quinta-feira, 13 de junho de 2013

Que lindo!



Outro sim


Para  que não se vá a vida ainda
e a amada volte

                             pede à palavra
                             outra palavra
                             outra


                                                 sob palavra





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Max Martins


Imaginem como foi....................

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A PM começou a batalha na Maria Antônia

Quem acompanhou a manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus ao longo dos dois quilômetros que vão do Teatro Municipal à esquina da Consolação com a rua Maria Antônia pode assegurar: os distúrbios desta quinta-feira começaram às 19h10m, pela ação da polícia, mais precisamente por um grupo de uns vinte homens da tropa de choque, com suas fardas cinzentas, que, a olho nu, chegaram com esse propósito.
Pelo seguinte: às 17h, quando começou a manifestação, na escadaria do teatro, podia-se pensar que a cena ocorria em Londres. Só uma hora depois, quando a multidão engordou, os manifestantes fecharam o cruzamento da rua Xavier de Toledo. Nesse cenário, havia uns dez policiais. Nem eles hostilizaram a manifestação, nem foram por ela hostilizados.
Por volta de 18h30m, a passeata foi em direção à Praça da República. Havia uns poucos grupos de PMs guarnecendo agências bancárias, mais nada. Em nenhum momento foram bloqueados. Numa das transversais, uns vinte PMs postaram-se na Consolação, tentando fechá-la, mas deixando uma passagem lateral. Ficaram ali menos de dois minutos e retiraram-se. Esse grupo de policiais subiu a avenida até a Maria Antonia, caminhando no mesmo sentido da passeata. Parecia Londres. Voltaram a fechá-la e, de novo, deixaram uma passagem. Tudo o que alguns manifestantes faziam era gritar: “Você é soldado, você também é explorado” ou “Sem violência”. Alguns deles colavam cartazes brancos com o rosto do prefeito de São Paulo, “Fernando Maldad“.
Num átimo, às 19h10m, surgiu do nada um grupo de uns vinte PMs cinzentos, com viseiras e escudos. Formaram um bloco no meio da pista. Ninguém parlamentou. Nenhum megafone mandando a passeata parar. Nenhuma advertência. Nenhum bloqueio sem disparos, coisa possível em diversos trechos do percurso. Em menos de um minuto esse núcleo começou a atirar rojões e bombas de gás lacrimogênio. Chegara-se a Istambul.
Atiravam não só na direção da avenida, como também na transversal. Eram granadas Condor. Uma delas ficou na rua que em 1968 presenciou a pancadaria conhecida como “Batalha da Maria Antônia”. Alguns deles, sexagenários, não cheiram mais gás (suave em relação ao da época), mas o bouquet de vinhos.
Seguramente a PM queria impedir que a passeata chegasse à avenida Paulista. Conseguiu, mas conseguiu que a manifestação se dividisse em duas. Uma, grande, recuou. Outra, menor, conseguiu subir a Consolação. Eram pessoas perfeitamente identificáveis. A maioria mascarada. Buscaram pedras e também conseguiram o que queriam: uma batalha campal.
Foi um cena típica de um conflito de canibais com os antropófagos.

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Elio Gaspari

Do Pacífico ao Atlântico: highway 10

                                                                            Viajar! – mas de outras maneiras: transportar o sim desses horizontes!...
Guimarães Rosa, em “Grande Sertão: Veredas”

Horizontes Ianques: não! Algumas condições para o sim nas ideias: filho, dileto amigo, a ciência preferida, Jazz e, se ainda existisse, aquela “América” do faroeste, com “Z” do Zorro. Esses heróis de filmes e quadrinhos zanzavam com suas diligências entre a Califórnia e a Louisiana, deixando rastro de seus cavalos pelo Arizona e Texas. Hoje, todo o Sul fronteiriço hispânico foi substituído por muralhas e rodovias e aquela América ficou no lusco-fusco de cada Django que há em nós... Destarte, juntei todos essas condições e peguei a Highway 10.
Comecei por San Diego: Old Town. Lá, de sombreiro, tive impressão de ter visto a pança do Sargento Garcia. Depois marcamos encontro com o amigo Coimbra às margens do pacífico admirando reminiscências de Midway. Um bom Merlot californiano e uma prosa sobre ciência regou nossa admiração pela Califórnia modernizada e por aquele chairman vestido de amarelo e verde a disseminar, mundo afora, a semente da verdade científica. Iniciei o sim daqueles horizontes ao requerer Quintana: “foi como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo”.
Caminho aberto: mundo Texas. Encostei dois dias no Motel Chaparral, beira de estrada e alcunha de gangster de western. Coloquei a janela na árvore fui espiar, com meu chapéu abado de Cowboy, aquela miniatura de mundo. Encontrei os Cervenkas, gente de coração mole e ascendência celestial. Albergaram no ventre do coração um filho postiço que fui buscar de volta para mim. Eles vivem numa casa de madeira rodeada de muita grama verde à sombra do altruísmo. Alma interiorana estava era ali. Bucolismo à flor da pele e silêncio sonorizante nos arredores daquele vilarejo - Hallettsvile. O texano tem no seu interior a alma morna desde a conquista de Álamo, quando expurgou muito mexicano pro inferno.
Ainda pela rodovia 10, sentido oeste-leste no volante - ficou pó de estrada em Houston - até dar pé em New Orleans, Louisiana, barranco do Mississipi. Ou se preferir: N’Awlin, na língua tupi deles e NOLA na língua afro. Foi ali que encontrei o Preservation Hall e Grandpa Elliot com sua voz encorpada no Blues de Louis Armstrong. Contou-me que tinha o sonho de se encontrar com aquela “Garota de Ipanema”. Como não chegou a tempo, assoprou um ritmo sincopado nos meus ouvidos numa das esquinas do Quarteirão francês, úbere do Jazz.  Coisa mais linda – leite bom na minha cara. Já posso morrer com uma fita amarela gravada Elliot, e ser enterrado ao ritmo da Bourbon rue.
Parada final: Flórida. Lá fui conhecer o caboclinho Chico-Chiquinho, o homem mais bonito da Flórida, como se gaba. Ele vive nos arredores de Miami: Coral Spring. Não é nenhum paladino de quadrinho, mas caberia bem se Joe Bennet estivesse interessado em desenhá-lo como um desertor da Arca de Noé, pois trocou o despejo da IBM pelos EUA. Vendeu casa, carro e partiu de Val-de-Cans somente com a passagem de ida e o visto. Com as vendas pôs 400 dinheiros no bolso e deixou o resto com a esposa que, sem livro de auto-ajuda, conseguiu alimentar e educar os dois pintinhos.
Sabendo falar apenas good-bye e thank you lavou pratos, de dia, e entregou jornal, à noite. Dormia três horas só para sonhar com os curumins, até mandar buscá-los. Indesejado por não falar a língua e ainda rejeitado por ser de outro faroeste, fez dessa peia o caminho para o meu aplauso. Hoje faz questão de falar A-M-É-R-I-C-A tal como aqueles heróis do western. Junto ao Coimbra perpetra a idéia que a América é o país da oportunidade, desde que saibas trabalhar.
Hoje, o “Car Wash Chico-chiquinho” gera a oportunidade de viver em paz com Obama. O cara além de apaixonado por Bossa Nova e Lucinha Bastos, quer conhecer NOLA, Memphis e Nashville - terras lendárias.  Chico-Chiquinho passeia como um dândi de cidadania americana. Desfila seu bem-querer pelo Brasil e, por debaixo de suas camisas pólo, veste a insígnia do Capitão América.

