A edição da Science Magazine de 17 de dezembro trouxe à reflexão os destaques científicos da década 2001/2010. Tento sintetizá-los nesta postagem para que passemos a virada do ano flanando e pensando sobre alguns temas fascinantes, que de alguma maneira poderão influenciar os caminhos que trilharemos num futuro breve.
GENOMA HUMANO Temos menos genes do que imaginávamos (apenas 21 mil, um quinto da projeção original). E muito do que julgávamos lixo, na verdade é parte vital do nosso conteúdo genético.
INFLAMAÇÃO As respostas inflamatórias estão presentes nos tecidos em muitas doenças, como o câncer, Alzheimer e diabetes, e são muito mais complexas do que jamais imaginado.
MICROBIOMA Reconhecemos que as bactérias e outros microorganismos desempenham papel vital na proteção e no funcionamento dos nossos corpos.
CÉLULAS-TRONCO Assunto favorito do nosso flâneur Yúdice. Nestes 10 anos começamos a aprender a manejá-las e controlá-las.
DNA PRÉ-HISTÓRICO Com a possibilidade de mapear com precisão o DNA de criaturas e plantas extintas há milhões de anos, temos enfim a capacidade de determinar detalhes sobre o cabelo e a pele dos neandertais, por exemplo.
AQUECIMENTO GLOBAL Nunca o tema foi tão discutido e sua importância tão divulgada quanto na última década “do meio-ambiente”.
ÁGUA EM MARTE A presença de grandes blocos de gelo enterrados em Marte confirmou a teoria da existência de água líquida no planeta, há bilhões de anos. Talvez isso faça toda a diferença para uma futura colonização em solo marciano.
EXOPLANETAS Em 2000 havia apenas 26 planetas documentados fora de nosso sistema solar, número este que subiu para 505 em 10 anos. E com boa perspectiva para novos registros, por conta da tecnologia astronômica.
A última década foi, portanto, a década da biotecnologia e da genética, um período verdadeiramente diferente na maneira de fazer ciência. E as perspectivas são positivas não só nestas áreas, como também na física quântica, no estudo do clima/meio-ambiente e na astronomia. Quem viver, verá e lerá a retrospectiva 2011/2020. Até lá!
Já são mais de 4 mil passageiros bloqueados no aeroporto de Bruxelas, sem poder viajar por conta da nevasca. O tráfego nas estradas em quase toda a Europa está um perigo. Mas, decididamente, sou apaixonado pelo rei inverno, como os belgas costumam chamar esse velho senhor que cada ano nos surpreende. E olha que, oficialmente, ele só começa na terça-feira, dia 21. Desta vez, Sua Majestade veio quebrando recordes: já são 17 dias de neve, um a mais que o pré- inverno de 1945. Neste domingão, saí de casa para fazer algumas fotos pelo bairro. Como a da ponte do Begijnhof, o antigo mosteiro medieval da imagem acima. Brugge, que já é um cenário, ganha ares de conto dos irmãos Grimm. Tudo tão lindo que até não me desanimo quando, penso que, às 6h15 da matina, de segunda à sexta, desenterro minha fiel bicicleta da neve e, como a vizinha da foto abaixo, vou "beirando" o parque ao lado de casa, até a estação de trem para ir ao trabalho...Como aqui a prefeitura funciona, antes dos trabalhadores pedalarem ou dirigirem seus carros, o caminhão que joga sal grosso já passou pela ciclovia, pelas ruas e estradas para garantir a circulação segura dos que cedo madrugam.
Setembro de 2001. Eu ainda era um cara apaixonado. Apaixonado pela mulher maravilhosa que me deu os 2 mais belos filhos que a vida poderia me dar. Vivemos juntos muitas alegrias e momentos de profunda felicidade. Dela, não me sobram queixas e nem resentimentos. Ao contrário, os bons e belos momentos que passamos juntos, crescendo juntos, construindo juntos, serão sempre infinitamente superiores a qualquer outra lembrança que porventura apareça para desmerecê-los. E estar com ela em Paris, em 2001, tenho certeza, que foi a experiência mais marcante de toda a nossa convivência, depois do nascimento de cada um dos filhos queridos. Tão boa, que suplantou até os momentos muito tensos do 11 de setembro do mesmo ano, que assolava outra cidade a milhas e milhas de distância.
E, ao chegar de volta ao Brasil, editei um vídeo compilando nossos momentos felizes naquela estupenda cidade. E digo a vocês: Paris tem tudo a ver com paixão doce e nem tanto desenfreada. Mas apenas paixão. E para ele, reservei uma trilha sonora compatível com a descrição daqueles momentos, que não parávamos de ver e rever. Quase que como uma oração que fazíamos semanalmente, revíamos o vídeo, com outro casal apaixonado que nos acompanhou. Uma viagem grande de cerca de 26 dias, que incluía curto período em Londres e Zurich, mas que era dedicada a Paris.
A música não é nova. Ao contrário, foi produzida em 1953 e interpretada pelo falastrão do Dean Martin. A letra, simples, curta e direta. Bem ao estilo dramalhão holliwodiano. Mas seu casamento com aqueles momentos inesquecíveis foi perfeito.
Nada mais a falar. Só ver, imaginar. E sonhar.
How would you like to be Down by the Seine with me Oh what I'd give for a moment or two Under the bridges of Paris with you
Darling I'd hold you tight Far from the eyes of night Under the bridges of Paris with you I'd make your dreams come true
(How would you like to be Down by the Seine with me Oh what I'd give for a moment or two Under the bridges of Paris with you)
Darling I'd hold you tight Far from the eyes of night Under the bridges of Paris with you I'd make your dreams come true
PS: o slideshow associado a música, não é de minha autoria. Ele foi apenas um dos inúmeros exemplos encontrados no You Tube, produzido por terceiros. Mas ele serve perfeitamente para compartilhar com os leitores a beleza dos momentos que passei por lá. Mesmo que viajando em uma música produzida em 1953.
O recente lançamento de Tron, O Legado, trouxe à memória dos cinéfilos o incrível ano de 1982. Além de Tron – Uma Odisséia Eletrônica, muitos filmes produzidos naquele ano viraram clássicos ou são referências ainda nos dias atuais. Vou mencionar apenas os meus favoritos:
Blade Runner – O Caçador de Andróides (o melhor sci-fi dos anos 80!) Pink Foyd The Wall Jornada nas Estrelas 2 – A Ira de Khan A Marca da Pantera E.T. – O Extraterrestre Poltergeist – O Fenômeno O Enigma de Outro Mundo Basket Case
Agora só falta checar o novo Tron, o que farei oportunamente e com certo receio - essa história de rejuvenescer o Jeff Bridges digitalmente não está me cheirando bem...
Eu que possuo um iPad Keyboard Dock (R$ 259,00), posso apontar uma falha de projeto marcante no iPad. Em outras palavras, um curioso fenômeno ocorre quando um simples acessório, chama a atenção para um problema do produto principal. Entendam bem a questão.
