domingo, 8 de junho de 2008

João de Jesus, poeta Paes Loureiro

Não há somente uma Cobra-Grande habitando os 4.000 rios da Amazônia. E nem são imortais, enquanto répteis. Mas todos se referem à Boiúna e suas transfigurações em navio iluminado, como se fosse uma coisa única, um personagem único. (...)
A explicação dos eventos cotidianos, na Amazônia,se faz por meio de uma forma poética de imensa riqueza, inserindo na relação do homem com a vida um elemento de poesia.
Ainda da Boiúna , como Cobra-Grande, transformada em navio iluminado, é a transmissão visível do esplendor invisível do rio. É um momento no qual o ajustamento da imagem do visível e do invisível, á semelhança do processo de "ajustamento de foco" nas lentes da câmara fotográfica, superpõe a imagem do invisível à do visível, revelando e iluminando o mistério então contemplado.
(A Poética do Imaginário, tese de doutorado defendida na Paris V, Sourbonne, Paris. França)

Água da Fonte

Será no próximo dia 23, a partir das 19 h, no Instituto de Artes da UFPA, na Praça da República, o lançamento do livro de poemas Água da Fonte, de João de Jesus Paes Loureiro, pela Escrituras Editora, de São Paulo.
João de Jesus é um dos poetas mais importantes da literatura contemporânea brasileira. Cabôco de Abetetuba, recebeu o prêmio de Poesia, da Associação Paulista de Críticos de Arte, com "Altar em Chamas" e indicação como finalista do Prêmio Jabuti, para "Romance das Três Flautas". Tem obras publicadas na França, Alemanha, Japão, Itália e em Portugal.É professor de Estética, História da Arte e pesquisador da Cultura Amazônica. É mestre em teoria literária e semiologia pela PUC de Campinas e doutor em sociologia da cultura para Sorbonne, Paris. Participou, com poemas visuais, da X Bienal de Artes Plásticas de São Paulo e da obra "A Vanguarda Visual Brasileira _ 50 anos depois da Semana de Arte Moderna", organizado por Roberto Pontual.
A agenda internacional de Jesus em 2009 já marca sua presença em Portugal e na Venezuela.

Showtime, pessoal!


Imagem: Rafael Fischmann

Amanhã é um dia cheio para os blogs de tecnologia e, principalmente, para os usuários de Apple do mundo todo.
Por volta das 9 hs (horário do pacífico), cerca de 13 h (horário de Brasília), Steve Jobs vai "fazer das suas" durante a WWDC (Apple Worldwide Developers Conference).
E já existem algumas fotografias enviadas do centro de convenções Moscone West Center, mostrando os stands montados pela Apple. Como estas do Mac Observer. E estas do enviado especial do Blog MacMagazine, Rafael Fischmann.

Beleza que destrói



Esta pequena lagarta verde, que no futuro, após encasulamento, nos daria uma bela borboleta da mesma cor, deliciava-se com minha pimenteira. Comeu-a, junto com mais 3 parceiras, quase toda. Até que eu a interrompesse. Não sem antes registrar sua beleza.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Avós, pais e filhos



O amor, a admiração e a saudade sentida pelo pai morto, João Nogueira cantou em verso e melodia no belíssimo samba Espelho, de sua autoria em parceria com Paulo César Pinheiro.

No mesmo disco, Além do Espelho, João incluiu outra linda canção com o mesmo parceiro, cujo fio condutor narra a tradição (no melhor sentido do termo), de pai para filho, do amor e das lições aprendidas com a convivência.

Certamente, os filhos de João lembram dos versos destas canções quando pensam no pai, que morreu prematuramente, aos 58 anos, de parada cardíaca enquanto dormia. Afinal, quando o espelho é bom, ninguém jamais morreu. Hoje, os filhos dos filhos de João, quando beijam seus pais, trazem a estes imediatamente a lembrança do amor de seu próprio velho, que por este gesto prova que não se perdeu.

Mas nem só o amor de João Nogueira por seus filhos se manteve. Também não se perdeu seu talento. Algo de João ressoa na voz de Diogo, seu filho cantor, como prova o vídeo musical desta semana.

Sob as bênçãos da grande Beth Carvalho, Diogo Nogueira canta Poder da Criação, mais uma cria da fantástica parceria entre João Nogueira e Paulo César Pinheiro.

Bom final de semana a todos que passam por aqui.

Pesos e medidas

Seria engraçado, não fosse sintomático, que a promotora de Meio Ambiente de Rio Branco, no Acre, tenha iniciado um procedimento criminal contra o jornalista e blogueiro Altino Machado pelo tristemente chamado delito de opinião.

