quarta-feira, 19 de junho de 2013

Carta aberta ao Embaixador do Brasil em Buenos Aires

Curioso: fui à marcha, aqui em Buenos Aires, contra a presidência de Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, e me juntei a poucas dezenas de pessoas. Mas ontem, na marcha em apoio às mais recentes manifestações no Brasil, iniciadas em São Paulo, me agreguei a cerca de mil pessoas. A maioria, sim, conterrâneos, de diferentes estados. Outros, simpatizantes, de diversos países. Um Torre de Babel emocionante e que fechou uma via da avenida 9 de Julio, considerada uma das mais largas do mundo. Polícia tão pacífica quanto o próprio movimento, que terminou na Embaixada, que recebeu uma carta e milhares de assinaturas para serem enviadas ao Gigante que Acordou.

Deixo aqui o texto (em português) contido na carta.

CARTA ABERTA AO EMBAIXADOR DO BRASIL EM BUENOS AIRES:

Nós, brasileiros, argentinos, e pessoas de várias nacionalidades, nos reunimos hoje, dia 18 de junho de 2013, em Buenos Aires, Argentina, em um protesto de solidariedade às manifestações que vêm acontecendo nas últimas semanas no Brasil.

Há quase 10 anos, o Movimento Passe Livre existe com o objetivo de “descatralizar” o transporte público. Mais uma vez a tarifa aumentou e o movimento foi às ruas. Durante as manifestações pacíficas realizadas em São Paulo, os participantes foram alvo de extrema violência repressiva por parte da Polícia Militar, em particular por sua Tropa de Choque. Essa violência foi marcada pelo uso abusivo das chamadas armas “não-letais”, já que os policiais, sem tomar nenhuma das precauções necessárias, atiraram diretamente contra os manifestantes bombas de efeito moral, gás e balas de borracha, além de fazer uso indiscriminado de cassetetes.

A reação das autoridades, de diferentes partidos e níveis de governo, diante dessa situação não corresponde ao que se espera em uma sociedade livre e democrática. A repressão, somada à negligência do Estado, teve o efeito de fortalecer o movimento, que tomou proporções inimagináveis, e hoje transcende inclusive as fronteiras nacionais.

A população brasileira vive um momento de expressão democrática. As pessoas querem decidir sobre as políticas públicas que afetam as suas vidas: os gastos públicos, os sistemas de transporte, a qualidade de vida nas cidades. Elas saíram às ruas para lutar por isso, mas sobretudo para reivindicar o próprio direito de sair às ruas e serem ouvidas.

Nós, hoje aqui presentes, somos levados por um sentimento de impotência, por estar longe, mas também de orgulho dos nossos amigos, irmãos, pais, mães, companheiros e companheiras que saíram às ruas em muitas cidades do Brasil. Estamos aqui em solidariedade aos feridos e às feridas, às vítimas de prisão arbitrária, e a todos que saíram às ruas e continuam na luta.

A truculência da polícia brasileira é tradição em um país historicamente marcado por um sistema repressivo, autoritário e violento que, neste momento, está sendo desafiado por pessoas de diferentes grupos e contextos. Hoje, o que essas pessoas têm em comum é a coragem e a vontade de mudança.

É para nos unir a esse movimento que realizamos este ato pacífico. Impulsionados pelo desejo de construir um Brasil melhor, oferecemos de Buenos Aires o nosso apoio.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Pânico em SP


O movimento punk parece seguir seu curso, indiferente às modernidades.
A música acima, da banda paulistana Inocentes, é de 1986, mas foi a trilha sonora mental da última quinta-feira, em São Paulo.
Eu estava num restaurante na Alameda Santos, a uma quadra da Av. Paulista, e desde então sigo ouvindo o refrão: "-ni-co em SP!!!".

Pois é.......

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CACO GALHARDO

domingo, 16 de junho de 2013

Começando a minha semana...................

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Nelson Cavaquinho....... começando a semana......

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Jornal Pessoal

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Para encerrar, guardando os dedos para amanhã, comento a matéria principal do Jornal Pessoal, desta primeira quinzena de junho.  Nela,  Lúcio Flávio Pinto coloca o dilema trazido pela identidade indígena à implementação de Belo Monte. E, Lúcio Flávio Pinto vai tomando posição em relação aos fatos que envolvem Belo Monte.  Eu te responderia, Lúcio: -  Eu considero os direitos indígenas em primeiro lugar, e que as negociações deveriam  respeitar desde sempre esta lógica em relação à Amazônia: respeitar as populações que aqui vivem e viviam. Sendo que, em relação às nações indígenas, seu direito é de 1600.....Não concebo mais que a fronteira, e as riquezas naturais, sejam os grandes motes do processo de desenvolvimento da região. Direitos primeiro. É a minha posição;  e  eu não estou na posição dilemática. Não  aceito as consequências de Belo Monte sobre os territórios indígenas.  A produção de energia de Belo Monte, para mim, é irracional. - "Eu não consigo entender sua lógica"- . Sou pelas milhares de pequenas hidrelétricas e das maiores em condições de execução muito menos complexas, do que a de Belo Monte. Para mim Belo Monte é a expressão acabada da megalomania nacional, e da ausência de auto-crítica da burocracia do Planejamento público brasileiro. É a expressão acabada da sociedade nacional unida no extermínio e subtração dos direitos das nações indígenas. Eu penso que o direito funda pactos necessários entre os homens e as mulheres. Entre as etnias e as terras. Entre a identidade e o direito......Enfim, sou, primeiro, pela manutenção dos direitos indígenas; os demais vem à reboque.

