quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

As aventuras de Edu e Dorinha: o armário contra-ataca


Dois dos leitores frequentes do blog me cobram notícias sobre os fictícios personagens Edu e Dorinha, que por aqui andaram em 2011  (vide o primeiro episódio,  As Aventuras de Edu e Dorinha: a Mensagem).
Um deles eu sei que é movido por uma curiosidade mórbida e a certeza de que Edu não seria fruto da minha imaginação, e sim uma pessoa que ele conhece, e tem como objetivo claro a obtenção de mais informações sobre o enigmático marido da voluptuosa Dorinha.
O outro se declara apaixonado pela Dorinha, seja ela real ou imaginária. E quem não o é, pelo menos um pouquinho?!...
Começo justificando o meu silêncio em relação ao casal nos últimos tempos pela absoluta falta de contato com os dois.
De Dorinha, aliás, devo dizer que escuto falar com frequência, através de um conhecido que malha na Comp... (putz, quase entreguei!), e que sempre que me encontra faz questão de dizer o quão generosa e caridosa ela continua sendo, compartilhando o que tem de melhor com os colegas de malhação.
E por coincidência encontrei o nosso herói Edu no sábado antes do natal, enquanto eu tomava água de coco no famoso carrinho do Jonas, na Pedro Miranda com Mauriti. Ele saiu da Importadora Panamá transbordando de sacolas, e me chamou a atenção por estar com uma roupa de ginástica meio estranha: bermuda de lycra amarela, camiseta púrpura e tênis de cores diferentes (o que ele me explicou ser moda nas academias chiques da cidade).
Como ele estava meio apressado, combinamos um encontro para logo após as festas. Dorinha estaria ótima, segundo ele disse.
Para minha surpresa, ele me ligou na última segunda à noite, com voz ofegante e em claro desespero e pediu para nos encontrarmos no café da Sol, na Doca, o que ocorreu ainda há pouco.
Após duas ou três cervejas, Edu resumiu o período em que não nos encontramos, com destaque maior para o novo emprego. Ele havia feito um concurso e agora trabalhava num tribunal ou em algum órgão do poder judiciário, “numa sala maravilhosa, com quase 20 homens e só duas mulheres...”. Menos fofoca, assim ele me explicou.
Mais duas ou três garrafas foram necessárias para intoxicar levemente o cérebro do Edu, e só então o verdadeiro motivo do encontro veio à tona.
Como eu quase nada falei, vou reproduzir algumas frases ditas pelo nosso eterno herói da maneira como me lembro:
“Conheci uma pessoa maravilhosa no meu trabalho, que é o máximo!”
“É uma criatura afetuosa, bem humorada, fala baixinho, canta bem, é muito sensível, mas gosta de sacanagem, como eu.”
“Tem cabelo pintado e unhas bem cuidadas, boca carnuda, olhos verdes emoldurados por longos cílios, uma voz doce e, o melhor de tudo, me escuta e me entende!”
Ciente de todo o passado de Edu e Dorinha e absolutamente incrédulo, acabei exclamando algo como Edu, você vai trocar a Dorinha por outra pessoa? Eu não acredito!”, em tom de voz hesitante. E aí vieram as frases mais duras, que tentarei reproduzir o mais fielmente possível abaixo:
“Não, Scyllão, eu não vou trocar. Este ser de quem te falo morre de tesão também pela Dorinha e eu quero a tua opinião sincera – tu achas que a Dorinha vai aceitar viver a três?!”
Gaguejando mais do que o normal, eu pronunciei a última coisa que me lembro de ter falado: “você vai viver com a Dorinha e outra moça?! Numa relação poliafetiva?!”.
Do resto só me lembro de pouca coisa, meros cacos de frases e palavras soltas, tipo:
Scyllão, burrinho, não é uma gata, é um gato, o meu gato, o Max. O nome dele é Máximo e a esposa dele é uma bruxa!”
“Tou feliz...”
“És o primeiro a saber!”
“Se a Dorinha não quiser...”
“Ela há de querer...”
“Tchau, Scy...”
A última lembrança visual do Edu que guardei foi bem marcante: ele marchando, determinado, pelo estacionamento vazio da Sol, com um ligeiro e recém-adquirido rebolado.
Mas quem pode atirar pedras?!
Edu já está no século XXII...




