---------------------------
Ministério Público Federal pede que Justiça obrigue Y. Yamada a trocar produtos defeituosos
De 2007 a 2011 o Procon/PA recebeu 489 reclamações envolvendo a venda pela empresa de produtos com danos
O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou nesta quinta-feira, 24 de janeiro, ação civil pública contra o grupo Y. Yamada, solicitando que a Justiça obrigue a empresa a indenizar com urgência consumidores que não conseguiram trocar produtos defeituosos. O MPF também quer que a rede Y. Yamada seja condenada a dar ampla divulgação sobre os prazos para trocas e sobre a possibilidade de a empresa ser responsabilizada judicialmente caso não respeite os direitos dos consumidores.
Segundo investigações feitas pelo procurador da República Bruno Araújo Soares Valente, autor da ação, atualmente a Y. Yamada só efetua trocas no prazo de sete dias, sendo que o Código de Defesa do Consumidor estipula esse prazo em até noventa dias, nos casos de bens duráveis.
O MPF soube da irregularidade por meio de denúncia de consumidor que foi informado não ser “política da empresa” fazer trocas passados sete dias depois da compra. Diante da denúncia, o MPF questionou a empresa, mas o grupo comercial não apresentou nenhuma justificativa.
Após a tentativa de diálogo, Soares Valente procurou a Agência de Proteção e Defesa do Consumidor do Pará (Procon/PA) para saber se havia registros de reclamações realizadas contra a empresa Y. Yamada em razão de recusa em substituir produtos defeituosos. O Procon informou que de 2007 a 2011 foram realizadas 489 reclamações contra a empresa envolvendo produtos entregues com danos.
Novamente questionada pelo MPF, a empresa Y. Yamada não apresentou qualquer esclarecimento ou justificativas.
Na ação, Soares Valente diz que a prática da instituição, reconhecida pelos próprios funcionários como “política da empresa”, é desrespeitosa e abusiva. “Há ocorrência da prática abusiva prevista no inciso IV, do art. 39 do CDC, uma vez que é manifesta a tentativa da empresa em prevalecer da fraqueza ou ignorância do consumidor para vedar estes de suas prerrogativas legais”, conclui o procurador da República.
Na ação, o MPF pede que a justiça obrigue a empresa a divulgar de forma interna e externa os direitos legais dos consumidores relativos à troca de produtos comercializados com defeito, enfatizando o prazo para reclamação, bem como sua responsabilidade solidária em efetuar a troca.
Caso a Justiça acate esse pedido do MPF mas a empresa não cumpra a decisão, Soares Valente solicita o estabelecimento de multa de R$ 50 mil para cada dia de descumprimento. O MPF também quer que os quase 500 consumidores prejudicados pela prática ilegal da empresa sejam indenizados por dano moral coletivo.
Processo nº 0001225-73.2013.4.01.3900 – 2ª Vara Federal em Belém
Íntegra da ação: http://goo.gl/5z2fI
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Iron Maiden na Sapucaí??!!...
Eddie, quem diria, acabou no barracão!
Sou do tempo em que rock era rock, e samba-enredo era algo que infestava compulsoriamente as rádios do país nas semanas pré-carnaval, e nada mais.
A primeira FM que vi romper a dita "ditadura do carnaval" foi a 89 FM, de São Paulo, em 1986, com a clássica vinheta "89 FM, programação normal, e NADA DE CARNAVAL!!!!!!!".Rock e samba-enredo eram para mim como água e azeite, e nunca, jamais, em tempo algum, imaginei que o rock seria tema de escola de samba no desfile de carnaval do Rio de Janeiro.
E, ironicamente através de uma rádio especializada em rock clássico (a ótima e paulistana Kiss FM), recebi ontem a notícia bombástica: Eddie, o famoso mascote da banda de heavy metal Iron Maiden, será um gigastesco destaque no desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel, cujo tema deste ano é o Rock In Rio.
E na comissão de frente virá ninguém menos do que Serguei, o primeiro (?!) rockeiro brasileiro, o namorado brasileiro (?!) de Janis Joplin.
Bem, neste quesito em particular, mais apropriado e carnavalesco, impossível...
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Inexplicável e imponderável
Alguns vídeos atingem um tal grau de popularidade no You Tube que fica difícil explicar o porque de tantas visualizações.
Dois exemplos claros (ou obscuros?) para mim são o do vendedor paquistanês anunciando peixe por uma libra esterlina em um mercado londrino (acima; mais de 30 milhões de views em duas versões) e o nacional E o Pintinho Piu (abaixo; 25 milhões de visualizações).
Os dois vídeos têm em comum o bom humor, a produção de baixo custo e melodias que facilmente se transformam em poderosos memes, grudando por horas nas nossas memórias.
No final de tudo o culpado parece ser o nosso próprio cérebro, esta máquina maravilhosa que tem inclusive a capacidade de zombar dos proprietários: nós mesmos!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
E ai?
---------------
Questão maiúscula é a que envolve a derrocagem do Tocantins e o lobby sobre a Ferrovia Norte-Sul. O que fazer com as populações que se fixaram no entorno de um projeto mineral como o que envolve a Vale? O que fazer com as populações que estão no entorno de Barcarena? A discussão levada pelos dois maiores jornais em circulação no Pará é simplesmente ridícula, e anti-democrática, em se tratando de projetos desta envergadura. Os custos de uma estrada de rodagem estão aí para quem quiser ver; basta olhar a malha viária do Pará. Quer mais? Dê uma voltinha pela Transamazônica.......Não satisfeito?!? Entre no debate sobre a BR-163. Vá em Santarém e ao oeste do Pará, converse com as populações locais! Enfim! Até quando vamos governar como se o Pará estivesse localizado em Belém(imaginem o resto)? O PSDB foi governo por 12 anos; e continua governo. O PT de Ana Júlia Carepa ainda arranhou algumas posições sobre o desenvolvimento do Sul do Pará. Mas, o que vai significar para o Pará se o lobby da Ferrovia Norte-Sul sair de Açailândia rumo a Barcarena? E o que vai significar a derrocagem do Tocantins com o estabelecimento de uma via de desenvolvimento pelos rios?