É.......é isso aí!

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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Perplexos!!!


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Angeli

Max Martins



Os chamados do tigre




Os chamados do tigre me atravessam. Ardem
e medram em sangue sob escombros, plasmam
a carne do  meu fruto flamejando-o


Quem defende o meu corpo deste incêndio
desta palavra corpo se afogando?
E quem sou eu para guardar um nome de sua noite? Quem
das grades dessa noite, a pele majestosa, tenso
Vibra seus punhos contra a neve



                                                               Tu

que não me dizes nem me sabes, tu
que do topo dos topos da metáfora me alivias
                                                                            vê:


Do fundo de meus olhos cego-deslumbrados
obscuros laivos de ternura me procuram





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Para AOF

Vergonha que não é alheia, é nossa

"A um ano do Mundial, o Brasil não está ainda no ponto no que se refere à infraestrutura: os aeroportos são velhos, os hotéis muito caros e o transporte caótico. A segurança está ainda por melhorar." (jornal Metro - Bélgica, edição em francês, de hoje).

Na reportagem do jornal, lido por mais de 800 mil pessoas na Bélgica francófona, estão os pontos cruciais:
-quatro dos seis estádios foram entregues com atraso à Fifa para a Copa das Confederações. Num deles, em Salvador, a cobertura se "desintegrou" após fortes chuvas,  "em razão de um erro humano" .
-nas grandes cidades, os engarrafamentos chegam a 200 km, as estradas estão em mau estado, os aeroportos saturados e os trens inexistem;
-outro grande desafio, a segurança: a cada ano, o Brasil, com 194 milhões de habitantes, registra 40 mil homicídios. Nas 12 cidades da Copa, "os níveis de violência são endêmicos";
-atualmente, o Rio é a terceira cidade mais cara do mundo no que se refere aos hotéis. A diária em um quarto custa, em média, US$ 246,71, à frente mesmo de destinos badalados como Nova York (US$ 245,82) e Paris (US$ 196,1), segundo um estudo da própria Embratur. 

De quem eu gosto...

... nem no blog confesso!!!

Dedicado aos enamorados que pelo FLANAR flanam (e eu sei que não são poucos), compartilho um dos fados mais famosos, na voz da imortal Amália Rodrigues.
Feliz dia dos enamorados!




terça-feira, 11 de junho de 2013

Honoris causa

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A Acadêmia, há muito, deveria ter concedido a Lúcio Flávio Pinto  o  título de "doutor honoris causa". Claro que não apenas por sua erudição, pois se ela estivesse guardada na gaveta, de nada nos serviria. Ele é um pensador, um homem de ideias, com uma produção científica e cultural de grande qualidade, e de alto grau de mobilização de ações, projetos, e de sentidos. Para onde quer que olharmos, nesta vasta Amazônia, lá estará o olhar, as percepções e o conhecimento de Lúcio Flávio Pinto. O que devemos observar  é o seu papel, e o seu lugar, na história contemporânea da Amazônia. Na história da Imprensa paraense. Ele é o emblema da coragem e da rebeldia contra os desmandos e a impunidade que grassam na Amazônia. Combatendo com palavras e conhecimento, Lúcio Flávio Pinto tem prestado um serviço de grande relevância para a democratização da informação, no Pará. Seria um título a honrar a Universidade Federal do Pará. Alguém tem  dúvidas sobre isso? Não creio. Lúcio Flávio Pinto tem inimigos. Muitos deles, invejosos. Mas nenhum deles teria a audácia de negar o intelectual e militante que ele tem sido na busca de conhecimentos e saídas para os dilemas amazônicos. 

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Sertão? Quem sabe dele é urubu!

