quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pontos e contrapontos

Nunca é demais repetir: este blog se caracteriza pela diversidade de opinião. Diversidade entre os leitores, entre os comentaristas e, talvez principalmente, entre os editores.

Para quem acompanha o Flanar, é um caso emblemático a discussão que travei, durante algumas postagens, sobre a concessão ou não de asilo político ao italiano Cesare Battisti com nosso confrade Itajaí de Albuquerque.

Portanto, não há que causar espanto eventual discordância entre os autores do blog, que, também repito, são maiores, vacinados e, por isso, respondem plenamente por suas opiniões.

Dito isto, ressalvo meu entendimento sobre o texto a respeito do qual um anônimo, na caixa de comentários do post As Fúrias Tropicais, pediu a opinião do Itajaí. Tratava-se de um trecho do artigo “Lula, o Bom Ditador”, que o jornalista Lúcio Flávio Pinto publicou em seu Jornal Pessoal da 2ª quinzena de agosto último, e que foi republicado no site do O Estado do Tapajós, do também jornalista santareno Miguel Oliveira. A seguir, a parte transcrita pelo anônimo:

Lula é aquilo que, abusando do jargão, se passou a chamar de “força da natureza”. É uma esplêndida culminação de instintos vitais. Mas sem a menor condição de autoconhecimento, de reflexão e de análise. Sua maior malignidade está em se infiltrar sem ser percebido. E, mesmo sendo impossível, passar a ser aceito como normal.

Tomado fora do contexto, a redação causou no poster do Flanar indignação, que ele expressou na postagem Um Curioso Exemplo de Higienismo na Política Brasileira. Aqui, para mim, está o primeiro motivo de discordância com meu companheiro de blog: não se pode tomar um texto por parte dele. Não se pode criticá-lo a partir de mera análise descontextualizada, sob risco de incorrer no mesmo equívoco dos cegos da fábula, que tomaram um elefante por tudo aquilo que ele não era.

Mas assim fez meu caríssimo Itajaí. E por isso desconsiderou a análise – para mim, perfeita – que LFP fez a respeito do alcance que esta quase unanimidade do presidente Lula traz para a crítica política brasileira. O artigo espelha o que penso a respeito do tema, focando a absoluta indigência de posicionamento, de crítica e até mesmo de marketing que a oposição brasileira tem revelado nestas eleições.

É preciso, é necessário, é imprescindível para a democracia que haja o contraponto. Lula e o Partido dos Trabalhadores não são a nona maravilha do mundo moderno. Dentre outras coisas, Lula foi incapaz de romper com o modus operandi político das elites brasileiras: teve que se vergar a elas, atraindo para seu lado, em nome da quase maldita governabilidade, gente da estirpe de Jader Barbalho, José Sarney, Renan Calheiros e Fernando Collor. Traiu, na verdade, a esperança de milhões que queriam mudanças no modo de fazer política quando, sob a luz inevitável dos holofotes, mostrou que o PT trata a máquina administrativa exatamente como PFL, PMDB, PTB e até o próprio PSDB o fazem: para multiplicar e manter o poder.

Claro que o governo Lula tem seus méritos. Um deles, atacar aquilo que os governos sociais-democratas não conseguiram (ou não quiseram): aplacar a fome da população. Mas esta não pode ser uma justificativa suficiente para que se esqueçam os inúmeros erros, por inconsequência, omissão ou deliberação, que o governo petista cometeu. Aí deveria estar a oposição para, se responsável fosse (ou se tivesse moral), levantar o debate.

Por tudo isso, a figura do bom ditador é paradigmática. Mas se a oposição deve ser contraponto, a situação também deveria por a mão na consciência e, se fizer a crítica interna das ações e omissões do governo, expô-la ao respeitável público. Afinal, se o PT foi o maior algoz de Rubens Ricúpero no hoje já histórico “escândalo da parabólica”, parece não ter querido aprender a lição pela experiência dos outros.

23 comentários:

Yúdice Andrade disse...