Sendo o iPad, um produto capaz de operar tanto no modo retrato como paisagem, é absolutamente incompreensível que sua porta de sincronismo tenha sido projetada apenas em uma única posição. Ou então, justamente na posição menos favorável. Vejam na imagem, o que acontece quando acoplamos produto e acessório.
Perceberam? Apesar do iPad Keyboard Dock ser um excelente acessório que além de sincronizar seu iPad com o computador, carregar sua energia e acrescentar um ótimo teclado físico, você só poderá utilizá-lo no modo retrato!!! Irritante, para não dizer inaceitável.
Mas um designer italiano sacou a parada e já fez o óbvio. Projetou o que ele pensa ser a idéia mais revolucionária do mundo. E posso garantir aos leitores que foi a primeira coisa que me passou pela cabeça ao acoplar os dois produtos. Vejam na imagem direita como fica melhor.
Mas o italiano que teve esta brilhante idéia repentina, não ficou só no óbvio. Fazendo justiça, sua solução completa, inclui utilizar o iPhone como trackpad do conjunto.
Oi? Uma deslavada tirada de bronca, né?
Mas não ficou só por aí. Pensavam que o casamento iPad xiPad Keyboard Dock tivesse só este probleminha? Estão enganados. Eles tem mais um. O cabo USB fornecido é obviamente muito curto. Em outras palavras, ou você tem uma tomada elétrica muito próxima ou terá que adquirir separadamente uma Fonte de Alimentação USB de 10 watts para iPad Apple (R$ 109,00) Apesar do nome pomposo, ao cabo e ao fim, é uma extensão elétrica. Algo que talvez já devesse ser fornecido junto com o iPad Keyboard Dock. Não?
Vacature (em livre tradução, vaga de emprego), uma das mais lidas revistas belgas, estampou em sua última edições a primeira de uma série de reportagens sobre a máfia belgo-brasileira do setor de construção civil. O roteiro é simples, mas com desdobramentos complexos. O setor, que responde por 5 % do PIB deste riquíssimo país - coração da União Européia -, estaria até o pescoço envolvido em tráfico de pessoas, falsificação de documentos, fraudes fiscais e sociais e lavagem de milhões de euros. Há muito tempo, a Bélgica - e mais especialmente a área urbana da capital, Bruxelas - virou o destino preferido dos brasileiros de baixíssima escolaridade, oriundos em sua grande maioria de Goiás e Minas Gerais, que vêm à Europa realizar o sonho de uma vida melhor. Fala-se de dezenas de milhares. ONGs locais arriscam dizer que residem até 40 mil brasileiros ilegais na Bélgica, embora o governo belga estime em torno de 20 mil . Aqui, os brasileiros se empregam de maneira clandestina na construção civil em empresas, geralmente mantidas em nome de cidadãos portugueses. Ganham entre 5 e 7 euros (ou entre 12 e 16 reais) por hora de trabalho, quando o salário-mínimo/hora, na Bélgica, chega quase ao dobro. Na maioria das vezes fazem jornadas de até 12 horas por dia, sábados, domingos e feriados. E, em muitos casos, podem simplesmente não receber salário algum. E, se isso acontece, não têm nem a quem recorrer, uma vez que são ilegais na Europa. Ir a um tribunal de Trabalho ao ir à Polícia significa ficar até um mês num centro de detenção, antes de ser repatriado ao Brasil.
Para burlar as regras de residência de não-europeus na Bélgica, alguns empregadores recorrem à falsificação de passaportes. Se o brasileiro é tem um sobrenome de origem lusitana, uma rede de "fornecedores" em vilas do interior de Portugal, pode oferecer passaporte português. Se é um sobrenome de origem italiana, a máfia se encarrega de arranjar um passaporte italiano. E assim os brasileiros passam a "ser" europeus - que não precisam de visto para permanecer nos países que integram a União Européia. A falsificação seria mais ampla no que se refere à contabilidade. Uma rede de contadores belgas ajudaria a "esquentar" a documentação contábil para fins de imposto e controle trabalhista.
A reportagem aponta que até mesmo grandes prédios públicos foram construídos com o trabalho desses brasileiros ilegais - geralmente usados através de sub-empreiteiras. E cita exemplos do futurista Palácio de Justiça de Antuérpia, a metrópole flamenga e até de prédios da Polícia federal belga. Também as obras de megacorporações contaram com mão-de-obra brasileira ilegal, como seria o caso do banco Fortis-BNP-Paribas.
Há dois testemunhos na reportagem. O primeiro é do rapaz da foto acima (capa da revista). Ele veio de Minas Gerais e vive há 9 anos na condição de ilegal. Com esse tempo, já consegue ganhar 10 euros por hora e diz que recebe entre 1.500 e 2 mil euros por mês, trabalhando 10 horas do por dia. Ele já foi repatriado uma vez, mas conseguiu voltar e já pediu visto permanente pelo tempo que reside na Bélgica. Ainda aguarda uma decisão. A muher dele está também ilegal e trabalha como faxineira.
O segundo personagem é um brasileiro que em 2006 recorreu a uma organização contra o tráfico humano. Assim consegiu ser reconhecido como vítima e ganhou visto de permanência. O ex-explorador dele, um português , foi condenado a uma multa. Pena bem mais leve do que os 4 anos de prisão decretados contra os acusados do últimos casos levados à Justiça, envolvendo vítimas brasileiras, em fevereiro deste ano.
A revista promete a segunda reportagem da série para este segunda-feira, dia 20. Os repórteres viajaram à Goiânia, onde estaria o centro do esquema de envio de brasileiros. Ele contaria com a participação de mais de uma centena de agências de viagens.
Assim, a imprensa belga abre um debate que há muito tempo deveria estar na agenda das altas esferas verde-amarelas. Como explicar que a sétima economia do mundo, o país "da hora", comandado pelo "cara", ainda não conseguiu ser o Eldorado para seus próprios cidadãos? O que faz um brasileiro deixar parte da família e amigos para trás, se arriscar em condições de trabalho e moradia precárias em terras tão distantes? Acho que são perguntas a serem respondidas no Brasil, assim como a Bélgica tenta resolver as questões que colocam em xeque o controle fiscal e humano de suas políticas públicas.
Quem tem iPad, iPhone ou iPod Touch (desde já e sempre conhecidos como iGadgets) legalizados (not jailbroken), já sabe que a única maneira de obter software é através da iTunes Application Store. Desta maneira, mantendo um certo controle de qualidade centralizado sobre os aplicativos desenvolvidos para sua plataforma, a Apple pretende evitar que código mal comportado acabe por ameaçar a boa reputação de seus produtos. E de quebra, levar parte do lucro dos desenvolvedores, é claro.
Tal modelo de negócios, antes restrito aos iGadgets, de acordo com o anunciado no último grande keynote da companhia de Cupertino, vai ser extendido aos portáteis e desktops da maçã, com a criação da Mac App Store. Em outras palavras, de agora em diante, todo e qualquer o software que você desejar para seu Mac, deverá poderá ser adquirido através da loja online da própria Apple.