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Escreveu Guimarães Rosa no seu  Grande Sertão: Veredas. Ele está aqui na minha estante: quieto, acomodado e reflexivo: como a dona da estante. Cada um na sua: não é? Os cientistas políticos tem muita raiva dos jornalistas. Os jornalistas não gostam dos cientistas políticos. Os políticos não gostam dos jornalistas. E o grande sertão de ideias se amplia. Os especialistas publicam, publicam, publicam.......mas quem informa são os jornalistas. E o grande sertão de ideias se amplia. Na peleja do diabo com o dono do céu,  o senso comum nos diz o que pensa das coisas do mundo; e os jornalistas informam. E é o senso comum, o que faz a roda da fortuna girar, de lá para cá e de cá para lá. Fiquei bastante impressionada com a comoção gerada pelas imagens dos cães mortos em um município do Marajó. Muitas pessoas se organizaram para fazer socorrer os animais. Os protestos se espalharam como pólvora nas redes sociais. Vi, outra vez, a força do jornalismo na indução dos fatos. Fiquei bastante impressionada com a fala do Coordenador do Centro de Zoonoses do Pará. Falava calmamente e de forma reflexiva sobre como se deve exterminar os animais. De fato, me lembrei de Kafka e de seu personagem descrevendo "a máquina". Tudo muito calmo, tudo muito tranquilo, como manda o exercício cotidiano das rotinas. A situação do Marajó em si, não interessa muito, e a  "população"  ficou bastante feliz em receber 10,00 por cada animal apreendido. O senso comum nos diz muito sobre a realidade. Se ela é produto da ideologia, das crenças, da racionalidade, dos deuses, do átomo, da força, da coerção, do controle, das cadeias, da loucura: isto é outro papo! Mas que o senso comum  nos diz muito sobre quase tudo: Isso diz!
Sertão? Quem sabe dele é urubu!

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Inexorável

Dik Browne

Assino embaixo

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Iriny Lopes - Deputada federal PT/ES