Esta tua didática postagem, Francisco, permite àquele que chegue ao blog agora compreender o conflito surgido em nossas páginas. Reli as postagens relacionadas, com os respectivos comentários, para fixar melhor o imbróglio e penso o que se segue:
1. O comentarista anônimo agiu mal ao pedir uma análise sobre excerto, sem fornecer indicação de sua origem. Provavelmente, ele mesmo forneceu a informação depois, quando o atrito já se instalara. Se a omitiu num primeiro momento, pode ter sido descuido, mas pode ter sido má fé.
2. Itajaí é um homem de larga cultura geral, leitor refinado, politicamente engajado e um cavalheiro. Mas se deixou levar pela provocação, caindo na possível armadilha do anônimo. Não o culpo: eu poderia ter feito o mesmo. Não se pode ver somente nisso qualquer má intenção.
3. Não fosse o autor do texto Lúcio Flávio Pinto, decerto que não haveria esses desdobramentos e talvez não nos lembrássemos, como agora lembra Francisco, de que a parte deveria ser inserida em seu todo para fazer sentido.
4. Lúcio Flávio é respeitado dentro e fora do país. Um verdadeiro intelectual, numa região onde alguns néscios gostam de tratar como intelectual um Jarbas Passarinho da vida. Sua honorabilidade o precede e não seria eu a melhorá-la ou arranhá-la, por mais que tentasse. Assim, penso que a trajetória de LFP destoa de interpretações reducionistas, irresponsáveis. Não creio que ele reduziria Lula - quer se goste ou não dele, um dos maiores fenômenos que este país já produziu, senão o maior -, de modo que mesmo uma crítica contundente e balizada em ideologias pessoais, como normalmente ocorre com todos nós, viria decerto fundamentada em argumentos problematizáveis, capazes de manter o debate em um bom nível.
5. Felizmente, o nosso Itajaí e LFP são cavalheiros e têm-se esforçado em manter a urbanidade, embora seja patente a hostilidade surgida, que desejo seja apenas transitória, fruto de algo que é mais um mal entendido do que uma autêntica divergência pessoal. Afinal, ambos possuem almas libertárias e, cada um a seu modo, querem ver este país mais sério, mais justo com seu povo e que esse povo seja cada vez mais consciente e feliz.

Carlos Barretto  disse...

Também já venho acompanhando este suposto "debate" há algum tempo e para mim, não resta nenhuma dúvida de que caímos no conto de um reles "troll", que decidiu concentrar seus ataques por aqui. Destes que só aparecem nos blogs em tempos de campanha e depois tomam chá de sumiço, após desempenharem bem seu papel, talvez sordidamente remunerado.
Já alertei a todos os posters deste blog internamente sobre este desagradável fenômeno que ocorre ciclicamente em tempos de campanha política. Acho até que a coisa anda meio light. Em tempos passados já foi ainda mais baixa e sórdida. É só ler os arquivos do blog.
Contudo, neste último ataque, sobraram vítimas. Vítimas que devem mostrar sua indignação, certamente. Mas penso que devam também fazê-lo contra aqueles que manipulam ou tentam manipular excertos para jogar uns contra os outros. Tentaram fazer conosco e minar nossa saudável convivência neste blog. Não conseguiram. E finalmente descerraram seu ataque final, a meu ver bastante claro na análise da progressão dos comentários aqui publicados.
E muito bem escritos. Coisa de gente de inteligência dedicada a não-sei-exatamente-o-quê.
Concluindo, volto a chamar a atenção de que certos comentaristas, a despeito de se revestirem de linguagem aparentemente rebuscada, não passam mesmo de lacaios à soldo temporário de terceiros.À eles, não interessa o debate.
Depois que passa a campanha, eles somem e vão curtir talvez em Óbidos ou outras paragens o fruto de seus cometimentos.

Abs

Itajaí de Albuquerque disse...