E a data oficial de lançamento da Mac App Store já está lançada. 6 de janeiro. É esperar e conferir.
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Atualizado às 16:25
Segundo informações de ASF@Web, na verdade, o usuário Apple poderá também adquirir seus softwares direto de terceiros, como já vem acontecendo até o presente momento.
Agradecemos a retificação.
Eis o convite enviado pelo presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney aos convidados, para a Sessão Solene de posse da Exma. Senhora Dilma Roussef e do Exmo. Senhor Michel Temer, nos cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, no dia 1º de janeiro de 2011, sábado, às 14 horas e 30 minutos, no Plenário da Câmara dos Deputados.
O ditado anônimo que diz que “Deus escreve certo por linhas tortas”, é muito apropriado para definir como eu compreendo o sucesso estrelar dessa banda, inicialmente formada por uma só persona.
O mundo mais ou menos nessa época, em meados dos anos 90. Foi invadido pelo som raivoso de bandas que surgiram em garagens nos subúrbios de Seatle (EUA). Era o grunge, apropriando-se, inicialmente das FM’s universitárias americanas e rapidamente alastrando-se como praga para o resto das demais ondas invisíveis do rádio do mainstream.
Eu produzindo o special
Um som encorpado, sujo, claustofóbico. Com letras rasgando como uma adaga afiada, temas pesadíssimos como o suicídio na pré-adolescência, obullyingpraticado sem dó nem piedade e abertamente nas escolas americanas e, na maior parte do conjunto, detonando o way american of life.
O quase radicalismo sonoro, contemporizava com esportes radicais um hiato deixado desde os tempos dos Beach Boys, de modo que os antigos surfistas da praias ensolaradas do Hawai e outras paradisíacas espalhadas pelo mundo e seus luaus, foram sucedidos pela dura realidade cosmopolita de jovens massacrados pela competição, pela pressão por ser alguem na vida...
Skatistas e praticantes de outros esportes radicais, não demoraram e logo coloriram a selva de pedra com bermudas três números maior que o manequim do usuário, sustentadas por cintos militares e coturnos do exército. Camisas de flanela, tênis sujos e cabelos compridos. Constituindo uma verdadeira rebelião pós-anos 60. Uma nova tribo.
Penso que todos acompanharam o enorme sucesso de bandas como Nirvana, Stone Temple Pilots, Soundgarden, Pear Jam, apenas para citar algumas, vão entender o que estou pontuando.
Pois bem. Mas, por falar em suicídio, foi justamente esse gesto tresloucado do líder do Nirvana, Curt Corbain, morto em consequência de uma overdose de heroína, em 1994, que levou o baterista da banda, Dave Grohl, no ano seguinte, a "desencafufar" da escrivaninha, várias e belas músicas que havia composto anteriormente.
Três Grammys depois e prestes a lançar o seu mais novo álbum, com o nome provisório de – Frontline Noise –, o 7º da banda, revelou à todos o fenômeno aéreo que é sinônimo de ocorrência de OVNI's: o Foo Fighters, que é quem faz a festa deste especial em três volumes, especialmente para vocês.
Muito se fala em Neuromarketing na mídia, como se esta nova "ciência" tivesse a real capacidade de ajudar a vender os mais variados produtos, de carros a shampus. Apesar do grande potencial, o uso prático da Neurociência como ferramenta efetiva de marketing com o intuito de desvendar os segredos da mente de eventual consumidores, me parece ainda embrionário. O sucesso e/ou o fracasso de um produto, de um logotipo ou de qualquer tipo de lançamento no mercado depende muito da resposta do comprador, da empatia gerada pela propaganda ou da estratégia de marketing utilizada. Como interpretar as mínimas variações na reação de um olhar diante do produto, das alterações ínfimas no ritmo cardíaco ou do registro das ondas cerebrais por eletrencafalograma? Na verdade, a maneira como o consumidor conhece a marca influencia a localização do “arquivo” na sua memória afetiva, e o posterior valor dado ao mesmo. Resumindo, o primeiro contato é importantíssimo para a atitude da pessoa, a curto e a longo prazos. No Brasil, que seja do meu conhecimento, apenas a firma Millward Brown, sócia do IBOBE, utiliza o método. A restrição que eu faço, como leigo em marketing e como profissional da área neurológica, diz respeito ao exame mais utilizado no momento, o eletrencefalograma, bastante primitivo para a finalidade. Com o avanço e maior disponibilidade de outros exames, como a Ressonância Funcional, talvez então as nossas mentes sejam invadidas pouco a pouco. E não restam dúvidas de que os primeiros “astronautas” que “pisarão’ no solo virgem de nossos cérebros serão os marketeiros, a serviço dos empresários. Será uma verdadeira “Cruzada Capitalista” nos territórios da memória e do desejo. Para a nossa sorte e glória, ainda demorará bastante. Eu espero.
“O escândalo começa quando a polícia lhe dá um fim”, diz Karl Kraus, jornalista alemão. A referência é para o dia 25 de novembro de 2010, que entrou para história do Rio de Janeiro. Traficantes, após causarem pânico no asfalto, fogem da polícia que começa a ocupar o complexo do Alemão. O escândalo povoou manchetes de jornais do mundo inteiro. Na fuga, os bandidos deixaram armas, munições, meninas gestantes e uma reflexão mordaz sobre o uso de drogas.
Desde quando Neanderthal, os humanos buscam elixires naturais que os alegrem, inspirem, consolem, acalmem, estimulem, façam sonhar, e tirem as dores da alma. Assim nasceram maconha e cocaína - e tantos outros psicotrópicos -, com o objetivo de distanciar o homem da realidade frustrante que o enforca e entedia. A diferença entre o remédio e o veneno, nos aforismos de Hipócrates, é a dosagem, entretanto no seio da sociedade essa dosagem varia com o tamanho da hipocrisia entremeada nas alegrias, inspirações e sonhos mal definidos entre o traficante e o drogadito; o morro e o asfalto.
Mas como ser alegre, inspirador e sonhador sem ser hipócrita? Ou, como tirar as dores da alma sem precisar usar droga? Jamais pensei em achar resposta a esta pergunta, mas garimpando Ferreira Gullar, em Alguma parte alguma, dele achei o que queria: “A poesia é alquimia que transforma a dor em alegria estética. A Arte existe, porque a vida não basta!”
Para os anencéfalos que desconhecem o significado desta arte, o pensamento de Gullar é um estorvo, porém mal sabem que, como consumidores de droga, queimam seus neurônios desde adolescentes por desconhecerem o mais curto caminho para a esquizofrenia.
Uma vez instalado tais distúrbios passamos a rejeitar o doente e tê-lo como produto de uma sociedade desvairada em que o principal culpado é o traficante do complexo do Alemão, que passa a ser mira do Estado. Não só o Capitão Nascimento, mas o próprio Estado sabe que o traficante guarda a soberba num crucifixo de ouro porque os artistas e intelectuais entendem que fumar um baseado ou dar uma cheiradinha não vai virar a pá de ninguém. Ledo engano confeitado com o mais puro cinismo. São esses que começam a consumir desvairadamente e depois se tornam os doentes mentais que destroem famílias, arrasam lares e destroçam futuros... e nós continuamos a despejar a nossa ira para o Morro do Alemão.