Outros episódios de Edu e Dorinha:
A Carona
O Exame
Onde andam?
Os Espíritos de Porco
Edu.com
A Volta dos que não foram

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Enchentes

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Deixo uma saideira aqui no blog  comentando o drama nacional, que são as enchentes.  Loucura ver que  os fatos já entraram no calendário das estações de tempo. Choveu: tragédia. De tão aguardadas logo surgem os heróis: Zeca Pagodinho......Ainda bem que existem! Dá para falar em fenômenos que são globais! Da para falar em aquecimento global! Muitas coisas explicam os fatos. Mas o que se estranha, é que a estação das tragédias não tenha entrado na pauta dos governos; nem Municipal; nem Estadual; nem Federal. Muito estranho. Muito estranho que os impostos sejam drenados para tragédias que poderiam ser evitadas, e que não são furacões, nem vulcões! Entro o ano de 2013 perguntando: Até quando este papo de Otário!?! E, espantoso será o adjetivo que  vou continuar  usando este ano: É espantoso! Não vou esquecê-lo; ou deixá-lo para os ratos! Não me faria bem aos nervos; nem aos intestinos.


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Pensando a administração pública....

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Como gosto de escrever por aqui, trago uma discussão na qual  gostaria de ouvir dois comentadores deste blog. Um é o Lafayette Nunes; se ele topar, é claro! Um outro que gosta da discussão é o Prof. Alan. [Aos dois]; Estou convidando para comentar neste posto. E espero que aceitem o convite. Seguinte: A administração pública tem como princípio a cooperação entre os que nela trabalham, tanto para o gerenciamento, quanto  na implementação da ordem e dos serviços. Muito bem: Como um esquema como o do Cachoeira pôde se manter - e se mantém - durante tanto tempo? - É porque as relações entre o Judiciário e as mafias são escandalosas e sem freios? Ou  porque algumas setores da administração pública são controlados por elites financeiras ou  patrimonialistas?

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Bowie faz 66! E o presente é nosso!!!

Por essa ninguém esperava: no dia em que faz 66 anos de idade, o camaleão David Bowie lança um single -  o primeiro em décadas! O vídeo (acima) de Where are We now? foi postado no site do cantor no final da noite de ontem, porque, como disse o filho dele, Duncan Joanes, já era 8 de janeiro na Austrália.
Isso é só um petisco do álbum The Next Day que David Bowie lança em março próximo.
2013 parece que vai ser o Bowie's Year. Em 23, também, de março abre a primeira mega-exposição sobre o cantor, no Victoria & Albert Museum, em London, c omo escrevi aqui no Flanar em 
setembro passado. Long life to the London Boy !!!

Terça existencialista





"Eu vou acabar acreditando em Deus. Tá difícil acreditar em qualquer outra coisa"

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Sobre a criminalidade

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Movimento uniformemente acelerado

Sidney Harris

Paraense na Presidência da República: conquista merecida


Sempre acreditei ser melhor não “misturar” vida profissional com vida pessoal. Um chavão, sim, mas que pondero ser a absoluta isenção impossível. No que fosse possível, ali eu estaria. Assim, posso dizer, com segurança, que estou ainda mais orgulhosa da minha amiga e ótima profissional Symmy Larrat, por sua nomeação, publicada hoje no Diário Oficial da União, como coordenadora na Coordenação-Geral de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos.

É bom que o Pará tenha representantes em espaços decisórios e executivos, já que tradicionalmente ficamos excluídos deles e - talvez por isso mesmo ou como mais um sintoma do apartheid social brasileiro – de suas respectivas políticas públicas. No entanto, não basta termos representantes “geográficos” nestes espaços. É fundamental que cada representante seja voz de uma necessidade social, onde quer que ela esteja territorialmente. Esse talvez seja o nó da questão: uma necessidade que esbarra nos limites do ser humano, como já citei, referindo-me a mim mesma, ao abrir este post.

A Symmy Larrat, que conheci na década de 1990 como Marcelo, estudante de comunicação da UFPA, sempre se mostrou uma pessoa dedicada e responsável academicamente; e cada vez com sensibilidade mais apurada no que se refere aos direitos humanos e, em especial, no combate à homofobia. Como colega de trabalho, posteriormente, ela se mostrou isso mesmo que sempre me pareceu e ainda dotada de uma generosidade comovente, que eu até então desconhecia.

