terça-feira, 6 de abril de 2010

Chapada dos Veadeiros - Luz, cor, aventura e emoção

27 de março de 2010
Após uma noite tranquila, onde finalmente descansaríamos da viagem aérea feita na madrugada anterior, acordamos cedo e finalmente pudemos conferir aquilo que nos diziam da região. Os céus, com nuvens em formação inigualável, como que pintadas manualmente em azul profundo. O friozinho da noite, rapidamente vai dando lugar ao calor. Mas um calor longe de ser intolerável. Contudo, com sol forte, o que justifica o uso de protetor solar e bonés.
Descemos animados para experimentar o primeiro café-da-manhã na pequena pousada. Um lugar simples, arrumadinho, limpo e decorado com esmero. Pães de queijo quentinhos, feitos na hora, frutas, chá, chocolate, leite, café, bolos e sucos. Em meio a primeira refeição, conversávamos, ríamos, atualizávamos as novidades e programávamos o dia. Primeira parada: trilha para o Vale da Lua. Depois, uma cachoeirinha em um sítio de um amigo, e por fim, as piscinas termais.
Após checarmos o equipamento, encher o squeeze com água mineral, iniciamos então a primeira trilha.
A emoção do momento era indescritível. Sempre em declínio, a trilha a princípio era de terra batida. Em seguida, de rochas firmes e algo escorregadias.
Íamos caminhando em passos lentos, observando as plantas do cerrado, parando sempre que possível para fotografá-las. Após alguns minutos, aos poucos foi se revelando a primeira visão impressionante da Chapada e do Vale.
Montanhas, muita vegetação e céu azul quase total. No caminho, um pequeno grupo de turistas acompanhados por um guia. Neste ponto, um mirante perfeito, fiz a primeira imagem panorâmica da região. Um espetáculo, que nos deixou por muitos minutos parados, registrando tudo que nossas câmeras poderiam registrar.
Continuamos descendo, desta feita, sentindo que a inclinação do terreno aumentava abruptamente, obrigando algum cuidado e atenção. E logo, descobriríamos o Vale da Lua, com suas formações rochosas de desenho sinuoso, caprichosamente delineados pela natureza. No meio das rochas, o rio se insinuava por entre fendas amebóides, com grande velocidade. Um perigo que aprendemos a respeitar. Concentração e atenção, sem contudo perder a naturalidade e o prazer do momento.
Já neste instante, percebendo o quanto tínhamos percorrido na descendente, imaginava a dureza que seria a volta, subindo sem parar.
Mas seguimos em frente, por entre fendas e rochas, em busca de um lugar seguro, onde pudéssemos baixar as mochilas e tomar um banho. Buscávamos uma piscina natural.
E assim, seguimos a caminhada, fotografando as rochas e fendas que subitamente se revelavam no caminho. Entre elas, a água escorria veloz, como se penetrasse profundamente na rocha.
Algumas fendas lembravam poços de águas agitadas, capazes de tragar para a morte quem delas se descuidasse. E a paisagem bizarra, explicava finalmente o nome de batismo daquele belo vale.
Encontramos então, o lugar seguro onde pudemos parar por um tempo, descarregar o equipamento, comer alguma coisa e principalmente, cair naquela água límpida, esverdeada e muito gelada. Mas o frio da água, logo exerce aquele efeito relaxante. E o lugar era perfeito. Uma piscina natural quase que privativa do grupo. Ninguém mais nos acompanhava naquele lugar.
É bom ressaltar que tomamos o cuidado de levar sacos plásticos onde concentrávamos todo e qualquer lixo produzido, guardando-o dentro das mochilas. Uma atitude que o esplendor do lugar, grita alto na consciência do trilheiro.