Esta cadeia alimentar do tráfico é a centelha que gera a maior violência dos dias atuais, sem poupar os mais pobres e desavisados. Rouba-se, estupra-se, pisoteia-se, assalta-se, fere-se ou mata-se à queima roupa, em plena luz do dia, para pagar o débito. Não obstante, entre os afortunados, diversos artistas e intelectuais ficam apregoando uma espécie de "basta à violência", em que os próprios são consumidores de fuminhos e pozinhos, retro-alimentando a robusta e faminta cadeia do crime e do narcotráfico, em que estes são atores sociais medíocres, mas insistem em se passar por inocentes. Durante shows, alguns ainda pedem “paz ao mundo, não às guerras” com voz angelical e posando de pop; cantam o clamor pela África aidética e desnutrida (we are the world, we are the children...) com um apelo lacrimoso, mas nos camarins injetam LSD e propofol em suas veias.
Salve a arte de Ferreira Gullar que nebuliza os pulmões, entorpece o encéfalo, abre corações, cura a dor estética e agita o meu e o teu tédio Neanderthalista.
* Cirurgião de Tórax, amigo do poster e colaborador cada vez mais frequente do Flanar
Cada vez que volto a Mosqueiro, sempre reservo boa parte do tempo para passeios no amplo quintal que disponho em minha casa do Murubira. Faço isso desde os tempos mais remotos, quando me aventurava por ele, quando inclusive, ainda nem existiam as cercas e os muros que delimitavam as propriedades. Nesta época mágica, tudo era uma coisa só, ao sabor do ritmo da floresta que de fato, um dia houve lá. Conseguíamos ver bandos de macacos, atiçados pelas frutas da época. E também cobras e lagartos, é bom que se diga. Mas uma coisa, ontem ou hoje, sempre me chamava a atenção: as mudanças que o quintal sofria com a alternância das estações. Os odores das frutas da época. O taperebá, o cupuaçu, muruci, abiu, jaca, mangas, jambos. Enfim, uma ampla variedade de espécies. Naqueles tempos, cheguei a me perder numa picada por um curto período. Quase não acerto o caminho de volta para a segurança do lar.
Atualmente, este quintal nem chega perto da exuberância que chegou a ter no passado, quando se misturava sem barreiras aos quintais desocupados de outrem. Muros foram construídos, o mato foi capinado, preservando-se apenas as espécies frutíferas e substituindo todo o resto por grama. Uma pena. Mas ao mesmo tempo, inevitável.
Ao sabor destas lembranças, contento-me agora, junto com meus dois filhos, a fazer o mesmo passeio que eles um dia, talvez o farão observando outras mudanças. Fazemos isso sistematicamente todas as vezes que vamos lá. Observamos todos os detalhes e abismados, percebemos claramente o relógio da natureza, impondo-se a despeito das flagrantes alterações patrocinadas pelos homens.
E assim, com esta lua maravilhosa (imagem acima) do cair da tarde, fotografada ao fundo de um céu azul total começamos nosso exercício lúdico pelo quintal da magia, das lembranças e do coração.
E a primeira coisa que nos recebe, é o velho balanço artesanal, pendurado à sombra de uma grande castanholeira (árvore não nativa) que sempre trouxe a alegria das crianças. As mesmas crianças que hoje já avançam na idade e já não mais se interessam pelo prazer que ele um dia os proporcionou. Mas eles o visitam sempre. Pelo simples fato de que ele ainda está lá. Caminham ao redor pensativos e às vezes até o usam. Mas logo a atenção é atraída para outros alvos. E são muitos.
Como por exemplo, esta bela flor que aos montes, constituem um belo cenário em volta do centenário flamboyant que adorna a fachada da casa. Uma flor que tem um capricho. Abre-se de manhã cedo e vai se fechando até sumir por completo, já por volta das 10 h.
Em seguida, vem as jaqueiras, igualmente centenárias, que abrigam um pequeno banco. Quem já leu o post Mosqueiro e uma parte de meu coração (outubro de 2010), já viu as imagens deste banco. Na oportunidade, alguns comentaristas manifestaram a dúvida sobre como a jaca, um fruto enorme, se fixa a sua árvore. Preocupei-me desta vez, atiçado pelos leitores, a registrar a resposta. Elas se fixam assim, como na imagem acima.
E aos montes, ao longo do tronco, como nesta outra imagem. Pessoalmente, já afirmei que não gosto de jaca. É um fruto enorme, às vezes ao alcançe das mãos, de aspecto espinhoso e odor forte. Mas faz a alegria de alguns nativos e outros visitantes que a apreciam.
Alguns outros moradores, também podem ser encontrados às centenas. Mas estes, certamente, não são habitantes exclusivos de Mosqueiro. Na verdade, bom é ver alguns camaleões que ainda transitam pelos quintais. Mas o calango, a exemplo do balanço, das jacas, da lua e das flores, simplesmente estava lá.
Deixando o quintal, fizemos a outra parte do pacote Mosqueiro que adoramos fazer, almoçar e passear no belíssimo jardim/quintal do Hotel Farol. Merecia um capítulo à parte. Mas o tempo não vai permitir. Tenho que dar a sequência exata dos prazeres vividos por mim e meus filhos naquele lugar que ainda lutamos para preservar, à salvo das brutalidades e imbecilidades da vida contemporânea.
E o passeio pelo jardim do velho Hotel, revela o esmero de sua proprietária original (já falecida) e de seus descendentes, que hoje ainda tocam o negócio, daquele mesmo jeitinho de sempre. O toque familiar. Os proprietários ainda assistem televisão na sala principal do Hotel, junto com os hóspedes.
Mas vejam agora o que aquele jardim nos revelou.
Em primeiro lugar, algumas flores novas, como esta da imagem abaixo, que ainda não conhecíamos. Mas ela sempre esteve lá. Trata-se da sua hora, sua época de florir.
As árvores, todas frondosas e certamente centenárias, quase todas possuem belas bromélias em seus caules. A maioria, ao alcance das mãos e dos olhos curiosos, em busca do que estaria no interior de seu cálice.
E meu filho mais velho, hoje com 19 anos, jamais perdeu seu carinho e curiosidade pelos detalhes das plantas. Ele sabe. Há sempre algo lá. E vejam só o que ele descobriu, no interior de uma bromélia premiada.
Não é mesmo um prêmio? Esta simpática perereca, permitiu que eu a fotografasse, sem chegar muito perto. Seus olhos, talvez assustados, ou quem sabe, tão surpresos quanto os nossos.
