sábado, 16 de fevereiro de 2013

Os não-anos 80


Não era muito fácil ouvir rock na década de 1980 em Belém do Pará. O rótulo de rockeiro não era muito bem-vindo, e soava mal como outras expressões da época, tipo hippie ou maconheiro.
Nenhum pai queria, por opção própria, ter um rebento (cabeludo ou não) que vivesse ouvindo aqueles riffs estranhos, pesados, acompanhados por gritos e uivos. Mesmo que as notas fossem boas no colégio ou na faculdade, e que não se ingerisse (muita) bebida alcoólica (ou outros aditivos orgânicos), ainda assim era preferível ter um filho ou filha ouvindo música "normal", como disco music, midback, MPB, samba, bossa nova, ou no máximo The Beatles.
Não é a toa que Belém engatou nos anos 80, inclusive no plano musical. Quem aqui viveu aqueles longos momentos sabe que Madonna, Cindy Lauper, Pet Shop Boys, Donna Summer, Patrick Hernandez e tantos outros grudaram de tal forma nos neurônios daqueles então jovens, que de certa maneira o gosto por este tipo de som foi geneticamente transmitido para os seus descendentes, que até hoje choram nas pistas de dança ao ouvir um hit daqueles “bons tempos”, como West End Girls, por exemplo. Midback parece combinar com farinha e tucupi...
E havia poucos refúgios para quem necessitava instintivamente fugir da Signos, Saudosa Maloca, Gemini e similares. Festas privadas, como as que ocorriam no Colégio do Carmo, podiam tocar até músicas de bandas “mais raras”, tipo UFO, então eu e minha tchurma íamos a todas. E foi assim, nessas festas particulares , que acabei conhecendo muitas pessoas nas vilas militares e fazendo bons amigos de várias naturalidades (gaúchos, paulistas, cariocas, baianos e até paraenses) e participando inclusive de shows da banda Stress, pioneira do hard rock em nosso estado. Era o nosso universo paralelo, uma espécie de não-anos oitenta.
Mas os verdadeiros templos eram as lojas de discos 33 & ¼ e Gramophone, locais onde podíamos até encontrar outros alienígenas para bater um papo sobre bandas que fora dali soariam tão estranhas quanto a língua klingon. Edyr Augusto e Floriano talvez não tenham ideia de quão importantes eles foram para uma geração que tentava nadar fora do mainstream musical da ‘Magueirosa oitentista”.
Bom, de certa forma eu tinha que paralelamente “engolir” a trilha sonora oficial da primeira metade dos anos 80 ou não teria tido uma namorada sequer. Ia apanhar as moças ouvindo AC/DC no carro, trocava para a “fita da ganhação” (sim, tinha que tocar Lionel Ritchie!) e depois de devolvê-las em segurança ao lar voltava para casa ouvindo Iron Maiden.
Hipocrisia? Mimetismo? Instinto? Não o sei. Mas era muito legal ser underground disfarçado de burguês (ou burguês disfarçado de underground?!).
Em 1985 fui morar em São Paulo e lá outras trilhas sonoras se agregaram e mudaram o meu comprimento de onda, sempre dentro do rock.
Voltei à Belém uns bons anos depois e logo na minha primeira semana por aqui um tio meu insistiu para que eu fosse ver um show da banda Solano Star no Teatro Waldemar Henrique. Lá chegando, ele apontou para o palco e cheio de orgulho, exclamou: "o guitarrista é meu filho, é o teu primo!".
Naquela fração de segundo percebi que os não-anos 80 haviam definitivamente acabado e se transformado nos anos 90.
Sorte do meu primo e de sua geração.
Long live rock’n’roll!
Vida longa à diversidade!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Com licença. Vamos mudar um pouquinho.

Desde seu primeiro post feito em 17 de março de 2006, o Flanar sofreu algumas poucas mudanças visuais. Com efeito, ao longo destes quase 7 anos, modificamos pouco seu layout, que tentamos sempre manter simplificado, seguindo o conceito de que "menos, é mais". No máximo, adicionamos alguns "penduricalhos" naquilo que chamamos de "coluna direita", que reservamos para os tradicionais links, campanhas de interesse público, marcadores, índice de postagens, etc. 

A mudança que sempre nos tirou o sono é, obviamente, a imagem que ilustra o cabeçalho do blog. De inegável visibilidade, sofreu ao longo do período apenas 2 modificações. Vejamos então:

Começou assim, deste jeito google like, feita sem nenhum esmero por este poster.

Dois anos depois, com a autoria do artista plástico Emmanuel Nassar ela ficou assim.


Será que somos conservadores? Rssss

Polêmicas à parte, hoje vai ser um daqueles dias muito especiais, em que mudamos oficialmente nosso banner principal.

De autoria do estudante de publicidade Pedro Rodrigues Barretto, ele foi aprovado em consulta cega aos articulistas do blog. Em outras palavras, submeti-lhes a proposta, sem informar absolutamente nada sobre o autor. Coube-lhes julgar livremente (e essencialmente) o aspecto estético da imagem. E devo ressaltar: somos exigentes. Outras propostas, de figuras de algum renome, não foram aprovadas.