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Jornal Pessoal; Nº 538 - junho de 2013 - 1ª Quinzena - ano XXVI.5,00

Oligarquias e seus clientes

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[...]Sabe-se que a política tem horror ao vácuo. Numa democracia, quando um poder deixa de cumprir suas funções, outro as torna para si. O fenômeno, que vem sendo chamado de "ativismo do Judiciário" ou "judicialização da política", nada mais é do que o resultado da omissão do Congresso Nacional, nos últimos anos, sobre vários temas fundamentais para o país.[...]. Assim está escrito no começo do artigo do Deputado federal Cláudio Puty-PT/Pa, na Coluna Opinião de O Liberal de hoje, domingo, 16 de junho. A coluna está no Caderno poder. - E é  neste caderno que eu gostaria de ver  a página do Vicente Cecim - . A omissão a que se refere o Deputado federal Cláudio Puty,  diz-se  ao fato de que é preciso criar  e estabelecer novas normas ao cálculo dos recursos do Fundo de Participação dos Estados. Ao rejeitar o projeto por omissão, não se quer nem decidir sobre a "necessidade" de se estabelecer "novas normas", e esta "necessidade" recebeu 218 votos favoráveis, quando   para se chegar a maioria seria 257. Daí que os perdedores: os 218 votos favoráveis vão judicializar a questão. Não ficarão  parados - esperando Godot -  Não! Eles recorrem à justiça,  e "judicializam a política". Como bem  dito pelo Deputado federal Cláudio Puty. Estes fundos, como o FPE,  são utilizados como empréstimos à implementação de políticas de curto prazo e de aumento da atividade econômica dos locais onde os deputados militam por verbas; ou melhor: são utilizados entre os governos; agilizam a administração dos recursos pois distribuem melhor os recursos por meio de empréstimos. É de fato espantoso que, dada as condições de vida de seus representados, os deputados federais se omitam em uma votação  "de 218 votos favoráveis a estabelecer novas normas ao FPE". "E o pior,  quando necessitaria de um mínimo 257, maioria qualificada para aprovar a matéria." E o que significa a rejeição? Bom, e pelo visto, significa que pelo fato do FPE, ser " uma das mais importantes transferências inter governamentais do Brasil, teve como objetivo a promoção da justiça fiscal. E desde sua origem, teve como objetivo a promoção da justiça fiscal"; e que não se quer a "promoção da justiça fiscal".  Ora, o deputado diz aí que houve omissão . E é vero; e o nome desta omissão  é "oligarquia".  São elas quem estão atravancando o avanço da discussão tributária no congresso, enquanto outra parte quer mais e  mais municípios. De fato, o deputado tem razão, foi preciso judicializar a política. A oligarquia quer permanecer sentada no trono? Que tal irmos para a disputa?  A questão é federativa e envolve a partilha de receitas entre os entes federativos: é um fundo de participação de Estados:  21, 5%  vem da arrecadação do imposto de renda, e sobre produtos industrializados , ou seja, sobre o IPI. 

Naquele caderno não!

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Pena que a página do Vicente Cecim, no jornal O Liberal,  esteja no caderno em que está. Ela deveria estar no Caderno Poder, por exemplo. E mesmo na página de Cotidiano. É um desperdício  a página do Vicente Cecim naquele caderno.

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sábado, 15 de junho de 2013

Um problema maiúsculo

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Itajaí de Albuquerque

Utilizam-se no tratamento da Hanseníase os mesmos medicamentos, os métodos de diagnóstico e o mesmo modelo experimental, há décadas. No jargão técnico dessa doença é impossível encontrar termos como vacinas, biosimilares, métodos para diagnóstico precoce e modelos experimentais geneticamente modificados.  Por essa razão o Mal de Hansen é classificado como doença negligenciada pelos governos e pelos riquíssimos fundos privados que financiam pesquisas científicas nos países hegemônicos do hemisfério norte, apesar do agente causador da doença, o Mycobacterium leprae, ter sido identificado em 1873 e, desde então, elucidado seu mecanismo silencioso e alongado de infecção. 
A lógica cruel é de que o investimento numa linha de pesquisa e desenvolvimento tecnológico nessa área dificilmente atenderia a agenda de saúde dos países ricos, com maior carga centrada nas doenças crônicas não infecciosas, ficando a potencial inovação quase que relegada a fatia do mercado farmacêutico dos países pobres e em desenvolvimento, com características de menor rentabilidade segundo as pouco transparentes fórmulas que calculam a remuneração do valor agregado das tecnologias novas de saúde. Para as bolsas de valores internacionais que pregoam as ações das companhias farmacêuticas, é de menor relevância que nos últimos 20 anos, cerca de 14 milhões de seres humanos tenham sido tratados de uma doença que, sem dúvida, impacta o desenvolvimento econômico de seus países.
Pesquisas recentes, porém, têm revelado uma evidência que redimensiona a tibieza com que a ciência tem atendido a Humanidade em luta contra a Hanseníase. A partir do mapeamento do genoma de M. leprae coletado de múmias européias da Idade Média, pesquisadores decidiram buscar resposta para uma pergunta que responderia também sobre o nível de dificuldade para o advento de novas terapêuticas para a doença: Em sendo o Mal de Hansen uma doença da Antiguidade, com exemplos citados entre os povos do Velho Testamento, teriam acontecido mutações nesse microrganismo ao longo dos milênios? 
A resposta foi iluminadora. O genoma do M. leprae dos dias de hoje é exatamente igual ao do espécime que infectou as múmias medievais. Ele está imutável, há milênios, à espera de que algum Hansen da pós-modernidade o desafie novamente. Mas a exploração da genética dessa bactéria revelou dois outros fatos esclarecedores, o de que a doença foi transportada ao continente americano pelo colonizador europeu e, segundo, que houve de fato uma grande mutação, no genoma humano, o que explica pela resistência à doença o porquê  da Hanseniáse haver "sumido" da Europa Ocidental na Época das Cruzadas.
Detalhes da investigação sobre o genoma do Mycobacterium leprae podem ser encontrados na Science desta semana.