Mosqueiro ainda é um paraíso para os olhos que o buscam com carinho e respeito. Ainda é um enorme santuário de lembranças maravilhosas da infância. Da minha, e felizmente, agora também de meus filhos. E tudo o que foi retratado agora aqui, com um pouco de sorte, ainda estará lá. Mas não por muito tempo. Passados alguns dias, semanas ou meses, tudo estará diferente. Mas estes singelos e lindos personagens estarão lá. E por este prêmio, eu sempre os registrarei. Na câmera, ou na memória.
* Todas as imagens são do poster. Todos os direitos reservados.
Em ciência, o número um não é estatisticamente relevante para fazer afirmações conclusivas. Mas é quanto basta para disseminar debates e controvérsias. Tal como está ocorrendo com a afirmação de cientistas alemães, de que podem ter conseguido curar um portador do vírus HIV. Após um transplante de medula realizado para tratar uma leucemia de que o paciente também era portador (esse rapaz deve ter aprontado muito numa outra vida...), os vírus desapareceram.
A controvérsia está no ar. Afinal, estamos falando de um tratamento com células-tronco. A depender do que se descobrir no futuro, muita coisa pode mudar. Tomara.
Venho, através do blog, pedir ao nosso colaborador freqüente Roger Normando que envie fotos e novas aventuras do seu famoso fusca azul-calcinha para postagem. Sei que o mesmo (o Fusca!) acabou de emergir de profunda cirurgia plástica e gostaria de ver o lay-out atual. Dr. Roger, por favor!
Poucas substâncias atingem tão positivamente a atenção, a concentração e a memória imediata quanto a cafeína, a nicotina e o álcool (este, em baixas doses). Lamentavelmente, e por motivos óbvios, os três não podem ser prescritos nem mesmo recomendados em consultório médico. Na prática, no entanto, o que a moçada acaba fazendo na balada é justamente misturando energéticos com cafeína (Red Bull e similares) a bebidas tipo ice (e muitas outras) e cigarro ("legal" ou “ilegal”). O efeito de potencialização pode ser bombástico e depende de organismo para organismo. Com cafeína e álcool juntos o comportamento do usuário tende ao perfil “valentão” ou “imortal”, o que acaba gerando muitas situações de risco de incidentes ou mesmo de acidentes, inclusive de trânsito. O álcool seda e a cafeína acelera, diminuindo perigosamente a sensação do real estado de hiporreflexia do usuário. No Brasil não temos, que eu saiba, energéticos misturados com álcool e hoje a BBC noticiou que bebidas deste tipo foram retiradas dos pontos de venda e terminantemente proibidas nos Estados Unidos. A mais famosa delas, a Four Loko, era vendida desde 2008 com estrondoso sucesso. Apesar de concordar com a medida restritiva, me pergunto se algumas clássicas misturas, como a Cuba Libre (rum com Coca-Cola) ou mesmo o secular Irish Coffee (café com uísque, creme de leite e açúcar) não poderão, em breve, ser consumidos apenas em casa e talvez até de maneira escondida. Nesse caso poderão ficar muito mais gostosos...
Na última quinta, dia 9 de dezembro, estive no Teatro Margarida Schiwazappa para encontrar uma "quase velha amiga". Não que nos una qualquer laço além daquele que normalmente envolve o fã com seu ídolo. Mas que Dulce Quental fez parte de um dos momentos mais sublimes e felizes de minha vida, isso é inegável. E pelo que pude ver na quinta-feira, ela fez parte das vidas de muitas outras pessoas queridas, contemporâneas de uma época vibrante, imediatamente após o fim dos anos de chumbo. A efervescência cultural daqueles tempos foi algo fenomenal.
Mas o show, em minha humilde opinião, foi plenamente satisfatório. Dulce cantou quase todos seus velhos sucessos e revelou alguns ainda nem finalizados. Errou em algumas performances, desafinou em algumas músicas mas, ainda assim, eu a recebi com carinho de volta a Belém.
Alguns amigos, entretanto, revelaram uma certa decepção com a voz de Dulce, antes tão doce e surpreendentemente roqueira, agora, visivelmente madura, rascante e até diferente. Não tenho talento nem conhecimento para crítico musical. Apenas transmito o que se passou comigo assistindo ao show, como um mero consumidor final. E para mim, foi bom. Emocionante mesmo em alguns momentos. Filmei algumas músicas e subi para o meu canal no You Tube. Vejam por exemplo, a segunda música do espetáculo. "Não atirem no pianista", com imagens em HD feitas pelo iPhone 4.
Para alguns, que podem ter chegado aqui, pensando se tratar de um post sobre uma maravilhosa residência localizada em Mosqueiro, peço desculpas. Não é sobre ela que irei falar. Mas falarei sim, sobre um mero pássaro, cujo canto, rico em fraseados melódicos, sempre me encantou. E neste fim de semana em Mosqueiro, resolvi registrar seu canto empolado, que saltava aos olhos de todos que pelo quintal passearam. Senhoras e senhores, com vocês, o maravilhoso canto do sabiá. Imagens geradas em HD mas disponíveis apenas em baixa resolução no meu estranho canal de vídeos do You Tube. Afinal, o que importa, não é o vídeo propriamente. Ou estaria errado?
Saiu hoje na iTunes Store o Google Latitude (link para download imediato via iTunes). A princípio, liberado como serviço web há 22 meses, o aplicativo lançado agora, permite de maneira voluntária que você compartilhe sua localização no mapa com amigos escolhidos. E por favor, não me venham com aquela "nóia" sobre privacidade (em alguns casos, a legítima preocupação tem sim níveis doentios). O ato de compartilhar é absolutamente voluntário. Em outras palavras, ao final de tudo, haverá um botãozinho ou link, ou algo que o valha, que você VOLUNTARIAMENTE apertará ou clicará, informando sua localização. E você pode controlar a profundidade da informação compartilhada, ou mesmo não compartilhar nada.
O que diferencia um filme kitsch de um filme cult? Provavelmente o mesmo misterioso fator com que faz que gostemos daquela música “meio brega”, daquele escritor “meio comercial” e/ou daquele filme de orçamento não tão alto, com cenas "meio banais", atores medianos e roteiro brilhante (ou nem tanto). É curioso como um filme dito classe B pode atrair a nossa atenção, nos mantendo grudados na telinha ou na telona por 2 ou mais horas. Neste final de semana fui vítima de uma produção americana/canadense de 2006, Serpentes a Bordo, com Samuel L. Jackson. Peguei o filme para ver por pura falta de opção e para a minha enorme surpresa passei todo o tempo ligado na trama, rindo com o toque bizarro das cenas de ataques dos ofídeos e com o toque de previsível imprevisibilidade do roteiro. Quando elogiei o filme em casa, todos disseram: “Serpentes a Bordo? Hahaha.” Na verdade existe preconceito contra tudo e contra todos também no mundo das artes, e, nos tempos atuais, até contra os filmes do estilo “não-Avatar" ou “não-Titanic”. Aqueles que deixam de correr riscos com esses filmes duvidosos acabam sem ver obras-primas nada famosas como os fabulosos O Som do Trovão (baseado em conto de Ray Bradbury) e Fenda no Tempo (baseado no livro The Langoliars de Stephen King). E quanto ao Quentin Tarantino? Brega ou chique? Cult ou kitsch? Você decide!