Porém, o mal diagnosticado é o da prepotência e arrogância, que toma o espaço daquilo que deveria ser o alvo da atuação ministerial: o crime ambiental denunciado pelo repórter em seu espaço virtual.

Pode ser que Altino tenha se exacerbado, ao afirmar que o MPE prevarica. Mas o fato não justifica a ação da promotora acreana. O Ministério Público comprovou que é mais fácil censurar o analista do que humildemente aceitar a crítica e resolver o problema apontado. Afinal, a poluição do Rio Acre salta flagrantemente aos olhos, assim como a incapacidade do MPE de dar a solução que a lei exige à questão.

O poster se solidariza com Altino, da mesma forma como outros blogueiros do Pará já o fizeram.

Especulando sobre a especulação

Semanas atrás, o diretor da Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima, causou um rebuliço no mercado de ações ao anunciar, em um seminário sobre petróleo e gás natural, que a Petrobras teria descoberto o terceiro maior campo petrolífero do mundo, na Bacia de Santos. Para se ter uma idéia de sua dimensão, o campo de Tupi, cuja descoberta foi anunciada final do ano passado pela estatal, possui uma reserva estimada em 5 a 8 bilhões de barris; o campo aludido pelo diretor da ANP possuiria, segundo previsões não oficiais, cerca de 33 bilhões de barris.

Posteriormente, Lima teve que explicar que o anúncio não era oficial, porque nem confirmada havia sido a descoberta. Entretanto, o estrago já estava feito: na Bolsa de Valores de São Paulo, as ações da companhia, que estavam em queda na oportunidade, deram um salto de valorização de 4% em um único pregão.

A desastrosa (ou esplendorosa, dependendo do ponto de vista) declaração de Lima não passou em branco. A Procuradoria Regional da República no Rio de Janeiro, logo após o anúncio e seu quase-desmentido, instaurou procedimento administrativo para apurar a ilegalidade do ato mal pensado. Afinal, a afirmação, partindo de quem partiu, geraria evidente especulação financeira em torno do fato, influenciando a ação natural do mercado de valores mobiliários. Além disso, a conduta poderia ser enquadrada em mais de um tipo penal previsto pela Lei n. 7.492/86, que define os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

A lembrança me veio a propósito da nota Mercado, do Repórter 70 de O Liberal de hoje. Em lance que se assemelha a um recado, traça a coluna o seguinte diagnóstico:

O mercado imobiliário está de olho na valorização dos bairros de Val-de-Cães, Marambaia e Bengui, às proximidades do Mangueirão, onde serão executadas obras de corredores de transportes visando ao Fórum Mundial, em 2009, e à Copa de 2014. Com a criação de novas avenidas, essas áreas terão valorização imediata e quem largar na frente leva vantagem. Os preços de terrenos nessas áreas já começam a ganhar corpo.

O anúncio sobre os corredores de tráfego ainda não foram divulgados pela prefeitura ou pelo governo estadual. Tudo o que existe ainda é especulação. Evidentemente, existem estudos em estado avançado sobre as novas vias de transporte a serem oferecidas à cidade; a busca por recursos, inclusive, já começou há algum tempo. Porém, vários outros elementos da equação ainda estão em aberto, não permitindo confirmação sobre a realização de obras.

Por isso, a nota tem o desenho de um anúncio especulativo, tendente a privilegiar certos atores desta cena. A área em volta do estádio Mangueirão tem contornos ambientais que precisam ser considerados: há grande área de mata nativa e o igarapé São Jorge a divide; mas boa parte dos terrenos, da Rodovia Augusto Montenegro à Avenida Júlio César, tem proprietários conhecidos – na maioria, grandes construtoras que ali edificaram, na última década, condomínios horizontais de luxo.

A região, ainda, é profusa de invasões. Este cenário é o alimento típico da sanha especulativa que precede grandes obras de infra-estrutura ou, até mesmo, o boom imobiliário de determinados bairros, empurrando seus habitantes originais para a periferia das grandes cidades. Em nossa capital, como exemplo, basta lembrar de como era o antes aprazível bairro do Umarizal, uns quinze anos atrás.