A cristalização de posições favoráveis e contrárias à redução da maioridade penal impede que as pessoas analisem os dados de forma racional e objetiva. A experiência de países que encarceraram adolescentes em prisões de adultos e agora admitem que, ao contrário do que imaginavam, os jovens tornaram-se mais violentos acende a luz vermelha (ver reportagem do The New York Times de 11 de maio de 2007).
Propor a maioridade penal cada vez mais precocemente é no mínimo temerário. Ela tem sido feita por alguns políticos que “vendem” propostas de apelo fácil junto à sociedade, ignorando os dados de criminalidade, bem como o fracasso de nações que adotaram a medida, como os EUA. De todos os estados americanos, Nova Iorque é o único a manter a punição para adolescentes a partir dos 16 anos. Isto porque, segundo o New York Times, estudos apontam que “em pessoas mais novas, o tratamento é mais eficaz que o encarceramento. Todos os Estados americanos mantêm uma corte e um sistema correcional para juvenis, normalmente com programa que foca mais em tratamentos e reabilitação do que em punição”.
Os dados também desarmam a teoria de que a violência é cometida em grande parte por adolescentes. De 2002 a 2011 houve uma redução nos percentuais de homicídios cometidos por pessoas abaixo de 18 anos. Dados da Secretaria de Direitos Humanos apontam que os índices de assassinatos reduziram de 14,9% para 8,4%, de latrocínio passou de 5,5% para 1,9% e estupro de 3,3% para 1,0% .
O Cadastro Nacional de Adolescentes em Conflito com a Lei (CNACL), Instituído pela Resolução nº 77 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 26 de maio de 2009, e que reúne informações sobre Varas de Infância e Juventude de todo o país sobre os adolescentes em conflito com a lei, tem registros de ocorrências, até junho de 2011, de mais de 90 mil adolescentes. Desses, 30 mil cumprem medidas socioeducativas. Embora pareça alto, o contingente representa apenas 0,5% da população jovem do Brasil (21 milhões de meninos e meninas entre 12 e 18 anos incompletos), sendo que a maioria responde por crimes contra o patrimônio.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990), promulgado em 1990, prevê responsabilização a partir dos 12 anos de idade. A internação é uma medida extrema e aplicada quando:
a) tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa;
b) por reiteração no cometimento de outras infrações graves;
c) por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta, caso em que não poderá exceder a três meses.
Cabe ressaltar que a medida socioeducativa tem como princípio a reinserção social e garantir um papel construtivo para o jovem na sociedade. Por isso a internação deve ser feita (art. 123) em locais específicos, separando os internos por tipos de delitos, idade, compleição física, com cuidados especiais e proteção. As unidades devem contar programas de educação, formação profissional, esporte, lazer.
Existe ainda um ponto do Estatuto prevê o monitoramento das medidas socioeducativas, que é o Plano Individual de Atendimento (PIA). A pesquisa “Panorama Nacional – A execução das medidas socioeducativas de internação”, publicada pelo CNJ em 2012, revela que a estrutura atual não colabora com a aplicação do ECA e a ressocialização desses jovens. Apenas em 5% de quase 15 mil processos de adolescentes infratores havia informações sobre o Plano Individual de Atendimento (PIA), uma forma de mensurar o desenvolvimento deste jovem e a eficácia da medida socioeducativa. Além disso, outras situações evidenciam o descaso de autoridades com o cumprimento da legislação: o abuso sexual de pelo menos um adolescente em 34 instituições no prazo de um ano, 19 assassinatos em unidades, quase 30% dos internos revelaram ter sofrido tortura praticada por funcionários, além da superlotação verificada em 11 estados.
Os levantamentos sobre a aplicabilidade do ECA revelam que a legislação é ignorada desrespeitada diariamente pelos governos estaduais. Não há nessas unidades nenhum projeto educacional, de formação profissional e as atividades de esporte, lazer e cultura são praticamente nulas. Enfim, o estatuto não é cumprido. Os adolescentes em conflito com a lei são tratados como se fossem criminosos sem recuperação.
Se existe atualmente um deliberado desleixo com a reinserção social desse adolescente em conflito com a lei não é demais imaginar o desastre que seriam inclui-lo em uma prisão de adultos, que tem como realidade celas abarrotadas (considerando que as vagas não passam de 300 mil nos 1.171 presídios no país para um contingente de 538 mil), em cadeias que primam pela barbárie, agressões físicas e psicológicas, que só ampliam a revolta desses presidiários contra a sociedade. São as chamadas masmorras, que em vez de restringir somente a liberdade como prevê a lei, submete o infrator à degradação humana, à convivência com ratos, baratas, pessoas infectadas com tuberculose e outros tipos de doenças infectocontagiosas, a ingerir comida estragada, a sofrer violações físicas, e não raramente ter passe livre para sair de presídios e cometer crimes durante a noite, com parceria de agentes públicos, seja por corrupção, ou sociedade em ilícitos, entre outras amplamente noticiadas.
Os defensores da redução da maioridade penal usam argumento frequente que adultos usam crianças e adolescentes para cometer crimes.  Ignoram os dados que apontam um mínimo de jovens nesse tipo de atividade, bem como os números de violações contra essa faixa etária da população. O Mapa da Violência 2012 aponta que quase nove mil crianças e adolescentes foram assassinados no Brasil em 2010. O Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos revela que em 2012, mais de 120 mil crianças e adolescentes foram vítimas de maus tratos e agressões e menos de 3% dos suspeitos tinham menos de 18 anos. Ou seja, é o adulto o principal agressor de meninas e meninos. E não existe qualquer comoção nacional no sentido de interromper as violações contra essa ampla parcela da população.
Dados do Unicef de 2009 também já apontavam que quase 80% do mundo adotam a maioridade penal para adultos aos 18 anos ou mais. O Brasil é referência mundial nessa área. Adotar a maioridade a partir dos 16 anos é ir na contramão da história e retroceder sem qualquer argumento plausível para tanto, além de desrespeitar uma legislação internacional ratificada pelo estado brasileiro, a Convenção Internacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Decreto nº 99.710/1990), período em que foi promulgada a Lei 8090/1990, que instituiu o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Há também de se lembrar que a inimputabilidade (penal) de menores de 18 anos é uma cláusula pétrea da Constituição, uma garantia individual, intocável. Não há como alterá-la por projeto de lei. Somente a realização de outra Constituinte, com a redação de uma nova Carta Magna.
Recentemente no Espírito Santo, um motorista de caminhão foi morto por pessoas da comunidade ao atropelar sem querer uma criança. A menina desprendeu-se da mãe e correu para a rua sem dar tempo ao caminhoneiro para enxergá-la e frear o veículo. O homem foi brutalmente assassinado a facadas e pedradas. A justiça feita num momento de desespero por parentes e amigos foi cruel, porque destruiu também a vida de outra família, a do motorista.
Alterar legislações no calor dos acontecimentos não é racional, como se espera de matérias tão sérias, é como “fazer justiça” com as próprias mãos. Escamoteia estudos e dados sobre o tema em questão, ignora o quanto os estados deixam de cumprir os atuais preceitos legais, seja em relação ao sistema de internação de adolescentes ou das prisões para adultos, empurrando para outros suas responsabilidades, que de certa forma colaboram em muito para o aumento da criminalidade e da violência nas cidades.
Cobrar a execução das leis atuais seria mais eficaz do que inventar outras sem consistência e que tendem a piorar a situação. A indignação deveria ser diária, um exercício de cidadania, de fiscalização de governos, Ministério Público e Judiciário, e não apenas usada por alguns em horário nobre de televisão, capitalizando dor alheia, de olho apenas nos lucros eleitorais.

Iriny Lopes é deputada federal (PT/ES) e integrante da Comissão Especial criada para analisar as propostas de alteração do ECA. É secretária de Relações Internacionais do PT.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

domingo, 9 de junho de 2013

Diluição........


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Duciomar Costa sumiu! Onde estará? Foi cristalizado em Zenaldo Coutinho e em Simão Jatene. Foi cristalizado; mas,  depois, estará  diluído nos eleitores de Belém. Como os  eleitores de Belém não pensam igual sobre quase nada; e, de quatro e quatro anos, são chamados a fazer escolhas, a diluição vai ocorrer por osmose. Como Ana Júlia Carepa, Rômulo Maiorana Junior, Simão Jatene, Almir Gabriel, Zenaldo Coutinho, Jader Barbalho, e tantos outros,  já estiveram de mãos dadas com Duciomar Costa:O Eleitor não entende!?!  E  se entende, entende  assim: Estão pouco se lijando para a minha sorte! E, ai  do eleitor  que não seja racional, para ver o que lhe acontece. E, como ele não é racional sempre:  acerta aqui; erra acolá.  Duciomar Costa sumiu. A mágica aconteceu! E aos olhos de todos. Nada ficou? Como escreveu Drummond: de tudo fica um pouco! E, ficou; mas ficou nos bastidores, na zona escura; aquela que o eleitor  mediano não vê. Mas que quando vê: pode ver errado; ou não entender. Tá aí o Mensalão; estão aí todas as boas intenções: estas que enchem os infernos, e que aumentam o número de cruzes pelo mundo. A política, o grande demônio, a cada dia adentra  mais e mais o Moinho Satânico. Precisamos de ar, de oxigênio, de ideologias sãs, e com coragem de dizer alguma coisa que esteja pelo menos mais próxima da "verdade": pelo menos. Fico muito triste ao ver que Maquiavel continua mandando bem, e sendo o manual da política. Uma pena!