Meus caros Francisco e Yúdice,
O problema não está na crítica ao governo Lula ou ao seu dirigente. Críticas fazem parte da democracia e do correspondente fortalecimento do exercício da cidadania. Todos nós sabemos que nenhum regime onde não foi garantida a pluralidade de idéias, houve a produção de algo que prestasse para a Humanidade.O problema neste caso está no COMO foi feita a crítica. Nisto reside minha divergência intelectual, que de modo algum é pessoal.
De início minha análise foi sim sobre o parágrafo, mas, por outra, quando houve referência à fonte (o segundo comentário anônimo), fui ao texto e o li por completo.
Se nessa ocasião me parecesse que eu havia laborado um equívoco, tenham certeza que eu simplesmente deletaria a postagem original e reporia noutros termos minha análise.
Entretanto mantive o que escrevi (1a. resposta ao anônimo) por uma simples razão: a parte escolhida pelo leitor do Flanar sustenta-se e tem fio lógico com o todo.
Como antes eu disse, pelas razões suficientemente apontadas, este foi um texto em que um autor experimentadíssimo no ofício da escrita foi infeliz no resultado obtido. Assim minha crítica ao LFP se dá no campo do diálogo afiado entre leitor e escritor, em que pela natureza do fenômeno inexiste a possibilidade de silêncio. Como assinalou Cortázar, ler é por o dedo no gatilho.
Por fim comigo eu dou por encerrado esse debate, que eu não gostaria de ver encaminhado pelo improdutivo "eu acho que sim", "eu acho que não", "tu és isso", "eu sou aquilo"; para a proximidade do pessoal e à distância de uma análise mais categórica que, penso, é o recomendável nesse tipo de polêmica.
Grande abraço a todos,

Paulo Raniere disse...

Um blog por natureza é público, tem sua utilidade e características próprias. No mínimo tem que ser agradável ao seu público, mesmo discordando da opinião ou conteúdo das publicações e devidos comentários, sejam eles anônimos ou não. É uma característica peculiar que faz com que essa ferramenta seja o sucesso que é.
O blog tem que ser motivador de confrontos de opiniões e até de valores, respeitando aqueles que interagem dentro de um nível respeitável, jamais confundindo pontos de vista com o lado particular ou pessoal desse ou daquele.
Com a devida licença, o Flanar não é diferente, ao contrário, por ser editado por vários e respeitáveis articulistas, o torna mais ágil e diverso. Mostrando uma amplitude de assuntos.
Mas, é muito comum vermos aqui aqueles que divergem de alguma opinião ou conceitos publicados, serem tachados por diversos adjetivos e nomenclaturas. Ora, sejamos coerentes, ninguém pode ser acusado de se utilizar de má-fé porque utilizou de um fragmento de um texto sem a devida fonte. Muito menos, acusado como provocador que objetiva desestabilizar uma discussão de forma sistemática.
É patente as críticas e perseguições do sr. Itajaí, contra aqueles que divergem de sua ideologia, conceitos e opiniões. Corroborados sempre pelo sr. Barreto e por vezes pelo sr. Yúdice. Com ataques virulentos contra aqueles que não concordam com seus conceitos.
O bloguista está sujeito a diversidade de opiniões, e penso, que deveria ser bastante flexível, mais do que qualquer outro. Inclusive aceitando os anônimos, até porque assim é permitido como opção.
Quero parabenizar o sr. Rocha pelo equilíbrio.
O silêncio é a arma daqueles que não têm argumentos, ou não têm conhecimentos sobre o tema.

Anônimo disse...

Quer dizer que o Lúcio Flávio pode chamar o Lula de ditador, facista e nazista, e não pode ser confrontado com as suas próprias contradições?

Carlos Barretto  disse...

O que o sr. anônimo empostado não entende, é que uma vez anônimo, pode assumir o papelote que bem entender. Deixando-nos à mercê dos mais variados matizes de pessoas que aqui comparecem, exatamente para exercer o papel que exercem. E que se tivessem suas identidades reveladas, desqualificariam suas supostas alegações, muitas vezes revestidas de vestais da moralidade (inclusive à soldo de qualquer um canalha que inclusive "afirmam apoiar").
Tal fato não acontece concosco, que estamos aqui com as identidades e opiniões devidamente reveladas.
Muitos Inclusive utilizam táticas velhas de velhos "trolls" já fartamente denunciados Brasil afora, de assumir supostas identidades. Algumas identidades, são velhas e fartamente conhecidas pela participação em outros blogs, onde já caíram em seus cometimentos.
Portanto, quer exercer o papel de anônimo. Que o faça livremente. Alguns, mesmo à contragosto, estão aí publicados. Só não espere que nos comportemos da maneira que "imagina e deseja" que nos comportemos. Afinal, quem diz o quer, ainda mais anonimamente. que esteja pronto para ouvir o que não quer. E prontinho da silva para ser mandado passear a qualquer momento.
De outra forma, se não é "troll" e tem convicção do que pensa, qual a razão de manter a anonimidade? Se quer o debate justo e honesto, por que permanecer covardemente na escuridão. Nenhum de nós é portador de qualquer forma de poder que não seja a opinião própria. Não temos poder (e tenho certeza que mesmo que o tivéssemos o faríamos) de exercer qualquer forma de retaliação por alguém manifestar alguma opinião.
Sendo assim, a possibilidade de ser anônimo existe sim no blog. Mas usem-na com responsabilidade. Isto não dá nenhum direito que qualquer um venha aqui nos dizer como devemos nos comportar.
Quer ser anônimo. Já está sendo. Mas ao menos tenha a coragem de aguentar a resposta que tivermos que dar, devidamente identificados.