Mas afinal, qual a razão de todo este protocolo? É muito simples. Pedro é meu filho.

Antes de submetê-lo a este desafio, tomei o cuidado de informá-lo sobre a possibilidade de ela não ser aprovada. De maneira nobre, ele me tranquilizou dizendo apenas que estava pronto para o cenário. Em resumo, me disse algo assim: "Publicidade é assim. Fazemos várias propostas e temos que estar prontos para não agradar o cliente". 

Este é um blog democrático internamente. Tudo o que se faz nele, é discutido de maneira exaustiva por todos. Todos os participantes, desde o momento em que são convidados para integrá-lo, recebem um texto contendo o que chamamos de "regras de postagem". Termo talvez inadequado, tendo em vista que seu conteúdo está muito mais para "regras de convivência". Nele, estão pontuados os princípios democráticos que norteiam o blog, discutidos e aprovados conjuntamente. E sempre sujeitos a modificações. 
Sendo assim, minha conduta como sócio-fundador e pai, portador de inegáveis conflitos de interesse na "causa", não podia ser outra. E devo ressaltar que a "causa", deixou Pedro muito feliz.
O pai então...

Rssss

Saideira


Do Adão Iturrusgarai
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Denuncie!

Um dos seus queridos pode embarcar nesta viagem.......

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Musa underground insuperável




Sexta-feira retrô. Desde ontem escuto Nico, aqui junto com o Velvet Underground, em Femme Fatale. A canção traduz um pouco essa  cantora e modelo alemã, musa de Andy Warhol, namorada de Jim Morisson e Alain Delon (com quem teve o filho Ari).
Ano passado relançaram o mais que clássico álbum Velvet Underground & Nico - de 1967, com o icônico desenho de uma banana by Warhol.  Femme Fatale é uma das faixas
E agora,  mês passado, em Nova York, John Cale, produtor dos discos solos da alemã,  começou a turnê americana em homenagem à musa justamente ititulada Life Along the Borderline: A Tribute to Nico.
Num mundo tão sem divas underground ( agora chamado indie), Nico parece ser insuperável.

Ave Ciência!


Meteorito na Rússia já deixa quase mil feridos, dos quais 200 são crianças.





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Reação ou reacionarismo?

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Por  Maria de Fátima Morbach de Medeiros

Estamos diante de uma questão muito complexa: até onde vai a liberdade? Pessoalmente fico feliz que Angola tenha reagido à enganação da Universal, assim como anos atrás proibiu a exibição do Sítio do Pica-pau Amarelo, por mostrar tia Anastácia em situação análoga à escravidão. Entretanto, muitos dos que festejam a interdição das Igrejas e repudiam as opiniões de Malafaia, chamaram de ignorantes os que se manifestaram contra o uso de livros de Monteiro Lobato nas escolas.
E se o Governo interditasse a Igreja Católica no Brasil? Muitos se revoltaram contra a ação movida por ateus para tirar os crucifixos dos tribunais. Muitos não aceitam que os povos iraniano e afegão, exercendo sua auto-determinação, queiram Estados teocráticos e chamam de oprimidas mulheres muçulmanas que querem usar véu.
Quer dizer que às vezes temos e às vezes não temos o direito de nos meter nos assuntos de outras pessoas, outros povos, outros fiéis?
Minha opinião: Seja o que quiser, diga o que quiser. Não prejudique alguém por suas convicções, não humilhe, não agrida, mas se quiser fazê-lo lembre-se que há leis e que você pode ser processado. E se você for ofendido, processe. 
Quem diz o que quer ouve o que não quer. Essa é uma lei escrita pela vida. As pessoas acham que tem o direito de ser o que quiserem e fazer o que quiserem mas ignoram o direito do outro de pensar o que quiser e dizer o que quiser.
O politicamente correto está ficando politicamente incorreto. Ninguém pode dizer nada. Toda mulher é boa, todo judeu é bom, todo negro é bom, todo pobre é bom, todo gay é bom, todo índio é bom, todo deficiente é bom. É preciso lembrar que quando se critica alguém de uma dita “minoria”, não necessariamente se está criticando por esse motivo. Não é possível que haja um monte de gente intocável. Nem piada se pode contar mais porque também todo gordo é bom, todo velho é bom, toda puta é boa e todo português é bom.
Aqui no Brasil, por exemplo, muitos mostram estranhamento diante da latinha com brasas e defumador dos terreiros de umbanda, com as saias de baiana rodadas, com o gesto de bater cabeça no congá e de se deitar no chão num gesto de devoção, se espantam com o toque do adejá, mas acham normal o padre – que é homem – vestido de vermelho com rendas por cima, balançando o turíbulo, encostando a cabeça no altar, tocando seus sininhos e se deitando no chão no momento da ordenação. E todo mundo acendendo suas velas! Qual a diferença?
Hoje temos medo de falar que religião praticamos, quando há mais de duas pessoas presentes. Vai que um é crente e despeja em cima de você impropérios, maldições, sentenças de danação eterna. Eu, que coloquei em minha filha o lindo nome de Rosa de Oiá, em homenagem às minhas duas mães, a que me teve e Iansã, mãe espiritual, quando me perguntam qual o nome dela digo somente Rosa para evitar a famosa encheção-de-saco.
Estamos andando pra trás? Viva e deixe viver! Aguenta!