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A divisão aconteceu!

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Enquanto seu Lobo não vem, a Sorte lança suas cartas na espera de que a Fortuna faça suas escolhas. O quadro político é tenso, com cassações, acusações veladas, e fatos sendo construídos pela mídia paraense. O Senador Jader Barbalho está no sul do Pará montando os acordos: jornais e formação de Opinião. O PMDB vai cobrar a fatura: vai indicar Helder Barbalho para o governo do Pará e quer o PT na chapa - e na coalizão. Uma parte do PT está pronta para dar o troco, o racha virá! Quem vai sair lucrando? Me parece que o PSDB tem, no Pará, muito a lucrar com o momento. É duplamente governo. Está no poder, e tem a máquina pública na mão. No quadro nacional, Dilma Rousseff enfrenta a crise econômica e as agruras da coalizão que a levou ao poder. Isto sem falar da mídia golpista, que já usa o percentual de 57% de aprovação do governo Dilma Rousseff,  para dizer que ela não vai se reeleger. O fato é que o Pará já foi dividido: a divisão aconteceu. O PSDB tenta reverter o prejuízo; talvez um pouco tarde. Os cidadãos do sul e oeste do Pará nos tem na conta de usurpadores da riqueza do estado. Uma pena! A tendência política de Ana Júlia Carepa, a DS,  dentro do PT, está fortalecida no Pará. Pero no mucho, quando nos voltamos ao quadro político interno do PT,  no qual o PMDB tem poder e prestígio sobre as demais tendências. E são as tendências, e a baixa renovação dos quadros políticos, o grande problema do PT em face ao PMDB, no Pará. Para nós, cidadãos deste estado, o quadro pode ficar mais dramático do que já está; e o nosso grau de incerteza,  sobre as decisões que devemos tomar  em 2014,  pode nos levar a tomar as piores decisões possíveis. Muitos estudos demonstram o poder de coesão  dos partidos políticos sobre  decisões legislativas; mas  o mesmo não acontece em decisões eleitorais. Vem chumbo grosso por aí. O velho oeste está de volta, escolham as  armas e tomem  posição.

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sábado, 8 de junho de 2013

É Pará Isso!

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Escrevendo a saideira de sábado..... e deixando aqui duas questões. Por que não fazer um evento dos escritores paraenses, e de suas editoras, aqui? Por que não fomentar a literatura paraense por meio de eventos aqui. Penso que é uma questão de agendamento e vontade. Vejo Vicente Cecim fazendo isto. Leio, que Vicente Cecim esteve em um monte de lugares. Vejo-o como um ativista das letras paraense. Gosto das posições do Vicente Cecim. Penso que ele é um livre pensador,  e que tem boas opiniões sobre o Ser, a Natureza e a Ave. Gosto muito da ideia de que possamos ter um umbigo anterior ao do  colonizador; e de que ele esteja em toda parte. Hoje, por exemplo, fui ao Mercado do Ver-o-Pêso. Tenho sempre a mesma agradável sensação de que  estou em meio a inúmeras tribos indígenas. E quando chego, posso ver a belíssima Baía do Guajará: meu coração fica em júbilo! Adoro o Ver-o-Pêso!!! Se é nativismo? Não sei! É Pará isso!?!

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Des Perles du Bac



  (do blog Veteran :  http://veteran.canalblog.com/archives/2010/06/23/18403409.html)

Para quem pensa que só no Brasil, nos vestibulares e Enems da vida, os estudantes criam "pérolas" como respostas absurdas, indico a leitura do livro Brèves de copies de Bac.  É uma publicação anual que reúne as respostas mais "criativas" nas provas de Baccalauréat, bateria de teste conhecida como Bac, uma espécie de Enem a que são submetidos os estudantes do último ano nos lycées (liceus) de ensino médio na  França - uma espécie de brevet para ingressar no ensino superior.  O Bac foi criado por decreto de Napoleão Bonaparte em 1808. E de lá pra cá já criou enciclopédias de pérolas, como estas, da foto, e abaixo (reproduzo  em francês para manter um "sabor original", logo seguido da tradução com algumas explicações entre parênteses):

Na montagem acima, Prova de História -
Quando queimaram Joana D'Arc, as pessoas sentiram um cheiro de santidade.

-Un octogénaire este une figure avec huit côtés.
Um octogenário é uma figura de oito lados.

-Platon est surtout célèbre pour ses banquets
Platão é  célebre sobretudo pelos seus banquetes.

-Pendant la guerre froid, deux blocs s'affrontent, un bloc chaud, les États-Unis avec Miami et ses belles plages, et un bloc froid, la Russie, avec ses immensités de glace, la Siberie.
Durante a guerra fria, dois blocos se enfrentam, um bloco quente, os Estados Unidos com Miami e suas belas praias, e um bloco frio, a Rússia, com suas imensidões de gelo, a Sibéria.

-Question: Citez des couples d'homophones
Réponse: Jean Marais et Cocteau, Rimbaud et Berlaine (sic), Delanoë mais je ne sais pas avec qui.

Questão: Cite duplas de (palavras) homófonas.
Resposta: Jean Marais e Cocteau, Rimbaud e Berlaine (em vez de Verlaine), Delanoë, mas eu não sei com quem.

(Bertrand Delanoë é um político socialista francês, abertamente homossexual, que é prefeito de Paris desde 2001).