Fica minha provocação. Vai minha saudação e, acima de tudo, meus votos de boa sorte à Symmy Larrat, que, mesmo nomeada na área de Direitos Humanos, não pode desfrutar de ler o nome que deseja em seu mais novo posto de atuação.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Opinião

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O NOVO GOVERNO ZENALDO É VELHO

Por Flávio Nassar

O novo governo municipal só não pode ser acusado de novo, de inexperiente. Ele é composto, em parte, por integrantes do mais competente grupo técnico que a burocracia estatal paraense formou. Sua origem remonta ao IDESP, entregue por Aloísio Chaves para Fernando Coutinho Jorge.  Coutinho, recém  chegado do ILPES-CEPAL, criou o sistema e a Secretaria Estadual de Planejamento. De lá saíram para a política o próprio Fernando Jorge, depois prefeito de Belém, senador e ministro; Jatene, senador, governador, governador.... e um grande número de secretários de estado ou municipais; e diretores de estatais. Eu, recém formado, transferi-me do IDESP, canoa a afundar, e  fui viver esta aventura "cepalina", até ser abduzido pela Alma Mater UFPA. Se fizerem as contas, tirando o Gutão, o Zenaldo é um dos mais novos da equipe.  Em suma, é o pessoal que entende e fez a máquina estadual e do município de Belém,  funcionar nos últimos 30 anos. 
Se não mudaram o mundo? 
Bem, isso aí, já é outro papo...
Mas é fato, que sem essa turma na burocracia estadual ou no município de Belém, vacas costumaram frequentar assiduamente a região brejeira. Não tem só gente especialista em negócios de Estado: Zenaldo recebeu do andar de cima vários "sobrinhos do Papa", 
alguns bem enroladinhos, que em pontos cardeais vão cuidar de outros negócios.......
Resumo da ópera: nada do voluntarismo  aventureiro petista, nem do populismo safado de Duciomar, profeta renegado do Antigo Testamento pessedebista. Teremos um governo moderado tipo canja de galinha, sem grandes ousadias; a não ser que o governo do estado resolva bater na mesa e fazer a integração do sistema transporte metropolitano, e o federal não atrapalhe.
O artigo 317 do Código Penal Brasileiro será magoado dentro dos padrões recomendados pela Organização Mundial de Saúde, que alias já é incorporado ao modus vivendis da cultura nacional.


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Uma boa ideia!

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Do Equador para todos os machistas latino-americanos.....

Sensacional! Vai indo que eu não vou....


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Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Semana Internacional da Dieta! Semana Internacional de Fazer Força pra Fechar a Calça! Semana do Filé de Frango! Pra diabético e sem glúten! E um amigo vai fazer a dieta da Lua: você come tudo, menos a Lua!
E em janeiro só tem dois lugares movimentados: quiosque de coco e pedágio. A PM diz que vão diminuir os assaltos na estrada. Já sei, aboliram os pedágios.
E um amigo foi pro interior e fez cem novos amigos. Noventa e nove eram cobradores do pedágio! E quando você encontrar uma placa na estrada que diz "homens trabalhando" é que estão construindo mais uma praça de pedágio!
E em janeiro São Paulo entra para o circuito das águas. Um Beach Park com água de enchente. Beach Park com leptospirose! E IPVA vira Imposto Para Veículos Anfíbios! E as praias estão tão cheias que tem que pegar senha pra entrar no mar.
Tem que pegar senha na prefeitura. Senha 2085! Você de fio dental, crocs verde-limão e marca de rede nas costas, pode mergulhar no mar. Pra sempre! Rarará!
E as praias estão tão sujas que dá pra jogar frescobol e bostabol! Rarará! E adorei o tema do ultimo programa do ano da Sonia Abrão: "Famosos que nos deixaram em 2012". Sonia Macabrão!
E 2013 é o ano da serpente. Vou ligar pra minha sogra! Rarará! A Dilma pegou o Ano do Dragão e o Ano da Serpente! Esse é o verdadeiro ano da serpente: o PMDB pegou o comando das duas casas. E sabe o que a Dilma gritou na praia? "Maaaantega! Cuidado pra não pisar no PIB!" Rarará!
E tem uma amiga que tá dando tanto neste verão que o apelido dela é Imigrantes: ninguém vai pra litoral sem passar por ela! Rarará!
E uma amiga alugou uma casa na praia e perguntou: "Tem rede?". "Tem se a senhora trouxer!" Rarará! E eu só vim me embora da Bahia porque botaram a rede pra lavar. Fui despejado da rede! É mole? É mole, mas sobe!
E o Haddad é o nosso novo pré-feito. Pré-feito pelo Lula. E sabe por que o Lula não foi na posse do Haddad? Porque não sabia! Rarará!
E a Ambev foi a empresa que mais lucrou em 2012! Deve ser por causa do Bebum de Rosemary e do Aébrio Neves! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