---------------------------------------
Questão maiúscula é a que envolve a derrocagem do Tocantins e o lobby sobre a Ferrovia Norte-Sul. O que fazer com as populações que se fixaram no entorno de um projeto mineral como o que envolve a Vale? O que fazer com as populações que estão no entorno de Barcarena? A discussão levada pelos dois maiores jornais em circulação no Pará é simplesmente ridícula, e anti-democrática, em se tratando de projetos desta envergadura. Os custos de uma estrada de rodagem estão aí para quem quiser ver; basta olhar a malha viária do Pará. Quer mais? Dê uma voltinha pela Transamazônica.......Não satisfeito?!? Entre no debate sobre a BR-163. Vá em Santarém e ao oeste do Pará, converse com as populações locais! Enfim! Até quando vamos governar como se o Pará estivesse localizado em Belém(imaginem o resto)? O PSDB foi governo por 12 anos; e continua governo. O PT de Ana Júlia Carepa ainda arranhou algumas posições sobre o desenvolvimento do Sul do Pará. Mas, o que vai significar para o Pará se o lobby da Ferrovia Norte-Sul sair de Açailândia rumo a Barcarena? E o que vai significar a derrocagem do Tocantins com o estabelecimento de uma via de desenvolvimento pelos rios?
---------------------------------------
A volta do Líbero Luxardo
Olá, amigos que deixei faz tempo, mas sempre com vontade de voltar por aqui. Volto hoje, com a satisfação de saber que o Cine Líbero Luxardo, do CENTUR, voltou à ativa após uma reforma interminável (pra variar).
Neste cenário de cinemões comerciais e seus filmes de apelo sobretudo econômico, doía a saudade dos tempos em que se podia assistir a filmes de arte. Até ousamos acreditar que as opções aumentariam com o cineteatro da Estação das Docas, mas na verdade há anos que aquele espaço serve apenas para eventos, perdendo a natureza que deveria ter, a julgar pela classificação que lhe deram.
Mais legal ainda é perceber que o Líbero Luxardo não retorna com uma cópia gasta de um filme antiquíssimo. Ao contrário, ele exibirá, a partir de hoje, Moonrise kingdom, de Wes Anderson, aplaudido no Festival de Cannes de 2011. Não é novíssimo, mas pelo menos nos faz pensar se teremos, de volta, a oportunidade de ver grandes títulos do cinema mundial passando na cidade quando ainda estão frescos na memória os elogios que receberam.
Saúde e vida longa ao Líbero Luxardo, lembrando que os preços por ele praticados sempre foram mais convidativos do que os das salas comerciais, servindo de estímulo a uma, ainda que modesta, maior acessibilidade à cultura.
Neste cenário de cinemões comerciais e seus filmes de apelo sobretudo econômico, doía a saudade dos tempos em que se podia assistir a filmes de arte. Até ousamos acreditar que as opções aumentariam com o cineteatro da Estação das Docas, mas na verdade há anos que aquele espaço serve apenas para eventos, perdendo a natureza que deveria ter, a julgar pela classificação que lhe deram.
Mais legal ainda é perceber que o Líbero Luxardo não retorna com uma cópia gasta de um filme antiquíssimo. Ao contrário, ele exibirá, a partir de hoje, Moonrise kingdom, de Wes Anderson, aplaudido no Festival de Cannes de 2011. Não é novíssimo, mas pelo menos nos faz pensar se teremos, de volta, a oportunidade de ver grandes títulos do cinema mundial passando na cidade quando ainda estão frescos na memória os elogios que receberam.
Saúde e vida longa ao Líbero Luxardo, lembrando que os preços por ele praticados sempre foram mais convidativos do que os das salas comerciais, servindo de estímulo a uma, ainda que modesta, maior acessibilidade à cultura.
"A cidade é moderna, dizia um cego a seu filho...."
----------------------
É curioso pensar sobre os destinos da nossa cidade. As lentas transformações parecem ter o mesmo destino das transformações bruscas: caos, sujeira, e a crescente autonomia privada dos indivíduos diante dos bens considerados públicos. Em Belém, os limites entre o público e o privado já deixaram de existir. Temos a Estação das Docas no final da subida da av. Presidente Vargas. Temos um porto de embarque de passageiros e de cargas ao lado da Estação das Docas. Temos um casario alto diante da Estação. Temos o Mercado do Ver-o-Peso, à direita. O centro comercial está afunilado entre o bairro da Campina e a Estação das Docas, desce a 15 de Novembro e faz o contorno para a Cidade Velha, com suas lojas de ferragens e materiais de construção. Neste pequeno espaço temos assistido ao saque, realizado pelo trabalho informal e pela pobreza, sobre os equipamentos públicos e sobre o patrimônio histórico da cidade de Belém. Como se não bastasse o processo de saque, temos um Shopping Center encravado no Bairro do Reduto; e outro na Padre Eutíquio. O trânsito é cruel com a Cidade Velha e com o Comércio. O que dirá com o Ver-o-Peso? As populações da cidade migram, durante muitas horas, para essa região. E uma parte está aqui, vivendo, dormindo e trabalhando. Nas noites, pode-se observar que o numero de moradores aumenta debaixo das marquises dos prédios, uma população flutuante. O bairro da Campina foi esquecido à própria sorte pelos sucessivos governos municipais. Buracos, lixo, ocupações irregulares e miséria humana, dão tonalidades decadentes ao bairro; e os prédios abandonados vão sendo ocupados pelos desvalidos e loucos. Saindo da Campina, temos a Praça da República e o Teatro da Paz. Ao lado, o bairro do Reduto margeando as Docas do Pará. Depois o canal da Doca de Souza Franco, antigo