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O professor Fábio Fonseca de  Castro, num comentário, contribui com mais pérolas do Bac. Merci, Fabiô!!!

-Les nazis ont commis des crimes humanitaires.
Os nazistas cometeram crimes humanitários.

-Pablo Picasso était un célèbre écrivain du 18e siècle. Parmi ses livres, Harry Potter est sans doute le plus connus.
Pablo Picasso foi um célebre escritor do século XVIII. Entre seus livros, o mais conhecido é, sem dúvida, Harry Potter.

- Qu'est ce que la liberté selon vous ? La liberté c'est comme un petit poney qui court dans un champs. 
 Questão: O que é a liberdade para você? Resposta: A liberdade é como um pequeno pônei correndo num campo.

- Rimbauld se moque de la bourgeoisie plus particulièrement de chaque bourgeois.
 Rimbaud ironiza a burguesia e, mais particularmente, cada burguês.
-La Première Guerre a été la première et dernière des guerres mondiales. La deuxième étant la Seconde.
A Primeira Guerra foi a primeira e última das guerras mundiais. A segunda sendo a Segunda.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Leiam aqui!


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Sobre os preços das campanhas políticas coordenadas pela Agência Griffo. Houve um decréscimo de valor nos serviços?!?  Com qual finalidade?!? Como isto pode acontecer? Ou melhor: Por que tamanha discrepância? Querem saber mais? Leiam aqui!

[...]Veja abaixo, tudo em valores atualizados pelo IPCA-E:

Campanha de 2010 (Governo e Senado). Serviços da Griffo: R$ 236. 276,59.
Campanha de 2012 (PMB/Zenaldo, 2 turnos). Serviços da Griffo: R$ 171.590,83
Campanha de 2008 (PMB/Valéria, 1 turno): R$ 166.620,12. [...]


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Política de Comunicação: Para quem?

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Estou acompanhando de perto as matérias divulgadas no blog da jornalista Ana Célia Pinheiro sobre a agência de publicidade GRIFFO,  e os governos do PSDB. Considero de grande interesse público o acompanhamento das relações entre agências de publicidade e governos. O jornalista Lúcio Flávio Pinto já se perguntou, por inúmeras vezes,  sobre as razões de tamanho descaso dos habitantes de Belém pelos destinos da nossa cidade.  Eu prefiro acreditar que é a burrice galopante e a baixa densidade cívica, o motor do descaso. 




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A sesta: Miami Beach, Flórida


quinta-feira, 6 de junho de 2013

...à vovózinha!.....

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Glauco

Mia, a gata

Imagem: Lis Lamarão

O leitor mais antigo do blog há de se lembrar do jegue Jerônimo Severino (vide Um Jegue de Muita Sorte), aquele que trocou o trabalho duro nas dunas da Praia do Cumbuco pelo paraíso de um lar paraense.
Pois na mesma propriedade onde reside o jegue ocorreu um episódio curioso envolvendo uma pequena gata, doravante batizada de Mia.
Provavelmente indesejada e rejeitada ao extremo, Mia iniciou sua existência de aventuras sendo jogada do mundo cruel por cima do muro de quatro metros, gastando a primeira das sete vidas logo de cara.
Operada por um doutor com nome de messias, medicada por via intramuscular com afinco pelo comandante da propriedade e mimada entre cães, gansos, pavões, galos e passarinhos por sua jovem "dona", Mia está livre para viver com dignidade.
E até já ousa ensinar aos cães que beber água do meio das plantas é mais gostoso, para desespero da patroa.
Mia, a gata highlander, é o contraponto e a resposta à matança recente dos cães no Marajó - uma verdadeira ode à vida!
Afinal, como diz o sábio Seu Zé, "até bicho tem que ter sorte na vida".

terça-feira, 4 de junho de 2013

Memento


Matéria publicada ontem na Folha de SP me trouxe à tona a figura de Brenda Milner, notável neurocientista nonagenária que surfa num assunto que me fascina: a memória.
A britânica de 94 anos (fará 95 em 15/07 próximo) pesquisa a diferença entre os hemisférios direito e esquerdo e está baseada atualmente no Montreal Neurological Institute, braço da renomada universidade McGill, orgulho canadense desde os tempos coloniais.
A pesquisadora nos forneceu e fornece um importante legado de conceitos referentes a diferentes tipos de aprendizado e ao fracionamento da memória e, principalmente, nos mostra que os neurônios não devem se “aposentar” jamais.
Vida longa à Prof. Milner!

"I wouldn't want to be lying on a beach somewhere—I'd feel like the world is passing me by. 
I like to make a little noise when I walk."

Brenda Milner

Escola no interior do Texas

 


