sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

"Parece que vale a pena ser puta"


- Parece que vale a pena ser puta
- Nem sempre, dona Conceição. A senhora é puta e continua na merda.

Esta pérola de diálogo foi interpretada no primeiro capítulo da série “Dercy de Verdade” e agora circula no facebook. Ela é bem simbólica da luta que se trava cotidianamente com a moral e os bons costumes. Desde sempre e até não sei quando. Algumas pessoas ousam enfrenta-la de peito aberto, com ou sem ternura, mas, ainda assim, arrisco afirmar que inevitavelmente sofrem com isso.

Outro dia conversava com algumas amigas, mães e operárias como eu, sobre as pressões que nos impõem nossas famílias para que possamos cumprir com os preceitos que julgam ser mais corretos: “mães não podem se prestar a sair à noite, a não ser que o dever lhe chame; diversão, jamais! Não é digno”. Além dos sermões, segue-se uma série de chantagens, que vão de uma cara emburrada à recusa em cuidar de nossa cria por alguns momentos. Ou seja, estabelecem uma relação perversa conosco, como definiu uma de minhas amigas, angustiada.

A trava da guilhotina está em muitas mãos, não só na de nossas mães. Isso passa por pessoas e institucionalidades. O desafio é grande e só espero diminuirmos o quanto antes a necessidade de reproduzirmos discursos e padrões que provocam prantos e ranger de dentes.

Salve esta sexta-feira 13, dia de Batucada do Bloco da Canalha, no Bar do Parque, com lançamento de mais uma edição do jornal Resistência, assinado pela Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) e que, no próximo dia 8 de agosto, completa 35 anos.

8 comentários:

Marise Rocha Morbach disse...

Querida, vale a pena ser livre e puta. A coisa mais complicada da moralidade da puta é ser dependente economicamente de quem quer que seja. Bem melhor ser puta e ser livre; foi assim que li esse diálogo no texto sobre a Derci; ela tinha coragem de dizer isso: sou puta mas sou livre. Penso que as mulheres são infinitamente mais moralistas que os homens. O mito amoroso de que mulheres precisam casar e ser honestas(???) e a própria vida doméstica constrói esse elo que faz da mulher a maior inimiga da mulher.Eu que morei muitos anos em cidades de interior vi e ouvi tudo isso. O mais curioso é que esses mitos se mantém, e com vigor. Beijocas prá ti.

Edvan Feitosa Coutinho disse...

Post e comentário mostram como este Flanar ganhou um mega-super upgrade com essas jóias femininas que nos honram com suas inestimáveis colaborações. Beijos às duas Mulheres com M.

Marise Rocha Morbach disse...

Obrigado Edvan, muitos beijos prá você também!

Erika Morhy disse...

Marise, querida, concordo redondamente com você. Obrigada pelo belo comentário.
Edvan, obrigada também.
E mil beijocas aos dois.

Alan Souza disse...

Edvan tem razão. Não se encontra um debate e opiniões assim em qualquer lugar da Blogosfera. Isso aqui é raridade!

Marise Rocha Morbach disse...

Caríssimo Prof. Alan, quem mandou duas mulheres se meterem no Clube do Bolinha? Rsrsrsrsrs.
Abração!

Erika Morhy disse...

A gente sabe brincar, Alan ;-)
Né, Marise?

Marise Rocha Morbach disse...

É sim Erika, beijocas!