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Deu no Estadão


Em 12 dias, 25 bebês morrem em UTI de hospital público do Pará

Carlos Mendes - Especial para o Estado

BELÉM- O presidente do Sindicato dos Médicos do Pará, João Gouveia, pediu ontem ao Ministério Público Estadual (MPE) e ao Ministério Público Federal (MPF) que investiguem a denúncia de que 25 recém-nascidos morreram nos primeiros 12 dias deste mês na UTI neonatal da Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém. A média chega a duas mortes por dia.
Segundo Gouveia, a principal causa das mortes seria o alto índice de infecção hospitalar no local que recebe grande demanda de grávidas, a maioria adolescentes, oriundas do interior do Estado. "A situação é muito grave, mas o pior é que já vínhamos alertando a direção da Santa Casa para esse problema, mas até agora nada foi feito", disse o médico.
Ele exibiu ao Estado a ata de uma assembleia geral dos médicos realizada no dia 17 de abril passado, que contou com a presença de pediatras e obstetras do hospital, onde as precárias condições de trabalho da categoria e o risco de morte por infecções foram debatidas. "Aguardamos as providências que não foram tomadas e agora deu nisso", lamentou.
O secretário de Saúde, Hélio Franco, convocou uma entrevista coletiva agora à tarde para esclarecer o caso. Para a direção da Santa Casa, o porcentual de duas mortes por dia estaria dentro da "normalidade", mas a causa não seria a infecção hospitalar, e sim o "baixo peso, a maioria abaixo de 1,2 quilo", dos recém-nascidos. A grande demanda de grávidas seria também um dos motivos da falta de melhor atendimento.
O governador Simão Jatene (PSDB) ainda não se manifestou. Em junho de 2011, seis meses depois de ele assumir o governo, morreram 63 bebês no hospital.
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sexta-feira, 14 de junho de 2013

A noite do Cachorro-cobra





Rock? Entendo pouco... Quem me ensinou alguma coisa foi esse filho aí, que está na capa do caderno “Por aí”, de “O Diário do Pará”. Para quem se recosta no som da Floresta - de Sebastião Tapajós a Nilson Chaves -, ou vive a caetanear com Chico, Djavan e Gil, divertir-se com o Rock é me tornar plural no mundo música. Não vou conseguir. É muito... O que no máximo consegui foi andar espreitando “U2”, “The Doors”, o folk de Bob Dylan e  “Rolling Stones” (Beatles não vale, é universal) com esse filho roqueiro, agora sou apresentado ao “Venus Mamute”, essa banda de jovens, com o sua primeira turnê (2ª apresentação) em Belém. A turnê não deve passar do bairro de Nazaré, mas se der casa cheia neste sábado (15 de junho/2013, ingressos a 10 reais), eles prometem alçar voo para novos horizontes.  João Pedro, esse da foto que é minha lata, é o vocalista e toca harmônica, mas ainda tem o Fábio, Lucas, Jimi e Victória na bateria (sim, isso mesmo, a baterista é uma baterista). Eles não têm 20 anos e já estão colocando o pé na estrada, ou melhor, na rua - essa que muita gente nessa idade sonha. São bons meninos e gostam de água de mineral. O João faz as letras da banda autoral, o Fábio, Lucas e Jimi ajustam-nas aos acordes. É um pouco mais que uivo, está mais para experimentação.

Acho que vai dar samba, ou melhor, rock, mas por enquanto é uma mistura de cachorro com cobra. Eu sou suspeito pra falar (...ou escrever), até por que sempre dei apoio a esses garotos. Eu e a mãe vamos lá para conferir, depois eu conto o resto.

Local: Casarão Music

Hora: 22 horas;

Calor

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Seguindo com  a saga do trânsito, vou ao Tapanã. Nunca havia pisado por lá. Fico impressionada com a movimentação, a quantidade de carros, as centenas de casas; e sigo. O calor é infernal e o ar-condicionado do carro está quebrado - vou arrumar na segunda-feira, penso - e,  enquanto penso, derreto. Fico imaginando o calor  dentro dos muitos ônibus, que cometem todo o tipo de loucura na minha frente.  O calor deve ser insuportável naquelas banheiras velhas, e são elas que levam a grande maioria dos moradores de Belém. Na volta, ao avistar as obras do famigerado BRT,  meu coração estrala: Mas não é como no poema de Mário de Andrade! Sinto o desespero se abater sobre o meu corpo, e imagino que já perdi um litro de água e que estou derretendo, de fato. Deuses, quanto calor! Penso: deveria ser obrigatório o ar condicionado, pelo menos para os motoristas de ônibus. Eu que os odiava há poucos minutos:  passo a desenvolver uma espécie de súbita cumplicidade. Olho para um lado; olho para o outro: não há policiais: penso: Vamos quebrar tudo agora!

