sábado, 18 de maio de 2013
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Sem metafísica
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Bom, hoje é sexta: amanhã vou ao meu paraíso particular: sim, tenho um. Para minha sorte não lerei os jornais de domingo. Deuses: oh glória. Com todo respeito aos meus amigos e patriotas, jornalistas!: tá feia "a coisa". Na quinta-feira quase fui às lágrimas com as manchetes de O Diário do Pará e de O Liberal. O que me salvou foi a deliciosa catarse do Elias Ribeiro Pinto contra o Nicolás Maduro. Lá? Dei gargalhadas. Realismo mágico e Obama "chefe maior dos diabos"; rsrsrs. Vão indo que eu não vou......Francamente, políticos não deveriam ser proprietários de nenhum meio de comunicação; apenas de um tambor: e olhe lá! O grupo opositor ao O Diário do Pará: O Liberal, está para transformar Mário Couto no porta voz dos desgraçados do esporte: aqueles que não tiveram acesso a uma chuteira e uma bela camisa do time; e que ainda não acreditam que 2+2=4. E são muitos. Meus planos de sair de Belém aumentam a cada jornal lido. Impossível aceitar o desrespeito ao leitor. Eu me sinto em pleno medievo. Não sei se corro para o porto mais próximo, esperando a primeira Caravela que me conte sobre o além mar; ou se coloco a minha cabeça num vaso cheio de estrume. O que pensam que somos? Burros, idiotas, cretinos? Tudo é publicado como se fosse uma descoberta do dia anterior. Ora bolas, basta uma pequena desavença e começamos a saber da verdade que já tínhamos conhecimento a quase uma década. Quem ganha com isto? Os ladrões, os corruptos e os corruptores. Quem ganha com isto? O clientelismo, o corporativismo e o compadrio. Só nós cidadãos é que estamos entrando pelo cano. E faz tempo..........
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Bom, hoje é sexta: amanhã vou ao meu paraíso particular: sim, tenho um. Para minha sorte não lerei os jornais de domingo. Deuses: oh glória. Com todo respeito aos meus amigos e patriotas, jornalistas!: tá feia "a coisa". Na quinta-feira quase fui às lágrimas com as manchetes de O Diário do Pará e de O Liberal. O que me salvou foi a deliciosa catarse do Elias Ribeiro Pinto contra o Nicolás Maduro. Lá? Dei gargalhadas. Realismo mágico e Obama "chefe maior dos diabos"; rsrsrs. Vão indo que eu não vou......Francamente, políticos não deveriam ser proprietários de nenhum meio de comunicação; apenas de um tambor: e olhe lá! O grupo opositor ao O Diário do Pará: O Liberal, está para transformar Mário Couto no porta voz dos desgraçados do esporte: aqueles que não tiveram acesso a uma chuteira e uma bela camisa do time; e que ainda não acreditam que 2+2=4. E são muitos. Meus planos de sair de Belém aumentam a cada jornal lido. Impossível aceitar o desrespeito ao leitor. Eu me sinto em pleno medievo. Não sei se corro para o porto mais próximo, esperando a primeira Caravela que me conte sobre o além mar; ou se coloco a minha cabeça num vaso cheio de estrume. O que pensam que somos? Burros, idiotas, cretinos? Tudo é publicado como se fosse uma descoberta do dia anterior. Ora bolas, basta uma pequena desavença e começamos a saber da verdade que já tínhamos conhecimento a quase uma década. Quem ganha com isto? Os ladrões, os corruptos e os corruptores. Quem ganha com isto? O clientelismo, o corporativismo e o compadrio. Só nós cidadãos é que estamos entrando pelo cano. E faz tempo..........
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Reflexões da Flecha - Joãozinho Gomes
O longe é um lugar que não existe!
Atravessei-o ontem,
e a minha ponta é a de um seio,
e a minha ponte é o infinito.
Atravessei-o ontem
inverso ao teu receio,
(e não ouvi sequer um grito)
e hoje irei atravessá-lo aflito,
feito os olhos do Arqueiro e
os passos do proscrito.
Naquele dia a minha ponta
era um diamante, e aquele dia
o meu final previsto.
Maldito,
mal sabia que o longe é o infinito
por onde estou passando,
e que eu, infinitamente, não existo.
Atravessei-o ontem,
e a minha ponta é a de um seio,
e a minha ponte é o infinito.
Atravessei-o ontem
inverso ao teu receio,
(e não ouvi sequer um grito)
e hoje irei atravessá-lo aflito,
feito os olhos do Arqueiro e
os passos do proscrito.
Naquele dia a minha ponta
era um diamante, e aquele dia
o meu final previsto.
Maldito,
mal sabia que o longe é o infinito
por onde estou passando,
e que eu, infinitamente, não existo.
A morte do ditador argentino Rafael Videla. E a morte.
Como muitos já devem saber, o ex-ditador argentino Jorge Videla, que comandou uma das gestões mais sanguinárias no país, morreu esta manhã na cela em que cumpria prisão perpétua por alguns de seus crimes julgados até então, desde 85 até 2012. Tinha 87 anos e teria morrido, segundo os noticiários locais, de causas naturais.
Como cheguei a comentar com uma amiga, sou ainda demasiada judaico-cristã para comemorar a morte de quem quer que seja. Mas, sim, festejei bastante uma das suas várias condenações. Sob o frio do inverno portenho de 2012, fui para as ruas aguardar mais uma das sentenças que não foram nada satisfatórias para ele. Isso, sim, é de se comemorar. Quando são condenados não só executores de crimes mas também seus mandantes são julgados e punidos, vale a pena comemorar. E muito!
Acho que a morte pode ser um prêmio, em muitas ocasiões, todavia. E que prêmio!
Por este fato marcante de hoje, optei por deixar aos leitores o depoimento de uma das integrantes da organização Mães da Praça de Maio, e que pode ser escutada no link.
Nora Cortiñas: “No festejamos la muerte, queremos la verdad y la justicia”
La integrante de Madres de Plaza de Mayo Línea Fundadora reflexionó en Nacional Rock sobre el fallecimiento del genocida Jorge Rafael Videla.
