. Se o Bolero não servir é fácil: abram a sua própria boate e coloquem-se no lugar de empresário da noite e veja se o seu perfil dá para a coisa.

Há duas semanas fui a uma boate em Caldas Novas (GO) chamada Zuum, uma casa espetacular. Talvez eu e minha mulher fôssemos os mais velhos naquela noite.

Dançamos a noite toda. Tomamos vário drink´s. O nosso hotel era distante apenas uma quadra da Zuum e não precisamos do carro.

Não vimos nada que nos incomodasse. A música é outra, a dança mudou, mas os jovens estão pouco se lixando se dois “coroas” estão curtindo ao modo deles o mesmo espaço. Porém, a “cara de azar” dos que se julgam “donos” de casas noturnas e boates da moda é indisfarçavelmente feia apesar de seus rostos bonitos, roupas de grife e carrões último tipo.

Falaram da Boite da Assembléia (devem ter se referido à Pipoca de domingo, há muito extinta), Signo´s Club, Zeppelin e New York Disco Club como os templos do glamour em Belém. Concordo em parte com os entrevistados.

O que discordo, é a maneira deselegante e absolutamente desnecessária dessa forma antiga, arcaica e alimentadora do conflito social que, literalmente, todos os personagens da tosca e fútil reportagem referiram-se em relação ao som que então tocava e que agora, “não passa de lixo”, como alguns definiram. Senhores e senhoras, gosto não se discute. Se você, porventura se aperriar em algum lugar fuja correndo... Fica muito mais glamoroso do que dar de ombros e levantar o dedinho.

Há alguns pressupostos nesse caso. Ser ou não ser um mauricinho ou patricinha? Lamentavelmente os bem colocados em Belém copiam o que há de pior do eixo Rio-São Paulo nesse assunto e, desde tenra idade, vivem num mundo da turma da Xuxa – mais uma que tentou, tentou e como recompensa, saiu da mass média. É algo como o que os outros parecem que eles nem sabem ainda o que querem ser!!?

É muito provável e esse pequeno, no entanto, importantíssimo desvio de personalidade há de persegui-los vida afora.

Essa natureza de gente é associada a problemas. Serão adultos insatisfeitos, frios, incapazes de doar o seu tempo para a caridade, um trabalho voluntário, posto que seus valores fiquem restritos aos herdados dos pais que acham que o dinheiro compra tudo, inclusive o ambiente artificial de felicidade.

Lembro-me que quando era o DJ da boate La Cage, na Piedade, um lugar que fez história, era justamente a música alternativa que fazia o sucesso. Competia com vantagem tremenda sobre os Barry White e Donna Summer´s da vida, em mixagens que os P & M urravam e sabiam de cor.
No La Cage a proposta era a novidade da semana, a banda nacional mais legal, o grupo estrangeiro da hora.

Paralelamente a isso, despontava em Belém a Carajás FM e um programa jovem, pilotado pelo publicitário Castilho Jr. que fez a diferença e a cabeça de muita gente, mudou hábitos e tive o prazer de compartilhar a cabine do La Cage recebendo em visita um cara de e com visão. Hoje convertido num publicitário de sucesso.

O Brasil era outro, o rock nacional despontava como absoluto, bandas pós-punk como The Cure, The Smiths, Echo & The Bunnimen, Sioux & The Banshees eram até trilha sonora das novelas da globo e Belém insistia na “cocotagem”.

O esvaziamento da pipoca da Assembléia foi constante até o seu fechamento. Órfãos e órfãs estavam sem lugar para freqüentar. Papai e mamãe simplesmente proibiam a ida de seus rebentos ao La Cage. A justificativa era de que ali funcionava um “antro de drogas”.

E a droga que sempre rolou nas boates da moda já citadas era pó-de-arroz por um acaso?

O fato é que os pais devem dar uma liberdade vigiada aos seus filhos e não apenas dinheiro para justificar sua ausência. Essa, recorrente e que não tem dinheiro que pague.

O que estava em jogo não era a música, a droga, mas a capacidade de tal lugar dar publicidade aos seus freqüentadores. O que essa turma na verdade queria e ainda deve querer é aparecer.

3 comentários:

belempa1 disse...

Oi Val , adivinha quem e : Eric o Frances (:
Gostei da tua opinion .

Voce era o melhor DJ de Belem da epoca com o Olivar .

Foi um grande prazer de ler vocé ,
e desculpa o meu Portugues , eu voltei para França a 10 anos atras ...

Eric Normand

Val-André Mutran disse...

Olha que surpresa!
Que satisfação falar contigo Eric.
Estou morando em Brasília há seis anos.
Obrigado pelo elogio. Foi uma época muito boa a do La Cage.
Estou há anos sem notícias do Olivar.
Espero que você esteja bem.
Estás morando em Paris?
Quando fou à Europa gostaria de te encontrar.
Meu e-mail é valmutran@gmail.com
Passe o seus contatos que te retorno.
Estamos as ordens aqui na Capital Federal. Trabalho na Câmara dos Deputados como assessor de imprensa de um deputado federal do Pará.
Você ainda possui aquele veleiro sensacional?
Você tem notícias do Serge?
Um grande abraço e lembranças para a família.
Val-André Mutran

belempa1 disse...

Que bom ,
eu te mando um Mail , ja , ja
Felicidade
Eric Normand