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Incivilidade

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O trânsito de Belém segue firme em sua loucura e desrespeito, cotidianos. Ontem, durante os quinze minutos que fiquei parada em frente a um edifício na Alcindo Cacela, entre Diogo Moia e Antonio Barreto, três motos subiram na calçada com a maior tranquilidade  jogando os passantes para o lado e fugindo do trânsito, que fica infernal por conta de uma faculdade particular, e da necessidade que todos tem de estacionar. E o pedestre que se dane! Isso sem falar na fila dupla de ônibus e no cansaço e na histeria, que tomam conta de todos os seres humanos naquele horário: 7:15. O calor é alucinante, no momento. O número de carros só aumenta; e as cenas de cara-de-pau explicita, não diminuem. Os motoristas pensam que basta colocar o pisca-pisca para funcionar e tudo está resolvido. Ninguém quer andar para estacionar: Não! Todos querem parar na porta dos estabelecimentos para resolver seus problemas. Não interessa o horário, não interessa a rua;  nem interessa os interesses da cidade. Caminhões entram a hora que querem  para descarregar o que quiserem. Tá lindo! Os quinze minutos em que fiquei parada ali foram uma aula de incivilidade e de como as grandes cidades brasileiras estão se tornando o pior lugar do mundo para se viver. 

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Tarifa

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Estou super interessada nos fatos que envolvem São Paulo  neste momento: aumento das tarifas de transporte urbano. Lá o serviço é municipal. Meu filho mora em São Paulo, e não parece muito interessado em voltar a viver em Belém. Quando falo com ele, digo logo: "Filho toma cuidado"; "Filho: você chegou bem na USP?". Sou a mãe desse garoto, e sei que jovem é outro papo; e que  adrenalina faz bem para todos os jovens. Fiquei espantada com o tamanho da violência da polícia paulistana, não precisava de tudo aquilo. Não gosto da ideia de depredar o patrimônio público; sei que as soluções não são fáceis, em se tratando de uma cidade do tamanho de São Paulo; e os manifestantes não estão livrando a cara de ninguém. Mas, e também, não dá para reduzir tarifas apenas pelo desejo de muitos; e a questão não é de maiorias, no momento. Leio no Blog do Sakamoto que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, chamou o Conselho da Cidade para uma reunião na próxima terça-feira, dia 18. Fiquei feliz, gosto desta imagem: Conselho da Cidade. É muito salutar sair às ruas para reivindicar direitos, para protestar, para lutar por oxigênio e calor. Muito bom! Mas multidões são fáceis de perder o controle, e de ficar a deriva.Que os ânimos se acalmem! São Paulo tem déficits históricos de quase tudo, não será na pancadaria que as coisas serão resolvidas. A Polícia Militar foi cruel na noite de ontem. Assim não dá. Que venha o Conselho da Cidade. Ele não é deliberativo; é consultivo. Mas, muitas cabeças pensantes e uma boa representatividade, é melhor que conflito aberto  e centenas de pessoas presas e feridas. Torço por uma decisão que não descambe em violência, mais uma vez.

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24 horas com maior insegurança....

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Daqui a pouco vamos acordar com a Polícia Civil de braços cruzados. Paralisação de 24 horas, em todo o Estado. E aí?

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quinta-feira, 13 de junho de 2013

Que lindo!



Outro sim


Para  que não se vá a vida ainda
e a amada volte

                             pede à palavra
                             outra palavra
                             outra


                                                 sob palavra





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Max Martins


Imaginem como foi....................

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A PM começou a batalha na Maria Antônia

Quem acompanhou a manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus ao longo dos dois quilômetros que vão do Teatro Municipal à esquina da Consolação com a rua Maria Antônia pode assegurar: os distúrbios desta quinta-feira começaram às 19h10m, pela ação da polícia, mais precisamente por um grupo de uns vinte homens da tropa de choque, com suas fardas cinzentas, que, a olho nu, chegaram com esse propósito.
Pelo seguinte: às 17h, quando começou a manifestação, na escadaria do teatro, podia-se pensar que a cena ocorria em Londres. Só uma hora depois, quando a multidão engordou, os manifestantes fecharam o cruzamento da rua Xavier de Toledo. Nesse cenário, havia uns dez policiais. Nem eles hostilizaram a manifestação, nem foram por ela hostilizados.
Por volta de 18h30m, a passeata foi em direção à Praça da República. Havia uns poucos grupos de PMs guarnecendo agências bancárias, mais nada. Em nenhum momento foram bloqueados. Numa das transversais, uns vinte PMs postaram-se na Consolação, tentando fechá-la, mas deixando uma passagem lateral. Ficaram ali menos de dois minutos e retiraram-se. Esse grupo de policiais subiu a avenida até a Maria Antonia, caminhando no mesmo sentido da passeata. Parecia Londres. Voltaram a fechá-la e, de novo, deixaram uma passagem. Tudo o que alguns manifestantes faziam era gritar: “Você é soldado, você também é explorado” ou “Sem violência”. Alguns deles colavam cartazes brancos com o rosto do prefeito de São Paulo, “Fernando Maldad“.
Num átimo, às 19h10m, surgiu do nada um grupo de uns vinte PMs cinzentos, com viseiras e escudos. Formaram um bloco no meio da pista. Ninguém parlamentou. Nenhum megafone mandando a passeata parar. Nenhuma advertência. Nenhum bloqueio sem disparos, coisa possível em diversos trechos do percurso. Em menos de um minuto esse núcleo começou a atirar rojões e bombas de gás lacrimogênio. Chegara-se a Istambul.
Atiravam não só na direção da avenida, como também na transversal. Eram granadas Condor. Uma delas ficou na rua que em 1968 presenciou a pancadaria conhecida como “Batalha da Maria Antônia”. Alguns deles, sexagenários, não cheiram mais gás (suave em relação ao da época), mas o bouquet de vinhos.
Seguramente a PM queria impedir que a passeata chegasse à avenida Paulista. Conseguiu, mas conseguiu que a manifestação se dividisse em duas. Uma, grande, recuou. Outra, menor, conseguiu subir a Consolação. Eram pessoas perfeitamente identificáveis. A maioria mascarada. Buscaram pedras e também conseguiram o que queriam: uma batalha campal.
Foi um cena típica de um conflito de canibais com os antropófagos.