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Pobre Pará!

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Dizem à boca pequena que João Salame  - atual prefeito de Marabá, do PPS -  vai se filiar ao PMDB de Jader Barbalho. Oh, deuses! - E o que isto vem a significar? - pergunta o português da  padaria da esquina. Vem a significar que a queda de braço começou! E que as eleições de 2014 estão acontecendo na alcova; aliás, o melhor lugar para cochichos e sussuros. É  de lá que as bombas são atiradas aqui: no nosso colinho! Vejamos; caso seja verdade, o governador Simão Jatene já acusou o golpe. Vide o "fim da licença da Sema à hidrovia Araguaia-Tocantins". Quer barrar o desenvolvimento do sul do Pará? Quer dar o troco na política  "separatista"  levada pela VALE? Quer quebrar as pernas de quem? Serão as pernas do PT e do PMDB? Mas quem vai mesmo pagar a conta!?! Somos nós! Os tais dos paraenses.... Estes que vivem dirigindo sobre buracos; que não tem maternidades públicas para atender a demanda crescente por parir; e que estão nas manchetes nacionais e internacionais por  "seviciar mulher em cela masculina em uma cadeia de Abaetetuba";  e por matar mulheres idosas sem nenhuma chance de defesa, como a Irmã Dorothy. Estes somos nós, os paraenses. E os nossos governantes sabem disto. E, o que parece estar  acontecendo nas nossas barbas - e na horizontalidade da alcova -, é o que  pode ser  um crime contra os interesses do Pará. Mas nós  somos tão feudais e torpes, que vamos continuar fazendo a política dos grupelhos e dos parvos. Pobre Pará!

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Paes Loureiro

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João de Jesus Paes Loureiro é tema do artigo de Fábio Castro, em seu blog  Hupomnemata.
O professor Fábio Castro publicou um artigo na Políticas Culturais em Revista; uma publicação da UFBA. No artigo, ele analisa as ações culturais de Paes Loureiro, quando Secretário de Cultura do Pará. Lá estão descritas as principais ações culturais da gestão do Poeta. Eu concordo em gênero, número e grau, com as descrições de Fábio Castro e de Marina Castro. Eu  estava muito próxima de Paes Loureiro; estava na Casa da Cultura de Marabá. Por lá sentíamos os efeitos daquela  bela política cultural, que irradiavam de Belém para as casas de cultura do interior. Foram ações proveitosas, e raras, no cenário institucional da cultura paraense.


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Cortázar, para namorados ou não

Meu canal preferido na Argentina ainda é o Encuentro, do Ministério da Educação. Programação primorosa. E é ele que nos convida para uma programação especial hoje, em alusão ao Dia dos Namorados. E convida assim: 

"El amor y la literatura coquetearon desde siempre. Los invitamos a disfrutar de la voz y de algunas de las palabras del escritor Julio Cortázar en su novela ´Rayuela´”.
Como sei que existem muitos amantes de Cortázar, inclusive entre flanares, como a querida Marise Morbach, ofereço aos leitores esta beleza de texto.


E o Oscar vai para...

Está muito difícil escolher um favorito para o Oscar 2013, pelo menos na categoria melhor curta-metragem de animação.
Todos os candidatos podem ser checados no site Pipoca de Bits.
A minha escolha pessoal me surpreendeu: The Longest Daycare, com Maggie Simpson.
Simplesmente encantador!




PS: dica de Luis Eduardo, amigo e leitor do blog.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Olha a cabeleira do Zezé...


Amanheci com dor nas panturrilhas nesta quarta-feira de cinzas. Tive que tomar um relaxante muscular para me locomover entre o quarto e o banheiro. Eu mais parecia aquele besouro de Kafka, preso ao leito. Tudo por causa nobre: carnaval.

Esses dias eu pulei muito por aqui. O Rio, hoje, pulsa Carnaval. É zabumba, surdo, triângulo e sopros. Bebe-se, urina-se, come-se, dança-se, canta-se e beija-se como nunca nos últimos tempos, segundo Ruy Castro. Pulei feito pipoca, por isso meus gastrocnêmios estão pedindo um relax pós-carnaval.
Bloco "Balança meu coreto"
Entre um bloco e outro, entre a praia e a feirinha, avistei diversos conhecidos pela cidade. Certamente estavam se direcionando à Sapucaí. Acho legal, afinal os paraenses estão em voga neste carnaval com o tema da Imperatriz Leopoldinense. Porém, o melhor carnaval do Rio não está nas escolas de samba, tampouco nos retiros espirituais. Está nas ruas. Tenho visto isso há mais de três anos, quando voltei a frequentar o Rio por esse motivo. Blocos como o “Largo do Machado, mas não largo copo” e “Simpatia é quase amor”, são exemplos que a criatividade não está só nos pés, mas no espírito também. Vê-se da janela, de forma sutil, ressurgindo uma velha cultura, que acaba se comportando como contracultura à ditadura do sambódromo e da televisão. Resultado: ruas tufadas de gringos e turistas brasileiros para acompanhar mais de 400 blocos de sujos. Nem os nativos estão partindo para os balneários. Foram mais de 900 turistas hospedados em hotéis. Estima-se quase 2 milhões no total. O Rio ri, sorri, bamburra, apesar de se espernear com os royalties do Petróleo.
Morei aqui entre as décadas de 80 e 90, mas nunca vi o Rio assim. Tenho a impressão que o carioca está cansado do controle remoto da tevê. Agora, a passarela do samba passou ser a rua, com seus rituais e marchinhas. Quanto tempo que eu não cantava “olha a cabeleira do Zezé...”