Tensão de todos os lados

O fato acontecido esta semana no Hospital Cidade Tiradentes (São Paulo), onde bandidos armados invadiram a UTI para executar com tiros e facadas um paciente lá internado, gerou grande discussão entre os intensivistas de todo o Brasil.
A necessidade de implantar medidas de segurança na porta de hospitais foi a tônica. O mesmo hospital já havia sido invadido por marginais cinco vezes no período de 3 anos.
Tal insegurança é muito maior em hospitais públicos onde a maioria das vítimas de violência bem como seus agentes (bandidos principalmente), acabam recebendo assistência médica de urgência.
O hospital em questão, possuía câmeras de vigilância e seguranças privados. Mesmo assim, isto não inibiu a ousadia dos marginais. Imaginem então o que poderia acontecer em hospitais públicos sem estes recursos.
Como se não bastassem as tensões internas características das unidades de tratamento intensivo, é inadmissível que a equipe multidisciplinar ainda tenha que lidar com as externas, comprometendo sobremaneira todo o difícil trabalho lá executado, muitas vezes com grandes e crônicas dificuldades.
Veja o vídeo com as imagens das câmeras de segurança, divulgadas pela Band News.

Subnotebooks e "Subcarros"


Imagem: HowStuffWorks

Seguindo a onda minimalista da informática, há algum tempo, a indústria automobilística vem trabalhando com o mesmo conceito. Carros mínimos, não necessariamente desconfortáveis.

Sucesso sem precedentes na Europa, os carros Daimler/Benz SMART são lindos, econômicos (20Km/l), e atingem um tipo específico de consumidor, assim como os netbooks da atualidade.
Para cidades como Paris, Londres, Madrid e Lisboa, por exemplo, onde estacionar um carro é um problema de grandes proporções, o Smart cai como uma luva.


Imagem: HowStuffWorks

Criado na Suíça por Nicolas Hayek, o mesmo projetista dos relógios Swatch, o carrinho é um primor no design. Tem somente 2,5 m de comprimento, menos de 1,5 m de largura e cerca de 1,5 m de altura. Nestas proporções, nele só cabem 2 pessoas e algumas comprinhas. Nada mais. Trata-se de um Mercedes Benz e seu preço não é proporcional à suas pequenas dimensões. Não é portanto nem o carro da família e nem um carro popular. Neste ponto, o Smart se afasta frontalmente do conceito de subnotebook, uma vez que estes, tem preço acessível. Mas é a solução perfeita para consumidores solteiros, casados sem filhos e para o trânsito das grandes metrópoles. Ou para aqueles abastados, com a possibilidade de ter um segundo carro como opção.
Pelo design primoroso, em 1999, havia um Smart em exposição nos jardins internos do MOMA (Museum of Modern Art) em Nova Iorque. Ao lado de um prosaico Ford Ka e deste aí de baixo.


Imagem: Mini.com

O Mini é mais um sucesso de vendas na europa. Mas este, é outra história.
Para saber mais sobre o Smart e também o Mini, sugerimos os seguintes links:

Smart.com
Smart USA
HowStuffWorks - Como funciona o carro Smart
Mini.com
Mini USA
Mini Wikipedia
MOMA

O Beijo Proibido


Não teve beijo entre os personagens homossexuais da última novela das 8 , produzida pela Rede Globo de Televisão. Contudo, a revista Época, que pertence ao mesmo grupo empresarial, considerou publicar a carícia na foto de capa, que ilustraria o número sobre homosexualismo nas forças armadas brasileiras.
Aliás, o desdobramento do episódio foi o pior possível, expresso na humilhação pública a que foram submetidos os dois sargentos entrevistados, constrangidos que foram por seus superiores hierárquicos.
Moral da História: Se antes os militares brasileiros aplicavam a chibata no dorso de marujos negros, embarcados em condições sub-cidadãs nos encouraçados da República Velha, hoje, século XXI, exercem à vontade uma homofobia que, para ser exemplar, falta só o triângulo rosa pregado na manga dos uniformes.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Petro-Desenvolvimento




Conselho do Desenvolvimento Econômico e Social - Presidência da República. 05/06/2008
Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento - BNDES levou ao pleno do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República um debate pertinente. Para o economista, o atual panorama da economia brasileira do petróleo não permite mais que se privilegie apenas os municípios onde as reservas são exploradas. Coutinho advoga que seja criado um fundo intergeracional, que acumule as riquezas advindas da produção do petróleo, para serem aplicadas em projetos estratégicos para o desenvolvimento do Brasil. Para ele não é possível continuarmos tratando a questão na base do pagamento de roialties a municípios onde as jazidas estão localizadas.
De fato ele tem razão. O Brasil hoje possui reservas petrolíferas respeitáveis, que, uma vez exploradas, o levarão a sentar no seleto grupo da OPEP. Por outro lado, há anos alguns municípios brasileiros usufruem de compensação financeira mediante pagamento de roialties, sem que, em igual medida, a população local usufrua de melhorias reais em condição de vida. Se o atual sistema é bom, certamente o é para poucos, muito poucos.