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Da maior importãncia

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A herança de FHC
Por Marcos Coimbra/ Carta Capital
Enquanto não surgir coisa mais avançada, as pesquisas de opinião continuarão a ser a melhor maneira de interpretar o pensamento da população a respeito das questões coletivas. Sem elas, ficamos com o que acha cada indivíduo ou dizem os grupos mais organizados e loquazes. Os sentimentos e atitudes da maioria permanecem ignorados. É como se não existissem.
Mas as pesquisas estão aí. E permitem uma compreensão dos juízos e as expectativas dos que não se expressam, não mandam cartas ou postam comentários na internet. Há outras formas de fazê-lo, mas nenhuma mais confiável.
Realizá-las não é extravagância ou privilégio. Não custam tanto e um partido político poderoso, como, por exemplo, o PSDB, pode encomendar as suas. Nem um jornal ficará pobre se tiver de contratar alguma.
Por que então as oposições brasileiras as usam tão parcimoniosamente? Por que, se é simples conhecê-la, os partidos e a mídia oposicionista desconsideram a opinião pública?  Tome-se uma velha ideia: as três derrotas sucessivas dos tucanos para o PT teriam sido causadas pela insuficiente defesa da “herança de Fernando Henrique”. Sabe-se lá por que, é uma hipótese que volta e meia reaparece, como se fosse uma espécie de verdade profunda e houvesse evidências a sustentá-la.
Nas últimas semanas, ela retornou ao primeiríssimo plano. Em seu discurso inaugural como presidente nacional do PSDB, o senador mineiro Aécio Neves disse que seu partido se equivocou ao não valorizar o “legado” das duas administrações de FHC. Em suas palavras: “Erramos por não ter defendido, juntos, todo o partido, com vigor e convicção, a grande obra realizada pelo PSDB”.
Salvo uma ou outra manifestação de cautela, a mídia conservadora aplaudiu o pronunciamento. Os “grandes jornais” gostaram de Aécio ter assumido uma tese com a qual sempre concordaram. Faltava-lhes um paladino e o mineiro ofereceu-se para o posto. 
E os cidadãos comuns, o que pensam desse “legado”?
Em pesquisa recente de âmbito nacional, o Vox Populi tratou do assunto. Em vez de subscrever (ou atacar) a tese, apenas identificou o que a população pensa a respeito.  

Os entrevistados foram solicitados a avaliar 15 áreas de atuação do governo Dilma Rousseff. Depois, a comparar o desempenho de cada uma nos governos dela e de Lula com o que apresentavam quando Fernando Henrique Cardoso era presidente. As avaliações de todas as políticas nos governos petistas são superiores. Em nenhuma se poderia dizer que, para a população, as coisas estavam melhores no período tucano.
Consideremos algumas: na geração de empregos, 7% dos entrevistados disseram que FHC atuou melhor, enquanto 75% responderam que Lula e Dilma o superaram. Na habitação, 3% para FHC e 75% para Lula e Dilma. Nos programas para erradicar a pobreza, 4% ficaram com FHC e 73% com os petistas. Na educação, o tucano foi defendido por 5% e os petistas por 63%. Na política econômica, em geral, FHC foi avaliado como melhor por 8%, enquanto Lula e Dilma, por 71% dos entrevistados. 
No controle da inflação, FHC teve seu melhor resultado: para 10%, ele saiu-se melhor que os sucessores, mas 65% preferiram a atuação de Lula e Dilma no controle de preços.

Na saúde e na segurança, os petistas tiveram as menores taxas de aprovação, mas mantiveram-se bem à frente do tucano: na primeira, Lula e Dilma foram considerados melhores por 46% dos entrevistados. Na segurança, por 45%. FHC, por sua vez, por 7% e 6%.
No combate à corrupção, FHC teria atuado melhor que seus sucessores para 8%, enquanto 48% dos entrevistados afirmaram ter Lula e Dilma sido superiores.
Os políticos e as empresas jornalísticas são livres para crer no que quiserem. Enéas Carneiro era a favor da bomba atômica. Levy Fidelix é obcecado pela ideia de espalhar aerotrens pelo Brasil. Os partidos de extrema-esquerda lutam pelo comunismo. Há quem queira recriar a velha Arena da ditadura.
Ancorar uma campanha presidencial na “defesa do legado de FHC” é um suicídio político. Nem Serra nem Alckmin quiseram praticá-lo. A derrota de ambos nada tem a ver com o fato de não terem feito tal defesa. O problema nunca foi estar distantes demais dos anos FHC, mas de menos.
Resta ver como se comportará, na prática, Aécio Neves. E o que dirão seus apoiadores, quando perceberam que também ele procurará fazer o possível para se afastar do tal “legado”.
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Avaliação bem regular

Acabou de ser divulgada a primeira pesquisa de opinião pública sobre o governo de Zenaldo "Não Sou Mágico" Coutinho. A pesquisa do Instituto Acertar foi divulgada pelo Blog do Bacana, que fornece algumas informações sobre a metodologia da coleta de dados.

Não sou cientista político. Mas sou brasileiro e, como tal, adoro meter o bedelho em assuntos sobre os quais não tenho especial capacidade de avaliar. Para mitigar a minha prepotência, deixo claro que neste assunto fui chamado, sim, porque sou eleitor, morador e contribuinte de Belém; logo, a matéria é do meu interesse mais direto. Além disso, deixo claro que meus comentários são meras impressões leigas, sem nenhuma pretensão de segurança ou cientificidade.

No mais, deixo clara a minha rejeição ao PSDB e seus quadros, o que certamente influencia de forma prévia a minha percepção do caso. Ao menos tenho a honestidade de declará-lo ostensivamente.

Aparentemente, os dados têm sido interpretados como favoráveis à atual gestão municipal. Mas não acho que seja bem assim. Explico-me.


Coutinho foi eleito com 56,61% dos votos válidos, nada de consagrador, mas um índice superior aos 47,3% de aprovação registrados na pesquisa. Ou seja, em apenas quatro meses (a coleta de dados se deu na primeira quinzena de maio), sem nenhum incidente, considerando apenas a rotina administrativa, o prefeito já não conseguiu emplacar a mesma aceitação de outubro passado. Além disso, esse percentual abrange três faixas de análise, correspondentes a "ótimo", "bom" e "regular positivo". Como o melhor índice é "bom" (27,4%), vá lá que não esteja mal na foto. Mas apenas 3,2% de "ótimo" já é sintomático.

Outrossim, não me arvoro em discutir com estatísticos, mas eu não estou pessoalmente convencido de que "regular" devesse ser considerado como aprovação do governo, seja lá que governo for.