Tem lugar sobrando. Onde?





Onde? Eu me pergunto onde há lugar para os direitos dos cidadãos; para a delicadeza entre as pessoas; para as diversidades se encontrarem sem pudores... Onde? Em tempos de saltos cada vez mais baixo, se é que os vesti algum dia amis altos, foi muito simbólico, depois do calor da hora, o momento do embarque de Belém para minha nova morada, nesta terça-feira de carnaval. Mãe de um lado, filha do outro, assentos devidamente conferidos e... havia uma pessoa lá. Havia um homem ali. Não era um pedra, mas estava com cara de poucos amigos. Minha mãe e minha filha à frente, pergunto ao homem-de-cara-franzida-na-janela se ele poderia conferir o número do assento dele, porque havíamos reservado as três poltronas para viajarmos juntas. Qual não foi minha surpresa ao receber como resposta que havia muito lugar sobrando no vôo e que eu deveria procurar por eles. Respirei fundo para não ser grossa logo de pronto. Disse a ele que éramos uma família, queríamos viajar juntas e, acima de tudo, tínhamos o direito de viajar na cadeira que reservamos. Ele insistiu que havia sido orientado a se sentar onde desejasse. Minha mãe logo disse que eu deixasse pra lá, sentasse com minha filha, que ela ia procurar outro assento qualquer. Obviamente disse a ela que não, pelo menos até um consulta. Antes que um rapaz da tripulação atendesse ao meu chamado e confirmasse que as cadeiras eram marcadas, sim, o cidadão já havia se levantado me mandando comprar o avião inteiro! Engoli de novo a baixaria que eu gostaria de fazer, dizendo apenas que eu não precisava de um avião, só das vagas reservadas naquele vôo.

A TAM se ocupou de causar uma série de outros transtornos durante quase 12 horas de viagem até meu destino final. E continuo a pensar: cadê tantos lugares sobrando? Viajemos todos. Viajemos para onde quisermos e pudermos. Viajemos em qualquer lugar. Troquemos de lugar. Ofertemos vagas às belezas das relações humanas; entreguemos a mancheias as vagas que existam para a compreensão; criemos vagas aos diretos de cada criatura.

Fica aqui um dos momentos bonitos de mais esta viagem de regresso à minha morada na Argentina: Paul Simon cantando com Olodum, depois do empurrão dado por Mazzola. Sim, eu cantei em silêncio; sacudi a poltrona em duas seqüências, com minha pequena cidadã; afinal, ela queria muito saber o que me movia. E gostou. Benza Deus!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Pensando bem!!!

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Duas notícias bombásticas neste carnaval: a da renúncia de Bento XVI,  e a  do final da licença ambiental da SEMA à hidrovia Araguaia-Tocantins. O deputado estadual Parsifal Pontes escreve na coluna Repórter Diário -  no Diário do Pará de hoje - que "o Estado não tem política pública para coisa nenhuma". Mas, pergunto a Parsifal Pontes,  não é Jader Barbalho um Senador da República? Não é Simão Jatene o Governador do Pará?  Não foi Simão Jatene quem disse que se empenharia pelo desenvolvimento do nosso estado como um todo: não apenas de Belém. O apoio do PMDB e de Jader Barbalho à hidrovia Araguaia-Tocantins não é de hoje! Mas, hoje, o PMDB(também o  PT!)  está construindo uma desculpa, que será apresentada nas eleições do ano que vem. É velha: a desculpa! Será que vai funcionar?!? Cadê os políticos do Sul do Pará; e seus aliados do Oeste? A desculpa é a seguinte: "A ALPA  não virá porque não tem licença ambiental para a hidrovia Araguaia-Tocantins". Bonito! Muito bonito! Os políticos do Sul do Pará nos acusam de um tudo...... Curioso o mundo da política, os nossos representantes pensam que estamos em estado de total amnesia e que não recordamos  do "Pará da União". Por que chegamos neste impasse? Onde estava o PT, o PMDB; e os demais?



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Mardi Gras na Bélgica

Assis Valente, em 1940, já dizia:
"Há quem sambe diferente,
noutras terras,
outra gente,
um batuque de matar" (Brasil Pandeiro).

Este é  Mardi Gras, a Terça-Feira Gorda, na Bélgica francófona, mais precisamente na cidade de Binche.Os mascarados se chamam Gilles e a tradição remonta há mais de 600 anos. Em 2003, o Carnaval de Binche foi declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco.
Para conhecer a história, vale visitar o site da commune (a prefeitura) de Binche. 