“No buscamos la venganza pero si queremos que se termine la impunidad de todos los genocidas que no hicieron vivir el horror durante la dictadura”, dijo Cortiñas en diálogo con Carla Conte.
Como cheguei a comentar com uma amiga, sou ainda demasiada judaico-cristã para comemorar a morte de quem quer que seja. Mas, sim, festejei bastante uma das suas várias condenações. Sob o frio do inverno portenho de 2012, fui para as ruas aguardar mais uma das sentenças que não foram nada satisfatórias para ele. Isso, sim, é de se comemorar. Quando são condenados não só executores de crimes mas também seus mandantes são julgados e punidos, vale a pena comemorar. E muito!
Acho que a morte pode ser um prêmio, em muitas ocasiões, todavia. E que prêmio!
Por este fato marcante de hoje, optei por deixar aos leitores o depoimento de uma das integrantes da organização Mães da Praça de Maio, e que pode ser escutada no link.
Nora Cortiñas: “No festejamos la muerte, queremos la verdad y la justicia”
La integrante de Madres de Plaza de Mayo Línea Fundadora reflexionó en Nacional Rock sobre el fallecimiento del genocida Jorge Rafael Videla.
“No buscamos la venganza pero si queremos que se termine la impunidad de todos los genocidas que no hicieron vivir el horror durante la dictadura”, dijo Cortiñas en diálogo con Carla Conte.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Opinião do Estadão
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A informação de que vem aumentando o número de pacientes que têm plano de saúde e mesmo assim recorrem ao Sistema Único de Saúde (SUS) não condiz com as imagens dos sistemas público e privado de saúde. A do primeiro lembra serviços precários e hospitais lotados, com pacientes espalhados pelos corredores, e a do segundo é imediatamente associada a pessoas que podem pagar para escapar desse pesadelo. Mas a verdade é que, de 2005 a 2010, último ano sobre o qual há dados disponíveis, o aumento de internações de clientes dos planos em hospitais do SUS foi de nada menos do que 59,7%, segundo reportagem do jornal O Globo.
As razões que levam um número crescente de pacientes que pagam por planos a optar pelo SUS, em vários casos, apontam para problemas que devem merecer maior atenção das autoridades. Entre elas estão a demora de atendimento, a falta de vagas na rede privada, a recusa de cobertura de determinados procedimentos pelos planos e o encaminhamento obrigatório de pessoas acidentadas para hospitais públicos.
A essas razões se soma o que o diretor de Desenvolvimento Setorial da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Bruno Sobral, chama de menor abrangência geográfica dos planos - muitas pacientes procuram unidades públicas de acompanhamento pré-natal, porque estão mais perto de sua casa.
Por isso, isoladamente, o aumento do número de atendimentos em pré-natal, parto e pós-parto foi de 67,3%. Finalmente, alguns hospitais públicos atraem pacientes dos planos por serem centros de excelência no tratamento de determinadas doenças.
O governo vem tomando medidas para resolver os problemas de demora de atendimento e recusa de cobertura pelos planos. Em 2011, a ANS fixou prazos máximos para a marcação de cirurgias, exames de laboratório e consultas. E neste ano a agência determinou que as empresas operadoras dos planos criem ouvidorias para receber reclamações de seus clientes - entre as quais figuram com destaque as recusas de cobertura - e procurar soluções para elas, evitando que os conflitos sejam resolvidos pela Justiça, em processos caros e demorados.
Se essa última medida vai funcionar, só saberemos daqui a um ano, quando as ouvidorias começarem a funcionar. Quanto aos prazos fixados pela ANS, o respeito a eles depende de uma melhor organização do serviços, mas principalmente da capacidade de atendimento das redes de médicos, laboratórios e hospitais do setor, que estão sabidamente operando no seu limite. Esse é o verdadeiro problema. Por isso, em vez de apenas estabelecer prazos e penalidades, o governo deve pensar em formas de possibilitar a ampliação daquelas redes.
Afirma o diretor executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), José Cechin, que o setor de saúde privada, em seis anos, aumentou em 22,1% o número de seus leitos hospitalares, enquanto o do SUS caiu 5,7%. Essa é uma situação que, obviamente, não responde ao crescimento da procura dos serviços, tanto do SUS como dos planos de saúde.
O problema, como se vê, é geral e não se resolve com medidas paliativas. Cobrar dos planos pelo atendimento prestado pelo SUS, como vem sendo feito, não ajuda muito. Além do que, não se pode esquecer que todo cidadão, cliente ou não de planos de saúde, tem direito ao SUS. Esse caso prova que o governo está enganado, se pensa que o fato de os planos terem hoje cerca de 62 milhões de clientes diminui suas responsabilidades de investir na rede de saúde pública.
A solução está na ampliação e modernização dessa rede - o que passa pela atualização da tabela de procedimentos dos SUS, que cobre apenas 60% dos custos, ameaçando a sobrevivência das Santas Casas e hospitais filantrópicos, responsáveis por 45% dos seus atendimentos - e na adoção de medidas para impedir que as empresas de planos de saúde assumam mais obrigações do que podem cumprir.
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Finalmente!
As pesquisas com células-tronco finalmente começam a dar certo! Alvíssaras!
Na torcida para que as pesquisas se intensifiquem, inclusive no Brasil, e permitam que, num futuro próximo, surjam aplicações práticas para a saúde e o bem estar das pessoas.
Na torcida para que as pesquisas se intensifiquem, inclusive no Brasil, e permitam que, num futuro próximo, surjam aplicações práticas para a saúde e o bem estar das pessoas.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Apareceu a Margarida: Olê! Olê! Olá!
No blog de Hiroshi Bogéa surge a primeira margarida para nos ajudar a entender o movimento das peças no jogo político paraense.
[...]Durante reunião da bancada de deputados federais e estaduais do PT com filiados da legenda, em Marabá, na noite de terça-feira, o presidente estadual da executiva petista, em discurso no plenário da Câmara Municipal, formalizou convite para o ingresso, na legenda, do prefeito de Marabá, João Salame, que se encontrava em Brasília.