Igarapé das Armas. Em meio a este ambiente urbano, tivemos que assistir ao ex-vereador Gervásio Morgado em suas sucessivas tentativas de privatizar o espaço público para atender aos interesses do capital imobiliário e financeiro. Estou cansada de ouvir que sem a Estação das Docas, o Mangal e o Parque da Residência, não teríamos o que mostrar aos visitantes que chegam em nossa cidade. É vero! E, cada vez que ouço isto, tenho a certeza de que não temos planejamento público, em Belém. Temos ações isoladas que não pensam o desenvolvimento econômico e social da cidade e de seus cidadãos. Querem ter certeza? Façam a relação turismo, desenvolvimento urbano e investimentos em equipamentos públicos voltados ao turismo, e com a finalidade de gerar emprego e renda. Feito isto, vamos verificar os retornos destes investimentos ao desenvolvimento econômico, social e cultural do Município de Belém. Pode ser por estratificação de renda; que, aliás, é a grande vedete dos discursos políticos: emprego e renda. De outro, vamos pesquisar quanto custa o investimento público na estrutura urbana de Belém, que leve em consideração saneamento básico: água e esgoto, por exemplo. Estamos vivendo sobre a merda, sem saneamento básico, sem água na torneira de milhares de moradores de Belém; temos um trânsito caótico e cidadãos apáticos; quando não coniventes com a depredação da cidade. O poeta Paulo Nunes se referiu a Belém como um poleiro, e muita gente não gostou. Mas, e de fato, estamos em um poleiro. E que me perdoe a classe média média e a classe alta que andam sobre rodas: o sistema de transporte de Belém é a mais perfeita tradução da iniquidade a que estamos submetidos, como população e como cidadãos. É verdade que não é só Belém; e isto não nos redime; sequer nos consola.
É curioso pensar sobre os destinos da nossa cidade. As lentas transformações parecem ter o mesmo destino das transformações bruscas: caos, sujeira, e a crescente autonomia privada dos indivíduos diante dos bens considerados públicos. Em Belém, os limites entre o público e o privado já deixaram de existir. Temos a Estação das Docas no final da subida da av. Presidente Vargas. Temos um porto de embarque de passageiros e de cargas ao lado da Estação das Docas. Temos um casario alto diante da Estação. Temos o Mercado do Ver-o-Peso, à direita. O centro comercial está afunilado entre o bairro da Campina e a Estação das Docas, desce a 15 de Novembro e faz o contorno para a Cidade Velha, com suas lojas de ferragens e materiais de construção. Neste pequeno espaço temos assistido ao saque, realizado pelo trabalho informal e pela pobreza, sobre os equipamentos públicos e sobre o patrimônio histórico da cidade de Belém. Como se não bastasse o processo de saque, temos um Shopping Center encravado no Bairro do Reduto; e outro na Padre Eutíquio. O trânsito é cruel com a Cidade Velha e com o Comércio. O que dirá com o Ver-o-Peso? As populações da cidade migram, durante muitas horas, para essa região. E uma parte está aqui, vivendo, dormindo e trabalhando. Nas noites, pode-se observar que o numero de moradores aumenta debaixo das marquises dos prédios, uma população flutuante. O bairro da Campina foi esquecido à própria sorte pelos sucessivos governos municipais. Buracos, lixo, ocupações irregulares e miséria humana, dão tonalidades decadentes ao bairro; e os prédios abandonados vão sendo ocupados pelos desvalidos e loucos. Saindo da Campina, temos a Praça da República e o Teatro da Paz. Ao lado, o bairro do Reduto margeando as Docas do Pará. Depois o canal da Doca de Souza Franco, antigo Igarapé das Armas. Em meio a este ambiente urbano, tivemos que assistir ao ex-vereador Gervásio Morgado em suas sucessivas tentativas de privatizar o espaço público para atender aos interesses do capital imobiliário e financeiro. Estou cansada de ouvir que sem a Estação das Docas, o Mangal e o Parque da Residência, não teríamos o que mostrar aos visitantes que chegam em nossa cidade. É vero! E, cada vez que ouço isto, tenho a certeza de que não temos planejamento público, em Belém. Temos ações isoladas que não pensam o desenvolvimento econômico e social da cidade e de seus cidadãos. Querem ter certeza? Façam a relação turismo, desenvolvimento urbano e investimentos em equipamentos públicos voltados ao turismo, e com a finalidade de gerar emprego e renda. Feito isto, vamos verificar os retornos destes investimentos ao desenvolvimento econômico, social e cultural do Município de Belém. Pode ser por estratificação de renda; que, aliás, é a grande vedete dos discursos políticos: emprego e renda. De outro, vamos pesquisar quanto custa o investimento público na estrutura urbana de Belém, que leve em consideração saneamento básico: água e esgoto, por exemplo. Estamos vivendo sobre a merda, sem saneamento básico, sem água na torneira de milhares de moradores de Belém; temos um trânsito caótico e cidadãos apáticos; quando não coniventes com a depredação da cidade. O poeta Paulo Nunes se referiu a Belém como um poleiro, e muita gente não gostou. Mas, e de fato, estamos em um poleiro. E que me perdoe a classe média média e a classe alta que andam sobre rodas: o sistema de transporte de Belém é a mais perfeita tradução da iniquidade a que estamos submetidos, como população e como cidadãos. É verdade que não é só Belém; e isto não nos redime; sequer nos consola.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Prefiro putas do que drogados!