Surtado no cubículo


Imagem: Wikipedia

Quase uma instituição em grandes empresas (especialmente as de software), o cubículo é um espaço de trabalho aparentemente funcional, e se propõe a garantir mínima privacidade ao funcionário, mantendo-o concentrado em suas atividades, ao mesmo tempo que possibilita alguma comunicação interpessoal, logo acima de suas divisórias.
Mas alguns, definitivamente, não se adaptam a esta proposta de escritório moderno.
O vídeo abaixo, corre o mundo através do Gizmodo.



E mostra a imagem gravada de uma câmera de vigilância de uma empresa, onde um funcionário inicia uma violenta e estranha reação.
Veja. É impressionante.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Sai nova versão quase final do Firefox 3.0

A Mozilla Foundation lançou hoje a Release Candidate 2 (RC2) do Firefox 3.0. Para experimentá-la basta clicar aqui e escolher de acordo com seu sistema operacional (disponível para Windows, Mac Os e Linux.

Só me lembrei do chefe

Lendo a matéria abaixo, tive que pensar imediatamente no chefe de redação aqui do Flanar. Eis a questão:
Sabe qual é a maior dificuldade para a informatização da Justiça? Os usuários!
Saiba o que quero dizer clicando aqui.

Barack Obama é o cara

Barack Obama conquistou ontem, finalmente, a indicação do Partido Democrata para concorrer à presidência dos Estados Unidos. É o primeiro negro (ou afro-americano, no jargão politicamente correto) a obtê-la.

A disputa formal ainda não terminou. Obama possui um número suficiente de delegados para sua indicação nas prévias do partido, mas a vitória antecipada definitiva ainda depende da desistência de Hillary Clinton.

Mais notícias sobre o assunto podem ser lidas aqui e aqui.

Ecos do além

Asdrúbal Bentes, deputado federal paraense pelo PMDB, é a nota cômica de hoje em todos os jornais do país. Ontem, em uma audiência da Comissão para a Amazônia da Câmara, que recebia a viúva do ex-presidente francês François Mitterrand, Danielle, Asdrúbal soltou esta pérola:

Já que a senhora então está aqui como cidadã do mundo, peço que a senhora interfira junto a François Mitterrand para que ele reveja sua posição.

Após as gargalhadas dos presentes, o deputado paraoara saiu envergonhado da sessão, não sem antes arrematar:

Ah, então ela manda uma mensagem telepática para ele!

Só se Allan Kardec ajudar, Asdrúbal. Só se Allan Kardec ajudar.

Acer também entra na onda dos netbooks


Imagem: Engadget

Definitivamente, algo de estranho acontece com os fabricantes de computadores móveis. Uma onda, uma doença, uma febre ou um tipo de consumidor solidamente conquistado.
Agora é a Acer que lança o seu netbook Aspire One.
O mote é o mesmo. Portáteis pequenos, com telas até no máximo 10 polegadas, conectividade garantida, a maioria de baixo preço, mas já se consegue encontrar produtos de até 500 dólares, o que é muito, comparado com os primeiros ASUS eePC. E o que normalmente faz subir o preço é a presença ou não de um verdadeiro HD de até 80 gigabytes e o sistema operacional Windows "extendido" XP.
Pesando apenas 1 kg, veja a configuração do Aspire One.
  • processador Intel Atom N270 de 1.6GHz
  • 512MB de RAM 533MHz DDR 2
  • tela de 8.9 polegadas com 1024 x 600 de resolução
  • webcam de 1.3-megapixels
  • 802.11b/g + Ethernet 10/100Mb/s
  • 3 portas USB 2.0
  • saída de áudio de 3.5 mm
  • saída VGA
Como opcionais temos:
  • Linux + HD de estado sólido de 8 gigabytes + maior duração da bateria + 199 libras (cerca de 633 reais sem impostos).
  • Windows + HD convencional de 80 gigabytes + menor duração da bateria + 299 libras (cerca 951 reais sem impostos).
Em ambas as opções, com impostos inclusos, ele deve custar bem mais caro que o eePC atualmente disponível no Brasil. Mas afinal vem com um bom processador Intel de 1,6 GHZ, 8 gigabytes de HD de estado sólido na versão mais acessível, uma tela maior e parece bem mais atraente.
Os netbooks não só estão explodindo bem como parecem estar evoluindo.
E as "crianças" estão sendo gradualmente seduzidas por eles.
Se a tendência se confirmar, a Microsoft deverá rever o ano de 2010 para dar fim ao Windows XP. Ou, convencer "as crianças" a utilizarem suas pouco funcionais versões starter edition. Ou então abandonar de vez este mercado e deixá-lo à cargo do Linux. O que me parece improvável. Mas quem decide, ao cabo e ao fim, são mesmo "as crianças".