A propósito, Salame já recebeu convite para ingressar no PDT.[...]
Pois é, quando entive em Marabá fui informada que João Salame, do PPS, seria convidado pelo Senador Jader Barbalho a ingressar no PMDB. Jader Barbalho é um dos proprietários do jornal Correio do Tocantins e, por lá, faz uma campanha aberta de apresentação das virtudes de Helder Barbalho, seu filho. Helder Barbalho é o ex-prefeito de Ananindeua. Curioso; muito curioso! Muito; mesmo!
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Conhecimento é poder!
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Nesta foto estão, sorridentes, o Deputado Federal Cláudio Puty(PT), e Maurílio Monteiro; irmão do ex-Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, no governo de Ana Júlia Carepa, Marcílio Monteiro. Eles comemoram a aprovação da Universidade Federal do Sudeste do Pará, a UNIFESSPA. Muitos de nós não tem ideia do que representa uma universidade pública no contexto do desenvolvimento econômico de um estado. Maurílio Monteiro será, provavelmente, o primeiro Reitor da UNIFESSPA. Mas tem mais, Maurílio Monteiro é do grupo do NAEA - Núcleo de Altos Estudos Amazônicos-, que está sediado na UFPA. E que, nos anos 1970 e 1980, foi muito importante na discussão e no planejamento sobre a implementação de políticas públicas para a Amazônia. Um braço do NAEA foi para o sul do Pará, para intervir nas questões agrárias - em inovação e crédito -, e na organização de núcleos de estudos sobre questões agrárias. Temos um "novo" centro de poder se estruturando no sul do Pará. Será que Ana Júlia Carepa vai tentar as eleições de 2014?
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Nesta foto estão, sorridentes, o Deputado Federal Cláudio Puty(PT), e Maurílio Monteiro; irmão do ex-Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, no governo de Ana Júlia Carepa, Marcílio Monteiro. Eles comemoram a aprovação da Universidade Federal do Sudeste do Pará, a UNIFESSPA. Muitos de nós não tem ideia do que representa uma universidade pública no contexto do desenvolvimento econômico de um estado. Maurílio Monteiro será, provavelmente, o primeiro Reitor da UNIFESSPA. Mas tem mais, Maurílio Monteiro é do grupo do NAEA - Núcleo de Altos Estudos Amazônicos-, que está sediado na UFPA. E que, nos anos 1970 e 1980, foi muito importante na discussão e no planejamento sobre a implementação de políticas públicas para a Amazônia. Um braço do NAEA foi para o sul do Pará, para intervir nas questões agrárias - em inovação e crédito -, e na organização de núcleos de estudos sobre questões agrárias. Temos um "novo" centro de poder se estruturando no sul do Pará. Será que Ana Júlia Carepa vai tentar as eleições de 2014?
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terça-feira, 14 de maio de 2013
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Moinho Satânico
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Há um grande mistério que ainda não foi respondido: o mistério da obediência. Norberto Bobbio dedicou a ele enorme importância. Foi dos gregos até Hegel perseguindo a questão: por que obedecemos? Obedecemos ao pai porque somos filhos: está na tradição! Mas, por que obedecemos ao senhor? Por que obedecemos ao Estado? Por que obedecemos as normas? Por que nos deixamos escravizar? Por quê? Questão maiúscula, esta! Quem leu Oliver Twist, de Charles Dickens, vai encontrar um menino orfão, nascido em uma paróquia da Inglaterra, e que tem seu destino marcado pela influência de ladrões, mendigos e desgraçados. O mistério da obediência ao infortúnio é explicado por Charles Dickens na própria condição de existência em que o pequeno Oliver Twist vai nascer. Mas tem mais: por que nós aceitamos a pobreza como uma condição social? Esta pergunta será muito bem respondida por Karl Polanyi, no magistral A Grande Transformação. Lá os mistérios se encontram: obedecer e ser pobre: duas condições diretas à constituição do mundo contemporâneo. O Moinho Satânico, de que fala Karl Polanyi, acabou por se expandir para toda parte; virou credo; virou lugar comum; virou o "glória a Deus nas alturas": ser pobre é ter a garantia de entrar no Reino dos Céus: Diz a lenda! E, de fato, essas relações estão consolidadas no imaginário social. A pobreza existe desde sempre..... Sempre foi assim.......E, diante dessas utopias civilizatórias, me deparei com a matéria da Folha de São Paulo do dia 9 de maio, na qual a Vale é acusada de impor um tratamento aos maquinistas de seus trens análogo às condições de Oliver Twist, e do Moinho Satânico de Karl Polanyi. A Vale, a dona do sul do Pará, está levando os maquinistas das locomotivas, utilizadas para a transporte de minério, a fazerem suas necessidades fisiológicas na cabine em que trabalham. As razões para tal são bem simples. Nas cabines a rotina é de 12 horas de trabalho, ou mais; e o painel de controle da cabine impede que os maquinistas se afastem por mais de setenta segundos do painel de controle. Na mesma cabine em que fazem suas necessidades fisiológicas, em jornais e sacos plásticos; também se alimentam. E o melhor, o local só é higienizado de 48 em 48 horas. É fantástico! Em pleno séc. XXI, a Vale, trata seus maquinistas desta forma. E, claro, eles recorreram à Justiça do Trabalho. A desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho da 8º Região, Rosita de Nazaré Sidrim Nassar, escreve sobre isto. É ler para crer.
