quinta-feira, 27 de março de 2008

Anônimos: ruim com eles, pior sem eles?

Há uma discussão recorrente na blogosfeira (© AK) sobre a função dos comentaristas anônimos: são eles necessários e importantes ou simples tumultuadores do ambiente virtual?

No post Sem Solução, publicado hoje no Quinta Emenda, o blogueiro Juvêncio de Arruda, nosso confrade de Flanar, irritou-se com comentários anônimos que corriam paralelos ao assunto do post. Com razão, diante do descaminho do assunto e da falta de identificação de quem queria fazer "denúncias" ou comentários descabidos, Juvêncio encerrou a discussão na caixinha de comentários - algo louvavelmente raro no Quinta.

Comentaristas, anônimos ou não, são sempre bem-vindos. Muitos, protegidos pelo anonimato, apresentam visões interessantes sobre discussões importantes, iniciadas nas postagens. Mas o anonimato também esconde muita vendeta, mesquinharia e sordidez, quando o comentarista não se identifica e baldeia xingamentos e acusações sem provas, pretendendo que o poster as abrace, sob sua responsabilidade.

Identifica-se aí um fio de navalha: de ambos os lados, o precipício; sobre a linha, o responsável por moderar os comentários, que não só passa a responder por aquilo que afirma no post, quanto pelo que os outros dele comentam.

A opinião, entretanto, tem que ser respeitada. É considerada direito fundamental desde a Declaração dos Direitos dos Homem e do Cidadão elaborada pela Assembléia Constituinte francesa, na Revolução de 1789, e vem sendo repetida em todos os documentos democráticos desde então, incluindo-se a Declaração Universal de 1948 e, em nosso caso particular, a Constituição Federal de 1988.

O caso, porém, é que todas as Cartas e Declarações fazem uma ressalva clara: a de que aqueles que abusam deste direito devem responder por suas exorbitâncias.

Por isso, anônimos certamente são sempre bem-vindos. Mas até o anonimato exige responsabilidade.

2 comentários:

Bia disse...

Caro Francisco,

acompanhei o assunto no Quinta e li com atenção seu post.

O anonimato - ou o "pseudonimato" como no meu caso - não faz diferença se a intenção é debater, informar, divergir, conversar. Mas para o anonimato escuso, que vem para ferir e vilipendiar, não há como pedir responsabilidade.

Um abraço.

Francisco Rocha Junior disse...

Bia,

Entendeste bem o post. O problema é o anônimo não querer debater, mas acusar, encoberto pelo anonimato. Estes, como bem disse o Juvêncio, que abram um blog e acusem quem quiserem, com ou sem provas; o problema é deles.
Mas aqui, como alhures, anônimos (ou pseudônimos) com a tua proposta são sempre bem-vindos.