Após estes momentos de relaxamento total, voltamos a vestir nossas roupas apropriadas e continuamos a caminhar por entre as rochas em busca de um lugar relativamente mais acessível. E por isso mesmo, cheio de turistas e trilheiros. Mas tínhamos que prosseguir naquela direção, pelo simples fato de que lá também haveria uma pequena cachoeira, onde poderíamos tomar banho com segurança.
Seguimos caminhando então, sempre descendo na mesma direção do rio. No caminho, íamos conversando, rindo, brincando feito crianças, sem perder contudo, a necessária concentração que o cenário exigia.
Eis então, que somos surpreendidos com uma abrupta inclinação, revelando lá embaixo uma piscina com cascata natural. Mas lá já havia um grupo de 20 trilheiros. Uma galera, para um lugar tão inacessível. Nós olhamos espantados para eles, e eles para nós. Mas ao fim, descemos a pirambeira e nos juntamos ao grupo. Uma pirambeira com declive acentuado, que obrigava um certo cuidado, quase que engatinhando até chegar ao solo.
Após rápido descanso, resolvemos então dar início a lenta subida de retorno. Como eu previa, não foi nada fácil. Para o ataque à grande inclinação do terreno, foram obrigatórias algumas paradas para recuperar o fôlego. Em seguida, com o avanço, o terreno vai ficando novamente com um declive suave, permitindo passos mais contínuos e sem paradas.
Ao final do percurso de retorno, uma inacreditável surpresa: encontramos um barzinho com cervejinhas estupidamente geladas. Sem palavras.
Voltamos a São Jorge para o almoço, que fizemos num modesto restaurante "self service" muito honesto. Avaliamos as condições físicas de todos, trocamos impressões e partimos para o ataque seguinte, que segundo nossa parceira experiente na região, seria uma visita a um "sitiozinho" de um amigo. Desde este momento, comecei a desconfiar que ela não nos falava toda a verdade.
Pelo simples fato de que, ao chegarmos ao tal "sitiozinho" fomos supreendidos por um dos cenários mais espetaculares da região. Com direito a chuvinha fina e arco-íris ao alcance de nossos pés.
O proprietário do sítio, tinha um quarto simplório no andar superior com apenas uma cama, um criado-mudo, e uma cadeira. Porém, com a janela mais espetacular que já pude ver na vida. Algo que só a imagem abaixo pode descrever.
Uma imagem absolutamente proposital, que buscava exatamente este efeito. Centrei o foco no panorama ao fundo e abri o flash. O resultado: a TV de LED mais desejada do universo. Ou a janela mais espetacular que alguém pode ter.
Após passarmos 1 hora inteira fotografando freneticamente o espetáculo de luzes e cores que a natureza nos proporcionava, finalizamos o dia nas piscinas termais, um pouco mais adiante. Desta vez, sem trilhas muito íngremes e nem grandes esforços. Um complexo de 3 piscinas naturais, com água morna. Lá permanecemos até o anoitecer. Mas a natureza estava impossível. De dentro das piscinas, assistimos o aparecimento da lua cheia por trás de um coqueiro. Não havia mais dúvida: aquele dia tinha sido um presente de Deus aos aventureiros.
O frio foi caindo aos poucos, obrigando-nos a voltar a São Jorge, que nos receberia com um jantar de crepes, massas, sopas de abóbora com carne seca e um cumpridor vinho tinto chileno Gato Negro.
Na avaliação do dia, nossa parceira experiente na região, atacou uma vez mais: "amanhã, o passeio vai ser mais leve que este". Escaldado com a história do "sitiozinho", resistia em dar-lhe ouvidos. E não deveria mesmo. Mas o dia seguinte, será contado em outro post. E ele não seria nada light. E em nada comparável, ao playground que finalizávamos naquele momento. Espertinha nossa querida amiga. E a ela, agradeceremos sempre as melhores emoções desta viagem.