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sábado, 5 de janeiro de 2013

Consciência eletrônica


A ambiciosa graphic novel brasileira V.I.S.H.N.U. (Quadrinhos na Cia; 2012) já está à venda aqui na Mangueirosa.
Feita sob medida para quem gosta dos traços de Moebius e de temas como inteligência artificial, livre-arbítrio, misticismo e consciência eletrônica, a HQ representa sem dúvida o voo mais alto dos quadrinhos nacionais no universo quase infinito da ficção científica.
Um dos pontos positivos da obra, na minha opinião, são as criaturas desenhadas por Fabio Cobiaco, no melhor estilo do artista surrealista suíço H.R. Giger.
Apenas a semelhança (relativa) do argumento (de Eric Acher) e do roteiro (de Ronaldo Bressane) com o livro Count Zero, de William Gibson, me deixou meio cabreiro.
Como é a primeira parte de uma trilogia, vejo alguma chance de que eu possa estar enganado.
Mesmo assim, vale cada um dos 55 reais do preço.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Enchentes? Não se preocupe. O messias está voltando!

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Com exceção dos fanáticos religiosos que enxergam sinais da primeira ou da segunda vinda do messias (dependendo da religião em questão), apenas os mais míopes não percebem que o planeta está dando o troco. Não estou falando apenas do aquecimento global e das já irreversíveis mudanças climáticas que vão gratinar a Terra nos próximos séculos, mas também dos crimes ambientais que fomos acumulando debaixo do tapete e que, agora, tornaram-se uma montanha pronta a nos soterrar.
Muitos falam de tragédias em Xerém, Santa Catarina, Angra dos Reis, Blumenau, Ilha Grande, Alagoas, São Luiz do Paraitinga, Jardim Pantanal, como se fossem situações desconectadas da ação humana, resultados da fúria divina e só. Um prefeito de uma cidade atingida, anos atrás, disse que só restava a ele rezar para Deus controlar as águas. Coitada da população que votou nele e viu o administrador do município “terceirizando” o trabalho para o plano superior, provavelmente dando continuidade ao que foi feito pelos que vieram antes dele.
A declaração é da mesma escola daquela de um assessor de George W. Bush quando questionado sobre a herança deixada às próximas gerações pelos gases geradores de efeito estufa da indústria norte-americana. Não me lembro da frase exata, porque lá se vão anos, mas foi algo do tipo: “não será um problema, porque Cristo voltará antes disso”. Virgem Maria…
Um renomado cientista declarou pouco antes da cúpula do clima em Copenhague que era melhor deixar os fatos tomarem seu curso natural, o mundo aquecer, refugiados ambientais quadruplicarem, cidades nos países ricos serem invadidas pelo mar, a fome surgir no centro do mundo. Só assim pessoas e países tomariam atitudes reais. Situação que, no Brasil, é vulgarmente conhecida como “a hora em que a água bate na bunda”. O problema é que, se nada for feito até lá, quando chegarmos nesse ponto, talvez não haja mais bunda para salvar. Apenas lamentar. E rezar.
O fato é que ocupação irregular, planejamento, plano diretor, reforma urbana são expressões ouvidas apenas no tempo das chuvas. Na seca, elas evaporam do léxico não só dos mandatários, mas também de pobres e ricos, que continuam construindo, desmatando e poluindo. Suas razões são diferentes, uns lucram com isso e outros são empurrados pela falta de condições materiais. Mas o efeito é o mesmo.
Vale lembrar que tudo o que foi dito aí em cima não gera um voto, pelo contrário: quem é o doador que vai ficar feliz por ter a construção de sua casa em uma área de preservação ambiental embargada? Ou qual o famoso apresentador de TV, que teve sua pousada de luxo removida de um paraíso ecológico cercado de água por todos os lados por estar em local impróprio, toparia fazer campanha de graça para o político que atuou firmemente para a referida pousada ir ao beleléu?
Considerando que quando há um problema urbano os mais pobres são expulsos do lugar onde estavam para um lugar perto da esquina entre o “não me encha o saco” com o “não me importa aonde”, é de se esperar também que a remoção deles de áreas de risco e de locais inundáveis também seja precedida de grandes protestos que irão reverberar nas urnas. Então, ninguém faz nada, só promete e faz cara de preocupado e de entendido. Afinal, é de palavras vazias que vive nossa política.
Todas essas considerações já foram ditas neste espaço. Qualquer solução eficaz adotada vai passar por mudanças no comportamento de todos nós. Como diria Cecília Meireles, no Romanceiro da Inconfidência, “todos querem a liberdade, mas quem por ela trabalha?” No Brasil, muito poucos. A maioria segue escondida no conforto do anonimato, defendendo o seu, fazendo meia dúzia de ações insignificantes para dormir sem o peso da consciência e o resto que se dane. Não querem mudanças no modelo de desenvolvimento que impactaria o “American Way of Life” que importamos, apenas reciclar latinhas de alumínio e dar três descargas a menos no vaso sanitário por dia. E seguem respondendo de boca cheia que fariam de tudo para ajudar o meio ambiente.
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Leonardo Sakamoto