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Há um grande mistério que ainda não foi respondido: o mistério da obediência. Norberto Bobbio dedicou a ele enorme importância. Foi dos gregos até Hegel perseguindo a questão: por que obedecemos? Obedecemos ao pai porque somos filhos: está na tradição! Mas, por que obedecemos ao senhor? Por que obedecemos ao Estado? Por que obedecemos as normas? Por que nos deixamos escravizar? Por quê? Questão maiúscula, esta! Quem leu Oliver Twist, de Charles Dickens, vai encontrar um menino orfão, nascido em uma paróquia da Inglaterra, e que tem seu destino marcado pela influência de ladrões, mendigos e desgraçados. O mistério da obediência ao infortúnio é explicado por Charles Dickens na própria condição de existência em que o pequeno Oliver Twist vai nascer. Mas tem mais: por que nós aceitamos a pobreza como uma condição social? Esta pergunta será muito bem respondida por Karl Polanyi, no magistral A Grande Transformação. Lá os mistérios se encontram: obedecer e ser pobre: duas condições diretas à constituição do mundo contemporâneo. O Moinho Satânico, de que fala Karl Polanyi, acabou por se expandir para toda parte; virou credo; virou lugar comum; virou o "glória a Deus nas alturas": ser pobre é ter a garantia de entrar no Reino dos Céus: Diz a lenda! E, de fato, essas relações estão consolidadas no imaginário social. A pobreza existe desde sempre..... Sempre foi assim.......E, diante dessas utopias civilizatórias, me deparei com a matéria da Folha de São Paulo do dia 9 de maio, na qual a Vale é acusada de impor um tratamento aos maquinistas de seus trens análogo às condições de Oliver Twist, e do Moinho Satânico de Karl Polanyi. A Vale, a dona do sul do Pará, está levando os maquinistas das locomotivas, utilizadas para a transporte de minério, a fazerem suas necessidades fisiológicas na cabine em que trabalham. As razões para tal são bem simples. Nas cabines a rotina é de 12 horas de trabalho, ou mais; e o painel de controle da cabine impede que os maquinistas se afastem por mais de setenta segundos do painel de controle. Na mesma cabine em que fazem suas necessidades fisiológicas, em jornais e sacos plásticos; também se alimentam. E o melhor, o local só é higienizado de 48 em 48 horas. É fantástico! Em pleno séc. XXI, a Vale, trata seus maquinistas desta forma. E, claro, eles recorreram à Justiça do Trabalho. A desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho da 8º Região, Rosita de Nazaré Sidrim Nassar, escreve sobre isto. É ler para crer.
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O que é real?
“A minha preocupação principal é a diferença entre a nossa percepção da realidade e o que é realmente a realidade.” Philip K. Dick
Por mais que eu fuja da literatura inquisidora de Philip K. Dick, acabo sempre retornando ao seu universo de memórias induzidas, realidades virtuais, dimensões paralelas e humanos artificiais.
Neste último final de semana fui "obrigado" a "ver" um presente que ganhei, o box Blade Runner - 30th Anniversary - Colector's Edition (3 BD's + livreto + holograma), o que me impulsionou imediatamente a começar a reler a obra literária sombria e cult de PKD.
E apesar de estar apenas na metade do primeiro livro escolhido ao acaso, o pouco conhecido A Penúltima Verdade, a pergunta que se recusa a calar já começou a morder o meu inconsciente: afinal, o que é real?
“Dick parece prever um futuro em que questões intelectuais da filosofia académica irão se mudar para a rua de modo a que qualquer pessoa será obrigada a resolver tais problemas contraditórios como a “objetividade” e a “subjetividade,” porque a sua vida dependerá do resultado.” Stanislaw Lem
Bowie is everywhere
domingo, 12 de maio de 2013
O nefasto poder da "história única"
Deixo uma linda reflexão, que me foi sugerida pela colega Celi Abdoral e é narrada pela nigeriana Chimamanda Adiche (tem legenda em português). Uma reflexão muito importante a cada um de nós e em especial a quem tem a responsabilidade de criar pequenos cidadãos. Que os criemos com a capcidade de saber que existe muito mais uma "única história". Existem versões, como somos cada um. Fará um bem enorme à humanidade. Eu amo muito tudo isso!
Feliz dia das mães!
Feliz dia das mães!
sábado, 11 de maio de 2013
In rock veritas
Em tempos de funk e tecnomelody, a clássica Oração do Rock, da Kiss FM, se faz cada vez mais necessária em nossos lares.
A voz é do lendário locutor paulistano Titio Marco Antonio.
Assim seja!
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Demais!
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My Favorite Things
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Um príncipe!
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O que dizer de um príncipe sem principado? O que dizer de uma donzela que suspira pelos azuis deste príncipe? Pois é! Não sei nem por onde começar a escrever sobre este príncipe, que é Octavio Cardoso. A foto do convite é linda. Ele já me presenteou com uma foto deste azul; o qual, me parece, é a tônica da exposição que entra em cartaz no dia 11 de maio, na kamara ko. Fiquei nas nuvens ao imaginar que o azul, que ganhei, compõe o tema desta exposição chamada Silêncio......
Não poderei ir, Octavio Cardoso! Estarei caminhando em outro azul. Uma pena! Mas estendo o convite aos leitores e aos meus parceiros do Flanar. Vão conhecer o reino do príncipe Octavio Cardoso: Ele é o senhor absoluto de sua linguagem: Sou fã!
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Silêncio...
Fotografias de Octavio Cardoso
curadoria de Marisa Mokarzel
Abertura: 11 de maio, sábado, as 18h
Visitação: 14 de maio a 22 de junho de 2013
Tv. Frutuoso Guimarães, 611.
Campina
Belém-Pará
O que dizer de um príncipe sem principado? O que dizer de uma donzela que suspira pelos azuis deste príncipe? Pois é! Não sei nem por onde começar a escrever sobre este príncipe, que é Octavio Cardoso. A foto do convite é linda. Ele já me presenteou com uma foto deste azul; o qual, me parece, é a tônica da exposição que entra em cartaz no dia 11 de maio, na kamara ko. Fiquei nas nuvens ao imaginar que o azul, que ganhei, compõe o tema desta exposição chamada Silêncio......
Não poderei ir, Octavio Cardoso! Estarei caminhando em outro azul. Uma pena! Mas estendo o convite aos leitores e aos meus parceiros do Flanar. Vão conhecer o reino do príncipe Octavio Cardoso: Ele é o senhor absoluto de sua linguagem: Sou fã!
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Silêncio...
Fotografias de Octavio Cardoso
curadoria de Marisa Mokarzel
Abertura: 11 de maio, sábado, as 18h
Visitação: 14 de maio a 22 de junho de 2013
Tv. Frutuoso Guimarães, 611.