Bobagens em tempos de tecnologia

Já que tecnologia é um dos focos do Flanar, permitam-me falar um pouco sobre amenidades relacionadas ao assunto.
No último sábado, terminou a novela Duas caras. Uma cena que chamou minha atenção foi percebida no mesmo sentido por outras pessoas, daí que resolvo comentá-la. Em um capítulo final recheado de bobagens, sugestivas do declínio criativo do autor Aguinaldo Silva, a personagem Branca (Susana Vieira) recebe uma carta - isso mesmo, uma carta! - de sua filha psicótica surtada (Aline Moraes, com aquela detestável franja).
Vendo a cena, imediatamente pensei: "Mas quem ainda escreve cartas?"
É certo que há muitas pessoas que ainda não passaram e provavelmente nem passarão pelo processo de inclusão digital. Mas hoje, em que até escolas públicas têm lá o seu computadorzinho e as lan houses existem em quantidade e oferecem serviços a preços módicos, quem eventualmente precisasse mandar uma mensagem importante acabaria conseguindo. O fato é que uma mulher tão instruída, pós-graduada, rica e foragida da polícia certamente não usaria o velho recurso, mesmo dispondo de uma caneta especial cuja tinta se apaga sozinha, em cinco minutos!
Também é curioso que uma foragida (cometera uma tentativa de homicídio) prefira uma carta, cujo selo contém um carimbo informando a agência onde a missiva foi postada, além da data, facilitando o rastreamento. Ela poderia criar contas apenas para essas comunicações, nos mais diversos servidores, dificultando o rastreamento. Não impede, mas dificulta. Se bem que uma pessoa que foge para a mesma cidade em que morou vários anos, em que tem relações e que adora acima de tudo não está exatamente tentando se esconder.
Enfim, nada explica a implausível decisão do teledramaturgo. A cartinha de Sílvia serve de concessão ao romantismo de uma época que não volta mais. Namorados não escrevem mais cartas de amor. E a sorte dos Correios é que, com o comércio eletrônico, uma profusão de entregas diárias garante a sua viabilidade econômica.
Se você fosse escrever o último capítulo, que meio de comunicação usaria? Se a novela fosse minha, eu não usaria nenhum. A doida fugiria e não daria satisfações a ninguém. Mas se é para aloprar, então ela mandaria um bilhete, dentro de uma garrafa, que seria jogada no mar da Côte d'Azur. Como esse bilhete chegaria nas mãos da destinatária? Ora, não me aborreça com esses detalhes insignificantes!

Foto do dia - parte II

Laerte: Fagundes, o puxa-saco

Sobre o regabofe da semana passada, em que a Federação das Indústrias do Pará agraciou Roger Agnelli, principal executivo da Vale, com a comenda do Mérito Industrial, merece ser lida a postagem Você conhece a miséria produzida pela Vale?, do blog da jornalista Ana Célia Pinheiro.

Fiu-fiu, Sem Engasgo

Juros altos são incompatíveis com a vida de uma política industrial, especialmente para o Brasil , que nunca a teve como valor de estado. Neste momento especial, cabe assumir que é mandatório impedir que aquele garroteie a segunda, que luta desde sempre para nascer. Não há meio termo. Ou isto, ou o presidente praticará uma temeridade, desautorizada pelos antigos: assoviar, comendo paçoca.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Santa tecnologia, Batman!

Hoje, após um dia daqueles, saí do escritório às 19:45 para dar entrada no fórum cível em um prazo complicado e curto que vencia. A etiqueta de protocolo registrou o tamanho da agonia: fechando diariamente as portas às 20 horas, o serviço judiciário registrou 19:56 como sendo o horário da apresentação de minha petição.

Havia passado dois dias inteiros na confecção da peça, sem muito espaço para outras atividades profissionais. Vencida a angústia, porém, eu ainda possuía um prazo (este, simples) vencendo no mesmo dia, só que na Justiça do Trabalho.