-------------------
Pensar onde se vive, e por que se vive ali, é no que estou a pensar neste momento. Vejam bem: moro no bairro da Campina. Histórico bairro das lavadeiras e das putas; e desde que Porto é Porto....Pois bem, este bairro está sendo invadido pelos crakeiros. Uma geração de loucos que os traficantes estão construindo para nós aturarmos e pagarmos com a vida e o trabalho os carros de luxo e as viagens. Diga-se de passagem: isto não tem repressão! O crack decide quem vai virar marginal: é a droga que já diz quem vai para a marginalidade e para a loucura. Crack: Morreu! Está morto! Uma população de mortos vivos está tomando conta do bairro da Campina. Não podemos permitir. E eu não posso ficar à margem; não posso!. É um bairro que, revitalizado, pode gerar muitas ações importantes para a cidade. Aqui está o centro histórico de Belém. Aqui estão Igrejas importantes, o Arquivo Público do Estado, o casario que restou, e uma bela porta da baia do Guajará. Um mundo de memórias, que não pode se tornar o teatro da loucura. Não mesmo! Inclusive temos um espaço teatral no bairro que é um ponto de cultura: o Teatro Cuíra. Não vai dar só para ficar lamentando. As ações para a retirada dos crakeiros, são prisões e policiamento ostensivo na área; com a prisão de toda a cadeia de indivíduos que querem transformar a Campina em a Cracolândia de Belém. Nem morta Santa! Meu SLOGAN: PREFIRO PUTAS DO QUE DROGADOS!
Publicado no Jornal O Liberal, coluna de Bernardino Santos.
Pensar onde se vive, e por que se vive ali, é no que estou a pensar neste momento. Vejam bem: moro no bairro da Campina. Histórico bairro das lavadeiras e das putas; e desde que Porto é Porto....Pois bem, este bairro está sendo invadido pelos crakeiros. Uma geração de loucos que os traficantes estão construindo para nós aturarmos e pagarmos com a vida e o trabalho os carros de luxo e as viagens. Diga-se de passagem: isto não tem repressão! O crack decide quem vai virar marginal: é a droga que já diz quem vai para a marginalidade e para a loucura. Crack: Morreu! Está morto! Uma população de mortos vivos está tomando conta do bairro da Campina. Não podemos permitir. E eu não posso ficar à margem; não posso!. É um bairro que, revitalizado, pode gerar muitas ações importantes para a cidade. Aqui está o centro histórico de Belém. Aqui estão Igrejas importantes, o Arquivo Público do Estado, o casario que restou, e uma bela porta da baia do Guajará. Um mundo de memórias, que não pode se tornar o teatro da loucura. Não mesmo! Inclusive temos um espaço teatral no bairro que é um ponto de cultura: o Teatro Cuíra. Não vai dar só para ficar lamentando. As ações para a retirada dos crakeiros, são prisões e policiamento ostensivo na área; com a prisão de toda a cadeia de indivíduos que querem transformar a Campina em a Cracolândia de Belém. Nem morta Santa! Meu SLOGAN: PREFIRO PUTAS DO QUE DROGADOS!
Publicado no Jornal O Liberal, coluna de Bernardino Santos.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Jeremias Almeida da Silva
--------------------------------------
A "preguiça embarcada".
-------------------------
Esse aí debaixo é o Sr. Jeremias Almeida da Silva, 77 anos, que nasceu em Anajás/Ilha de Marajó.
Toma açaí todos os dias e desde que nasceu! É neto de um cearense que chegou em Anajás para extrair borracha: provavelmente no começo do 1900. O pai dele foi, depois, tentar a sorte em Alcobaça: hoje Tucuruí. Mas depois, o pai dele voltou, e ele nasceu em Anajás, já na volta do pai. Foi a filha, quem levou o Sr. Jeremias para Breves. Ele está lá há 20 anos: e gosta! Uma figura! Adorou tirar a foto: imediatamente se postou diante da câmera de fotografia. Foi ele que me chamou para tirar a foto desta "preguiça embarcada". Adorei! Deixo, junto ao Sr. Jeremias, a "preguiça embarcada". Meu pai, Frederico Fontenele Morbach, gostava de contar sobre a cara que os cachorros faziam quando eram embarcados nas canoas e barcos. E, volta e meia, ele descrevia esta situação e dizia - "Fulano está com cara de "cachorro embarcado".
----------------------------------------
A "preguiça embarcada".
-------------------------
Esse aí debaixo é o Sr. Jeremias Almeida da Silva, 77 anos, que nasceu em Anajás/Ilha de Marajó.
Toma açaí todos os dias e desde que nasceu! É neto de um cearense que chegou em Anajás para extrair borracha: provavelmente no começo do 1900. O pai dele foi, depois, tentar a sorte em Alcobaça: hoje Tucuruí. Mas depois, o pai dele voltou, e ele nasceu em Anajás, já na volta do pai. Foi a filha, quem levou o Sr. Jeremias para Breves. Ele está lá há 20 anos: e gosta! Uma figura! Adorou tirar a foto: imediatamente se postou diante da câmera de fotografia. Foi ele que me chamou para tirar a foto desta "preguiça embarcada". Adorei! Deixo, junto ao Sr. Jeremias, a "preguiça embarcada". Meu pai, Frederico Fontenele Morbach, gostava de contar sobre a cara que os cachorros faziam quando eram embarcados nas canoas e barcos. E, volta e meia, ele descrevia esta situação e dizia - "Fulano está com cara de "cachorro embarcado".
----------------------------------------
domingo, 20 de janeiro de 2013
Anton Corbijn, um outsider
Mas, Corbijn foi, e sempre será, ligado à história da legendária banda de Manchester, Joy Division. "Foi por causa deles que eu saí da Holanda, e claro, porque fui demitido da revista onde trabalhava porque minhas fotos eram consideradas muito dark", conta Corbijn.
Essa fama de ser fora do convencional, apesar de trabalhar com o supra sumo do mundo rock/pop dos anos 80, 90 e até agora, quase fez com que Corbijn fosse "desconvidado" da direção do filme Control, a biografia de Ian Curtis, o líder do Joy Division, que se matou em 1980.