Yúdice Andrade disse...

Antes de mais nada, peço desculpas ao Francisco por autorizar um comentário em postagem de sua autoria. Permiti-me esse ato em função de ter sido nominalmente citado no comentário e porque, provavelmente, passarei várias horas sem acessar a Internet.
Caro sr. Paulo Raniere, minhas saudações. Louvo sua educação e seu empenho pela melhor utilização dos blogs. Não surpreende que o comentário seja assinado, o que ratifica nossas habituais críticas aos anônimos. Nós os admitimos, é certo, mas o anonimato talvez seja o grande paradoxo da blogsfera.
Agradeço a sua postura problematizadora positiva, embora não tenha merecido o "equilíbrio" que foi atribuído apenas ao "sr. Rocha". O Francisco, de fato, costuma produzir os textos mais serenos do blog, mas quero crer que nós outros também somos bem equilibrados, o que pode ser confirmado até mesmo quando subimos o tom, porque poderíamos fazê-lo até o nível do destempero, mas não é de nossa natureza chegar a tanto.
Percebo que o senhor acompanha o blog, a ponto de observar os movimentos de seus editores. Mas talvez a sua percepção esteja algo equivocada. Com efeito, eu e Barretto temos comentado as postagens do Itajaí com mais frequência e, frente à amizade e admiração que nutrimos por ele, nada mais natural que o defendamos, o que de modo algum implica em concordância com as ideias por ele defendidas. Falando apenas por mim, como me situo politicamente à esquerda, tenho empatia por suas ideais sobre política e sociedade, mas não sobre o governo, posto que minhas decepções pessoais com o governo atual, com Lula e com o PT me levam a defender o voto nulo abertamente.
Fiquei incomodado (e por isso estou respondendo) com sua tácita afirmação de que não respeito ideologias diversas da minha, mas não vestirei a carapuça, já que meus remédios e anos de terapia têm-me deixado mais sob controle nos últimos tempos. Quero crer que, lendo as postagens que produzi aqui no "Flanar" e em meu outro blog, o senhor poderá constatar que sou mais tolerante com divergências do que lhe pareci a princípio. Mas, é claro, sempre há o dia em que a pressão sobe e reagimos com uma sofreguidão exagerada - o que é próprio do ser humano e confirma que, no geral, somos bastante afáveis.
Respeitando sua crítica, embora não me reconheça nela, aproveito para discordar ostensivamente em um ponto: blogs não têm natureza pública. Já me manifestei sobre isso várias vezes e confesso que essa premissa até me aborrece. Entendo que um blog (a menos que seja institucional) é manifestação pessoal de seu autor. Por isso, não possuímos qualquer compromisso com a democracia, com as liberdades disso e daquilo, com o contraditório e outros valores - saudáveis à vida social, é claro. Somos apenas responsáveis por nossos atos e opiniões. Em bom português, o blog é meu e faço nele o que bem entender. Diante dessa constatação, aventura-se nele quem se afinar com o perfil apresentado.
Veja que, diante desta postura marrenta, é minha escolha pessoal aceitar comentários, inclusive anônimos, tentar responder a todos, ser simpático com os comentaristas, usar linguagem decente, admitir erros e culpas, etc. Mas faço isso porque acredito, pessoalmente, que deva proceder dessa forma com as pessoas, e não porque um blog me imponha isto. É minha escolha, empregada por sinal fora do blog, em minhas relações sociais.
Espero ter-me feito entender. A sua disposição para continuar o debate.
Cordialmente.