Pois bem: cheguei em casa, tomei um banho, dei uns goles em um vinho que sorria para mim e, tudo isto feito, sentei-me ao computador. Quinze minutos depois, o prazo estava devidamente apresentado ao Fórum Trabalhista, exibindo-me a tela do notebook a comprovação do protocolo eletrônico de minha petição. Tamanha calma só foi possível porque a Justiça do Trabalho recebe regularmente petições em seu sítio na internet até à meia-noite, garantindo o cumprimento do prazo.

O processo eletrônico é tendência irreversível nos tribunais nacionais. Após muita relutância, o Judiciário brasileiro rendeu-se à necessidade do uso da informática para acelerar a tramitação de seus processos. Ainda não é a perfeição: o Judiciário Estadual paraense, por exemplo, não o utiliza. No fórum trabalhista, o protocolo por internet já funciona há quase dois anos, sem grandes problemas registrados. Comunicações entre juízos trabalhistas também são feitas, com grande sucesso, por meio da tecnologia da informação.

Resta, porém, tornar o processo totalmente eletrônico, dando fim à contraprodução dos autos de papel que, além de ambientalmente incorretos, massacram o consumidor final de seus serviços com o excesso de carimbos, assinaturas e protocolos, símbolos máximos da burrocracia.

Chegaremos lá: o Poder Judiciário do Paraná, salvo engano, já utiliza, ainda que de modo experimental, o processo eletrônico total. Gostaria de saber, se alguém que passar por aqui puder contar, como anda a experiência por lá.

O fato é que só com documentos eletrônicos, sem autos físicos, resguardados os cuidados com a segurança da realização dos atos (principalmente intimações e protocolo de documentos), o processo eletrônico é um enorme passo em direção à Justiça rápida e eficaz. Falta contar esta realidade a alguns setores do Judiciário, a cujo pensamento, por incrível que possa parecer - ou, pensando melhor, nem tão incrível assim -, também alguns setores da advocacia se alinham.

Coluna do Castello na internet

Lembro-me de, quando criança, ver em destaque na estante de casa uma coleção de quatro livros grossos, de capa verde clara, que reuniam vários textos pequenos de um certo escritor. A edição, pouco atraente, tinha um jeitão meio burocrático. Para mim, sem desenhos, com letras miúdas e páginas demais, não possuía nada que então me interessasse.

Recordo-me ainda de sempre localizar o nome deste mesmo escritor nos jornais da época, quando os pegava atrás das tiras de quadrinhos. Os artigos, encimados pelo título Coluna do Castello, eram sempre subscritos por seu autor: Carlos Castello Branco.

Vim a saber, mais tarde, que Castello Branco era um dos maiores jornalistas brasileiros. Nos chamados Anos de Chumbo, Castelinho, como ficou conhecido, era leitura diária e obrigatória para quem queria conhecer os intestinos da cúpula militar que governava o país. Os volumes grossos de nossa biblioteca eram os de seu livro Os Militares no Poder, reunião dos artigos que escreveu no Jornal do Brasil durante o período 1963/1981.

Castelinho, imortal da Academia Brasileira de Letras, foi presidente do Sindicato dos Jornalistas de Brasília de 1976 a 1981. Destacou-se como defensor da liberdade de imprensa, em plena época de repressão. Logo após a decretação do AI-5, foi preso pelo regime militar, fato que antecipou à mulher, Elvia, conforme relatou alguns anos depois.

Castello Branco morreu em 1º de junho de 1993. Nesta mesma data, em 1808, havia começado a circular o Correio Braziliense, primeiro jornal brasileiro, então editado em Londres. Hoje, no mesmo dia se comemora o Dia da Imprensa, por projeto de lei do falecido deputado Nelson Marchezan.

A obra de Castello, fonte inevitável para todos os que querem conhecer a história do Brasil no período da ditadura militar (1964/1985), mereceu tratamento do tamanho de sua importância. Como noticia hoje o Observatório da Imprensa, os textos do Jornal do Brasil, seus discursos no Sindicato dos Jornalistas, na Academia Brasileira e na Academia Piauiense de Letras (da qual também era membro), além de vários outros documentos de sua lavra, podem ser pesquisados aqui.