Quem viu o filme sabe que nenhum outro diretor conseguiria mergulhar daquela maneira no universo atormentado de Curtis. Shadow Play foi feito justamente em 2007, durante o processo de produção de Control.
Soube que há outro documentário mais atual sobre Corbijn. O trailer de Inside Out está também no Youtube.
Para quem quiser saber mais sobre o Corbijn, recomendo o site dele, que é uma obra de arte só. Ah, ele também dirigou George Clooney, em O Americano.
Joy Division and Corbijn
Um dos mais impressionantes trabalhos do diretor holandês Anton Corbijn é esta homenagem a Ian Curtis, oito anos após o suicídio do líder da banda Joy Division. O vídeo de Atmosphere, acabou sendo uma homenagem controversa porque, na época de lançamento, 1988, os ex-integrantes da legendária banda de Manchester teriam detestado o vídeo. Mas, o tempo passou e, sem dúvida, a solidificação da carreira de Corbijn mudou o rumo dos ventos. No documentário Shadow Player, a história deste videoclip é contada da perspectiva do diretor holandês, do diretor da gravadora do Joy Division - que encomendou o vídeo ("use as fotos que você tem do Ian") e de Bernard Summer, um dos sobreviventes da banda do Joy Division e integrante da banda New Order. Bernard garante: "por mais de 10 anos pensaram que nós detestamos o vídeo, mas eu na verdade acho um trabalho maravilhoso". E é mesmo.
Dia Nacional do Fusca
Há exatos 54 anos o Volkswagen Sedan começava a ser produzido no Brasil, ganhando imediatamente o apelido de Fusca (corruptela de Fouquisvaguen, a pronúncia de Volkswgen em alemão). E por esse motivo o dia 20 de janeiro foi escolhido como o Dia Nacional do Fusca.
Com toda a certeza este foi o carro mais importante da história da indústria automobilística brasileira, e um dos mais produzidos no mundo em todos os tempos.
Falar do Fusca é redundante e desnecessário, pois afinal de contas, quem nunca teve um, ou namorou num, ou passeou de, ou quis ter um, ou pelo menos viu um Fusca?!...
Kaefer 1938
Fuscas brasileiros
Fusca 2013
PS: este post presta homenagem ao nosso comentarista frequente Pedro do Fusca, dono do Fusca mais bonito de Belém, ao flâneur Roger Normando, proprietário do já lendário Fusca Azul Calcinha, e a todos os aficcionados pelo besouro.
sábado, 19 de janeiro de 2013
The Pearl 70
Há exatos 70 anos, na pequena Port Arthur, no estado do Texas, nascia a pérola do rock, soul e, principalmente, do blues para uma trajetória fulgurante e curtíssima. Viveu 27 anos e 9 meses, mas entrou para a História como uma das maiores vozes de todos os tempos. Seu nome: Janis Lyn Joplin. Entre as preciosidades dessa carreira intensa e curta está a presença dela no Festival de Woodstock, em Bethel, no estado de Nova York. Era 16 de agosto de 1969. Janis se apresentou com a The Kozmic Blues Band. Aqui, 10 minutos dessa performance antológica. E para mergulhar no universo de Pearl, como a chamavam, recomendo o site oficial de Janis.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Translendário 2013
A versão 2013 do super-polêmico Translendário foi lançada na última quarta-feira, em Fortaleza.
O calendário, criado pelo grupo teatral As Travestidas no ano passado, tem como objetivo quebrar o preconceito em relação às pessoas trans e usa muitas referências religiosas.
Dentre os colaboradores da obra deste ano está o cartunista Laerte.
Os interessados podem comprar o calendário na página do As Travestidas no Facebook.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Rockobótica
A primeira banda de rock composta exclusivamente por robôs, a Compressorhead, acabou de lançar mais um vídeo, desta feita com o clássico hit Blitzkrieg Bop, dos Ramones.
O projeto todo começou em 2006, criado pela alemã Robocross Machines e é liderado pelo programador robótico Frank Barnes.
O mais antigo membro é o robô-baterista Stickboy, que tem 4 braços e 2 pernas, e ainda é auxiliado pelo seu "filho bastardo de mãe desconhecida", Stickboy Junior. O grupo conta desde 2009 com o guitarrista de 78 dedos Fingers, e ficou completo no ano passado com a inclusão do baixista Bones.
O sucesso da versão robotizada de Ace of Spades (do Motorhead), lançado em 3 de janeiro último, foi estrondoso e já registra mais de 4 milhões de visualizações no You Tube.
A banda encontra-se em turnê na Austrália, e o programa pode ser checado aqui.
Hey Ho Let´s Go!
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Estava pronta
O perfume dela se dissipava no seu rastro feito cio. Não tinha como passar sem ser percebida por uma falange faminta e marrom. Ela tampouco parecia fazer muito esforço pra chamar atenção e o sorriso saliente no canto da boca, acompanhado dos passos ligeiros, defendiam sua determinação. Não estava à toa. Tinha metas. Ainda assim, não era indelicada ao ponto de rejeitar um trago. Tomava-o e seguia o rumo da venta, com uma palavra qualquer ao vento, pra saciar o insaciável rapaz que acabara de arriar o cesto de açaí. Verde. Letras de um segredo pintadas de branco. A chuva se insinuava, mas não era páreo pra lua que fazia o rio reluzir e os barcos chacoalharem como o trem da Central. No final do estacionamento, entre o rio e a muralha de pedras, um carro tilitando estava às escuras, e ela sabia fazê-lo trotar. Chegava para terminar o serviço e esbanjar seu suor no capô. Cestos de açaí passeavam sobre cabeças e braços delineados firmemente a olhos vistos. O som da aparelhagem estava longe, só o suficiente para que pudessem trocar algumas poucas palavras de ordem. Fazer negócios. Tragaram um cigarro juntos. Sem muita despedida, cada um foi para o seu lado. Ela continuava com passos firmes e o sorriso no canto dos lábios. O banheiro, um real. Estava pronta.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Alô, alô interior!