Tudo Misturado

Um set ignorante!

Um carro sem motor?

Propaganda do novo i30 (Folha de São Paulo; 05/02)

Ao leitor mais atento, a propaganda do último lançamento da Hyundai, o novo i30, chama a atenção pela ausência de qualquer menção referente à motorização do veículo.
Talvez tal fato tenha a ver com a decisão da Hyundai de importar o novo modelo apenas com o motor 1.6 bicombustível (que rende 128 cavalos com etanol), aposentando assim o antigo motor 2.0 à gasolina (que rendia 145 cavalos, aliás bem divulgados quando de seu lançamento em 2009).
O motor desapareceu da propaganda e encolheu em tamanho na proporção inversa do preço, já que o novo modelo está custando até 20% mais caro (o preço varia de R$ 75.000,00 a R$ 85.000,00).
Curiosamente, a montadora coreana de automóveis Hyundai e sua subsidiária Kia são conhecidas pela agressividade em suas propagandas, o que já lhes rendeu multas e processos em vários países, inclusive recentemente nos Estados Unidos (por números de consumo manipulados).
Aqui no Brasil o imbróglio envolvendo o modelo Veloster, em 2011 acabou em pizza (vide postagem Veloster, Molóster ou Slowster?).
Mas é inegável que o carro é bonito e bem equipado e que vai concorrer bem contra rivais de peso, como Volkswagen Golf, Peugeot 308, Citroen C4 e Ford Focus.
Pessoalmente, não consigo me conformar que o mesmo carro custe apenas US$ 15,000.00 nos EUA.
Até quando seremos consumidores "bonzinhos"?!...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Será que o Dragão vai passar a perna no Saci Pererê?

(foto do site do Franco Dragone Entertainment Group)

É Carnaval e pouca gente no Brasil deve ter notado uma notícia que, caso seja confirmada, será um dos mais duros golpes contra a criatividade e competência verde-e-amarela. No final de semana passado, a imprensa européia anunciava que Franco Dragone, o diretor ítalo-belga, assinou contrato para dirigir a abertura e o encerramento da Copa do Mundo em 2014 no Brasil. Dragone, nascido na Itália, mas desde o sete anos de idade residente em La Louvière, Bélgica, é apontado como o responsável pelo "renascimento" do Cirque du Soleil, companhia canadense onde atuou como criador entre 1985 e 1998. No currículo do diretor estão ainda a criação e direção dos shows de (aargh!) Céline Dion em (argh, argh!!!) Las Vegas.
Perguntinha inoportuna: será que não há no Brasil gente capaz e criativa? E não me venham com aquele papo que "o Brasil abre a casa, mas quem dá a festa é a Fifa".
Nada contra o Dragone - aliás, chamado de "coreógrafo" pela Folha de S. Paulo. Só acho que depois de astronauta voando na Sapucaí, carros alegóricos de 30 metros de altura, e toda a tradição de espetáculos  teatrais de rua, o Brasil tem estofo suficiente de fazer a abertura e encerramento da Copa em casa.
Para quem quiser conhecer um pouco mais do estilo nada modesto de Dragone, recomendo o site do auto-denominado "The world's most spectacular showmaker" .  E vamos rezar para ele não escalar La Dion para cantar no Maracanã pois, my heart won't go on.

Paixão por antigos



O amor dos proprietários pelos seus carros antigos é o tema da websérie Apaixonados por Carros, que já soma seis interessantíssimos episódios.
E há mais seis em produção pela Trampolim Filmes, além da ideia de um reality show só com donos de "velhinhos".
E quem pode tê-los e não se apaixonar por eles?

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Até o sol raiar

Estrela da Manhã
(Manoel Bandeira)

Eu quero a estrela da manhã
Onde está a estrela da manhã?
Meus amigos meus inimigos
Procurem a estrela da manhã

Ela desapareceu ia nua
Desapareceu com quem?
Procurem por toda a parte

Digam que sou um homem sem orgulho
Um homem que aceita tudo
Que me importa?
Eu quero a estrela da manhã

Três dias e três noites
Fui assassino e suicida
Ladrão, pulha, falsário

Virgem mal-sexuada
Atribuladora dos aflitos
Girafa de duas cabeças
Pecai por todos pecai com todos

Pecai com os malandros 
Pecai com os sargentos
Pecai com os fuzileiros navais
Pecai de todas as maneiras

Com os gregos e com os troianos
Com o padre e com o sacristão
Com o leproso de Pouso Alto

Depois comigo

Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei terra 
[e direi coisas de uma ternura tão simples
Que tu desfalecerás

Procurem por toda parte
Pura ou degradada até a última baixeza 
Eu quero a estrela da manhã


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Fujam para o Carnaval



Fujam neste carnaval das antas! Elas são perigosíssimas!Rsrs. E divirtam-se como puderem. É Carnaval. Eu? Vou para o meu retiro espiritual, tentando descobrir a tal das coisas tão banais, de que falava Gilberto Gil. Como o Carnaval é transmutação; é a máscara; é o riso, então, não fujamos dele neste Carnaval! Que tal se todos nós soltássemos a franga? Rsrsrsrsrsrs. É carnaval, creio que ninguém julgaria estranho?!? Vamos soltar a franga pois; rs. Bom, um ótimo carnaval para todos, e assim vos deixo, em paz.Rs.