Mas o segundo quadro é ainda mais problemático:


Desde a campanha eleitoral do ano passado se comentava à boca miúda que qualquer prefeito eleito teria uma oportunidade de ouro de ser considerado um verdadeiro estadista, porque qualquer mequetrefe superaria, e muito, Duciomar Costa. Mas 34,8% dos entrevistados considerou a gestão atual igual à anterior. Eu me mataria, se fosse o prefeito. A coisa piora quando se observa que os que apontaram uma melhoria foram apenas 35,9%. O nada desprezível índice de 9% aponta piora (eu me mataria e me condenaria à execração da memória). Ao todo, a gestão tucana é mal-avaliada, em comparação à Era das Trevas Totais, por nada menos que 43,8% dos entrevistados!

Honestamente, você acha mesmo que se pode considerar essa uma avaliação positiva? Vamos chutar o balde: 20,3% dos entrevistados ainda não sabem dizer se Coutinho é melhor. Se um cara me dissesse não saber se eu sou melhor ou pior do que Duciomar Costa, eu já me mataria. Juro por Deus.

Arrisco um palpite final: a avaliação desfavorável de Coutinho é decorrência de que, em seus quatro meses de governo — aliás, até agora — não aconteceu nada. Políticos vivem de fazer de um palito uma floresta inteira, de modo que, quando nada é apresentado, é porque nada existe, de fato. Apenas a velha ação de limpeza de canais (a mais velha estratégia de todo neoprefeito) e a continuação de algumas obras, ainda que de fato muito importantes.

O imbróglio BRT, p. ex., continua como dantes. A imprensa comum noticiou que os contratos com a Caixa Econômica Federal já foram assinados e, a partir daí, a ordem de serviço poderia sair em 30 dias, mas o prefeito tentaria liberá-la em 7 dias. Claro que este prazo expirou e, por enquanto, nem sinal de retomada das obras. É claro que isso irrita o cidadão comum e pesa em eventual avaliação.

Chamo a atenção, por fim, para o fato de que o principal padrinho de Coutinho é o governador Simão Jatene, de quem se pode falar que, estando no terceiro ano de seu mandato, ainda não disse a que veio. Os governos de propaganda, marca maior do tucanato, já não funcionam como antes, embora paguem muito bem (como tem noticiado a jornalista Ana Célia Pinheiro em uma série de reportagens, em seu blog). Então se o afilhado puxar o padrinho, já era.

Estou aberto às réplicas. As educadas, por favor, como educada foi esta postagem.

Mais, muito mais!

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João Montanaro

Cocaína!

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A cocaína não quer ver ninguém feliz: É o que eu penso! Sou da geração que viu o flagelo se disseminar pelo mundo. Saiu das veias da América Latina, para dar o troco no colonizador. A cocaína é herdeira da melancolia da América, aniquilada pela barbárie de nossos colonizadores ibéricos: loucos, sifilíticos e cruéis: Muito cruéis. Tem muita gente que usa diariamente. Tem muita gente que surtou, matou, violentou: E depois foi fumar um baseado para se acalmar. A cocaína é filha da tristeza: não tenho dúvidas! Todos os seus derivados: mais tristes, ainda. Fala-se abertamente da dependência de Aécio Neves, candidato do PSDB nas próximas eleições presidenciais. Deixo aqui um link sobre a censura que foi feita ao Estadão, quando da publicação de matéria sobre o vício de Aécio Neves. Não censuro, nem julgo, Aécio Neves; pois não sou hipócrita, e detesto hipocrisia. Apenas fico cá com meus botões pensando até quando vamos levar a discussão sobre as drogas dessa forma tão arcaica, enquanto milhares são consumidos pela dor e pelo desespero. Mantenho a minha posição: A cocaína não quer ver ninguém feliz! 

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domingo, 2 de junho de 2013

Um raio de sol para Maria Alekhina e Nadezhda

O sol brilha e a temperatura confirma que a primavera, atrasada, chegou nessa parte da Europa.
Mas, não consigo viver um domingo ensolarado sem pensar nos presos de consciência,
gente que por uma opinião contrária a um governo vive preso. É o caso de Maria Alekhina,
24 anos, poeta, estudante, mãe de um menino de 5 anos. E  Nadezhda Tolokonnikova, 23 anos, artista visual e estudante, mãe de uma menina de 4 anos. Junto com Yekaterine Samutsevich,
elas formam a banda punk russa Pussy Riot. Todas foram presas, em fevereiro de 2012,  durante um protesto numa igreja ortodoxa em Moscou contra Putin & quadrilha. Depois de um julgamento que não passou de farsa, as duas primeiras foram condenadas a um campo de trabalho forçado - sim meus caros, Stalin não morreu -  e  Yekaterine vive em liberdade condicional. Maria Alekhina fez greve de fome na semana passada para protestar pelo fato de que que não é ouvida nem nas audiências em que o pedido de liberdade condicional delas é examinado.
Ai Wewei, o artista chinês dissidente, há uns meses, fez a madona ortodoxa encapuzada acima em
homenagem às Pussy Riots.

Uma "regalo" de Chinese Man

Meu mais novo encanto são as músicas e os vídeos de Chinese Man. Segue um, "de prova", "I´ve got that tune". Eu gostaria mesmo de postar "Indie Groove", que tem uma pegada ilustrativa mais forte e trabalhada, talvez. Com elementos diferentes dos que estão neste vídeo que segue. Bem, na verdade, me encnatou visseralmente. Pena que não estava disponível para "incorporar". De todo modo, fica a dica, com a eternamente charmosa Betty Boop.