quinta-feira, 10 de julho de 2008

Recordar é viver

A prisão do banqueiro Daniel Dantas, solto pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, vem sendo insistentemente ligada ao escândalo do mensalão, no qual se descobriu que parlamentares recebiam mesada do governo federal para votar a favor de propostas do Executivo.

No entanto, nenhum dos grandes veículos de comunicação parece lembrar que a participação da Previ (o bilionário fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) no processo de privatização das estatais de telecomunicações foi entregue à administração do Banco Opportunity, de Dantas, e que tal processo se deu durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

A Previ tem seus diretores indicados pelo governo. Na época da privatização das chamadas teles, o responsável pela indicação de diretores e pela montagem dos consórcios que participaram do leilão de privatização foi Ricardo Sérgio de Oliveira, caixa de campanha da reeleição de FHC e amigo íntimo de José Serra, outro prócer tucano. Os diretores indicados por Ricardo Sérgio fecharam um contrato de gestão com o Opportunity, por meio do qual Daniel Dantas veio a ser, durante um bom tempo e por alguns milhões de dólares, o homem mais poderoso das telecomunicações brasileiras, pós-privatização – e isto sem botar um tostão próprio no negócio.

Descobriu-se posteriormente que o Opportunity, em tal gestão, veio a privilegiar mais o Citibank, seu sócio estrangeiro, que a Previ. Lesou, com isso, milhares de investidores, empregados do Banco do Brasil com dinheiro depositado no fundo de pensão. Contou para isso com o auxílio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável pela fiscalização do mercado de ações, que fez vista grossa para os negócios de Dantas.

Como se vê, DD tem tentáculos muito longos, poderosos e que enredam personagens ilustres de várias matizes. Mas agora, Dantas, seus documentos e HDs poderão permanecer calados, por graça e obra do ministro Gilmar Mendes, ex-Advogado Geral da União no governo Fernando Henrique, e a mídia nacional poderá continuar vinculando o banqueiro baiano unicamente ao mensalão, como se ele tivesse aparecido somente em 2005 nos bastidores sujos da República.

Um comentário:

Flanar disse...

Pois é!
O tempo vai passando e pelo menos continuamos tendo nos blogs, ao menos a oportunidade de manifestar livremente nossas preocupações. Muito embora, os truculentos de sempre, vez por outra, atentem contra a liberdade de pensamento, como o fizeram no blog do Jeso Carneiro.
E para isso, atuando na justiça, que deveria estar atenta para garantir este direito constitucional.
Mas vamos em frente.
Abs