Nanoconto: a vida vale um conto


LA, 15 anos, debutante no crime, viciado em crack, mas craque de bola. Matou a primeira bala no peito, foi-se um dos pulmões; a segunda, ao tentar amortecê-la na coxa, ficou coxo. Vive o Ciborg a pedir esmola no sinal. Passo, deixo um conto e reconheço minhas digitais impregnadas no pulmão jaz.

Sexta punk



O Flanar é um blog eclético (pero no mucho) que atravessa neste preciso momento uma sexta-feira punk, bem definida pela poesia da postagem anterior.
Para combinar com as bombásticas palavras, despejo em seus ouvidos internos uma belíssima canção sobre a guerra civil espanhola do lendário grupo britânico The Clash.
A propósito, esta música faz parte do disco London Calling (1979), que figura em muitas listas (eu odeio listas!) dos melhores álbuns de rock do século passado, inclusive na dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame.
Just dig it!

Eu?

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palhaço estrangeiro


na corda bamba
por cima do mundo

desconfortável demais
pra se enturmar

desencanado o suficiente
pra não se importar
muito com isso

o sotaque
que buscava
sempre estava
em outra língua

o tempo foi o maior
acrobata de todos

sem pedir licença pra cair




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Caco Ishak

Um cisne?

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Pensando nas imagens literárias de 2012......Uma anda comigo por toda parte! Minha fiel companheira saiu do primeiro romance de João de Jesus Paes Loureiro: Café Central. Ela anda por aí comigo, quando a saudade e  o tempo  me visitam.......Eu a conheci na página 126: e fui com ela até a página 131. São duas horas da madrugada quando ela aparece. É um cisne? Um casarão? É a chuva? São as lágrimas?  O coreto? A orquestra? Não sei! Fiquei muito comovida com aquelas páginas de Paes Loureiro! "Retornei ao meu quarto. Enxuguei-me. Resolvi escrever um pouco mais, desdobrando o romance que me acompanhava. A palavra cisne, assim como o caderno, espetada pela pena que a escreveu, pareceu-me estremecer e voar do papel. Não consegui redigir mais nada, aturdido pelo voo cabalístico dessa ave-palavra."

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Outlook

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

É vero!

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Por  Ana Célia Pinheiro
3 de janeiro/2013


Um começo preocupante: Zenaldo nomeia irmão, além de parentes de Jatene e de desembargador, para secretarias municipais. Cunhada do governador nomeada para a CODEM é acusada de improbidade e está com os bens indisponíveis. Secretária municipal de Planejamento está indiciada em inquérito no STJ, por suposto envolvimento no Caso Cerpasa.