Alô, alô interior! Alô, alô interior! Atenção, Dona Cleinha! Atenção,
Dona Cleinha! Seu filho Durval manda avisar que a esposa Jandirá acabou de
parir. É seu primeiro neto e se chama Antonio - Tonico para os mais íntimos...
A mensagem saiu de uma
rádio difusora, a primeira forma de se comunicar pelo interior, principalmente da
Amazônia. Essa espécie de pombo-correio eletrônico-sonoro era o meio de se matar
saudade, anunciar notas fúnebres, felicitações de aniversário, além de outros
enunciados do cotidiano da floresta. São mensagens por vezes íntimas e
pessoais, que em boa parte, só se tornam públicas pela necessidade da
informação.
Agora me vem esse
moço, Ney Conceição, fazer-nos lembrar desses tempos idos de vida interiorana,
ao lançar o quarto trabalho de música instrumental, intitulado “Alô, alô
interior!”. O título nos remete a esse alumbramento, essa coisa nostálgica. O
trabalho é fruto de pesquisa da musicalidade interiorana, daí o título. Percebe-se
tal elemento na zabumba, triângulo e sanfona, entre tantos elementos acústicos.
Do frevo ao carimbó, a sonoridade desse artista embala o resultado de sua
pesquisa: magnífica. As pitadas de jazz enobrecem o disco
Se hoje Ney Conceição é
considerado um dos maiores contra-baixistas do país, o produto do
experimentalismo só podia ter lançamento no Teatro Experimental Waldemar
Henrique, em Belém, sua casa. Acompanhado de músicos locais e nacionais, esse
paraense da gema do açaí, por ora assentado no sudeste do País, deixa claro que
o título remete a uma forma de se comunicar, de enviar notícias de um mundo geograficamente
maior para outro mais distante, através da arte. Nada melhor do que a música,
uma metáfora das ondas tropicais dos rádios, para esse trabalho de autopsia da
história das difusoras.
O show de lançamento (13/01/2013),
em si, foi eletrizante, estonteante. Atingiu a maior amplitude de onda quando tocou a música-título
em homenagem ao interiorano Dominguinhos, entubado numa CTI, sob risco de
sucumbir. Foi uma espécie de oração ao ritmo do nordeste. Além de Arimatéia, um
trumpetista participativo de realengo que tufava a jugular com seus
sopros metálicos, havia ainda o baterista Cristiano Galvão e o percussionista
Dadadá. As Participações do trio Manari e Sebastião Tapajós fez-nos mostrar
quão possível é a integração entre os povos, basta ler a partitura da vida. Mas
o maior destaque, afora o Ney, foi o carioca Luiz Otávio, de 23 anos, tecladista.
Converteu-se em Stevie Wonder e reluziu. Reluziu no sentido jazzístico, ainda
que suas turvas retinas lhe escondam a luz.
A platéia estava extasiada.
Eram músicos, artistas de outras áreas, professores ligados à arte, e eu,
acompanhado de meu filho, um irrequieto contrabaixista e admirador do Ney. Olivar
Barreto contorcia seu pomo; Almirzinho Gabriel se maravilhava; Nego Nelson
pedia bis. Marcos Puff, o destemido Ariel e uma turma de saxofonistas invadiram
o palco, no final, para regozijar Ney. Uma festa interiorana, dessas com
direito a bingo. João Pedro, o filho, dedilhava às escondidas um contrabaixo
que eu fingia ver. E eu? Só batia palmas. Era o que me restava. É a única coisa
que sei fazer.
... Alô, alô interior! Alô, alô interior!
Atenção Dona Cleinha! Atenção Dona Cleinha! Ele manda dizer também: assim que findar
o resguardo, e tão logo as chuvas minguarem, ele pega um popopô no rumo da boca
e vara por aí. Prepare um caldo de Gurijuba que é pra dar sustância pro Bacuri
e também pra ele já ter nas ideias a vida de pescador.
Adiós La Brugeoise
Como nossa correspondente na região do rio da Prata, Erika Mohry, anda num tour volta às raízes (ver o post Conciliações Possíveis), tomo a liberdade de escrever sobre mi Buenos Aires querido. Mais precisamente sobre a grande repercussão aqui na Bélgica da retirada dos velhos trens da linha A do metrô (Subte, como dizem os portenhos) da capital argentina.
É que esses trens são conhecidos como La Brugeoise, nome da fábrica onde foram feitos entre 1913 e 1919, aqui no bairro ao lado de nossa casa, em Brugge. (Foto abaixo, feita ainda em Brugge antes da entrega dos vagões). Tive o privilégio ao visitar duas vezes Buenos Aires de andar nesses lindos trens, com interior de madeira em estilo art-déco.
Pena que eles saem de cena, apesar dos protestos. Abaixo, a foto atual de La Brugeoise, em Brugge, que virou, em parte, um centro de eventos, mas que ainda preserva os grandes galpões que abrigam a fábrica de veículos de transporte coletivo, agora de trens e trams, da Bombadier.
Nanoconto: Belém, Belém... (II)
Na noite paraense brilha meia estrela de Belém.
A outra metade esconde seu brilho com medo de perdê-lo pros bandidos.
Antonio Maria, escritor de nanocoisas.
A outra metade esconde seu brilho com medo de perdê-lo pros bandidos.
Antonio Maria, escritor de nanocoisas.
domingo, 13 de janeiro de 2013
conciliações possíveis
De volta à terra natal, mesmo que temporariamente, retomo um processo que me é familiar: nostalgias, melancolias, lembranças e descobertas. Essa imagem de Cristo, creio que em gesso, remonta, como num passe de mágica, à minha infância, quando ia com freqüência à cidade paraense que meu avô paterno, Hassan, dizia ser muito parecida com sua cidade de origem no Líbano, Deir Amar. Areia branca, dunas, mar e muito vento. Ele chegou a morar em Salinas por alguns bons anos. E eu chegava a passar um mês quase inteiro de férias com eles, enquanto meus pais trabalhavam.
