sábado, 28 de janeiro de 2012

Coisas do passado, coisa de futuro





- Como fazem para construir um projeto de futuro?
- Muito simples: transformando o passado – Leonel Lienlaf (mapuche)


Pincei este diálogo da obra “Construyendo comunidades... Reflexiones actuales sobre comunicación comunitaria”. Sou apaixonada por história, por memória e biografias, seja em filmes, em livros enfim... De pronto, lembro de algumas obras recentes do gênero que li, como “Chatô. O rei do Brasil”, “Abusado”, “Eny e o grande bordel brasileiro”, “Minha Razão de Viver. Memórias de um Repórter”, “Historias de mujeres”. É uma paixão, pessoal e intransferível.
E algo que me deixa muito feliz é poder aliar esta paixão à minha atividade profissional, acadêmica, lúdica e militante. Vivo um momento propício para isto atualmente e desde que comecei a trabalhar na Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), entidade que completa 35 anos no próximo mês de agosto (aliás, como eu).
A entidade detém um acervo fotográfico belíssimo e de uma importância histórica incrível para o estado, especificamente no que diz respeito às lutas sociais. O arquivo não conta apenas três décadas de atividades da SDDH, mas conta uma parte significativa de um passado que precisamos lembrar por muitas razões, inclusive para transformar nosso futuro, como afirmou o mapuche Leonel Lienlaf.
O acervo é encantador e, com a retomada do jornal Resistência, pudemos também articular com o pro-reitor da Extensão da UFPA, Fernando Artur, a elaboração de um projeto capaz de restaurar este acervo e compartilhá-lo com a sociedade. Com a abertura da maioria dos editais de financiamento público no mês de fevereiro, estamos cheios de esperança. E tomara que consigamos garantir este presente à nossa história no segundo semestre deste ano.
Façamos, vamos amar!

3 comentários:

Silvina disse...

Excelente post, mas... Como se transforma o passado?

Erika Morhy disse...

Silvina, esta é uma boa pergunta e, talvez, cada sociedade encontre um caminho diferente para isso. Na psicanálise, diz-se que é preciso dar novos significados às dores mais pungentes que tenhamos sofrido no passado para que possamos garantir um pouco mais de sanidade no presente e no futuro. Como nós lidamos com nosso passado coletivo no Brasil? O Chile, por exemplo, recentemente, inaugurou o Museu da Memória, para expor suas veias abertas com a ditadura no país. Aqui, Sarney proibiu uma foto do impeachman do Collor que seria exposto no corredor do Planalto! É uma grande diferença. Temos de rever e elaborar este passado de muitas maneiras para termos um porvir mais promissor. Penso que recuperar estas informações, onde elas estiverem, e seja pela Comissão da (meia) Verdade, seja por outras iniciativas da sociedade, como a que propomos na SDDH, e oferecer ao público já seja um pedacinho do caminho.

Fabiano Bringel disse...

Acervo e análise muy ricos.