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Depardivovitch

Ganha ares de pantomina, e da pior espécie, a novela sobre a tentativa de fuga de Gerard Depardieu dos impostos dos ricos na França - sobre a qual escrevi aqui mês passado no post O Libé e os ricos.
Depois de compra uma casa no sul da Bélgica e  pedir a nacionalidade belga, cujo dossiê  ainda está sendo analisado, Depardieu recebeu hoje a cidadania russa, das mãos daquele  #*£§µ#= do Poutin, segundo o mesmo Libé. Como acaba de dizer, pelo telefone,  um amigo francês nosso, naquela ironia parisiense que a gente adora: "Depardieu parece que gosta de grandes democracias".
Mas, talvez o melhor comenário vem da cidade de Nantes. Via o Tweeter de Eric Fallourd, responsável de comunicação do grupo ecologista na Assembléia Nacional:
Échangerais volontiers vieil acteur égocentrique et alcoolique contre jeunes femmes incarcérées pr délit d'opinion #Depardieu #PussyRiots"

Traduzindo: "Trocamos, de bom grado velho, ator egocêntrico e alcóolatra por jovens mulheres encarceradas por delito de opinião #Depardieu #Pussy Riots".

E na linha do deboche, aliás, merecido, o ator francês ganhou até um passaporte russo via redes sociais (abaixo).