Não existem mais certezas no mundo, me disse outro dia um querido amigo, e cada vez mais concordo com ele. Uma das visitas que tinha planejado em minha volta à Turquia era ir ao templo dos Mevlana's Lovers - uma ordem religiosa islâmica mística, baseada na filosofia sufi, e que tem como fundador Jalalud-Din Mevlevi, ou simplesmente Mevlana. Ele viveu entre 1207 e 1273 na Ásia, entre o que hoje é o Afeganistão e a Turquia. Era filho de um rico pachá, mas abandonou a fortuna para ajudar os pobres. Uma espécie de São Francisco, mas numa versão mulçumana e mais mística ainda. Na prática diária de meditação, Mevlana instituiu a Sema - uma cerimônia onde o asceta dança. Primeiramente, gira o corpo no sentido descendente, para lembrar que tudo o que existe vem de Alá. Depois, gira no sentido ascendente, para manifestar gratidão ao Criador. Os adeptos dessa prática se tornaram mundialmente conhecidos como dervisches rodopiantes - e eles estiveram até mesmo no Brasil, na época do extinto Carlton Dance Festival, lá pelos anos 80. Os seguidores de Mevlana têm duas sedes: o lindíssimo templo de Istanbul (onde assisti, em 1999 uma dessas cerimônias) e o templo em Konya (centro sul da Turquia, onde se encontra o mausoléu de Mevlana, que é lugar de peregrinação). As cerimônias eram abertas ao público, com a condição de não se aplaudir, já que não se tratava de um espetáculo. Pois, em nossa viagem à Istanbul no mês passado, soubemos que o templo da ordem está fechado para reformas. Mas, cartazes pela cidade garantiam uma apresentação diária dos dervisches em um antigo hamam (um histórico prédio de banho turco). Ainda perguntei se eram os mesmos integrantes da ordem Mevlana's Lovers e todos diziam que sim. Mas, que nada. Assistimos algo completamente diferente da cerimônia que assisti 11 anos antes. Sem nenhum sentido espiritual, apenas aquela "exibição" de quatro ou cinco dançarinos - com certeza não integrantes da ordem de Mevlana. Em restaurantes de Istanbul, se anunciam e se fazem "espetáculos" semelhantes. A palavra dervische perdeu o sentido. Uma pena. Pensei que os verdadeiros discípulos de Mevlana talvez não tenham tomado providências para evitar isso. Quem sabe registrando o nome da cerimônia e até o termo que os designa. Na internet, achei alguns vídeos da Sema. E torço para que o espírito de Mevlana consiga restaurar o sentido dessa cerimônia em um tempo em que tudo está à venda, esvaziado d'alma.
É o que há, agora no twitter, a possibilidade, segundo documento vazado, que prédios públicos de Brasília, são alvos de prováveis ataques terroristas com a utilização de aviões.
Uma reedição do 11 de setembro americano.
-- Fala sério ai, ô... senhor embaixador americano.
-- Esses caras viajam na maionese de maneira pesada.
O baixista Nikolai Fraiture e o vocalista Julian Casablancas (filho do empresário John Casablancas) são amigos desde a infância. O guitarrista Nick Valensi e o baterista Fabrizio Moretti começaram a tocar juntos quando ambos estudavam na Escola Dwight emManhattan.
Mais tarde, Casablancas foi mandado para Le Rosey, uma escola na Suíça com intuito de melhorar seu comportamento; ele havia desenvolvido problemas alcoólicos. Lá, conheceu Albert Hammond Jr., ambos americanos, apesar de não serem muito amigos. Anos mais tarde, Casablancas se encontrou sem querer com Hammond Jr. nas ruas de Nova Iorque.
Coincidentemente, ambos viviam em apartamentos na mesma rua, um de frente para o outro. Albert e Julian passaram a dividir um apartamento e, em 1999, juntaram-se a Nikolai Fraiture, Nick Valensi e Fabrizio Moretti e formaram a banda The Strokes.
A popularidade do grupo cresceu rapidamente, especialmente na região de Lower East Side em Manhattan. Começaram então a se apresentar no Mercury Lounge, onde Ryan Gentles era um dos agendadores de concerto. Gentles ficou tão impressionado pela banda que passou a ser seu produtor.
O grupo passou a se dedicar a ensaios, mantendo seus trabalhos de dia (diz-se que Casablancas era um barman, e Hammond trabalhava num lugar chamado Kim's Video) resultando numa lista de dez a doze canções, entre elas "Last Nite", "Modern Age", "This Life" (atualmente chamada de "Trying Your Luck"), "New York City Cops", "Soma", "Someday" entre outras.
Posteriormente, a maioria dessas canções receberam novas letras.
1 The Strokes - "You Only Live Once"
2 The Strokes - "Juicebox"
3 The Strokes - "Heart In A Cage"
4 The Strokes - "Razorblade"
5 The Strokes - "On The Other Side"
6 The Strokes - "Vision Of Division"
7 The Strokes - "Ask Me Anything"
8 The Strokes - "Electricityscape"
9 The Strokes - "Killing Lies"
10 The Strokes - "Fear Of Sleep"
11 The Strokes - "Evening Sun"
12 The Strokes - "Ize Of The World"
13 The Strokes - "15 Minutes"
Depois de uma breve apresentação (aqui) sobre o gênio que considerava-se "apátrida" (e quem de nós já não se sentiu assim, num dado momento da vida?). Finalmente consegui a íntegra da 4ª Sinfonia, em Sol Maior, de Gustav Malher – que procurava há alguns anos.
Optei por esta interpretação pelos motivos a seguir.
Breve ficha técnica
Tonalidade principal: Sol maior
Composição: 1899-1901
Revisão: 1910
Estréia: Munique, 25 de Novembro de 1901 (Margarete Michalek, soprano e regência de Mahler)
1a. Publicação: 1902 (Viena, Waldheim-Eberle)
Instrumentação:
4 flautas (2 alternando com piccolos)
3 oboés (um alternando com corne-inglês)
3 clarinetes (um alternando com clarone)
3 fagotes (um alternando com contrafagote)
4 trompas
3 trompetes
Tímpano
Sinos
Pratos
Glockenspiel
Triângulo
Tam-Tam
Bombo
Harpa
Quinteto de cordas (violinos I, II, Violas, cellos e baixos)
Soprano solo
Duração: aprox. 60 minutos
Movimentos:
I- Bedächtig. Nicht eilen
II- In gemächlicher Bewegung. Ohne Hast
III- Ruhevoll (poco adagio)
IV- Sehr Behaglich
Texto:”Das himmlische Leben” (vida celeste), da ‘Trompa mágica do menino’
Comentários: Muito diferente das anteriores, apesar de manter íntima relação com as canções do Das Knaben Wunderhorn, a Quarta é uma sinfonia de rara transparência e beleza. Mahler, que recentemente havia travado contato mais profundo com a obra de J.S. Bach, procurou nela fugir dos grandes efeitos de massa e encontrar na simplicidade da combinação timbrística e contrapontística o ponto de equilíbrio desta obra. Assim, prescindiu dos metais pesados (trombones e tubas) e trabalhou com uma orquestração extraordinariamente econômica para seus padrões. Seu final estava originalmente programado para encerrar a Terceira, mas Mahler, muito sabiamente, escreveu para aquela um outro. Mais aqui.