Campina
Belém-Pará
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Sobre contratação de médicos cubanos para trabalhar no Brasil
"Muito interessante e inteligente o artigo. Já participei como membro de banca examinadora quando professor de Medicina da UFPA, para revalidação de diplomas de médicos estrangeiros, antes do REVALIDA.Vi a má vontade de nossos colegas ao avaliarem com perguntas preparadas de vésperas e tão difíceis que a própria banca não sabia responder. Algo está errado. Nessa avaliação, eram 176 candidatos estrangeiros e só 7 foram aprovados. Um absurdo. O problema era puramente político" - Murilo Morhy.
Reproduzo acima o comentário do meu pai ( *-* sim, meu pai querido-lindo-fofo-competente-dengoso...). Ele o fez por ocasião de um ótimo texto que publiquei no face sobre a contratação de médicos cubanos para trabalhar no Brasil. Tô com ambos. Assim, sem muito mais o que dizer, publico o texto de origem do debate, com o devido link do blog do Luis Nassif.
"Por Pedro Saraiva
Olá Nassif, sou médico e gostaria de opinar sobre a gritaria em relação à vinda dos médicos cubanos ao Brasil
Bom, como opinião inteligente se constrói com o contraditório, vou tentar levantar aqui algumas informações sobre a vinda de médicos cubanos para regiões pobres do Brasil que ainda não vi serem abordadas.
- O principal motivo de reclamação dos médicos, da imprensa e do CFM seria uma suposta validação automática dos diplomas destes médicos cubanos, coisa que em momento algum foi afirmado por qualquer membro do governo. Pelo contrário, o próprio ministro da saúde, Antônio Padilha, já disse que concorda que a contratação de médicos estrangeiros deve seguir critérios de qualidade e responsabilidade profissional. Portanto, o governo não anunciou que trará médicos cubanos indiscriminadamente para o país. Isto é uma interpretação desonesta.
- Acho estranho o governo ter falado em atrair médicos cubanos, portugueses e espanhóis, e a gritaria ser somente em relação aos médicos cubanos. Será que somente os médicos cubanos precisam revalidar diploma? Sou médico e vivo em Portugal, posso garantir que nos últimos anos conheci médicos portugueses e espanhóis que tinham nível técnico de sofrível para terrível. E olha que segundo a OMS, Espanha e Portugal têm, respectivamente, o 6º e o 11º melhores sistemas de saúde do mundo (não tarda a Troika dar um jeito nesse excesso de qualidade). Profissional ruim há em todos os lugares e profissões. Do jeito que o discurso está focado nos médicos de Cuba, parece que o problema real não é bem a revalidação do diploma, mas sim puro preconceito.
- Portugal já importa médicos cubanos desde 2009. Aqui também há dificuldade de convencer os médicos a ir trabalhar em regiões mais longínquos, afastadas dos grandes centros. Os cubanos vieram estimulados pelo governo, fizeram prova e foram aprovados em grande maioria (mais à frente vou dar maiores detalhes deste fato). A população aprovou a vinda dos cubanos, e em 2012, sob pressão popular, o governo português renovou a parceria, com amplo apoio dos pacientes. Portanto, um dos países com melhores resultados na área de saúde do mundo importa médicos cubanos e a população aprova o seu trabalho.
- Acho que é ponto pacífico para todos que médicos estrangeiro tenham que ser submetidos a provas aí no Brasil. Não faz sentido importar profissionais de baixa qualidade. Como já disse, o próprio ministro da saúde diz concordar com isso. Eu mesmo fui submetido a 5 provas aqui em Portugal para poder validar meu título de especialista. As minhas provas foram voltadas a testar meus conhecimentos na área em que iria atuar, que no caso é Nefrologia. Os cubanos que vieram trabalhar em Medicina de família também foram submetidos a provas, para que o governo tivesse o mínimo de controle sobre a sua qualidade.
Pois bem, na última leva, 60 médicos cubanos prestaram exame e 44 foram aprovados (73,3%). Fui procurar dados sobre o Revalida, exame brasileiro para médicos estrangeiros e descobri que no ano de 2012, de 182 médicos cubanos inscritos, apenas 20 foram aprovados (10,9%). Há algo de estranho em tamanha dissociação. Será que estamos avaliando corretamente os médicos estrangeiros?
Seria bem interessante que nossos médicos se submetessem a este exame ao final do curso de medicina. Não seria justo que os médicos brasileiros também só fossem autorizados a exercer medicina se passassem no Valida? Se a preocupação é com a qualidade do profissional que vai ser lançado no mercado de trabalho, o que importa se ele foi formado no Brasil, em Cuba ou China? O CFM se diz tão preocupado com a qualidade do médico cubano, mas não faz nada contra o grande negócio que se tornaram as faculdades caça-níqueis de Medicina. No Brasil existe um exército de médicos de qualidade pavorosa. Gente que não sabe a diferença entre esôfago e traqueia, como eu já pude bem atestar. Porque tanto temor em relação à qualidade dos estrangeiros e tanta complacência com os brasileiros?
- Em relação este exame de validação do diploma para estrangeiros abro um parêntesis para contar uma situação que presenciei quando ainda era acadêmico de medicina, lá no Hospital do Fundão da UFRJ.
Um rapaz, se não me engano brasileiro, tinha feito seu curso de medicina na Bolívia e havia retornado ao país para exercer sua profissão. Como era de se esperar, o rapaz foi submetido a um exame, que eu acredito ser o Revalida (na época realmente não procurei me informar). O fato é que a prova prática foi na enfermaria que eu estava estagiando e por isso pude acompanhar parte da avaliação. Dois fatos me chamaram a atenção, o primeiro é a grande má vontade dos componentes da banca com o candidato. Não tenho dúvidas que ele já havia sido prejulgado antes da prova ter sido iniciada. Outro fato foi o tipo de perguntas que fizeram. Lembro bem que as perguntas feitas para o rapaz eram bem mais difíceis que aquelas que nos faziam nas nossas provam. Lembro deles terem pedidos informações sobre detalhes anatômicos do pescoço que só interessam a cirurgiões de cabeça e pescoço. O sujeito que vai ser médico de família, não tem que saber todos os nervos e vasos que passam ao lado da laringe e da tireoide. O cara tem que saber tratar diarreia, verminose, hipertensão, diabetes e colesterol alto. Soube dias depois que o rapaz tinha sido reprovado.
