quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Belém tem

De volta das férias, retomo minhas atividades blogueiras, para matar as saudades dos amigos editores e leitores.
Estando fora da cidade, tomei conhecimento, aqui pelo Flanar, em postagens do Barretto, sobre a inauguração de uma loja da Saraiva Megastore aqui em Belém, no último dia 29. Isso foi motivo de grande alegria para mim. Afinal, há tempos que Belém não dispunha de uma livraria de verdade. Com um povo avesso à leitura e as facilidades do comércio eletrônico, o mercado livreiro não é exatamente o melhor exemplo de rentabilidade. Com isso, até mesmo a Livraria Jinkings, um ícone da cidade, anunciou que fecharia suas portas. Não sei se já fechou.
Anos atrás, as Lojas Visão possuíam uma ótima livraria: grande, variada, que nos permitia sentar e degustar as obras tranquilamente, que encomendava livros para nós e oferecia um atendimento cordial e eficiente. Assim que abriu, tornei-me cliente. Recordo-me de haver comprado onze livros de um mês para outro. Quando eu entrava, todos os vendedores me faziam festa, como se eu fosse um velho amigo. Mas sabe como é o capitalismo: quem procura livros na Visão, hoje, vai encontrá-los num pouco digno espaço, que muita gente nem nota, porque passa com a cara virada para o outro lado, onde estão as roupas.
Paralelamente a isso, as lojas de CD da cidade foram desaparecendo. Não apenas o comércio eletrônico, mas sobretudo a pirataria e os arquivos digitais de música minaram esse mercado. Comprar CD? Só em lojas de departamentos e, mesmo nelas, sem nenhum destaque. Referência especial para as detestáveis Lojas Americanas, aqueles pardieiros sujos onde não ponho os pés, se posso evitar, e onde CD é vendido em gôndolas ordinárias quase que no pisão, como se diz aqui no Pará.
E eis que chega a Saraiva Megastore para aliviar nossas almas! Visitei a loja ontem, pela primeira vez de muitas. A imagem aí ao lado não mostra a unidade local, e sim a do Shopping Center Beira Mar, em Florianópolis, onde há duas semanas comprei um título que procurava há tempos. [A imagem foi coletada na internet: não tiro fotos em shopping...]
Nossa Saraiva ocupa uma boa área e agrada por disponibilizar aquelas estantes abarrotadas até o teto. Além do óbvio (livros), vende CD, DVD, artigos de papelaria e possui uma seção de informática já elogiada aqui no blog, pelo Barretto. Dispõe de um espaço infantil (que achei limitado, por comparação com outras lojas), café e uma sobreloja que não visitei, mas pude perceber que está destinada a atividades culturais. Gostei muito, mas aponto como defeitos uma certa desorganização na disposição dos livros nas estantes e hip hop tocando na seção de informática. Que pecado capital cometi para ser obrigado a escutar hip hop?! Além, é claro, dos preços elevados.
Mas, enfim, saí de lá com a sensação de que a cidade evoluiu um pouquinho.

11 comentários:

Edyr Augusto disse...

Amigos, também estive lá e gostei. Pena que não haja prateleiras específicas para Literatura Brasileira e Literatura Estrangeira. Está tudo meio jogado, enquanto livros de Auto Ajuda e Religiosos, têm a preferência. Eles devem ter razão, sei lá. Quanto à área de discos, deixei para ganhar de Dia dos Pais, uma caixa de cds do King Crimson. Nada que eu já não tenha, mas é tão bonita..
Será que farão lançamentos locais? Achei também os livros meio velhuscos, sem reais lançamentos. Procurei "Fordlândia" e está apenas no computador, zero no estoque. Bom..

Marcelo disse...

Yúdice, entrei lá e realmente demorei muito mais do que o meu habitual numa loja de shopping. Passei pelos livros de culinária e observei alguns títulos, daqueles que só vemos e compramos pela net. Meu interesse era nos DVDs ou BDs. Não encontrei o que procurava no momento, as sinfonias de música clássica romântica. Confesso que a ordem alfabética me confundiu um pouco. Quando saí, meio apressado, pareceu que eu voltava ao mundo real. Bom, acabei deixando algum dinheirinho lá, pelos DVDs do "The Hystory Channel", entre outros. Mas, ficou aquele gostinho de "quero mais" !

Scylla Lage Neto disse...

Edyr, nada melhor que King Crimson para o dia dos pais, não é mesmo?!...
Yúdice, eu ainda não fui (por falta de tempo) mas a única crítica negativa que ouvi até agora é sobre o café, que seria d'As Mulatas.
Let's check it out!
Abs.

Yúdice Andrade disse...

Como em todos os estabelecimentos definidos pela lógica do capital, Edyr, títulos de pouco apelo mercadológico são difíceis de encontrar. Por isso mesmo, uma boa loja deveria reservar ao menos um nicho para essas raridades ou aceitar encomendas. Assim, cumpriria uma função social de disseminar a cultura. Afinal, outras pessoas podem ter interesses semelhantes aos teus, mas desconhecem tal obra e a comprariam, se a visse na prateleira.

O valor de uma loja dessas, Marcelo, está em nos permitir a garimpagem, o prazer de ficar um tempo imersos nesse mundo de leitura. Mas há muito a melhorar, sem dúvida, como escrevi na resposta acima.

Caríssimo Scylla, não comi nada, por isso não posso dizer. Aliás, eu estava tão interessado nos livros que, confesso, sequer reparei no café.

Carlos Barretto  disse...

Bem. Como eu disse em minha postagem, o que menos vi por lá, foram os livros e o café.
Rsssss

Francisco Rocha Junior disse...

Agora nos faltam uma Livraria da Travessa e uma Livraria Cultura. Vamos torcer.

Tanto disse...

Doido de vontade de ir lá. Bem vindo de volta, Yúdice.

André Batista disse...

Achei o atendimento muito ruim, nesse ponto a Sol é muito melhora, apesar de estar falando em informática somente. Procurei um livro que não era de auto ajuda ou esoterismo e a atendente se mostrou sem desenvoltura, talvez melhore como passar do tempo, tomara.

Anônimo disse...

Ia lendo o texto e pensando sobre o preço até ver o teu comentário! O preço dos livros tá proibitivo no Brasil; tava em sampa nas férias e fui em duas livrarias; a Cultura do conjunto nacional e a Saraiva do Santa Cruz. Ate onde eu me lembre, a carga tributária sobre os livros é baixa, não?.
Comprei 'A Era Dos Direitos', Do Bobbio por 68 paus(com uma certa pena, devo dizer); ao passo que paguei 39 numa edição ótima, tradução do Mário Quintana pro primeiro volume(bem grande, por sinal) de Em Busca do Tempo Perdido, do Proust. Ainda vi um dia desses que se discute criar um imposto sobre os livros para criar um fundo de estímulo a leitura, nem sei a quantas anda essa idéia...
Mas, enfim, vida longa à livraria nova. Espero não ter mais que dizer que a melhor livraria de belém é uma locadora de filmes!
Abraço,

Lucas Câmara

ASF disse...

Perfeita ou não, ela fez o meu "dia dos pais" ficar mais interessante!

Armando disse...

Conheço várias livrarias e a Cultura daqui não deixa nada a desejar das outras. Belém está de parabéns. Aliás, tomei um café nas Mulatas e realmente poderiam ter escolhido empresa melhor.