A quarta sinfonia de Mahler foi composta entre 1893 e 1896, mas estreou somente em 1901. Curiosamente, a obra começou a ser escrita pelo quarto movimento, originalmente concebido como passagens na terceira sinfonia. Mahler, entretanto optou por escrever uma nova sinfonia tomando por base essa composição, acrescentando-lhe as três partes iniciais.
Sinfonia 4, Primeiro Movimento, Mahler
O primeiro movimento é absolutamente clássico na forma, com suas três seções principais (exposição, desenvolvimento e recapitulação) claramente delimitadas. Até mesmo a escolha das tonalidades em que são expostos os dois temas principais (tônica e dominante, respectivamente) é rigorosamente formal, tal como numa sinfonia de Haydn. Chama a atenção, entretanto, a figura inicial dos guizos (instrumentos tradicionalmente atrelados a cavalos), que parece convidar o ouvinte para uma longa viagem. De fato, esses mesmos guizos aparecerão novamente no quarto movimento, onde se conhecerá o destino da viagem. Uma breve prévia de temas da Sinfonia 5 em Do sustenido menor se desenha, apresentando sugestões que serão melhor trabalhadas nessa sinfonia alguns anos depois. A pintura que executei inspirada nesse movimento foi um anjo sentado sobre um globo, onde ele observa algo no céu acima dele. A exploração de algo que ainda não sabemos, de uma viagem pelo desconhecido. A trombeta em seu colo repousa, marcando que algo certamente será anunciado.
Sinfonia 4, Segundo Movimento, Mahler
Também o segundo movimento tem forma clássica – um scherzo com dois trios. A inspiração aqui é uma pintura de Arnold Böcklin, intitulada “Freund Hein spielt auf” (O amigo Hein toca). O tal amigo Hein, esclareça-se, é uma representação alegórica da morte, que traz um inocente violino no lugar da foice. Com fina ironia, Mahler aqui escreve um solo de violino em scordatura (quando as cordas do violino são afinadas de maneira especial) que soa propositadamente estridente. Nos dois trios, o tom sarcástico do scherzo cede lugar ao ländler – danças folclóricas alemãs que lembram o antigo minueto. A pintura que executei é clara: a morte e seu violino, ao invés da foice. Sua forma lânguida, seus cabelos brancos e pele claríssima a tornam uma figura incomum, mas previamente reconhecível. Diferente do conceito de morte que nos é passado no decorrer da vida. Devo ressaltar, que Mahler não somente enchergava a morte de forma pesarosa e de perda, mas também a via de forma gloriosa, à qual deveremos chegar triunfantes e merecedores de sua graça. Quem desse violino a melodia ouvir, flanará com o que se decorre após.
Sinfonia 4, Terceiro Movimento, Mahler
O terceiro movimento, lento e melancólico, tem a placidez de uma lápide. O tema principal, inicialmente apresentado pelos violoncelos, passa por diversas variações em que o ritmo vai se intensificando. Este tema é às vezes intercalado por outro em que se cria no ouvinte uma expectativa frustrada: quando se espera o clímax, sobrevém na verdade o colapso de toda música. Esta atitude é muito comum na obra de Mahler. Pouco antes do final deste movimento, entretanto, aparece um exuberante clímax verdadeiramente mahleriano, na tonalidade de mi maior, justamente aquela em que se encerrará a sinfonia. A pintura aqui nos passa algo de total perda e tristeza. Como uma lápide, a imagem esguia apenas lamenta, sem lágrimas. Parafraseando uma passagem famosa de Drummond, “A vontade de chorar é tanta, que perplexa ela se cala.”
Sinfonia 4, Quarto Movimento, Mahler
Das Himmlisches Leben
O quarto movimento é o ponto focal da sinfonia. Aqui aparece a soprano solista, cantando “Das himmlische Leben” (A Vida no Paraíso) – poema popular alemão, de autoria desconhecida, parte do ciclo “Des Knaben Wunderhorn” (O Garoto e sua Trompa Mágica), utilizado por Mahler em várias composições. “Das himmlisches Leben” é o canto de uma criança que morreu e nos descreve o paraíso, com suas comidas deliciosas e abundantes, seus personagens e afazeres, sua música perfeita. As estrofes são intercaladas por breves interlúdios orquestrais, onde se sobressai o guizo do primeiro movimento. Nas duas primeiras estrofes a música vai se esvanecendo, terminando em total placidez nas notas mais graves da harpa e do contrabaixo. Na pintura desse anjo que executei, passo o ritmo da melodia serena deste quarto movimento da sinfonia. Como se quem canta é ele, ou quem nos traz a melodia no ar é ele. A mão segura algo. O que?! Uma áurea de mistério. O que nos anuncia? A letra da música nos dira, mas muito suscintamente. Uma prévia do que Mahler acredita encontraremos.
Excertos de texto do Maestro Flavio Florence, titular da Orquestra Sinfônica de Santo André de 1988 até 2008, quando faleceu. Discussão e montagem por Felipe de Moraes.
As sinfonias de Mahler costumam ser divididas em três períodos. E cada período faz com que as obras se relacionem entre si, tornando a produção artística de Mahler um universo único e constante que merece ser compreendido em sua totalidade.
As sinfonias do Primeiro Período são conhecidas como Sinfonias Wunderhorn, e abrangem as sinfonias 2, 3 e 4. Elas têm esse nome porque têm vínculos com as canções feitas por Mahler do ciclo de poemas conhecido como Das Knaben Wunderhorn, já mencionados acima. Pode-se dizer que elas representam a busca de Mahler por uma fé firme e ao mesmo tempo uma busca para suas respostas acerca da existência.
A Sinfonia 1 usa elementos das canções do ciclo de poemas Lieder Eines Fahrenden Gesellen (Canções de um Viajante Errante) e Das Klagend Lied (A Canção do Lamento). É puramente instrumental e também tem certa relação com Das Knabem Wunderhorn, ainda que de maneira mais indireta.
As sinfonias do Segundo Período, a 5, a 6 e a 7, costumam ser chamadas de Sinfonias Rückert. Elas têm esse nome porque a composição delas foi influenciada pelas canções que Mahler compôs sobre os poemas de Friedrich Rückert (1788-1866). Elas são puramente instrumentais e as mais trágicas do ciclo sinfônico.
O Último Período não tem nome e abrange as últimas obras do artista: as sinfonias 8, 9 e a inacabada 10, além da sinfonia canção Das Lied von Der Erde (A Canção da Terra). A voz humana é usada em grande arte da Sinfonia 8, e ela costuma ser chamada às vezes de Sinfonia Coral.