Paulo Raniere disse...

Eu não disse?! O sr. Barreto quer me desqualificar por todos os meios e formas. Chama-me de covarde, ator, desonesto entre outros termos pejorativos.
Sr. Barreto, o senhor quer a minha qualificação? Quais dados?
Posso considerar isso como uma ameaça?
Respeitosamente,
Paulo Raniere

Carlos Barretto  disse...

Caro Francisco.
Peço desculpas tbm por autorizar o comentário,uma vez que o cidadão deseja ouvir mais e mais respostas. Assim as terá.
Não sr. "Paulo Rainiere".
O sr. é que se desqualifica ao vestir a carapuça que deseja. E não faça drama não. Evite bravatas que estas também já são velhíssimas por aqui.
Apenas e tão somente entenda que podemos nos comportar como desejamos e da forma que bem entendermos. Como é do seu "direito" líquido e certo de manifestar-se sob o anonimato ou qualquer pseudônimo, é nosso aceitá-lo como real ou ficção.
Simples assim.
E cada qual que proceda como achar melhor.

Francisco Rocha Junior disse...

Caros editores,

Não há razão para pedir desculpas pela quebra da regra de que somente o autor modere os comentários à sua postagem. O debate, para ficar mais ágil, merece a exceção.

No mérito da questão aqui tratada, discordo de vocês.

Particularmente ao Barretto, a quem já expus inclusive pessoalmente minha posição, digo que alguns dos comentários que não foram aprovados aqui, em meu entender, não tinham razão para ser barrados. Temos confundido ofensa pessoal ou insistência em um assunto inócuo, com a repetição ad nauseam do mesmo argumento, com provocações educadas e salutarmente contraditórias ao que se expôs na postagem comentada. Não sei a razão disso, e creio que este aspecto deva ser objeto de debate interno do Flanar, mas não posso negar que neste ponto concordo com os comentaristas, anônimos ou não. Acho necessário pontuar minha opinião, fazendo as vezes de ombudsman neste tema em particular.

Ao meu querido Yúdice, digo que assumir escrever em um blog com a intenção de ser lido por quem nele passar e, ademais, abrir a possibilidade aos leitores comentarem, impõe-nos reconhecer que o blog é público, sim. Se fosse para postar tão somente nossa opinião e não querer ler as dos outros, proibiríamos os comentários. Neste caso, teríamos um blog "particular", se posso fazer essa classificação. Por isso, sou forçado a concordar no particular, com o Paulo Raniere.

Finalmente, sobre a defesa da postura do Itajaí, não creio que haja dúvidas para ele do carinho, admiração e respeito que detém dos editores do blog - eu, inclusive, que o conheço há tantos anos. Mas como estamos aqui para discutir ideias, não concordo que a defesa de seus pontos de vista sobre os temas que aqui discutimos seja decorrência automática destes sentimentos.

Concluo, afinal, que estamos esquecendo de aplicar a velha e batida máxima de Voltaire, que ouso adequar ao caso: posso não concordar com os comentaristas, anônimos ou não, mas devo defender até a morte o direito deles de expressar seus pontos de vista.

Abraços em todos.

Carlos Barretto  disse...

FRJ
Sei do seu ponto de vista e nada tenho a discordar. Os comentários anônimos podem ser autorizados ou não por cada um dos editores, aliás como de um modo geral vem sendo. Raras vezes existe alguma necessidade de moderação. Mas tal fato, como em todo lugar do planeta, impõe limites e responsabilidades. Além do mais, inclusive legais, sobre cada um dos editores.
Mesmo o mais deslavado exercício de trolagem, vem sendo publicado por aqui. Mas o que pessoalmente nos difere, e isso é absolutamente natural, é o nível de tolerância que cada um dos posters tem o direito de ter. Isso também é diversidade. As razões que cada um tem para entender as atitudes de certos comentaristas, são sempre claramente explicadas.
É isso que nos faz diferentes uns dos outros e assim sempre será.

Abs

Anônimo disse...