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Tentativa de explicar

Scylla Lage Neto já havia escrito sobre os vídeos vistos por milhões de pessoas na internet no post o Inexplicável e  Imponderável , em 24 de janeiro passado: "Alguns vídeos atingem um tal grau de popularidade no You Tube que fica difícil explicar o porque de tantas visualizações.", escreveu meu confrade.
Hoje, me deparei no site do jornal DeMorgen com este vídeo: Madeline + Train = Sheer Delight. A pequena Madeline Dubois,em Nashville, Tennessee (USA), pega seu primeiro trem como presente no 3° aniversário dela. Em quase um ano, o vídeo já teve mais de 16 milhões de visualizações.
Acho que neste caso, o ingrediente maior é a descoberta pelos olhos de uma criança. Rever esse assombro diante do mundo nos faz lembrar nossas próprias descobertas. Só espero que o mundo tenha deixado a Madeline em paz. Pois já consigo imaginar o assédio da mídia. Que o pai dela, responsável pelo vídeo, tenha o discernimento suficiente.
Lembro de um caso aprecido aqui na Bélgica. mas o personagem estava no outro lado do curso da vida.   Eugène Breynaer, um aposentado flamengo de 87 anos, mostrava, num programa de TV, como estacionava o carro dele numa garagem apenas 6 cm mais larga que o carro. O vídeo caiu no Youtube e foi visto por mais de 3 milhões de pessoas em poucas semanas. Eugène recebeu dezenas de equipes de TV, jornais, sempre como o mesmo pedido: que ele refizesse a proeza. Num determinado momento adoeceu e a família teve que intervir e exigir que deixassem o aposentado em paz.

Cliente paulista, garçom carioca


Antonio Prata, Folha de São Paulo

Veja, aí estão eles, a bailar seu diabólico "pas de deux": sentado, ao fundo do restaurante, o cliente paulista acena, assovia, agita os braços num agônico polichinelo; encostado à parede, marmóreo e impassível, o garçom carioca o ignora com redobrada atenção. O paulista estrebucha: "Amigô?!", "Chefê?!", "Parceirô?!"; o garçom boceja, tira um fiapo do ombro, olha pro lustre.
Eu disse "cliente paulista", percebo a redundância: o paulista é sempre cliente. Sem querer estereo-tipar, mas já estereotipando: trata-se de um ser cujas interações sociais terminam, 99% das vezes, diante da pergunta "débito ou crédito?". Um ser que tem o "direito do consumidor" em tão alta conta que quase transformou um de seus maiores prosélitos em prefeito da capital. Como pode ele entender que o fato de estar pagando não garantirá a atenção do garçom carioca? Como pode o ignóbil paulista, nascido e criado na crua batalha entre burgueses e proletários, compreender o discreto charme da aristocracia?
Sim, meu caro paulista: o garçom carioca é antes de tudo um nobre. Um antigo membro da corte que esconde, por trás da carapinha entediada, do descaso e da gravata borboleta, saudades do imperador. Faz sentido. Para onde você acha que foram os condes, duques e viscondes no dia 16 de novembro de 1889 pela manhã? Voltaram a Portugal? Fugiram pros Açores? Fundaram um reino minúsculo, espécie de Liechtenstein ultramarino, lá pros lados de Nova Iguaçu? Nada disso: arrumaram emprego no Bar Lagoa e no Villarino, no Jobi e no Nova Capela, no Braseiro e no Fiorentina.
O pobre paulista, com sua ainda mais pobre visão hierárquica do mundo, imagina que os aristocratas ressentiram-se com a nova posição. De maneira nenhuma, pois se deixaram de bajular os príncipes e princesas do século 19, passaram a servir reis e rainhas do 20: levaram gim tônicas para Vinicius e caipirinhas para Sinatra, uísques para Tom e leites para Nelson, receberam gordas gorjetas de Orson Welles e autógrafos de Rockfeller; ainda hoje falam de futebol com Roberto Carlos e ouvem conselhos de João Gilberto. Continuam tão nobres quanto sempre foram, seu orgulho permanece intacto.
Até que chega esse paulista, esse homem bidimensional e sem poesia, de camisa polo, meia soquete e sapatênis, achando que o jacarezinho de sua Lacoste é um crachá universal, capaz de abrir todas as portas. Ah, paulishhhhta otááário, nenhum emblema preencherá o vazio que carregas no peito -pensa o garçom, antes de conduzi-lo à última mesa do restaurante, a caminho do banheiro, e ali esquecê-lo para todo o sempre.
Veja, veja como ele se debate, como se debaterá amanhã, depois de amanhã e até a Quarta-Feira de Cinzas, maldizendo a Guanabara, saudoso das várzeas do Tietê, onde a desigualdade é tão mais organizada: "Amigô, o bife era mal passado!", "Chefê, a caipirinha de saquê era sem açúcar!", "Ô, companheirô, faz meia hora que eu cheguei, dava pra ver um cardápio?!". Acalme-se, conterrâneo. Acostume-se com sua existência plebeia. O garçom carioca não está aí para servi-lo, você é que foi ao restaurante para homenageá-lo. E quer saber? Ele tem toda a razão.
Antonio Prata é escritor. Publicou livros de contos e crônicas, entre eles "Meio Intelectual, Meio de Esquerda" (editora 34). 