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Elio Gaspari

Do Pacífico ao Atlântico: highway 10

                                                                            Viajar! – mas de outras maneiras: transportar o sim desses horizontes!...
Guimarães Rosa, em “Grande Sertão: Veredas”

Horizontes Ianques: não! Algumas condições para o sim nas ideias: filho, dileto amigo, a ciência preferida, Jazz e, se ainda existisse, aquela “América” do faroeste, com “Z” do Zorro. Esses heróis de filmes e quadrinhos zanzavam com suas diligências entre a Califórnia e a Louisiana, deixando rastro de seus cavalos pelo Arizona e Texas. Hoje, todo o Sul fronteiriço hispânico foi substituído por muralhas e rodovias e aquela América ficou no lusco-fusco de cada Django que há em nós... Destarte, juntei todos essas condições e peguei a Highway 10.
Comecei por San Diego: Old Town. Lá, de sombreiro, tive impressão de ter visto a pança do Sargento Garcia. Depois marcamos encontro com o amigo Coimbra às margens do pacífico admirando reminiscências de Midway. Um bom Merlot californiano e uma prosa sobre ciência regou nossa admiração pela Califórnia modernizada e por aquele chairman vestido de amarelo e verde a disseminar, mundo afora, a semente da verdade científica. Iniciei o sim daqueles horizontes ao requerer Quintana: “foi como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo”.
Caminho aberto: mundo Texas. Encostei dois dias no Motel Chaparral, beira de estrada e alcunha de gangster de western. Coloquei a janela na árvore fui espiar, com meu chapéu abado de Cowboy, aquela miniatura de mundo. Encontrei os Cervenkas, gente de coração mole e ascendência celestial. Albergaram no ventre do coração um filho postiço que fui buscar de volta para mim. Eles vivem numa casa de madeira rodeada de muita grama verde à sombra do altruísmo. Alma interiorana estava era ali. Bucolismo à flor da pele e silêncio sonorizante nos arredores daquele vilarejo - Hallettsvile. O texano tem no seu interior a alma morna desde a conquista de Álamo, quando expurgou muito mexicano pro inferno.
Ainda pela rodovia 10, sentido oeste-leste no volante - ficou pó de estrada em Houston - até dar pé em New Orleans, Louisiana, barranco do Mississipi. Ou se preferir: N’Awlin, na língua tupi deles e NOLA na língua afro. Foi ali que encontrei o Preservation Hall e Grandpa Elliot com sua voz encorpada no Blues de Louis Armstrong. Contou-me que tinha o sonho de se encontrar com aquela “Garota de Ipanema”. Como não chegou a tempo, assoprou um ritmo sincopado nos meus ouvidos numa das esquinas do Quarteirão francês, úbere do Jazz.  Coisa mais linda – leite bom na minha cara. Já posso morrer com uma fita amarela gravada Elliot, e ser enterrado ao ritmo da Bourbon rue.
Parada final: Flórida. Lá fui conhecer o caboclinho Chico-Chiquinho, o homem mais bonito da Flórida, como se gaba. Ele vive nos arredores de Miami: Coral Spring. Não é nenhum paladino de quadrinho, mas caberia bem se Joe Bennet estivesse interessado em desenhá-lo como um desertor da Arca de Noé, pois trocou o despejo da IBM pelos EUA. Vendeu casa, carro e partiu de Val-de-Cans somente com a passagem de ida e o visto. Com as vendas pôs 400 dinheiros no bolso e deixou o resto com a esposa que, sem livro de auto-ajuda, conseguiu alimentar e educar os dois pintinhos.
Sabendo falar apenas good-bye e thank you lavou pratos, de dia, e entregou jornal, à noite. Dormia três horas só para sonhar com os curumins, até mandar buscá-los. Indesejado por não falar a língua e ainda rejeitado por ser de outro faroeste, fez dessa peia o caminho para o meu aplauso. Hoje faz questão de falar A-M-É-R-I-C-A tal como aqueles heróis do western. Junto ao Coimbra perpetra a idéia que a América é o país da oportunidade, desde que saibas trabalhar.
Hoje, o “Car Wash Chico-chiquinho” gera a oportunidade de viver em paz com Obama. O cara além de apaixonado por Bossa Nova e Lucinha Bastos, quer conhecer NOLA, Memphis e Nashville - terras lendárias.  Chico-Chiquinho passeia como um dândi de cidadania americana. Desfila seu bem-querer pelo Brasil e, por debaixo de suas camisas pólo, veste a insígnia do Capitão América.

É.......é isso aí!

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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Perplexos!!!


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Angeli

Max Martins



Os chamados do tigre




Os chamados do tigre me atravessam. Ardem
e medram em sangue sob escombros, plasmam
a carne do  meu fruto flamejando-o


Quem defende o meu corpo deste incêndio
desta palavra corpo se afogando?
E quem sou eu para guardar um nome de sua noite? Quem
das grades dessa noite, a pele majestosa, tenso
Vibra seus punhos contra a neve



                                                               Tu

que não me dizes nem me sabes, tu
que do topo dos topos da metáfora me alivias
                                                                            vê:


Do fundo de meus olhos cego-deslumbrados
obscuros laivos de ternura me procuram





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Para AOF

Vergonha que não é alheia, é nossa

"A um ano do Mundial, o Brasil não está ainda no ponto no que se refere à infraestrutura: os aeroportos são velhos, os hotéis muito caros e o transporte caótico. A segurança está ainda por melhorar." (jornal Metro - Bélgica, edição em francês, de hoje).