Israel e Palestina



Desde sempre houve conflito de terra por aquelas bandas. Todos sabiam que por ali tinha gente debaixo daquele solo servindo de adubo. Era comum aparecer grileiro de terra nova. Alguns, é certo, amanheciam com a boca cheia de formigas, mas outros, por outro lado, é quem mandavam gente pro campo santo.
Vez por outra a gente ouvia barulho de tiro varando, ecoando e sumindo mata adentro. Dava medo. Ficávamos imaginando, quem era o dono do gatilho ou, quem era o alvo. Às vezes era só caçador atrás de alguma caça. Só que tiro no meio da mata tirava mesmo o sossego da gente.
Não bastasse o castigo do medo, fazia tempo que não caía chuva qualquer. A terra, apesar de aguardar o tão esperado plantio, andava triste por falta d’água. Não havia promessa que resultasse em milagre. Estava há tempos esturricada e o sol cada vez mais escaldante.
Uns diziam que eram as queimadas que mudavam e atrasavam mais e mais a chegada da chuva e faziam daquele pedaço de chão um verdadeiro inferno de tão quente. Porém, o pior era mesmo a briga daquelas duas famílias.
A discórdia era antiga e a cerca que separava as duas terras também. Ninguém tinha registro na lembrança de como aquela rixa começou. Só se sabia que família não suportava família.
 Havia conversa que era coisa de amor: diziam que o velho finado de lá roubou a filha do velho finado de cá. Outros diziam que era coisa de terra mesmo. Até diziam que a cerca já foi puxada para cá e para lá umas quantas vezes, e com isso, levando vidas dos de lá e dos de cá.
Teve até deputado da capital, em tempo de eleição, tentando fazer acordo. Apesar disso, no primeiro encontro teve briga. Só não teve tiro porque o deputado tinha trazido gente da TV. O pai da família de lá, com os olhos fumegando, mirava bufando para o pai da família de cá, que retribuía do mesmo modo. Quase se comeram ali mesmo, em frente a TV. Depois que o deputado foi embora, voltou o medo de andar pela rua. Voltou a sina de morte das famílias. Morria um daqui, a culpa era dos de lá. Morria um de lá, pagavam os daqui.
Os anos não davam trégua e as desavenças eram constantes.  Chegou ano de apagarem oito de cada lado. Aquele foi ano difícil. Não se tinha qualquer tipo de sossego, nem na vila. Fazer procura de moça-dama a gente podia ir. Não podia se expor demais, ou, era certo, pegava um pelas costas vindo lá não sei de onde.
Aquele ano demorou a passar. Até Juventino, que tinha na época pouco mais de cinco anos foi surpreendido usando a Doze do pai. O menino nem sabia o que se passava e já cultivava raiva danada dos de lá. O pai foi descobridor a tempo. Viu quando o pirralho foi saindo pela porta da cozinha, tamanha quatro horas da manhã, querendo pular a cerca e dar fim em todo mundo dos de lá.
O menino até que era bem valente. Porém o que motivou aquele pirralho foi a saudade do mano Bento. Bento tinha se descuidado no bar do Raimundinho, ficando de costas para a rua. Não deu nem tempo de reagir. Pegou só um da Doze e caiu de peito na mesa, em cima dos copos e garrafas. O menino Juventino foi lá ver o irmão. Chorou muito agarrado no braço de Bento. Deu foi muita dó de ver aquela cena.
Coragem mesmo teve Maria Clara, na festa de 15 anos. Ganhou do pai um "Trinta-e-dois" todo niquelado. A mãe achou ruim. Apesar disso, o pai disse que agora a menina-moça precisa aprender a se cuidar. Maria Clara ficou foi orgulhosa - vaidosa como se tivesse ganhado corte novo de chita ou pulseira de prata falsa. Toda amiga, ou amigo que chegasse ela mostrava a “peça” com vaidade e petulância.
Não tardou para chegar a noticia que Maria Clara tinha feito “dois furos”, com seu "Trinta-e-dois", na testa de Guilherme, filho dos de lá. Disse à menina que ele atirou primeiro. O tempo fechou na vila, os irmãos de Guilherme, diziam para quem quisesse ouvir que iam acabar com Maria Clara, mas, só depois de se servirem da moça. E olha que eram 14 machos. Porém, o que assustava a gente era que quase sempre as promessas ditas eram cumpridas.
Um dia, Maria Clara se descuidou. Foi fechar a porteira sem prestar atenção. Os três irmãos mais novos de Guilherme, Brócoió, Cabecinha e Zé Pungué, agarraram a moça e a levaram para o mato. Judiaram muito dela. A moça ficou com a cara toda inchada. Era cataplasma em cima de cataplasma. Muito depois é que ela foi voltando ao normal, era moça bonita. Ficou, depois disso, com olhar perdido, o tempo todo apertado como se mirasse alvo para alguém. Não falou mais palavra.
Os três irmãos viviam dizendo num tom de “boca grande”, que fizeram de tudo e muito mais, não mataram ela não, por que queriam deixar a marca para o pai dela ver. Diziam que o velho ia viver olhando para ela morta em vida. Quando acabavam de falar, caiam numa gargalhada estridente. Coisa ruim de ouvir.
 Maria Clara, numa madrugada, sumiu de casa. Foi lá para o descampado, na casa das moças-damas. Sabia de alguma maneira que iria encontrar os três que se aproveitaram dela. Zé pungué pegou logo um do "Trinta-e-dois" niquelado na boca e caiu de cara no chão. Brócoió levou dois na testa, igualzinho a Guilherme. Cabecinha, esse pegou dois balaços entre as pernas, que foi arrancando as “coisas”. Ficou sem os “documentos”. Ficou ali sangrando, gritando com as mãos entre as pernas, tentando segurar o nada que restou. Dizem que ela não deu fim nele por que queria também deixar sua marca para que a pai da família de lá vivesse olhando ele morto em vida.
Depois desse acontecido passou tempos sem ter vingança ou troça. Foi tempo de descanso e quase sossego para a vila. Não se ouvia falar em ameaças. Até tiros pela mata a gente deixou de se assustar.
A cerca, que separava as fazendas, era tão grande que chegava até no riacho fino. Apesar disso, não parava ali não, seguia mesmo por dentro d’água, e só acabava no limite das terras de Coronel Lóris, passando o barranco seco, quase dez léguas depois do Riacho Fino.
Foi ali na beira do Riacho Fino que Israel viu Palestina pela primeira vez. Ela nem assustou vendo aquele menino de lá, dividindo a água do mesmo Riacho, distante apenas cinco braças dela pela cerca. Continuou dando banho na boneca, enquanto ele lavava aquela bola velha, afundava a bola e soltava. A bola, cheia de ar, dava um pulo para fora da água e ele ficava rindo - gargalhando sozinho.
Ficou fazendo aquilo várias vezes, até chamar a atenção. Depois ficava olhando e rindo. Ela gostou do riso do menino e riu também. Todo final de tarde passou a ser sagrado: lá ia Israel, com algum tipo de brinquedo, lá pros lados do Riacho Fino. Israel sempre inventava alguma para Palestina rir. Ele gostava também do riso da menina. Passaram a se encontrar quase todo fim de tarde por tempos a fio.
No meio do caos, uma simpatia, uma amizade, um amor pequeno surgiu. As famílias sequer sonhavam com coisa dessa. Nunca um filho daqui podia gostar de um filho de lá.
O tempo cresceu lentamente, trouxe barba para Israel e peito para Palestina. Encontravam-se escondidos na velha cerca todo fim de tarde.
Difícil foi quando Palestina falou da barriga. Disseram que tinha que casar. Mais difícil ainda quando ela contou quem era o pai. O céu quase desabou. As famílias sentiram gosto de sangue na boca. Ficaram rangendo os dentes por um bom tempo. Contudo, quando a cria passou de colo em colo alguma coisa mudou. Ninguém acreditava que isso um dia podia acontecer. Todo o mundo e o mundo todo sorriram. O produto do amor de Israel e Palestina uniu as famílias. O ódio transformou-se em amor.
Da união de Israel e Palestina nasceu uma linda menina, que passou a ser o xodó das duas famílias. Esse anjo quebrou todos os rancores e amansou todas as dores. Depois disso, os de lá e os de cá, começaram a se olhar de maneira diferente, tolerantes, quase amorosos.
No domingo do batizado, abriram dez metros de cerca e armaram a mesa do almoço na linha divisória entre as duas terras. Foi bonito ver aquela gente aquietar, foi bonito ver aquelas duas famílias se abraçarem.
Teve leitão assado e muito vinho. Nunca mais houve qualquer tipo de atrito. As duas fazendas se uniram e fizeram uma só.
Da terra antes esturricada e seca, por causa da falta de chuva, agora, via-se sumir no horizonte, para além do Riacho Fino, aquele imenso parreiral, onde são colhidas uvas de primeira qualidade, que produz um vinho com bouquet incomparável.
A menina, que uniu as famílias, recebeu o nome de Maria da Paz. A fazenda, que acolhe agora as duas famílias, recebeu o nome de... Terra Santa.