Ainda que mulçumano, meu avô casou com uma brasileira cristã. Minha doce vó Adélia. A conciliação com relação a esta imagem, por exemplo, lembro como se fora hoje, dava-se por meio de um véu negro sobre ela, depositada indefectivelmente dentro do armário. Eu relutava entre a curiosidade e o medo. Gostava de abrir o armário para vê-la, mas me assustava sempre. Não entendia bem.
Meu pai retroalimenta minhas vagas lembranças do meu avô de pijama no quarto a rezar. Ele se banhava antes de se dedicar ao alcorão, recolhido aos seus aposentos.
Era a conciliação possível para o casal à época. Um nível de respeito, portanto, havia ali. Respeito, amor. A paz possível, que tanto eu gostaria de ver entre os povos que não conseguem se tolerar e se põem a sangrar desmesuradamente.
Em nossa ida à cidade no final de 2012, resolvi fotografar a imagem que tanto me captura e que agora já pode ficar à mostra e sem véu, mas a provocar as mesmas emoções em mim.
Marajó!
---------------------------
Chegando em Breves....na beira-rio as casas de madeira e os pés
de Açaí, como nas pinturas dos caboclos talentosos......Muitos barcos; de todos os tamanhos e feitios. As caboclas lindas vestindo pequeninos shorts – pura redundância -; pernas esplendorosas, saltos altos, cabelos lisos. Simplesmente lindas. Os
tipos marajoaras na mistura de portugueses, negros, índios, e nordestinos. São
centenas de nordestinos: cearenses em sua maioria. Chegando em Breves pelo porto: ruas largas e farmácias; ramo que os nordestinos
dominam. O Hotel em que estou tem
escadas para alpinistas. São íngremes e
de degraus tão altos, que penso em fundar uma nova engenharia de se chegar aos
céus. O tempo é outro. Os modos: outros? Não mesmo. O Pará do
Norte vive em Belém. Trabalha aqui, mas mora aí. São a grande maioria dos moradores de Belém. Mesmo
que pintem os cabelos
de loiro; usem salto alto, camisetas com palavras em Inglês -
e falem no celular com a desenvoltura de
quem toma açaí todos os dias -, são belemenses. Curtem o Ver-o-peso, a Yamada e
a Visão. Estão nos barcos como nos ônibus: desalinhados e precários. Os banheiros são um capítulo a ser reescrito
em algum manual de higiene; e que não tenha sido escrito pelos nossos avôs
portugueses: todos aqui: em Breves. Nossa Senhora de Breves nos aguarda no
porto, com seu filho português. Alta, branca, azul e rosa: Nossa Senhora de Breves! Chove, e a umidade toma conta dos ossos e da alma. Delícia: sou
um peixe branco de olhos verdes. Alemã, portuguesa, índia, negra, nordestina:
paraense da gema!!
-------------------------------------------------
Pensata
Sem a menor intenção de defender o projeto do entorno do "novo" Maracanã - até porque, a princípio preservacionista, não creio que derrubar prédios antigos seja uma proposta arquitetônica adequada -, quero sugerir uma ideia para discussão: um grupo vivendo há 20 anos no centro de uma metrópole, aparentemente em um cortiço, pode ser ainda considerado indígena para fins de proteção legal?
Com a palavra, os especialistas.
sábado, 12 de janeiro de 2013
Nanoconto: Belém, Belém...
A terra acabou de parir dois bacuris a partir de minhas partículas de bóson. Deu-se meu big bang na floresta de mangueiras.
Revendo os clássicos - Once Upon A Time In The West
O inverno voltou por aqui (hoje a máxima é 2°C) e, assim, nada como um bom filme em casa. Escolhi rever Once Upon A Time in The West (Era uma vez no Oeste), de 1968, do genial Sergio Leone. Acho que assisti pela primeira vez no cineclube da APCC, coordenado pelos nossos mestres Pedro Veriano e Luzia Miranda Álvarez, lá pelos idos de 1984/1985. Depois, já na Université de Louvain, em 2008, o melhor professor que tive no mestrado mostrou essa sequência, neste que é um filme com várias sequências antológicas: o confronto dos pistoleiros na chegada de Harmonica (Charles Bronson) na estação de Flagstone, o duelo entre ele e Frank (Henry Fonda),... E claro, toda a atuação de Claudia Cardinale, divina no papel de Jill McBain.
O especial nessa cena, sem diálogos, começa com a música do mestre Ennio Morriconi, combinada com a fantástica direção de arte na recrição do Oeste nos tempos dos "pioneiros". É uma aula de cinema: a passagem de Jill pela estação, a câmera que se mantém do lado de fora e que depois se movimenta até mostrar um panorama do lugarejo em ebulição, e a partida de Jill numa carroça...
Bem, para quem se maravilha com Tarantino e Robert Rodriguez, nada melhor que ver a fonte onde eles beberam para serem vistos como diretores cult nesse começo do século XXI.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Um templo para a Inveja?
Postei em junho de 2012 , Dias Cinzas. Estava às voltas com a maluquice do mundo......Entre as quais envelhecer, que virou uma desonra. Queremos viver! Envelhecer? Não! Os lugares comuns ditam as regras do que se deve olhar, apreciar e desejar. Aliás, o preconceito tem esta função: colocar cada coisa em seu devido lugar. E a Inveja? Essa é a grande deusa do mundo contemporâneo: fiquemos de joelhos diante dela....
--------------
As pessoas enlouquecem a olhos vistos. O preconceito e a inveja parecem ser o grande motor disto. E os lugares comuns vão ditando as regras do jogo.