Friday, at last!



Sexta é dia de restaurante.
E de Monty Python!

Tecnologia


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Estamos ferrados!

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As Vans são um tormento para a Cidade Velha: o bairro mais velho de Belém! Uma pena o que estão fazendo por lá. Param onde querem; dirigem em velocidade; ameaçam as pessoas, e batem os carros que estão estacionados, nas estreitas ruas da Cidade Velha. E, o pior, ninguém faz nada. É inacreditável que estejamos pagando a fiscalização do Município para nada; ou melhor: PARA COISA NENHUMA. E quiça fosse só a Cidade Velha. Eu vou ao Guamá sempre - é lá que fica a UFPA -; e não é diferente por lá. Eles cometem loucuras no trânsito, não respeitam sinal vermelho, não respeitam  os transeuntes;  e são os donos do transporte público da cidade;  porque até isto nossos governantes esqueceram: Não temos transporte público: temos banheiras sendo dirigidas por um monte de malucos. Estas são as razões  para os mototaxistas e as vans mandarem no trânsito da cidade. Qualquer um de nós pode morrer por um acidente causado por vans. E pode ficar pior, muito pior. Mas,  a nossa conivência, a do Estado e a do Município, permitem que  o trânsito caótico, perverso e homicida, de Belém, continue impune

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Boa!

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As regras do bem viver

Contardo Calligaris


Um pré-adolescente me contou que ele sempre deixa as mulheres passarem primeiro nas portas, nas catracas e em todos os limiares da circulação social, segundo ele foi instruído pelos pais e pelos avós.
No entanto, esse gesto cavalheiro é acompanhado por um pensamento que ele não consegue evitar e que, um dia, ele receia, poderia explodir como um grito indomável, impossível de ser mais uma vez reprimido.
Deixo você imaginar as consequências que esse grito teria, pois, a cada vez que ele, nobremente, estende a mão para convidar uma mulher (moça ou idosa, tanto faz) a passar antes dele, o que insiste na sua mente é a frase: "Empina a bunda, sua vaca!".
Não acho estranho: as boas maneiras existem, provavelmente, para reprimir pensamentos, condutas e desejos, que, se liberados, tornariam desagradável a nossa convivência social.
Não conheço estudos sobre o costume de deixar as mulheres passarem primeiro. Algumas más línguas dizem que nasceu como uma precaução masculina, caso houvesse assassinos esperando o homem do outro lado da porta. Outras más línguas afirmam que era um jeito de os homens controlarem as mulheres, pois, se elas fossem autorizadas a ficar atrás, fugiriam na primeira ocasião.
No que me toca, aprendi que a mulher deve passar sempre antes do homem, salvo na descida de uma escada, quando o homem, indo na frente, tapa a perspectiva inconveniente de quem, a partir do piso inferior, procurasse olhar por baixo da saia da mulher. Esse deve ser um preceito recente, de quando as saias se encurtaram, mas a própria regra de deixar a mulher passar primeiro tampouco é antiga.
Seja como for, há uma distância notável entre, no meio de um saque, jogar a mulher em cima do ombro e levá-la embora, para estuprá-la mais tarde, com calma (quem sabe, entre amigos) e, no extremo oposto, abrir a porta para a mulher passar primeiro. Como ilustra a dificuldade do jovem que mencionei, a polidez excessiva é diretamente proporcional à violência do desejo que ela mascara e contém.
Em suma, as regras de boas maneiras podem parecer risíveis e são quase sempre hipócritas, mas, justamente por isso, elas são úteis e necessárias --porque não poderíamos conviver sem repressão e hipocrisia.
Norbert Elias escreveu "O Processo Civilizador" (Zahar) em 1939. Pobre, exilado em Londres no momento da maior barbárie do século 20, Elias procurou e encontrou a origem da subjetividade e da liberdade modernas logo nos tratados de boas maneiras.
Isso porque as regras de etiqueta nos ensinam a domesticar os impulsos mais perigosos e, mais ainda, porque a preocupação com o olhar do vizinho de mesa nos obriga a sermos minimamente graciosos.
Chato? Talvez. Mas a novidade moderna é que a elegância é uma qualidade social permitida a todos --basta querer. Se o requisito é a elegância (e não a nobreza, que não depende da gente), qualquer um pode ter o que precisa para ser convidado a qualquer jantar.
Engraçado: criticamos as aparências e a etiqueta como se fossem leviandades, sem pensar que seu triunfo nos libertou das barreiras intransponíveis de uma divisão social decidida pelo berço no qual cada um tinha nascido.
Parêntese: estou lendo "Consider the Fork: A History of How We Cook and Eat" (pense no garfo: uma história de como cozinhamos e comemos, Basic Books), de Bee Wilson, que conta muito bem como fomos transformados pela evolução dos costumes de cozinha e de mesa.
Enfim, estava no meio dessas reflexões quando, sábado passado, fui assistir a "As Regras da Arte de Bem Viver na Sociedade Moderna", de Jean-Luc Lagarce, no Sesc Ipiranga, em São Paulo. A atuação de Lorena da Silva é perfeita. E o texto, francamente engraçado, é uma pérola de inteligência.
Lagarce nos lembra os usos e costumes dos rituais da vida, do nascimento até a morte, passando por batismo, casamento, bodas de prata etc. Ele escreveu "As Regras" em 1993, dois anos antes de morrer de complicações relacionadas à Aids; pelo destino que o espreitava, ele poderia ter sido sarcástico com a suposta "frivolidade" de nossos rituais. Mas ele tomou outro caminho: ele fez, sim, que as regras básicas de nossa etiqueta nos parecessem estranhas e eventualmente hipócritas, mas sem que a gente perdesse de vista que elas são a própria trama de um mundo que amamos --e do qual ele já devia sentir saudade.