Não sei se todas as provas do Revalida são assim, pois só assisti a uma, e mesmo assim parcialmente. Mas é muito estranho os médicos cubanos terem alta taxa de aprovação em Portugal e pouquíssimos passarem no Brasil. Outro número que chama a atenção é o fato de mais de 10% dos médicos em atividade em Portugal serem estrangeiros. Na Inglaterra são 40%. No Brasil esse número é menor que 1%. E vou logo avisando, meu salário aqui não é maior do que dos meus colegas que ficaram no Brasil.
- Até agora não vi nem o CFM nem a imprensa irem lá nas áreas mais carentes do Brasil perguntar o que a população sem acesso à saúde acha de virem 6000 médicos cubanos para atendê-los. Será que é melhor ficar sem médico do que ter médicos cubanos? É o óbvio ululante que o ideal seria criar condições para que médicos brasileiros se sentissem estimulados a ir trabalhar no interior. Mas em um país das dimensões do Brasil e com a responsabilidade de tocar a medicina básica pulverizada nas mãos de centenas de prefeitos, isso não vai ocorrer de uma hora para outra. Na verdade, o governo até lançou nos últimos anos o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), que oferece salários mensais de R$ 8 mil e pontos na progressão de carreira para os médicos que vão para as periferias. O problema é que até hoje só 4 mil médicos aceitaram participar do programa. Não é só salário, faltam condições de trabalho. O que fazemos então? vamos pedir para os mais pobres aguentar mais alguns anos até alguém conseguir transformar o SUS naquilo que todos desejam? Vira lá para a criança com diarreia ou para a mãe grávida sem pré-natal e diz para ela segurar as pontas sem médico, porque os médicos do sul e sudeste do Brasil, que não querem ir para o interior, acham que essa história de trazer médico cubano vai desvalorizar a medicina do Brasil.
- É bom lembrar que Cuba exporta médicos para mais de 70 países. Os cubanos estão acostumados e aceitam trabalhar em condições muito inferiores. Aliás, é nisso que eles são bons. Eles fazem medicina preventiva em massa, que é muito mais barata, e com grandes resultados. Durante o terremoto do Haiti, quem evitou uma catástrofe ainda maior foram os médicos cubanos. Em poucas semanas os médicos dos países ricos deram no pé e deixaram centenas de milhares de pessoas sem auxílio médico. Se não fosse Cuba e seus médicos, haveria uma tragédia humanitária de proporções dantescas. Até o New England Journal of Medicine, a revista mais respeitada de medicina do mundo, fez há poucos meses um artigo sobre a medicina em Cuba. O destaque vai exatamente para a capacidade do país em fazer medicina de qualidade com recursos baixíssimos (http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMp1215226).
- Com muito menos recursos, a medicina de Cuba dá um banho em resultados na medicina brasileira. É no mínimo uma grande arrogância achar que os médicos cubanos não estão preparados para praticar medicina básica aqui no Brasil. O CFM diz que a medicina de Cuba é de má qualidade, mas não explica por que a saúde dos cubanos, como muito menos recursos tecnológicos e com uma suposta inferioridade qualitativa, tem índices de saúde infinitamente melhores que a do Brasil e semelhantes à avançada medicina americana (dados da OMS).
- Agora, ninguém tem que ir cobrar do médico cubano que ele saiba fazer cirurgia de válvula cardíaca ou que seja mestre em dar laudos de ressonância magnética. Eles não vêm para cá para trabalhar em medicina nuclear ou para fazer hemodiálises nos pacientes. Medicina altamente tecnológica e ultra especializada não diminui mortalidade infantil, não diminui mortalidade materna, não previne verminose, não conscientiza a população em relação a cuidados de saúde, não trata diarreia de criança, não aumenta cobertura vacinal, nem atua na área de prevenção. É isso que parece não entrar na cabeça de médicos que são formados para serem superespecialistas, de forma a suprir a necessidade uma medicina privada e altamente tecnológica. Atenção! O governo que trazer médicos para tratar diarreia e desidratação! Não é preciso grande estrutura para fazer o mínimo. Essa população mais pobre não tem o mínimo!
Que venham os médicos cubanos, que eles façam o Revalida, mas que eles sejam avaliados em relação àquilo que se espera deles. Se os médicos ricos do sul maravilha não querem ir para o interior, que continuem lutando por melhores condições de trabalho, que cobrem dos governos em todas as esferas, não só da Federal, melhores condições de carreia, mas que ao menos se sensibilizem com aqueles que não podem esperar anos pela mudança do sistema, e aceitem de bom grado os colegas estrangeiros que se dispõe a vir aqui salvar vidas.
Infelizmente até a classe médica aderiu ao ativismo de Facebook. O cara lê a Veja ou O Globo, se revolta com o governo, vai no Facebook, repete meia dúzia de clichês ou frases feitas e sente que já exerceu sua cidadania. Enquanto isso, a população carente, que nem sabe o que é Facebook morre à mingua, sem atendimento médico brasileiro ou cubano"
O Grande Irmão está te observando!

George Orwell bem que tentou nos avisar, em seu clássico romance 1984 (publicado em 1949), que o futuro deveria fugir do totalitarismo.
Porém, segundo o Washington Post, a NSA (Agência Nacional de Segurança, dos EUA) intercepta e armazena 1.700.000.000 (um bilhão e setecentos milhões!) de e-mails, ligações telefônicas e outras formas de comunicação que transitam pela internet, diariamente. E mais de 20 trilhões de transações entre cidadãos americanos já foram analisadas pela dita agência. E muitos zettabytes de capacidade de armazenamento estão disponíveis para fins de vigilância. E...
Quer saber mais? Leia matéria no The American Dream.