Toneladas em seu hardware

A Microsoft conseguiu fazer o Windows Vista tão pesado, mas tão pesado, que foi obrigada a extender o suporte ao Windows XP até 2010, diz que, "pensando nas máquinas modestas da atualidade". Além disso, gerou um efeito colateral que é uma gracinha. Estimulou a indústria a renomear seu suado desktop ou notebook.
Sim.
De agora em diante, sua maquineta corre o risco de ser chamada de nettop e netbook. Como a própria indústria os descreve: "value mobile and desktop systems" ou "low-cost ultra-portable computers". Muito embora, tal denominação esteja atualmente sendo aplicada a máquinas realmente modestas como os subnotebooks do post abaixo, o termo pode atingir sua máquina se você resolver instalar o Vista em um desktop ou notebook de razoável configuração.
Ou seja, sua máquina só serve para internet e nada mais. E não é o sistema operacional que é pesado. Sua máquina que é burra, seu bolha!
Enquanto isso, no Mac OS e no Linux...
Só vendo.

Subnotebooks em alta


Imagem: Gizmodo.

Depois do eePC da ASUS, que você já conheceu aqui, agora, uma sequência de lançamentos de variadas empresas, parece apontar para o sucesso destes modelos.
MSI, HP, Dell seguiram o rastro da ASUS.
E quem entra na roda agora é a AMD, tradicionalmente associada a fabricação de processadores acessíveis para computadores.
No andar da carruagem, estes brinquedinhos vão acabar caindo nas mãos de crescidinhos, servindo bem mais do que mera companhia de viagens, como sugerido no post do Flanar.

Esquentando as máquinas

E o fanatismo vai se nutrindo com a boataria sobre o que exatamente vai acontecer no dia 9 de junho em San Francisco.
E a Apple vai dando uma ajudinha, é claro. Containers lacrados, já foram encomendados pela empresa com misteriosas etiquetas informando: “electric computers”.
Cômico!
E no último dia 29 de maio, a Apple da Quinta Avenida em Nova Iorque, foi fechada de 15 às 19 h para a gravação de um comercial.
E alguns, documentaram o fato.
Dica do Gizmodo.



iPhone 2 Commercial: Behind The Scenes from davidjr.com on Vimeo.

Segunda-feira é "o dia"

Vem aí coisa muito boa. E no mês de junho, a bruxa deve rolar solta na área de TI. Mas em San Francisco, tudo deve começar. É bom estar de olhos ligados aqui e aqui.
E não são os chatíssimos piratas em busca do "OURO"!

Medalha de ouro

Belém pode viver perdendo investimentos para Manaus e São Luís; pode não ser selecionada como sub-sede da Copa do Mundo de 2014, mas de uma coisa podemos ter certeza: estamos quase ganhando uma medalha de ouro. Sabe em que modalidade? O Município brasileiro que mais se envolveu, direta ou indiretamente, em processos judiciais nos últimos três anos e meio! Ou tem algum outro mais encalacrado do que nós?
Abaixo, a mais recente. A propósito, a notícia em questão está estampada na página do Ministério Público Federal em âmbito nacional.

MPF processa prefeito de Belém por improbidade no caso do Sírio-Libanês
2/6/2008 18h15
Prefeito, ex-secretaria de saúde e donos do hospital podem ser obrigados a devolver mais de R$ 1 milhão os cofres públicos

O Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) entrou com ação de improbidade administrativa contra o prefeito de Belém, Duciomar Gomes Costa, a ex-secretária de saúde Cleide Mara Ferreira da Fonseca e os médicos Orlando Salomão Zoghbi e Maria José Bastos Zoghbi, sócios da clínica Zoghbi. Eles são acusados de lesar os cofres públicos em R$ 1,6 milhão após a tentativa, frustrada por ordem judicial, de comprar o Hospital Sírio-Libanês por R$ 9 milhões, em 2005.
Além da lesão ao erário, eles são acusados de dispensar indevidamente a licitação exigida pelo Conselho Municipal da Saúde para a compra do prédio e tentar burlar restrições legais que impedem o poder público de fazer contratos com entidades privadas que tenham dívidas com o Estado.
Era o caso da empresa Clínica Zoghbi Ltda, que tinha uma dívida de R$ 8 milhões com o INSS. Mesmo com a proibição, a prefeitura tentou burlar a lei assinando o contrato diretamente com os dois médicos proprietários da Clínica e chegou a depositar em favor deles R$ 1,6 milhão. Assim que teve notícia da transação, a Previdência Social solicitou e obteve da Justiça o bloqueio do dinheiro. Desde 2005 o valor está depositado em conta judicial e não pode ser usado pelo município.
Se condenados, o prefeito, a ex-secretária e os dois médicos terão que ressarcir integralmente os cofres públicos pelos danos causados, poderão perder as funções públicas e ter os direitos políticos suspensos por cinco anos, além de ficarem sujeitos a multa de até duas vezes o valor do dano.