Na reportagem do jornal, lido por mais de 800 mil pessoas na Bélgica francófona, estão os pontos cruciais:
-quatro dos seis estádios foram entregues com atraso à Fifa para a Copa das Confederações. Num deles, em Salvador, a cobertura se "desintegrou" após fortes chuvas,  "em razão de um erro humano" .
-nas grandes cidades, os engarrafamentos chegam a 200 km, as estradas estão em mau estado, os aeroportos saturados e os trens inexistem;
-outro grande desafio, a segurança: a cada ano, o Brasil, com 194 milhões de habitantes, registra 40 mil homicídios. Nas 12 cidades da Copa, "os níveis de violência são endêmicos";
-atualmente, o Rio é a terceira cidade mais cara do mundo no que se refere aos hotéis. A diária em um quarto custa, em média, US$ 246,71, à frente mesmo de destinos badalados como Nova York (US$ 245,82) e Paris (US$ 196,1), segundo um estudo da própria Embratur. 

De quem eu gosto...

... nem no blog confesso!!!

Dedicado aos enamorados que pelo FLANAR flanam (e eu sei que não são poucos), compartilho um dos fados mais famosos, na voz da imortal Amália Rodrigues.
Feliz dia dos enamorados!




terça-feira, 11 de junho de 2013

Honoris causa

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A Acadêmia, há muito, deveria ter concedido a Lúcio Flávio Pinto  o  título de "doutor honoris causa". Claro que não apenas por sua erudição, pois se ela estivesse guardada na gaveta, de nada nos serviria. Ele é um pensador, um homem de ideias, com uma produção científica e cultural de grande qualidade, e de alto grau de mobilização de ações, projetos, e de sentidos. Para onde quer que olharmos, nesta vasta Amazônia, lá estará o olhar, as percepções e o conhecimento de Lúcio Flávio Pinto. O que devemos observar  é o seu papel, e o seu lugar, na história contemporânea da Amazônia. Na história da Imprensa paraense. Ele é o emblema da coragem e da rebeldia contra os desmandos e a impunidade que grassam na Amazônia. Combatendo com palavras e conhecimento, Lúcio Flávio Pinto tem prestado um serviço de grande relevância para a democratização da informação, no Pará. Seria um título a honrar a Universidade Federal do Pará. Alguém tem  dúvidas sobre isso? Não creio. Lúcio Flávio Pinto tem inimigos. Muitos deles, invejosos. Mas nenhum deles teria a audácia de negar o intelectual e militante que ele tem sido na busca de conhecimentos e saídas para os dilemas amazônicos. 

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Sertão? Quem sabe dele é urubu!

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Escreveu Guimarães Rosa no seu  Grande Sertão: Veredas. Ele está aqui na minha estante: quieto, acomodado e reflexivo: como a dona da estante. Cada um na sua: não é? Os cientistas políticos tem muita raiva dos jornalistas. Os jornalistas não gostam dos cientistas políticos. Os políticos não gostam dos jornalistas. E o grande sertão de ideias se amplia. Os especialistas publicam, publicam, publicam.......mas quem informa são os jornalistas. E o grande sertão de ideias se amplia. Na peleja do diabo com o dono do céu,  o senso comum nos diz o que pensa das coisas do mundo; e os jornalistas informam. E é o senso comum, o que faz a roda da fortuna girar, de lá para cá e de cá para lá. Fiquei bastante impressionada com a comoção gerada pelas imagens dos cães mortos em um município do Marajó. Muitas pessoas se organizaram para fazer socorrer os animais. Os protestos se espalharam como pólvora nas redes sociais. Vi, outra vez, a força do jornalismo na indução dos fatos. Fiquei bastante impressionada com a fala do Coordenador do Centro de Zoonoses do Pará. Falava calmamente e de forma reflexiva sobre como se deve exterminar os animais. De fato, me lembrei de Kafka e de seu personagem descrevendo "a máquina". Tudo muito calmo, tudo muito tranquilo, como manda o exercício cotidiano das rotinas. A situação do Marajó em si, não interessa muito, e a  "população"  ficou bastante feliz em receber 10,00 por cada animal apreendido. O senso comum nos diz muito sobre a realidade. Se ela é produto da ideologia, das crenças, da racionalidade, dos deuses, do átomo, da força, da coerção, do controle, das cadeias, da loucura: isto é outro papo! Mas que o senso comum  nos diz muito sobre quase tudo: Isso diz!
Sertão? Quem sabe dele é urubu!