O que isso tudo realmente significa? That it's too late! Big Brother is indeed watching you!
Doses industriais de lágrimas
Ora, vejam só! Hoje leio postagem "Out" da colega Marise, justo no dia da Festa de Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina.
Pois é, durante as sete missas que se realizam neste 8 de maio, na cidade de Luján, onde está fincada a espetaculosa basílica, são distribuídos pedacinhos do manto da santa aos fiéis, manto que ela vestiu durante todo o ano que passaou; são como os disputados pedaços da corda de Nossa Senhora de Nazaré.
É hoje também que se faz o "desfile" à frente da basílica em homenagem à santa, com a imagem que foi fabricada no Brasil, mais especificamente em São Paulo, e que chegou à Argentina em 1630. Claro, já passou por uma série de restauros desde então.
A basílica, pelo menos internamente, também tem se valido de muito socorro celestial. A cidade é uma das grandes afetadas com os temporais que desabam pelas bandas de cá. Coisa de água subindo as canelas. Assim é, socorro que pode vir de cima, mas que derrama doses industriais de... lágrimas?; e assim rezam à Virgen de Luján:
Bendita sea tu pureza
y eternamente lo sea
pues todo un Dios se recrea
en tan graciosa belleza.
A ti, celestial princesa,
Virgen Sagrada María
yo te ofrezco en este día
alma, vida y corazón.
Mírame con compasión!
No me dejes, Madre mía!
terça-feira, 7 de maio de 2013
OUT
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A história do Santo...... Santos nos levam aos andores. E, em quase todos os andores, à fé. Quase toda fé: aos santos. E assim vamos! E todo santo dia os Santos se fazem presente no cotidiano de Belém. É o cosmopolitismo religioso paraense. É toda "uma indumentária":Rs. Em Novo Repartimento -PA - existe um grupo de jovens que professa o niilismo, cultua a noite, e se encontram em cemitérios. Lá, em Novo Repartimento. Aqui, também! De qualquer forma - todos os santos dias - fico mais cabreira com o número de evangélicos que vai surgindo. Seria, os evangélicos, um novo estilo de vida? Eu sou Out!?! É assim que me descubro: sou Out! Que coisa! São nestes momentos que, uma parte dos escritores que gosto, vem me visitar. É a máquina de Kafka. É o silencio de Dalcídio Jurandir. É o choque de Euclides da Cunha. Sou Out. Sou a dimensão cartesiana entre Novo Repartimento e Belém. Eu sou cosmopolita; mas vivo em uma cidade medieval. Lamento dizer isto: mas como não lamentar a situação da cidade? E, depois; e pensando bem, a existência de tantos santos e fervores, deve explicar a existência de santos durante todo dia e todos os dias, em Belém. Uma Cidade Oração. Que lindo!
A história do Santo...... Santos nos levam aos andores. E, em quase todos os andores, à fé. Quase toda fé: aos santos. E assim vamos! E todo santo dia os Santos se fazem presente no cotidiano de Belém. É o cosmopolitismo religioso paraense. É toda "uma indumentária":Rs. Em Novo Repartimento -PA - existe um grupo de jovens que professa o niilismo, cultua a noite, e se encontram em cemitérios. Lá, em Novo Repartimento. Aqui, também! De qualquer forma - todos os santos dias - fico mais cabreira com o número de evangélicos que vai surgindo. Seria, os evangélicos, um novo estilo de vida? Eu sou Out!?! É assim que me descubro: sou Out! Que coisa! São nestes momentos que, uma parte dos escritores que gosto, vem me visitar. É a máquina de Kafka. É o silencio de Dalcídio Jurandir. É o choque de Euclides da Cunha. Sou Out. Sou a dimensão cartesiana entre Novo Repartimento e Belém. Eu sou cosmopolita; mas vivo em uma cidade medieval. Lamento dizer isto: mas como não lamentar a situação da cidade? E, depois; e pensando bem, a existência de tantos santos e fervores, deve explicar a existência de santos durante todo dia e todos os dias, em Belém. Uma Cidade Oração. Que lindo!
Hastag será absorvida pela ortografia
“Mas comecemos pelo princípio. E o princípio é a falta de #LugarDasMulheres. Os espaços equivocados nos quais se têm movimentado tradicionalmente. Quando Marie se recuperou da depressão que sofreu aos 15 anos, depois de terminar com o instituto (talvez pela morte de sua mãe, de sua irmã, pela falta de dinheiro e de opções para continuar estudando) e buscou emprego para pagar a carreira em Bronya, descobriu que ser instrutora era um fastio, porque se tratava de uma figura indefinida: eram senhoritas cultas e de boa família, mas logo pobres, porque por isso tinham que trabalhar e a necessidade delas era assimilada pela servidão” - Rosa Montero, La ridícula idea de no volver a verte - Seix Barral - 2013 - pg. 54.
O pequeno trecho que extraí (e traduzi livremente) do livro de uma das escritoras que admiro imensamente, a jornalista e psicóloga espanhola Rosa Montero, é apenas ilustrativo, para exibir a “nova ortografia” que ela propõe, integrando um elemento usual no twitter, a hastag. No bate-papo com ela, que só consegui acompanhar pelo telão do lado de fora da sala lotada por mais de 180 pessoas, na Feira Internacional do Livro, em Buenos Aires, ela explica para a intermediadora do debate, para as mais de 180 pessoas sentadas no lado de dentro e para outras tantas do lado de fora, que o uso da ferramenta não é a inauguração de uma nova narrativa literária, apesar de estar em seu novo lançamento “La ridícula ideal de no volver a verte”. É menos; apenas uma nova proposta ortográfica. No entanto, ela aposta um pouco mais longe: que a hastag seja absorvida pela escrita como o ponto-e-vírgula o foi, tendo em vista a economia que é capaz de representar, a sua expressividade e o pensamento a crescer que manifesta.
Eu não digo nem que sim, nem que não. A insinuação de Rosa Montero foi original pra mim e valeu a fila quilométrica a que me submeti para entrar no espaço La Rural.