As sinfonias 9 e 10 são instrumentais, e o poema sinfônico Das Lied von Der Erde é cantado, ao redor do qual existe um certo mistério. A princípio era para ser a Sinfonia 9, mas por superstição, Mahler preferiu que fosse conhecida como um poema sinfônico.
A interpretação que ouviremos é executada por Daniel Harding ao comando da Orquestra de Câmara Mahler, tendo como soprano solista Dorothea Röschmann, no quarto movimento. Gravação realizada nos dias 27 e 28 de janeiro de 2004, no Auditório G. Agnelli, no Centro Congressi Lingotto, em Turim, Itália.
Gosto muito dessa interpretação, ela explora profundamente a dinâmica, indo do extremo pianíssimo ao extremo fortíssimo. O colorido orquestral dos instrumentos é muito bem calculado e equilibrado. Uma referência para a interpretação dessa obra. Dorothea Röschmann não menos esbanja elegância, charme e intensidade interpretativa.
A Quarta Sinfonia em sol maior de 1899-1900 pode ser considerada um epílogo para as três primeiras sinfonias. É a sinfonia mais intimista e em menor escala de Mahler, com orquestra reduzida e virtualmente nenhum efeito grandioso. Não se pode falar de simplismo ingênuo em ligação com uma composição tão sutil e disciplinada, mas a atmosfera é certamente infantil, de modo sumamente apropriado. Não admira que seja a mais popular e acessível sinfonia de Mahler, e é a primeira em que ele se conservou fiel aos quatro movimentos do modelo clássico.
Pensou em subintitulá-la Humoresque – uma pista (se alguma fosse necessária) para suas ligações com as canções Wunderhorn e, em especial, com Wir geniessen die himmlischen Freuden, composta em março de 1892. Um dos primeiros planos para a sinfonia mostra que sua concepção precedeu a Segunda e a Terceira – mais uma prova de que as sinfonias de Mahler são uma cadeia contínua e interligada ou, para usar um paralelo literário, uma vasta novela autobiográfica, da qual cada sinfonia é um capítulo. A teoria de Paul Bekker, depreciada por Neville Cardus, de que toda a sinfonia foi germinada por essa canção, parece-me convincente.
Cada movimento está tematicamente inteligado à maneira usual e alusivamente sutil de Mahler. Em todo caso, eis as próprias palavras de Mahler a Natalie Bauer-Lechner em 1901 : “Eu queria realmente escrever uma humoresque sinfônica que acabou se convertendo numa sinfonia completa, enquanto que antes, quando queria que se tornasse uma sinfonia, ganhou o tamanho de três (dois pontos) as minhas Segunda e Terceira”.
O primeiro movimento é melodicamente profuso, sua tessitura e estrutura constituindo um avanço sobre tudo o que Mahler compusera até então. Nunca um contraponto foi mais inventivo. A lucidez e o frescor do material recordam, com freqüência, mais Haydn do que Schubert. O estado de espírito de Mahler é aqui dominado pela descontração, o mundo dos conflitos e agressões é ignorado, quando não esquecido. É inesquecível a sua vibrante abertura – ele qualificou-a de “melodia divinamente alegre e profundamente melancólica” (…).
Dessa obra tão conhecida e amada dificilmente será necessário fazer mais do que lembrar suas belezas: a delicada coda do primeiro movimento, por exemplo – sancta simplicitas, se alguém jamais a ouviu; e o levemente fantasmagórico scherzo, associado de forma tão maravilhosa por Cardus às sombras projetadas pela luz de vela na parede de um quarto de criança. Nessa fantasia-Ländler, Mahler faz muito uso de um violino solo, com uma scordatura que permite tocar um tom inteiro mais alto do que o resto e faz o instrumento soar como “ein Fiedel”, o precursor medieval do violino e a origem da palavra inglesa fiddle. Num dos primeiros esboços, Mahler escreveu dessa passagem : “Freund Hain spielt auf”. O amigo Hain que toca era um violino espectral que guiava o caminho para a eternidade ou a perdição. Os demônios de Mahler estão de folga nessa sinfonia e o amigo Hain é mais pitoresco do que macabro. Entretanto, cumpre recordar a descrição que Mahler fez da composição dessa sinfonia:
– Por causa da lógica irresistível de uma peça que tive de alterar, todo o trabalho subseqüente tornou-se confuso para mim e, para minha estupefação, eu tinha penetrado num domínio totalmente diferente, tal como num sonho nos imaginamos vagueando pelos jardins do Eliseu, entre flores de suaves aromas, e subitamente o sonho converte-se num pesadelo em que nos vemos lançados num Hades cheio de terrores. As pistas e emanações desses mundos, para mim horrendos e misteriosos, são freqüentemente encontradas em minhas composições. Desta vez, é uma floresta com todos os seus mistérios e horrores que força minha mão e se entretece em minha obra. Está ficando cada vez mais claro para mim que um indivíduo não compõe, mas esta sendo composto.
Daí o calafrio que, com freqüência, se apodera dessa obra luminosa, mesmo no adágio.
O final do scherzo, após uma sutil alusão ao tema do finale, tem um toque de severidade que se dissipa no adágio, o mais sereno movimento de Mahler, embora seu fluir tranqüilo seja interrompido, primeiro por dança e, depois, por uma “desintegração” apaixonada, tão poderosa quanto qualquer outra passagem da Quinta e da Sexta Sinfonias e, obviamente, o “Hades cheio de horrores” acima mencionado. Numa soberba passagem perto do final, a música explode sobre o ouvinte como um religioso afresco do Paraíso. Mahler usou a forma variação nesse movimento e pode assim, com extraordinária habilidade, manter lado a lado e interligadas as atmosferas de contentamento infantil do céu, um “céu azul sem nuvens” com Marta cozendo o pão e vozes angélicas entoando hinos a Santa Cecília.
A Sinfonia em sol maior foi publicada em 1902, mas Mahler reviu-a diversas vezes. É difícil acreditar que uma obra tão encantadora pudesse ter tido um acolhimento inicial tão frio – até mesmo a Alma ela desagradou – e que Mahler a descrevesse como uma “enteada perseguida”.
Sua revisão final, para suas duas récitas de Nova York, foi feita em 11 de outubro de 1910, mas Erwin Stein, na década de 1920, descobriu uma coleção de provas com revisões ainda mais extensas visando, como de costume, uma clareza cada vez maior. Incluíam mudanças de dinâmica e de sinais de expressão, e alterações tais na partitura como o reforço da melodia do oboé em quatro compassos no movimento lento pelo trompete com surdina, corne inglês e trompa, e uma redução do acompanhamento no finale. Também foram mudadas varias direções de ritmo. É como se Mahler, toda vez que regia suas próprias obras, voltasse a compô-las.
(KENNEDY, Michael. Mahler. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988 P. 109-112).
É isso aí. Espero que sintam o profundo prazer que eu mesmo tive, ao apreciar, peça de tamanha envergadura.