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Inexorável

Dik Browne

Assino embaixo

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Iriny Lopes - Deputada federal PT/ES


A cristalização de posições favoráveis e contrárias à redução da maioridade penal impede que as pessoas analisem os dados de forma racional e objetiva. A experiência de países que encarceraram adolescentes em prisões de adultos e agora admitem que, ao contrário do que imaginavam, os jovens tornaram-se mais violentos acende a luz vermelha (ver reportagem do The New York Times de 11 de maio de 2007).
Propor a maioridade penal cada vez mais precocemente é no mínimo temerário. Ela tem sido feita por alguns políticos que “vendem” propostas de apelo fácil junto à sociedade, ignorando os dados de criminalidade, bem como o fracasso de nações que adotaram a medida, como os EUA. De todos os estados americanos, Nova Iorque é o único a manter a punição para adolescentes a partir dos 16 anos. Isto porque, segundo o New York Times, estudos apontam que “em pessoas mais novas, o tratamento é mais eficaz que o encarceramento. Todos os Estados americanos mantêm uma corte e um sistema correcional para juvenis, normalmente com programa que foca mais em tratamentos e reabilitação do que em punição”.
Os dados também desarmam a teoria de que a violência é cometida em grande parte por adolescentes. De 2002 a 2011 houve uma redução nos percentuais de homicídios cometidos por pessoas abaixo de 18 anos. Dados da Secretaria de Direitos Humanos apontam que os índices de assassinatos reduziram de 14,9% para 8,4%, de latrocínio passou de 5,5% para 1,9% e estupro de 3,3% para 1,0% .
O Cadastro Nacional de Adolescentes em Conflito com a Lei (CNACL), Instituído pela Resolução nº 77 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 26 de maio de 2009, e que reúne informações sobre Varas de Infância e Juventude de todo o país sobre os adolescentes em conflito com a lei, tem registros de ocorrências, até junho de 2011, de mais de 90 mil adolescentes. Desses, 30 mil cumprem medidas socioeducativas. Embora pareça alto, o contingente representa apenas 0,5% da população jovem do Brasil (21 milhões de meninos e meninas entre 12 e 18 anos incompletos), sendo que a maioria responde por crimes contra o patrimônio.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990), promulgado em 1990, prevê responsabilização a partir dos 12 anos de idade. A internação é uma medida extrema e aplicada quando:
a) tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa;
b) por reiteração no cometimento de outras infrações graves;
c) por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta, caso em que não poderá exceder a três meses.
Cabe ressaltar que a medida socioeducativa tem como princípio a reinserção social e garantir um papel construtivo para o jovem na sociedade. Por isso a internação deve ser feita (art. 123) em locais específicos, separando os internos por tipos de delitos, idade, compleição física, com cuidados especiais e proteção. As unidades devem contar programas de educação, formação profissional, esporte, lazer.
Existe ainda um ponto do Estatuto prevê o monitoramento das medidas socioeducativas, que é o Plano Individual de Atendimento (PIA). A pesquisa “Panorama Nacional – A execução das medidas socioeducativas de internação”, publicada pelo CNJ em 2012, revela que a estrutura atual não colabora com a aplicação do ECA e a ressocialização desses jovens. Apenas em 5% de quase 15 mil processos de adolescentes infratores havia informações sobre o Plano Individual de Atendimento (PIA), uma forma de mensurar o desenvolvimento deste jovem e a eficácia da medida socioeducativa. Além disso, outras situações evidenciam o descaso de autoridades com o cumprimento da legislação: o abuso sexual de pelo menos um adolescente em 34 instituições no prazo de um ano, 19 assassinatos em unidades, quase 30% dos internos revelaram ter sofrido tortura praticada por funcionários, além da superlotação verificada em 11 estados.
Os levantamentos sobre a aplicabilidade do ECA revelam que a legislação é ignorada desrespeitada diariamente pelos governos estaduais. Não há nessas unidades nenhum projeto educacional, de formação profissional e as atividades de esporte, lazer e cultura são praticamente nulas. Enfim, o estatuto não é cumprido. Os adolescentes em conflito com a lei são tratados como se fossem criminosos sem recuperação.
Se existe atualmente um deliberado desleixo com a reinserção social desse adolescente em conflito com a lei não é demais imaginar o desastre que seriam inclui-lo em uma prisão de adultos, que tem como realidade celas abarrotadas (considerando que as vagas não passam de 300 mil nos 1.171 presídios no país para um contingente de 538 mil), em cadeias que primam pela barbárie, agressões físicas e psicológicas, que só ampliam a revolta desses presidiários contra a sociedade. São as chamadas masmorras, que em vez de restringir somente a liberdade como prevê a lei, submete o infrator à degradação humana, à convivência com ratos, baratas, pessoas infectadas com tuberculose e outros tipos de doenças infectocontagiosas, a ingerir comida estragada, a sofrer violações físicas, e não raramente ter passe livre para sair de presídios e cometer crimes durante a noite, com parceria de agentes públicos, seja por corrupção, ou sociedade em ilícitos, entre outras amplamente noticiadas.
Os defensores da redução da maioridade penal usam argumento frequente que adultos usam crianças e adolescentes para cometer crimes.  Ignoram os dados que apontam um mínimo de jovens nesse tipo de atividade, bem como os números de violações contra essa faixa etária da população. O Mapa da Violência 2012 aponta que quase nove mil crianças e adolescentes foram assassinados no Brasil em 2010. O Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos revela que em 2012, mais de 120 mil crianças e adolescentes foram vítimas de maus tratos e agressões e menos de 3% dos suspeitos tinham menos de 18 anos. Ou seja, é o adulto o principal agressor de meninas e meninos. E não existe qualquer comoção nacional no sentido de interromper as violações contra essa ampla parcela da população.
Dados do Unicef de 2009 também já apontavam que quase 80% do mundo adotam a maioridade penal para adultos aos 18 anos ou mais. O Brasil é referência mundial nessa área. Adotar a maioridade a partir dos 16 anos é ir na contramão da história e retroceder sem qualquer argumento plausível para tanto, além de desrespeitar uma legislação internacional ratificada pelo estado brasileiro, a Convenção Internacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Decreto nº 99.710/1990), período em que foi promulgada a Lei 8090/1990, que instituiu o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Há também de se lembrar que a inimputabilidade (penal) de menores de 18 anos é uma cláusula pétrea da Constituição, uma garantia individual, intocável. Não há como alterá-la por projeto de lei. Somente a realização de outra Constituinte, com a redação de uma nova Carta Magna.
Recentemente no Espírito Santo, um motorista de caminhão foi morto por pessoas da comunidade ao atropelar sem querer uma criança. A menina desprendeu-se da mãe e correu para a rua sem dar tempo ao caminhoneiro para enxergá-la e frear o veículo. O homem foi brutalmente assassinado a facadas e pedradas. A justiça feita num momento de desespero por parentes e amigos foi cruel, porque destruiu também a vida de outra família, a do motorista.
Alterar legislações no calor dos acontecimentos não é racional, como se espera de matérias tão sérias, é como “fazer justiça” com as próprias mãos. Escamoteia estudos e dados sobre o tema em questão, ignora o quanto os estados deixam de cumprir os atuais preceitos legais, seja em relação ao sistema de internação de adolescentes ou das prisões para adultos, empurrando para outros suas responsabilidades, que de certa forma colaboram em muito para o aumento da criminalidade e da violência nas cidades.
Cobrar a execução das leis atuais seria mais eficaz do que inventar outras sem consistência e que tendem a piorar a situação. A indignação deveria ser diária, um exercício de cidadania, de fiscalização de governos, Ministério Público e Judiciário, e não apenas usada por alguns em horário nobre de televisão, capitalizando dor alheia, de olho apenas nos lucros eleitorais.