Caso Sírio Libanês - O caso da compra irregular do hospital Sírio-Libanês começou a ser questionado na Justiça no segundo semestre de 2005, quando a prefeitura, alegando a necessidade de relocar os setores de urgência e emergência do Hospital Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, que seria reformado, anunciou a compra de um outro hospital.
Surgiu na mídia o boato de que o prédio pertencente ao grupo Zoghbi, o do Hospital Sírio Libanês, seria o escolhido. O Conselho Municipal de Sáude pediu esclarecimentos à Secretária Municipal de Saúde e avisou que a compra do imóvel deveria ser precedida da apresentação de um projeto ao próprio Conselho. No entanto, o Conselho foi ignorado e pediu para que o MPF investigasse a questão.
O então procurador regional dos Direitos do Cidadão no Pará, Rodrigo Telles de Souza, estudou o caso e identificou as diversas irregularidades no contrato de compra e venda do prédio, encaminhando a denúncia ao juiz Valter Leonel Coelho Seixas, da 5ª Vara Federal. Desde que ele concedeu liminar favorável ao MPF, o contrato de compra e venda do prédio pela prefeitura está suspenso.
Ultimamente, a prefeitura declarou a intenção de comprar o prédio por RS 4 milhões de reais no leilão de bens móveis da Justiça do Trabalho.
Assessoria de Comunicação Social
Procuradoria da República no Pará
Tel: (91) 3222-1291

Isso é o que eu chamo de prestar contas.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Siza em Belém

Numa cerimônia simples e carregada de emoção, a UFPA concedeu nesta manhã o título de Doutor Honoris Causa ao arquiteto português Álvaro Siza, talento mundialmente reconhecido pelas obras e prêmios em vários países.
Daqui a pouco Siza dá uma palestra no teatro Maria Silvia Nunes, na Estação das Docas e abre amanhã, às 19:00 hs., a exposição "Siza, Júlio e Alvaro". Julio, bisavô de Álvaro, morou em Belém no século passado e fotografou a cidade, especialmente a arquitetura dos prédios, praças e mercados.

Serviço:
'Siza: Júlio e Álvaro', de 03 de junho a 06 de julho na sede do Fórum Landi (Praça do Carmo – Rua Siqueira Mendes, nº 60 – Cidade Velha).
Informações pelo telefone (91) 3224-5929 ou no http://www.forumlandi.com.br/.
Entrada franca.

Shopping Windows*

O sequestro e a tortura de jornalistas que preparavam, numa favela carioca, matéria investigativa sobre a bandidagem das milícias integradas por PMs, é exemplo cabal da capilaridade do crime organizado nos morros, na cidade e no Estado do Rio de Janeiro. Quase simultaneamente, nas barbas sonolentas das autoridades dos Poderes Executivo e Judiciário, a Assembléia Legislativa criou, ostensiva, o indulto fora de época, quem sabe para compensar a falta de micaretas no berço do samba. Por que e para quem, os fatos por si respondem e correspondem à amarga realidade de quem vende, no imaginário, uma atmosfera maravilhosa e linda que mal se sustenta à luz de vitrine. Para além das praias, do céu e do mar, há uma brutal exclusão social, um balbuciante e trêmulo estado e o crime. O crime, o crime e o crime.
*literalmente: comprar vitrines. Serve para descrever a prática costumeira dos consumidores apreciarem vitrines, o que em geral prescinde de verificar a qualidade do que ali visualmente se anuncia.

domingo, 1 de junho de 2008

O Crescimento Desvirtuoso

Amazônia cresceu durante os últimos 10 anos duas vezes mais que o Brasil, embora, segundo o IBGE, contribuindo com apenas 8% do PIB nacional. De qualquer modo, trata-se de um momento único, infelizmente não virtuoso, em razão da perversa concentração de renda que mantem na miséria grande parte da população.
A Amazônia com sua magnitude de riquezas e extensão territorial - 58,5% do Brasil - tem peso de agenda estratégica nacional que conjuge soberania e desenvolvimento com equilíbrio ambiental e justiça social. Estamos longe disso, contudo.
Uma inefetiva compreensão do país sobre a importância da região no cenário mundial fazem dela esfinge gigantesca que devora e é devorada, numa velocidade ainda maior, pela hidra da omissão, do oportunismo, da ignorância e, claro, das atividades criminosas que usufruem da pavimentação movida pela tríade nefasta - consagrando afinal, o fim da ética e o fim da política, como bem nos ensinou Milton Santos.