Só uma pergunta, anônima? Por que o Barreto afirma categoricamente que Paulo Raniere é anõnimo?

Itajaí de Albuquerque disse...

Francisco,
De modo algum desejo igrejinhas, nem mesmo dos amigos. Defendo que o conhecimento é uma construção, organizada a partir de sucessivas aproximações de um objeto. Por isso alguns deles são para espíritos livres de amarras com o que for.
Se alguém me convence que estou errado, não hesito em reconhecer o erro. Mas, se eu tiver convencido do contrário manterei minha posição frente a quem quer que seja.
Por fim quero lembrá-los que neste Flanar nenhum dos blogueiros jamais fugiu ao debate ou escamoteou-o, dando carteiradas ou alegando a cor das cãs. Também aqui ninguém falta com respeito no contraditório, que é sempre publicado quando pertinente ao assunto e escrito com as boas maneiras que recomenda-se.
Quanto ao anonimato, ele é proibido do ponto de vista constitucional, embora nos blogues seja quase uma instituição.
Ao anônimo das 1:44, que indaga sobre algo como dois pesos e duas medidas, tenho a dizer que não ignorei a sua intervenção, pois foi a única que de algum modo buscou o cerne de um blogue: o debate não associado a tergiversação, ao insulto praticado à caneladas, com punhos de renda, ou explorando metadiscursos no entre-postagens. A isso talvez de o nome de maturidade.

Lafayette disse...

É impressionante como Nelson Rodrigues, mais uma vez, estava certo.

Neste país, não se pode falar mal, e, daisvêis, falar até bem, de duas pessoas: do Lula e do Lúcio Flávio Pinto. (rs)

O mestre, também, mais uma vez, estava certo, "...lê o Flanar, Lafa... eles são ótimos!".

Carlos Barretto  disse...

Tipo assim, é super difícil imaginar, anônima.
Sabe. Nós chegamos aqui ontem e estamos tão ingênuos....
Anões de jardim e papai noel, fazem parte do meu rol de crenças.
Hehe

Francisco Rocha Junior disse...

Lafa,
Obrigado pela referência elogiosa ao blog, ainda mais por meio da lembrança do Juca.
Abração.

P.S.: da próxima vez que for almoçar no Shops, me liga!

Carlos Barretto  disse...

E desde quando tu gostas de "shops", já?

Lafayette disse...

Égua, lá vem o cara... "Ei, Barreto, tu és troll lá no tuí. Aqui não!"

Meu amigo Francisco, vou almoçar quase todo o dia lá, pois fica perto do meu escritório, e a correria da vida me empurra pra lá.

Ligarei sim (em que pese o inoportuno do nosso amigo aí! réréré)

Francisco Rocha Junior disse...

Hehehe... vou aguardar. E deixa o troll do Barretto trollar à vontade.

Carlos Barretto  disse...

Duas mídias totalmente diferentes. Dinâmicas sem termo de comparação.
Enquanto isso, mais uma vez, "toma-te" para as duas belezuras aí.

Paulo Raniere disse...

Não iria mais retomar o assunto, mas achei por bem fazer poucas colocações, haja vista que na minha humilde opinião dou por exaurido.
Quero deixar claro que trabalho em meus escritos no campo das ideias, não levando para o pessoal.
Não quis criar nenhum tipo de desconforto para ninguém, mas achei por bem opinar e demonstrar meu entendimento sobre o assunto, que diga-se não o tomo como acima de tudo e de todos. Estou sujeito a erros, mas também a acertos.
Confesso que por muito tempo usei do anonimato, porque aqui é permitido, embora constitucionalmente seja vedado tal comportamento.
Aproveito para solicitar aos senhores que por acaso encontrá-los pessoalmente, tomar a liberdade de apresentar-me. Aprendo muito aqui, embora discorde em alguns pontos.
Abraços a todos,

José Carlos disse...

Costumo sempre visitar o Flanar - sempre flanando, claro... - e fico muito contente e ver que o blog, aliás, seus blogueiros, são pessoas inteligentes, informadas, cordiais e bem-humoradas. Continuem assim... Abraços,

Francisco Rocha Junior disse...

José Carlos,

Obrigado pela referência elogiosa ao blog e seus editores. Venha sempre.