Iriny Lopes é deputada federal (PT/ES) e integrante da Comissão Especial criada para analisar as propostas de alteração do ECA. É secretária de Relações Internacionais do PT.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

domingo, 9 de junho de 2013

Diluição........


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Duciomar Costa sumiu! Onde estará? Foi cristalizado em Zenaldo Coutinho e em Simão Jatene. Foi cristalizado; mas,  depois, estará  diluído nos eleitores de Belém. Como os  eleitores de Belém não pensam igual sobre quase nada; e, de quatro e quatro anos, são chamados a fazer escolhas, a diluição vai ocorrer por osmose. Como Ana Júlia Carepa, Rômulo Maiorana Junior, Simão Jatene, Almir Gabriel, Zenaldo Coutinho, Jader Barbalho, e tantos outros,  já estiveram de mãos dadas com Duciomar Costa:O Eleitor não entende!?!  E  se entende, entende  assim: Estão pouco se lijando para a minha sorte! E, ai  do eleitor  que não seja racional, para ver o que lhe acontece. E, como ele não é racional sempre:  acerta aqui; erra acolá.  Duciomar Costa sumiu. A mágica aconteceu! E aos olhos de todos. Nada ficou? Como escreveu Drummond: de tudo fica um pouco! E, ficou; mas ficou nos bastidores, na zona escura; aquela que o eleitor  mediano não vê. Mas que quando vê: pode ver errado; ou não entender. Tá aí o Mensalão; estão aí todas as boas intenções: estas que enchem os infernos, e que aumentam o número de cruzes pelo mundo. A política, o grande demônio, a cada dia adentra  mais e mais o Moinho Satânico. Precisamos de ar, de oxigênio, de ideologias sãs, e com coragem de dizer alguma coisa que esteja pelo menos mais próxima da "verdade": pelo menos. Fico muito triste ao ver que Maquiavel continua mandando bem, e sendo o manual da política. Uma pena!


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A divisão aconteceu!

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Enquanto seu Lobo não vem, a Sorte lança suas cartas na espera de que a Fortuna faça suas escolhas. O quadro político é tenso, com cassações, acusações veladas, e fatos sendo construídos pela mídia paraense. O Senador Jader Barbalho está no sul do Pará montando os acordos: jornais e formação de Opinião. O PMDB vai cobrar a fatura: vai indicar Helder Barbalho para o governo do Pará e quer o PT na chapa - e na coalizão. Uma parte do PT está pronta para dar o troco, o racha virá! Quem vai sair lucrando? Me parece que o PSDB tem, no Pará, muito a lucrar com o momento. É duplamente governo. Está no poder, e tem a máquina pública na mão. No quadro nacional, Dilma Rousseff enfrenta a crise econômica e as agruras da coalizão que a levou ao poder. Isto sem falar da mídia golpista, que já usa o percentual de 57% de aprovação do governo Dilma Rousseff,  para dizer que ela não vai se reeleger. O fato é que o Pará já foi dividido: a divisão aconteceu. O PSDB tenta reverter o prejuízo; talvez um pouco tarde. Os cidadãos do sul e oeste do Pará nos tem na conta de usurpadores da riqueza do estado. Uma pena! A tendência política de Ana Júlia Carepa, a DS,  dentro do PT, está fortalecida no Pará. Pero no mucho, quando nos voltamos ao quadro político interno do PT,  no qual o PMDB tem poder e prestígio sobre as demais tendências. E são as tendências, e a baixa renovação dos quadros políticos, o grande problema do PT em face ao PMDB, no Pará. Para nós, cidadãos deste estado, o quadro pode ficar mais dramático do que já está; e o nosso grau de incerteza,  sobre as decisões que devemos tomar  em 2014,  pode nos levar a tomar as piores decisões possíveis. Muitos estudos demonstram o poder de coesão  dos partidos políticos sobre  decisões legislativas; mas  o mesmo não acontece em decisões eleitorais. Vem chumbo grosso por aí. O velho oeste está de volta, escolham as  armas e tomem  posição.

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