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Documentário sobre Jorge Mautner e os encantos pernambucanos quando batem no meu coração


Dizer que a safra artística, em especial (ou não), a safra sonora, que brota em Pernambuco brota feito “chuchu na serra” é praticamente chover no molhado. Ô gente pra produzir e me seduzir!

Dia desses via e lia a revista Tpm divulgando fotos e entrevista com Otto, que é feito uma fera ferida. Arrebatador. Eu o vi fazendo "a xepa" do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais. Fiquei de joelhos. E rezei. Hoje me deparo com a divulgação de um documentário sobre Jorge Mautner, em que ele interpreta o hino Maracatu Atômico. Daí para eu chegar à minha mais "nova" musa Karina Buhr... foi um pulo. Égua da mulher pra fazer letra visceral! E olha que ela tinha uma pegada completamente diferente quando fez parte da Cumadre Florzinha! Ela estuda teatro, desenha, pesquisa música e experimenta. No palco, performática. Tive o prazer de ver uma apresentação dela em Buenos Aires, que só me encantou ainda mais. Tô ficando com os joelhos moídos...

Só me resta deixar duas das letras dela que adoro, e que enveredam por dilemas semelhantes. Dá pra escutar tudinho no site dela. Eu recomendo.

A Pessoa Morre
A pessoa morre depois de tanto verbo
A pessoa morre de fome
Depois de tanto verbo a pessoa morre
A pessoa morre
A pessoa morre
A pessoa morre depois de tanto verbo
A pessoa morre de fome
Depois de tanto verbo a pessoa morre
A pessoa morre
A pessoa morre de rir
Morre de frio
De fome
Depois de tanto verbo a pessoa morre

Vira pó
Seu suor
Vira sofá
Cadeira
Mesa de centro
Ou não vira nada
Vale nada
Vira vento
A todo momento
Alguém vira pó
Se vira pó só
Se vira pó só
Em todo mundo dá cupim,
Vira pó só
Tanto faz se é bom
Ou é ruim
Vira pó só
Vira pó só
Vira pó
O pé da mesa
E o dono da mesa
Vira pó só
Tanto faz se é bom ou é ruim
Dá cupim
Vira pó só
Seu suor
Solidifica
Vira pó

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A lebre e o besouro

A lebre

Responda em menos de um segundo: quem é mais rápido, o novo esportivo BMW Z4 20i ou o novo VW Fusca?
Bem, a resposta correta, por mais incrível que possa parecer, é o Fusca.
Para entender como um Z4 acelera de  0 a 100 km em “apenas” 7,2 segundos, contra “incríveis” 7,1 segundos do Fusca, temos que absorver que o downsizing de motores é um fato concreto, mesmo entre as mais tradicionais montadoras automobilísticas.
A tendência mundial é a de reduzir o tamanho dos motores, deixando-os com menor capacidade cúbica e segurando a potência com um turbo, geralmente pequeno, associado à injeção direta de combustível. Tudo pela economia de combustível e (supostamente) pela menor emissão de poluentes na atmosfera.
E como os carros importados custam no Brasil pelo menos o dobro do valor cobrado na Europa ou nos Estados Unidos, por exemplo, a opção mais lucrativa para as poderosas montadoras/importadoras é trazer os caros modelos esportivos com o menor motor disponível, custando obviamente o máximo possível.
No exemplo desta postagem, a BMW trouxe da Alemanha o coupé/conversível Z4 com um motor 2.0 “gitito”, de apenas 184 cavalos (custando R$ 219.950,00), enquanto a Volkswagen trouxe do México (com o privilégio da isenção de impostos) o novo Fusca com o fantástico motor 2.0 TSi, de 200 cavalos (o mesmo que equipa o também mexicano Jetta e o alemão Passat), por R$ 76.000,00.
Aos proprietários do belo BMW Z4 resta rezar para jamais encontrar um Fusca no sinal.
Placar final: Besouro 1 X 0 Lebre.
Quem diria?!...


O besouro