Texto premiado de Dudu Neves (Escritor e compositor paraense)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Antissionismo não é antissemitismo. Apoio a Latuff!


"Em dezembro de 2012, o Centro Simon Wiesenthal publicou um ranking dos ´dez maiores antissemitas do mundo´, citando a mim, o cartunista Carlos Latuff, como o terceiro da lista por charges contra o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu e o bombardeio a Gaza. Há muito que organizações e indivíduos tentam associar críticas legítimas ao estado de Israel com ódio aos judeus. Figuras como o escritor José Saramago, o prêmio Nobel da paz Desmond Tutu e o ex-presidente Jimmy Carter já foram taxados de antissemitas por suas posições quanto ao conflito na Palestina. Chega de tentar calar a voz de quem se levanta contra o apartheid imposto por Israel ao povo palestino. O antissemitismo não pode e não deve ser utilizado como ferramenta política. Se você é contra essa manipulação, assine a petição e declare: ANTISSIONISMO NÃO É ANTISSEMITISMO!"

Eu já assinei. O colega Pedro Pomar e o cineasta Silvio Tendler também. Qualquer um pode assinar: aqui

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Tudo junto e misturado


Eu vou e volto. Ah, já me habituei a isso. E tenho prazer nisso. Assim que ...volto ao que um dia foi Deir Amar. Foi, pra meu avô paterno, Hassen. Para nós, Salinas. Voltei até lá este ano. Uma mistura rara de prazer e raiva. Perdi as contas de quantas férias passei com meu avô ali. Ele dizia que era muito parecida com sua cidade natal no Líbano, e por isso chegou a morar ali cerca de dez anos, se minha memória não me trai. Em 2013, a praia da Corvina se revelou o lugar do prazer para nossa família. Areia alvinha; mar gostoso; brisa incorrigível; sem disputas de sons ou perigo de carros atropelarem a quem quer que seja. Caranguejo no toc-toc, sem frescuras. Mas a cidade... ah, as cidades... ali estava ela a nos colocar os pés na realidade fatídica. A falta de paciência com os idosos na fila do banco é um trágico sintoma da... modernidade? Não, da falta de consciência e de solidariedade. A falta de estacionamento numa “puta” Yamada. Onde estão os órgãos reguladores que não colocam cada um em seu devido lugar, quando estes fingem não sabê-lo? Casas originais, que me embebedam de nostalgia, vão abaixo e produzem uma tristeza indizível no meu peito falido. To ficando velha? Ah! Não importa! Importa a beleza da vida! A graça do bate-papo com os vizinhos. Os azulejos com imagens religiosas. A caminhada sem temor de um bate-carteira. Saudamos 2013. Que ele venha feito São Jorge, vestido com suas roupas e armas, a abrir nosso peito. O ano é regido por ele. Nenhuma alusão à novela [PelaAmorDeDeus]