Vou ficar atenta, apostando nas palavras da autora do primeiro livro que li em castellano, o genial Historias de Mujeres.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
sábado, 4 de maio de 2013
The wall
“Eu sou de um país que se chama Pará” - IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO
O Estado de S.Paulo - 03/05/2013
Por que tanta gente de talento não chega ao Sul? Onde fica o muro que nos separa?
BELÉM
Quando a mediadora Renata Ferreira disse que o meu conto o homem que viu a osga comer meu filho a tinha aterrorizado, assustei-me. Não tenho este conto. Ela riu e explicou:“O que vocês chamam de lagarto ou lagartixa, chamamos de osga.Aliás, está no Aurélio”. Estava certa, o conto existe.
Quando ouvi a fotógrafa Elza Lima contar uma história minha em que os olhos dos cavalos do carrossel de meu avô eram petecas, reagi: “Como petecas? Eram bolas de gude”. Elza: “Pois aqui, petecas são as bolasde gude”.Caminhava pelo Espaço Palmeira, um feirão popular, no centro da cidade.Aqui foi uma tradicional fábrica de bolachas, biscoitos e doces, fundada em 1892. Demolida, restou uma área de piso concretada sobre a qual se armam as barracas.Então,ouvi: “Vamos fazer nossa sombra aqui”, disse o mulato de chapéu branco. E sentou-se com dois amigos num canto. Não havia sombra alguma, ao contrário, era um solão, mas gostei da expressão. Porque grande e diverso é o Brasil.
Vim para a 17.ª Feira Pan-Amazônica do Livro, que no ano passado vendeu 850 mil livros, me contou Paulo Chaves Fernandes, secretário de Cultura, arquiteto que criou as Docas e o Mangal das Garças, imperdíveis. A Pan-Amazônica deste ano termina no próximo domingo com Affonso Romano de Sant’Anna. Pelo palco principal passaram Ziraldo,Tony Bellotto, Cristovão Tezza, Guilherme Fiuza, Tiago Santana e José Castello. Para terem ideia, o folheto com a programação tem 74 páginas com oficinas, seminários, aulas, lançamentos, mesas-redondas, salão do humor.
Tudo acontece no Hangar, um centro de convenções moderno e funcional. Ao falarmos,temos à nossa disposição auditórios variadosque vãode300 a 1.500 espectadores. Distante daqueles espaços fechados por divisórias de eucatex da Bienal do Livro de São Paulo, ondea barulheira do salão penetra e ninguém ouve o que se fala.
Lembrei-me que estive na primeira Pan-Amazônica, ainda no centro, sufocada, apertada, mas cheia de gente. Assim como me lembro de uma casa de sucos da terra, onde havia um de pinha que era puro regalo. A casa fechou, virou loja. Por outro lado,nas sorveterias você mergulha a colher em taças de sorvete de tapioca (deslumbrante), buriti, bacuri, cupuaçu, açaí, graviola, manga.
Quem me indicou a Cairu como o melhor sorvete da cidade foi Fafá de Belém. Opinião considerável.O Pará é terra da Fafá, da Gaby Amarantos, da Dira Paes, da Olga Savary (que está na cidade em que nasceu, emocionada,há muito não vinha), Leah Soares. E de Dalcídio Jurandir, um dos grandes escritores brasileiros de todos os tempos.
A feira deste ano foi dedicada a Ruy Barata, poeta, compositor, jornalista, político progressista, ícone paraense, homem que navegou em todas as águas. Dele é a frase epígrafe desta 17.ª Pan-Amazônica: “Eu sou de um país que se chama Pará”. Milhares de crianças vagando entre centenas de estandes. Perguntando: “O senhor é escritor?”. Correndo atrás do Ziraldo, que se intitula “o velhinho maluquinho”. Vi Ziraldo, com tremenda luxação no ombro, cheio de dores, sentar-se e autografar centenas de livros. Mais do que profissional, ele ama o que fez e adora ver ameninada em torno.
Certa noite,fomos jantar nas Docas, olhando o rio de frente.Chegavam homens feitos querendo tirar uma foto com o “menino maluquinho”. Chegavam também jovens querendo uma foto com TonyBellotto, que tinha acabado de fazer uma bela fala sobre seu romance Machu Picchu.Depois,elas viravam para mim:“ E o senhor é alguma coisa?”.Respondi com a maior seriedade: “Não, sou apenas pai do Bellotto”. E elas: “Não precisamos tirar fotos do senhor, não?”. Felizes com minha negativa, partiam, ruidosas, enquanto voltávamos ao filé de filhote, peixe delicioso, com risoto de pupunha e jambu, e ao pato com tucupi. Belém é sabor e é necessário comer, de preferência à noite, no Mangal das Garças, parque nascido à beira- rio,cheio de pássaros, tartarugas, borboletário. Iguanas verdes, figuras pré-históricas, vagueiam pelos gramados.
Tomei um avião e cheguei a Marabá 50 minutos depois. O nome da cidade vem de um poema de Gonçalves Dias. Região ligada à siderurgia e celebrizada pela Serra Pelada. Estudantes e professores se juntaram no Cine Marrocos para conversar com escritores. É a Pan-Amazônica expandida. A feira não acontece apenas em Belém, vai ao interior, agrega, abre-se às populações. A ideia avança pelo Brasil. A fotógrafa Elza Limame contou que esta “feira fora de feira” nasceu após a leitura de uma crônica, aqui, minha no jornal, falando de Fortaleza, da bienal fora da bienal, quando autores vão aos bairros e às cidades do interior. Andressa Malcher, coordenadora,apanhou a ideia no ar e desenvolveu.
Sentei-me no palco ao lado de Ademir Brás, jornalista, advogado e poeta de primeira linha. Ele descreve sua terra, a gente, as paisagens, o Rio Tocantins,manso e largo, silencioso. Pequenas casas coloridas inclinam se para as águas. A poesia de Ademir oscila entre a ternura e a indignação, com ritmo e afeto. Por ele e pelos jovens, soube do Pará.E contei das coisas de cá. Porque tanta gente de talento como Ademir não chega ao Sul? Onde fica o muro que nos separa?
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