-Eu não sou assim! Como não? Diz uma voz atrás de algum lugar. E este lugar é mais conhecido como o Lugar Comum. A ciência tem uma grande contribuição ao problema, pois conseguiu positivar as coisas: tornou o mundo passível de explicação! Tudo pode ser explicado! Tudo deve ser explicado! É lamentável a camisa de força na qual vamos sendo apertados, comprimidos e silenciados. A força dos lugares comuns é quase que uma vertigem. Se age assim, é porque quer tal coisa! Se pensa assado, é porque quer cozido! E junto com isto veio a ditadura da beleza. Só os belos tem vez! E o pior: Todos podem ser belos! É só uma luz adequada; uma pequena cirurgia plástica, e tudo fica belo! Imaginem o que os velhos europeus vão enfrentar em poucos dias. A maioria da juventude européia está desempregada ou não terá emprego. As garantias sociais que os velhos já alcançaram, dificilmente serão quebradas. Será que envelhecer será um bom negócio, na Europa? O mundo parece um grande angu, no qual a força dos lugares comuns é o tempero. Todos vamos para algum lugar. Todos temos que casar. Todos temos que nos separar. Todos temos que ficar bonitos. Todos temos que ser felizes. Tá feia a coisa! A inveja e o preconceito vão sendo cultuados como os deuses nos templos. Não podemos Ser, em paz. Ninguém pode mais sofrer, que já é um melancólico patológico. Nada disso, melancolia não é um assunto legal! Todos devemos ser felizes! Legal? É seguir o rebanho dos invejosos e preconceituosos. Lamento informar: Dias cinzas, estes!
Eva
Como todos sabemos, muitos bons filmes deixam de ser exibidos
em Belém no circuito Moviecom/Cinépolis, o oligopólio que aniquila qualquer
possibilidade de exibição de um “não-blockbuster” na metrópole da Amazônia.
Recorro com frequência ao binômio DVD/BD para tentar tapar
esses buracos e foi assim que cheguei ao filme espanhol de ficção científica
Eva, Um Novo Recomeço, de 2011, cujo trailer compartilho abaixo com vocês.
Trata-se de uma obra atípica, uma espécie de A.I. Artificial Intelligence um pouco pobre em efeitos especiais, porém riquíssimo em ideias. O pensamento
do filósofo galês Bertrand Russell parece estar muito presente neste maravilhoso
filme alternativo, um contrapeso poderoso às bobagens hollywoodianas que
frequentemente engolimos goela abaixo por pura falta de opção.
Destaco também a atuação pra lá de firme de Daniel Bruhl (de
Adeus Lenin e Bastardos Inglórios).
A cena em que o protagonista manipula o software de design
de modelos virtuais tridimensionais, uma verdadeira interface gráfica da
personalidade robótica, é de uma beleza plástica brutal.
Não posso fazer muitos comentários sobre o enredo de Eva pois
é muito fácil estragar a graça da narrativa.
Gravem apenas a pergunta: “o que você vê quando fecha os
olhos?”.
E bons sonhos!
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Brahms, melancolia e blues
Johannes Brahms
O termo melancolia tem sido usado nas neurociências como uma
característica da depressão, seja na sua forma endógena, somática ou mesmo biológica, e
tem a ver com a tristeza de forma direta.
Instintivamente acabamos por relacionar esta sensação a um
céu cinzento, bem carregado de nuvens e/ou envolto por névoa, semelhante ao
ora presente no dito inverno paraense. Se associarmos uma música triste a
pensamentos ligeiramente negativos e repetidos (pensar num ente querido
ausente, por exemplo), haverá uma grande possibilidade de surgir uma
inquietação dentro de nós, uma agonia, como diz o sábio caboco.
Há poucos anos vivi uma experiência neurosensorial algo
melancólica quando fui assistir a uma apresentação da Orquestra Sinfônica do
Teatro da Paz, cujo programa englobava algumas peças do compositor alemão
Johannes Brahms.
O mês era dezembro e o inverno já mostrava as suas cinzas
garras num dia exatamente como foi a última segunda-feira, aqui em Belém.
Enquanto a sinfônica tocava com maestria a enérgica e
sombria Sonata Número 3, fui invadido por uma sensação de paixão e tristeza brutais
e meu cérebro foi devastado por uma tempestade de neurotransmissores
antagônicos. E tudo catalisado instantaneamente pelo lirismo romântico de Brahms.
Ao sair do da Paz fui obrigado a procurar mais melancolia e
li alguma coisa de T. S. Eliot (ou algo parecido – os registros estão confusos
na memória), apaziguando assim o meu sistema límbico.
Pois na última segunda, debaixo daquele temporal, sob raios
e trovões, agradecendo aos deuses o fato d’eu não estar atravessando a barco a
Baía do Marajó, inundei o carro com um poderoso blues de Buddy Guy, “Feels LikeRain”, e voilá, a mesmíssima sensação retornou de forma brutal.
Na hora, tive a certeza de que as mesmas áreas cerebrais e os
mesmos neurotransmissores estavam envolvidos, tal a similitude e a intensidade
das emoções desencadeadas nas duas ocasiões.
Foi um verdadeiro e curioso déja vu (ou déja senti?).
Lendo ontem um pouco de uma biografia de Brahms, descobri que
o mesmo nutriu uma paixão (supostamente não-correspondida) pela esposa do seu
mentor Schumann, Clara. Este fato, somado a uma infância difícil, às
circunstâncias peculiares de sua vida profissional e a uma provável tendência depressiva, pode
ter contribuído para a obra daquele que é o compositor favorito de muitos
maestros e musicistas mundo afora.
E equalizando as duas experiências que vivi, cheguei a conclusão
simplória de que o nosso inverno amazônico é uma espécie de guardião da melancolia que sub-existe nas profundezas de nossas mentes.
Vida longa ao inverno, ao blues e à música de Brahms!
E haja melancolia...
Assinar:
Postagens (Atom)