15 comentários:

Yúdice Andrade disse...

Espetacular, Barretto! A cada nova postagem, cresce o meu desejo de viver também essa aventura. Contudo, sei que a realização do projeto não ocorrerá dentro dos próximos anos. Talvez só quando a Júlia seja um adolescente. Tomara que ela tope, porque a mãe...

Nilson Soares disse...

Prezado,

Linda a foto da janela.

Falando em termos etílicos, chilenos são bons, encorpados e tintos.

Abs,

Nilson

Nilson Soares disse...

Prezado,

Linda a foto da janela.

Falando em termos etílicos, chilenos são bons, encorpados e tintos.

Abs,

Nilson

Carlos Barretto disse...

Obrigado, Nilson.
Quanto aos chilenos, um baratinho como o Gato Negro (R$ 21,00), dá um ótimo caldo. Muito embora tenhamos pago 45 reais por garrafa na Chapada!!
Mas valeu a pena.

Abs

Carlos Barretto disse...

Yúdice
Diga à Polyana, que apesar dos perigos relativos, o visual que vc ganha, é o ponto culminante de todos os esforços. Mas se mesmo assim, ela não se animar, diga então que eu farei o "enorme sacrifício" de ir junto com vc na aventura. E prometo desde já, cuidar para que vc não se desvie do foco.
Rsssss

Nilson Soares disse...

Carlos,

O vinho é bom, mas esse preço é muito caro para ele...

Para ser franco, aqui no sudeste, não sei como é aí, o preço dos bons vinhos nos restaurantes é imoral. Infelizmente a cultura predominante no Brasil é de que prová-los seja um privilégio de poucos. (sem falar que 90% dos vinhos brasileiros quando muito servem para molhos).

abs,

Nilson

Carlos Barretto disse...

É do mesmo jeito, Nilson. Às vezes, dá vontade da gente levar o vinho de casa para o restaurante. Eles costumam aplicar mais de 100% de lucro por garrafa.
Uma indecência. É por isso, que costumo consumi-los, na tranquilidade de meu lar, com amigos.
Abs

Nilson Soares disse...

Prezado,

Somos dois.

abs,

NIlson

Lafayette disse...

Maravilhoso!

Scylla Lage Neto disse...

Nice shots, Charlie.
Adorei a janela!

Carlos Barretto disse...

Aguarde o que está sendo preparado neste exato momento. O segundo dia.

Abs

Andrea Casali disse...

Absolutamente lindo! Tou levando a janela, com licença... bjs

Carlos Barretto disse...

A "Janela" já te mandei em tamanho original. Espero que vc goste.

Bjs

Lucas Farias Alves disse...

Olá tenho um site da chapada dos veadeiros (www.infochapadadosveadeiros.com.br) gostaria de sabe ser não esta entereçado em fazer uma troca de link, "Você posta um link do meu site na sua página e eu um do seu na minha página" pois e bom para ambos os lados pois aumenta a divulgação.

Carlos Barretto disse...

Olá Lucas.
Visitei seu site e de fato é bastante completo e útil para aqueles que desejarem visitar a região. Mas espero que você não se aborreça conosco, mas não costumamos trabalhar com mera troca de links. Somos um blog de variedades, com ênfase em cultura, política e notícias locais da região amazônica, mais especialmente do estado do Pará. Eventualmente fazemos alguns posts não exatamente centrados no turismo. Longe disso, cada articulista relata suas viagens de acordo com sua vontade. E este tipo específico de post, não é exatamente o mote do blog. Neste sentido, fazemos links para blogs que atuam na mesma linha que a nossa. Sendo assim, peço desculpas mas deixar um link permanente ao seu (repito) ótimo site, não seria exatamente algo adequado a nossa linha editorial. Nada nos impede, levando em conta seu bom conteúdo de recomendá-lo aos nossos visitantes, interessados em visitar a estonteante região da Chapada dos Veadeiros.
http://www.infochapadadosveadeiros.com.br
Vc também está desobrigado de nos linkar, uma vez que seus visitantes encontrariam aqui, muita informação que não deve ser do interesse específico que buscam.
Mas de qualquer maneira, agradecemos sua visita e compreensão.

Abs

Carlos Barretto