domingo, 19 de maio de 2013

Joãozinho Gomes lança “A flecha passa e poemas DiVersos”



Em 2007, quando publicamos um livro de Cirurgia (EDUFPA), divulgado aqui no FLANAR e lançado inicialmente em Belo Horizonte (Minascentro) e depois no Barros Barreto-UFPA, a professora Laïs Zumero, então editora-chefe da EDUFPA, ficou encasquetada com cada epígrafe que antecedia os capítulos. Eram duas ou três de conteúdo médico-científico, as demais, pura poesia: de Waldemar Henrique a Fernando Pessoa passando por Thiago de Mello, Ferreira Gullar, Guimarães Rosa e, entre tanto mais, Joãozinho Gomes.

À época Joãozinho já desenhava a ideia de escrever A flexa passa. Deu-me alguns versos, uma espécie de embrião do que seria seu primeiro livro de poesia. Comecei a saborear aquela saga mitológica e percebi que a textura poética se compatibilizava com o livro que começara e escrever. Então comecei a encaixar versos a cada capítulo que surgia. Combinava com o livro, afinal de contas o epicentro do tema era a violência. Fui montando um roteiro que ora variava trecho literário, ora poesia pura, e assim saiu o livro após dois anos. A abertura, por exemplo, está em A flexa passa:

O anúncio: zune agudo o som da flauta

Que agonia o mundo.

Algo unia o mundo?



De fato, a agonia do mundo - guerras e a violência sanguinária -, não só é a "água-de-carne" de nosso livro, mas também a tônica de João Gomes. Agora digo: se o Flecha... foi pano de fundo desse meu desafio infinito, que sirva de reflexão a todos que se propuserem a ler essa epopéia, essa espécie de viagem até Homero, ou mais além. A poesia de João é bem diferente de suas letras para música: veste-se de poeta, mesmo. Veja no trecho seguinte que a flecha de sua tribo cruza o céu e se transforma em bala de canhão para derrubar o soldado alhures: um prelúdio às guerras:

O arco retesado arremessa-a...
(a flecha passa e corta o infinito,
o aço ao osso é puro atrito)
e cai ao solo um moço.



Mas se nada no mundo une os homens, então quem sabe a poesia possa fazer esse elo? A flecha do índio Joãozinho aponta também para o prelúdio do amor ao se vestir de Eros, deus do amor e, como se fosse o próprio Cupido com sua flecha:

sulco-sêmen-aberto à gris do agro-ego,
onde em segredo sagro-me, e segrego-me

agregado ao grego, a Gregório, o Sagrado,
o que ao meu lado semear-lhe-á astros.



Joãozinho lança a flecha em mim, lança a flecha em nós...



Data do lançamento: 22.05.2013

Local: Centur, dentro do programa “A noite é uma palavra”.

7 comentários:

Marise Rocha Morbach disse...

"Eu era dois; diversos?". Parabéns ao Joãozinho Gomes.

Erika Morhy disse...

Me encanta a capacidade de integrar poesia e ciência, o que, em geral, são saberes que se colocam ao largo um do outro... Parabéns pela ousadia dos autores!

Geraldo Roger Normando Jr disse...

Marise, depois de Ler o óvulo de "A flecha passa", há cerca de sete anos, eu diria: Eu era meio; quase nada! Assim me sinto quando entoo "põe tapioca, põe farinha dágua, põe açúcar, não põe nada...", letra de joãozinho e melodia de Nilson Chaves.

Geraldo Roger Normando Jr disse...

Erika, ciência e arte parecem tão distantes, parecem tão pertos... Só depende do alcance de suas retinas.

Abner Baião disse...

Parabéns ao Joãozinho Gomes, poeta da nossa Amazônia, que a criatividade nunca cesse e a inspiração floresça. Onde e como adquirir um exemplar ?

Geraldo Roger Normando Jr disse...

Abner, falei com a Andreia, esposa dele. Disse-me que provavelmente estaria nas lojas "NÁ FIGUEIREDO".

Abner Baião disse...

Obrigado Geraldo ! Como moro em Brasília, vou pedir para amigos que possam me fazer essa gentileza de enviar um exemplar.Grato!